Este slideshow necessita de JavaScript.
07 segunda-feira fev 2011
Posted in Artigos
07 segunda-feira fev 2011
Posted in Artigos
07 segunda-feira fev 2011
Posted in Artigos
Tags
desaparecimento da escrita manual, e-books, escriba, escrita manual, I-pads, impressos, manuscritos, sofer
Como se sabe, na era dos i-pads e da digitalização a tendência mundial é que a escrita manual desapareça; e com ela os rascunhos.
Se faz todo sentido que as facilidades tecnológicas ajudem as pessoas obter acesso mais rápido e fácil às coisas e às ideias, o que não parece fazer muito sentido é que o preço dessa nova aquisição seja o apagamento da precedente.
Tudo para dizer que os manuscritos podem estar com os dias contados, mas talvez a memória de sua utilidade – e beleza — não possa ser simplesmente borrificada de nosso imaginário.
Em várias tradições, inclusive, ou especialmente, na judaica, há a obrigação religiosa espiritual de se produzir textos escritos à mão. Na arte do escriba (sofer) ensina-se desde o preparo do pergaminho até o desenho das linhas guia que receberá cada uma das letras do alfabeto.
Por que isso importa?
Talvez não importe. A sobrevivência dos artesãos é que importa. Estudos mostram que há diferenças significativas entre papel e tela no que se refere a absorção do material (seja ela cognitiva, sensorial, táctil ou metafísica) E a diferença deve ser mais do que aquela que existe entre o mundo tridimensional e o mundo virtual. A diferença é voce projetar sua luz no lugar de ter a luz projetada em voce, como comentou certa vez o cineasta Godfrey Reggio falando das diferenças entre cinema e televisão.
O manuscrito de Zult é mais uma prova da vitalidade do papel. Ele, por exemplo, sobreviverá a todo tipo de apagão.
E eles virão.
03 quinta-feira fev 2011
Posted in Artigos
A experiencia de Yan dentro da UTI é um dos episódios marcantes da parte III, o encontro com Antiocus ocorre num hospital, ou seja, em muitas passagens há narrativas onde a medicina irrompe-se, explosiva, no texto.
E não só porque a medicina é uma modalidade histórica de conhecer as pessoas, mas, porque os encontros terapêuticos envolvem doses do inesperado. O contra-intuitivo e a surpresa estão a espreita. Ante qualquer história clínica, profissionais de saúde deveriam ostentar uma placa, bem à vista, “esteja preparado para o imprevisível”.
O paciente de Yan, Sibelius, ex-adito, ex-drogado, vale dizer, ex-tudo, vai escalar uma montanha nos alpes bernenses e lá, em cima, só lá em cima, percebe que Yan não é mais seu médico.
O impacto gera desdobramentos por toda a história.
Todo culto à personalidade do médico, junto com toda dependência que uma relação de poder assimétrica produz, são pulverizadas de uma só vez.
A exploração da relação médico-paciente ocorre — mas não exclusivamente — porque esse autor aqui e médico. Mas muito mais porque, talvez, na sociedade contemporânea os temas da finitude e da proximidade da morte não podem escapar da medicina. Nem da religião. Mas o médico é esta figura, já nem tão mítica, muito menos cultuada, selecionada para lidar com os começos e com os fins. Por isso, e, para isso, Sibelius faz questionamentos duros que encurralam Yan.
Escritores médicos são muitos, mas nem sempre inserem os problemas da medicina em seus textos. Isso decerto não acontece por falta de conhecimento da patologia ou de uma abstrata — e superada — discussão do que é ou não científico.
Mesmo assim, é de grande ajuda poder fazer uma narrativa impondo precisão de linguagem e conhecendo problemas clínicos dos personagens, em seus detalhes técnicos.
O que a maioria dos escritores médicos não tem — falha, desinteresse? pouco importa — é a possibilidade de dar voz efetiva aos sujeitos enfermos. Por isso, é fácil explicar: pouco se fala a partir da perspectiva de quem está doente.
Não é à toa que as pesquisas mostram do que as pessoas reclamam no mundo todo: querem ser ouvidas!
E não é dificil saber porque estas vozes continuam aprisionadas: ela simplesmente não pode ser libertada, sob pena, como já comentou a historiadora da psicanálise Elizabeth Roudinesco, que a medicina deixe de ser “ciência”.
Do lado de cá, Sibelius têm voz. Ele, como ex-tudo, conhece os bastidores das drogas, da dependência química, das clínicas psiquiátricas, dos hospitais, dos ambulatórios. E acaba também conhecendo uma visão da medicina onde o médico se coloca como amigo, um semelhante solidário. E, claro, as vezes, turrão, intratável e ciumento.
Pois é, ao que parece, só se é médico de verdade quando se deixa de ser médico.
02 quarta-feira fev 2011
Posted in Artigos
Na segunda parte Yan e Sibelius levam a relação entre médico e paciente ao seu máximo teste, à sua máxima tensão: tornaram-se amigos. Quando isso acontece, perde-se uma possibilidade, mas, em compensação, muitas outras perspectivas aparecem.
Yan sabe que uma relação médico-paciente — originalmente assimétrica — que se estabiliza como uma relação entre sujeitos, pode mudar tudo. Em nossos dias essa mudança vai ocorrendo cada vez mais raramente. Principalmente neste século, a era da “expertocracia”. Isso vai muito além da pauta da medicina. Numa sociedade onde tributamos aos especialistas a palavra final, o veredito, o diagnóstico, o vaticínio, enfim o decreto, quase não se pode estabelecer relações autênticas.
Por isso Yan não sabe se quer mais ser médico, clínico geral, ou psiquiatra. Não sabe se quer obedecer as convenções que pedem e regulam as normas profissionais. Como ser autêntico se o que se pede é a dissecção entre razão e emoção entre frieza técnica e envolvimento curativo.
Yan quer trazer os pacientes para outro lugar, aquele de protagonistas de suas histórias. E para isso ele deve ser Yan, somente Yan, nada mais que Yan.
Nada de Dr. Talb.
Nada de Prof. Dr.
Nada de citações,
Longe das academias.
Yan quer limpar da vida todo artificialismo.
Como viram, ele sonha alto!
02 quarta-feira fev 2011
Posted in Artigos
Ela aparece em todas as partes e de diversas formas. Há personagens médicos, pacientes, práticos, taumaturgos, enfermeiras e hospitais. A medicina, mas mais do que a medicina a questão da saúde e da doença, é o tipo de ofício que sempre permeará as relações sociais e, portanto, as narrativas.
Na primeira parte Zult narra suas experiências — com os médicos de sua e de outras épocas — e percebe que um rabino, especialmente se for também filósofo, precisa aprender a lidar com as questões práticas da saúde.
Ele sabe disso, porque, ao se dispôr a ouvir narrativas, os problemas humanos cairão sobre ele. O que muitas vezes, a maior parte das vezes, determinará a intervenção, modulará seus conselhos e até definirá rezas e jejuns.
Por outro lado, ele sempre fica perplexo com a falta de humildade dos médicos que, as vezes, fazem suas predições sem conhecer o contexto com o qual estão lidando. Neste sentido, Zult tem uma enorme vantagem: ele sabe ouvir. Essa audição generosa força o encontro entre sujeitos como a forma mais elevada de relação, e isso cura.
Pode parecer estranho para muitos, mas é a relação que(m) cura. E se ela é curativa não é pelo exorcismo, nem pelo alívio catártico. É pelo estar aí.
Não se trata de subestimar os medicamentos, as sangrias ou as rezas. Mas aqui se trata de compreender que uma “consulta” — seja ela de que matiz for — é um tremendo instrumento para fazer surgir perspectivas. As novas.
A sabedoria judaica sempre foi pródiga em produzir interferências através dos recursos de linguagem. Freud e todos os psicanalistas das mais variadas tendências, mesmo à contragosto, precisaram beber — alguns se enxarcaram — dessa fonte.
Zult sabe tudo isso, e aproveita ao máximo sua capacidade para, com habilidade, explorar esse caminho.
01 terça-feira fev 2011
Posted in Artigos
A medicina, grosso modo, não parece ter nada a ver com a literatura. Mas uma leitura mais atenta da prática médica modifica rapidamente essa visão. A medicina é uma possibilidade relacional importante. E a relação entre médicos e pacientes mostra que os problemas da humanidade “explodem” na cara da medicina como já apontamos em nosso documentário sobre o tema “O nome do Cuidado”. (Ateliê Editorial, 2009)
Claro que em quase todas as outras atividades humanas esta relação também se manifesta, porém na medicina ela é mais direta, intensa. Há, necessariamente, por exemplo, drama e sofrimento. Isso significa que a interlocução entre terapeutas e pacientes deve colocar a atividade como grande produtora primária de diálogos e imagens, a maioria muito fortes. A medicina é, nesse sentido, um grande manancial de temas e enredos. Não é nada fortuito a explosão de seriados americanos em que os médicos figuram como estrelas ou vilões, de qualquer forma protagonistas relevantes. Relevantes porém cosmeticamente apresentados sob estereótipos, distorções caricaturais, e, a maior parte das vezes, figuras beócias.
Além disso, distorcem violentamente — prestando um desserviço à causa da medicina , sim ela é uma causa também – quando enfocam a patologia como o cerne de todos os problemas. E ela não é. Ao esquecer do sujeito ou segmentá-lo ao ponto de deixá-lo irreconhecível as séries de TV (repetindo uma redução que a vida real se encarrega de fazer) a medicina é apresentada como uma oficina excêntrica onde se misturam — a ponto de confundir — peças vivas e alta tecnologia.
De qualquer forma um médico — com habilidade literária consistente — pode ter menos trabalho em adaptar sua ficção à verossemelhança pois parece que ela já está lá, organizada, e, em linhas gerais, pré-construída.
Além do sofrimento intrínseco — e dos dramas correspondentes — o contato com a morte é um aspecto importante a ser considerado no elo entre medicina e literatura. A morte é evento comum, quase banal. Debalde, na vivência subjetiva de cada um de nós que conhecíamos quem faleceu, ela é um tabu. Sempre uma excepcionalidade, que, em boa parte pela formação ingênua que recebem, os estudantes de medicina pensam poder combater. Muitas vezes, ela pode ser adiada, evitada, contornada, provisoriamente postergada, mas eis um inimigo verdadeiramente imbatível.
Nesse sentido, a medicina tem um forte componente literário já que aos médicos — mesmo aqueles mais insensíveis — resta lidar (em diálogos ou no silêncio da observação) com sujeitos que não vão bem.
Vidas fracassadas — na matéria ou no espírito — de algum modo entram através das portas dos consultórios e hospitais, trazendo carga, biografias e sintomas. Infelizmente, nem sempre elas se tornam vísíveis.
Continuo.
31 segunda-feira jan 2011
Posted in Artigos
As vezes temos uma idéia e ela é, já, acontecimento. Exige apenas que disponhamos de tempo.
O tempo é uma chave importante.
Como pensava Montaigne, as vezes basta viver. Isso significa que a literatura sapiencial não foi abalada pela subliteratura de auto ajuda. Em outras palavras o ócio e a vida improdutiva tem sua razão de ser. Quando pensamos que o dia foi um desperdício, sempre temos que amenizar o gosto pela auto-desmontagem,
Por acaso não existimos?
O Senhor não vê desta forma?
Eu respeito, posso terminar?
Não há nada “improdutivo” se levarmos em consideração que a produção tem uma dimensão interna, subjetiva. É verdade que no mundo palpável, de carne e osso, onde tempo representa dividendos, isso parece não fazer sentido.
O Senhor deseja falar sobre o sentido? Não pode aceitar que neste mundo sejamos liderados pela subjetividade?
O sentido, Senhor, como deve saber, não nasce feito.
Ele é talvez o trabalho, o único trabalho. O mais difícil e exaustivo ofício humano. Eu sei que para o Senhor não há espaço para tamanha digressão, mas posso insistir um pouco mais?
A contemplação virá pela entrega. Pela entrega ao seu próprio desejo. Claro que temos que pagar as contas Senhor. O que não temos é que ser apenados a ter esse como único destino.
O “obterás o sustento através do suor do teu rosto” não pode, nem deve obliterar as nossas aspirações. Aquelas, da agenda subliminar.
Ah? Não sabe do que se trata?
Senhor, a agenda subjetiva, não é só uma rotina de compromissos, nela é que vivem as ideias que nos trarão ao bom, se é que saudável, desconforto.
É assim, assim que a contemplação pode vir a ser uma fábrica de perspectivas (mas não de falas premissas).
Senhor, não se pede que acredite em mim. Mas, por favor, (posso rogar?) tenha sua própria experiência.
28 sexta-feira jan 2011
Posted in Artigos
Tendemos a mistificar o mundo material e desmistificar a transcendência: endereços errados. É só mais uma pequena prova de que tudo, precisa mudar, tudo!
Pois não acho que a vida seja, conforme Ortega Y Gasset “puro acontecimento”. O espírito pede, também, sentido. Vou reformular: para ele, espírito, só há fome de sentido.
E qual é o sentido?
Não há resposta Senhor! Há de ser descoberto individualmente, na conclamação particular de cada um, numa reza, dentro de um suspiro ou sob insônia.
Agora pode sentir? Precisamos de uma mudança fora de proporção, única, radical. Um evento como nunca houve. Estamos maduros. Acredite Senhor, estamos maduros. Faremos e ouviremos e agora é a hora.
Se isso é delírio?
Pode ser, é verdade. A meu favor e em benefício de todos, posso te demonstrar que não se pode eliminá-lo.
Pode parar de balançar a cabeça?
Não te convenço fácil, eu sei. Mais ainda digo que todos, todos nós, precisamos de um pouco desta dimensão execrada aqui na América, a presença da desrazão. Numa certa proporção asseguro: sem ela não conseguimos viver.
Fui eu? Eu quem falei em desmistificação?
Sim, falei, do meio, vale dizer, do alto do meu isolamento, foi exatamente isso. Preciso confessar: isso não me torna menos adepto da utopia. É ela. Ela é a medida certa. A medida.
Se é um lugar sem lugar não sei dizer, mas Senhor, pense melhor. A utopia é, em certa proporção, o que nos torna viáveis como sujeitos. Só assim somos ou podemos vir a ser.
Quem falou em masturbação mental?
Falei de um giro tão violento que carregasse os arredores consigo. Digo que precisamos de uma renovação para os critérios que construiram para nós, mas não por nós.
São os políticos?
Não só eles Senhor. Pode ver? Abriu o último jornal? O mundo tem sido regido pelo conceito de bolha. Bolhas sequenciais. Bolhas sucessivas. Bolhas econômicas, sociais, religiosas. Posso? Ousar perguntar?
— Não está na hora de uma novidade?
Quem sou eu para falar assim?
Tem razão. Total razão.
Preciso resolver isso antes, antes de tudo.
27 quinta-feira jan 2011
Posted in Artigos
Onde estava Deus é uma pergunta que muitos sobreviventes do holocausto (famosos e anônimos) fizeram. É comum ver a pergunta …
27 quinta-feira jan 2011
Posted in Artigos
alguém para israel
defenderá (que vácuo irmão?)
e poderá saber (dos povos)
e dos omissos, canhões
quem foi quem em tua voz?
quem te deu voz?
e qual foi a defesa?
na inflamada festa dos que te destestam
só um homem opina
aquele que sonha que Deus dorme
enquanto dínamos vão sendo embrulhados
e os fios caem, dispostos ao ódio
israel permanece, em paz ou menos
israel vive
até que os homens durem na tolerância,
alguém para israel.