Sanidade, Talmud e as delimitações da ciência (Blog Estadão)

“A ciência funciona porque se limita a um grupo pequeno de assuntos. Não há ciência com letra maiúscula. Alguns dos cientistas que lidam com as grandes questões são acusados pelos colegas de praticar filosofia. Eu os respeito e minha formação original é em química, não em ciências humanas. Tenho muito mais prazer em falar sobre um tubo de ensaio e testes laboratoriais do que de assuntos filosóficos, mas a ciência faz parte da insanidade. É parte da insanidade quando assume que os assuntos são muito maiores do que eles realmente são. Quando se fala com um cientista, perguntam-se coisas, que se você for sincero responderá: como por Deus eu vou saber? Você me pergunta sobre o destino da humanidade? Eu não saberia responder. Se você me perguntar o que vai acontecer daqui dois dias, como vou saber? Eu posso responder sobre as poucas coisas que eu sei agora. Eu não tento fazer da ciência uma espécie de deus pagão. E ao fazer isto, eu estou fazendo bem à ciência porque é isso que ela é. Quando o sol é um deus, é um deus perigoso, quando o sol é apenas uma estrela no céu é muito mais fácil lidar com ele.”

Adin Steinsaltz, Químico, Filósofo, Crítico Social e Rabino (em entrevista à Globo News em 2016)

Adin foi uma das pessoas mais impactantes que tive a honra de conhecer, eclético e vivaz, cujo espantoso domínio de muitos saberes simultâneos lhe valeu a justa definição de “autêntico homem da renascença”.  Pois ele dizia que o livro que mais o impressionou foi o Talmud. Uma coleção redigida há 1.500 anos cujo trabalho de tradução para o hebraico moderno lhe ocupou 4 décadas. Steinsaltz enfatiza o aspecto dialético e o estilo do livro: segundo ele o Talmud não ensina a sanidade, ele a cria.

Como?

Induzindo o leitor a tomar parte do livro e formular novas perguntas, a curiosidade, o desejo de entender tudo sob um novo olhar. A cada vez que se lê o mesmo texto o sujeito é deslocado: trata-se de um livro único. Um gerador de dúvidas. Um livro anti dogmático que não tem as respostas, nem se limita a fazer narrativas, mas te induz a perguntar. E a se perguntar.

Não é exatamente esta a lacuna da civilização contemporânea ?

Diante da aflição do mundo surgem aqui e acolá artigos que pedem união e reconciliação nacional, e internacional. Louvável, não deixa de ser um apelo à sanidade. Mas reconciliação sem autocrítica é rendição incondicional. Como unificar a sociedade quando um olhar retrospectivo mostra posições cada vez mais cristalizadas? Como se vivêssemos às portas do paraíso e tivéssemos sido expulsos de lá por novos governos, pandemias e aguda falta de diretrizes dos líderes mundiais. Ora, não é de agora, todos nós já reclamávamos de tudo faz um bom tempo. Ou não?

Quantos mensageiros do sétimo selo testemunhamos rondando por ai? Anunciavam de conspirações mundiais à asteroides da extinção, de mega pandemias (uma bem maior do que a atual) à ruptura dos pactos sociais, da Terra inviável ao colapso do capitalismo.  E não é que parte da mídia e dos intelectuais, cujo “que fazer” deveria ser o exemplo máximo de autonomia mental e emancipação, enfileiram-se  a um ou outro lado para exercer o domínio da informação baseada em ideologia?

Esse é o principal ingrediente da insanidade contemporânea.

O grau de certificação das comunicações está comprometido de ponta à ponta pelas posições solidificadas.  E quanto aos consensos? Os consensos foram estão sendo estabelecidos à revelia da opinião pública sob os seguintes slogans hoje já difundidos sem modéstia ou vergonha:  “Os votantes são ignorantes”, “As massas incultas e ignaras não podem decidir o que é bom para elas, mas mãos à obra, nós nos incumbiremos desta nobre e penosa tarefa”, “O povo, infelizmente, ainda não tem o poder de interpretação, nem as informações necessárias, mas nós, as elites pensantes poderemos suprir tais lacunas, e, com sorte, os libertaremos da ignorância e da opressão”. A objeção à esta postura nomeou-se anti intelectualismo, quando, no máximo, seria critica à instrumentalização da ideologia realizada por parcela significativa de pessoas que julgam-se capazes de pensar pelos demais.

Não é possível apontar culpados, mas o diagnóstico é evidente: as instituições vem fracassando. Quanto antes admitirmos, melhor será. Se não tivéssemos os números anuais constantes de uma guerra civil por ano (58.000 homicídios/ano) a pressão e o apoio à posse de armas cairia no esquecimento. Se as correntes extremas não tivessem destruído o centro, não estaríamos reféns dos extremos e extremistas. Se o judiciário estivesse cumprindo seu papel e não tivesse a pretensão de usurpar atribuições e legislar, a constituição ainda estaria sendo respeitada. Se o legislativo tivesse alguma efetividade talvez o Estado pudesse deixar de tutelar a sociedade. Se o Poder instruísse e explicasse melhor em campanhas maciças sobre a importância das medidas de prevenção talvez não precisasse algemar pessoas. Se quem destruiu o País na última década estivesse politicamente neutralizado talvez tivéssemos uma chance de renovação completa e não sermos mais desta vez condenados ao voto útil e apoio crítico nos próximos pleitos. Se cada disciplina entendesse suas próprias limitações não teríamos a desinformação sistemática.

É evidente que foi contra os consensos artificialmente costurados entre quatro paredes que o império das falsas notícias foi erguido. A pós verdade é apenas uma resposta à verdade de gabinete. Ou seja, o falso, não deixa de ser, ele mesmo, o equivalente à uma espécie de contra inteligência. A titulo de corrigir a desinformação ou a informação seletiva responde com mais desinformação. Portanto, a difusão de notícias obscuras não pode ser combatida com “checagem de fatos”, pois este recurso também encontra-se dominado por uma hegemonia disfarçada de pluralismo e usando a retórica de um falso multilateralismo.

É preciso compreender que o disparo de inverdades não passa de um sintoma reativo, não a origem do problema. É como se o monopólio da verdade estivesse guardado à sete chaves em algum recesso ignoto — protegido pela linguagem politicamente janota — que só alguns jornalistas e bem pensantes possuem, e à qual toda população precisa se submeter. Tudo para nos prescrever o significado unívoco de justiça e verdade.  Ora, foram as redes sociais, estas crias bastardas do jornalismo periférico, que acabaram por desnudar os trusts brancos que controlam a informação. Foram elas, com todos seus defeitos e perversões, que expuseram a fragilidade do que era ditado pelos boards corporativos e pelos gabinetes científicos e políticos. Censura-las é um método autocrático de controle que não costuma terminar bem.

O mundo pode ter parado, as pessoas podem ter sido trancadas, mas há algo dentro de nós muito vivo, que recusa a paralisia, e ela atende pelo nomes:  liberdade e criatividade. Ninguém imaginaria que a divisão na sociedade chegasse à insanidade máxima: hoje temos até medicamentos de direita e de esquerda, um fenômeno, digamos, para bem além do inconcebível.

Decerto é muito mais fácil definir a loucura do que a sanidade, mas há uma pista para compreender o conceito de sanidade: como anda nossa capacidade de formular perguntas e estabelecer diálogos?

Já a loucura, bem, nem é preciso sair de casa para capta-la.

Basta prestar atenção no silêncio.

A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park

Paulo Rosenbaum

Resenha*

A verdade lançada ao solo, de  Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.

Por Regina Igel / University of Maryland, College Park

            Há certos sabores que só podem ser apreciados lentamente, para que a língua tenha mais vantagens em degustá-los e  ganhe tempo para informar o cérebro sobre eles. Respeitadas as coordenadas referenciais, é o caso do livro  A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. É obra que exige lenta leitura, com pausas regulares, preenchidas por contemplações, reflexões e meditações. Para se aprender, pelos caminhos do rabino Zult Talb, o que é a alma, se ela transmigra ou não, onde se pode encontrar Deus, como chegar até o Criador (ainda como ser vivo), enfim, para ser saboreado em seus meandros místicos, filosóficos, científicos, pessoais e universais, este livro tem de ser lido lentamente. (Eu levei um mês mais uma semana para terminar a leitura…

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Diário do apartamento 3 – nostalgia do nunca vivido (Blog Estadão)

Diário do apartamento 3 – nostalgia do nunca vivido

Já são 43 dias. E a coragem para avaliar a pestilência? Sabem por que nunca mais estaremos unidos na melancolia? Porque existe um estado chamado de “nostalgia do nunca vivido”.

Ao descer até a pátio do prédio o que pretendia era esquecer de tudo isso e deixar as dúvidas existenciais de lado.

Jurei que, com a máscara posicionada, passearia ao ar livre disposto à superação. Quando cheguei na entrada do prédio um rapaz, lá da calçada, me perguntou se eu estava bem. Obviamente que não, mas aprendi a  inventar desculpas para poupar aqueles que nos rodeiam:

–Considerando as circunstâncias amigo, vamos levando a vida, respondi, cumprimentado-o com a mão estendida.

Ele saiu do meio fio e foi se aproximando. A tensão cresceu, seria ele um suposto baixo risco disposto a cruzar os limites de segurança?

Enfim ele parou, para me perguntar. Não usei a trena, mas estimo que ele obedeceu a distância regulamentar. Era só uma pergunta, mas soou provocação:

— E isso é vida? Ele gesticulou indignado.

O depoimento confessional é uma saída. Ali, naquele instante, me ocorreram loucuras, quem sabe sair correndo, desafiar a lei,  insultar a ordem e o progresso, vociferar contra o legislador e o saqueadores de plantão. Gente, que de uma forma ou de outra, a pretexto de salvar vidas, está pilhando nosso bem estar. Aliás quem são os protagonistas que estão tiranizando as aspirações de bilhões? E principalmente por quê? Ninguém se pergunta sobre a proporção entre vidas supostamente poupadas e aquelas prestes a ser arrasadas, destituídas, simbolicamente apagadas? O problema não é a quarentena, é o “pega vírus” que tem servido para despistar a inação, a falta de planejamento, o desgoverno.

Criminalizar aqueles que legitimamente se preocupam com o futuro é acelerar a destruição do presente. O vírus é mais um front vazio. Sim, ninguém nega que ele existe, mas é evidente que está a caçoar de todos nós, e é bom lembrar que nem mesmo sabemos se ele é ou não um ser vivo. O que seria se o fiapo de RNA cometesse a imprudência de analisar o que se escreve nas redes sociais e os comentaristas da TV?  Decerto se poria espantado com a magnitude de sua ação.

Fracos como eu estão cada vez menos dispostos a ir para ao sacrifício de uma exposição precoce, e lá no fundo já sabemos, toda postergação será insuficiente. Até a vacina? A imunidade populacional? Até uma terapêutica 100% garantida? Ora, estamos nos enganando? E se não estivermos todos tão enfraquecidos assim?

E é quando estou sem ver os noticiários escatológicos — que limitei a 5 minutos diários — que sobrevém um pouco de clareza mental. A rotina é essa: assim que desligo os entusiastas do catastrofismo, as vezes leio as postagens. Uma delas chamou minha atenção, uma história atribuída a Carl Gustav Jung.  Apesar de me considerar um freudiano intuitivo, esta fez sentido. Ela desafiava o senso comum ao contar que, em função de uma epidemia, um sujeito fora confinado em um navio no século XIX. Reduziu a ração pela metade e até aumentou voluntariamente as privações às quais estava submetido. Segundo ele, era uma forma de melhor sentir — e aproveitar — a vida.

O problema para mergulhar num cenário de esperança é que os discursos instrumentais dos noticiários ficam nítidos. Prevalece a sensação de que sempre estivemos sós. E de que fora de sua unidade familiar com a qual você se encerrou junto, o mundo externo parece ter se esvaziado de sentido. Essa é a jornada de guerra mais obscura jamais percorrida. Não há marinha, aeronáutica nem exércitos, mas no mundo inteiro testemunha-se a fome do poder ,e, um certo esfacelamento da cultura. E então, como metodólogos do empirismo selvagem, usam o “qualquer coisa serve” para consagrar teses que jamais escreverão. Da terapêutica às políticas sanitárias públicas onde a medicina é a que menos importa, o poder insiste em depreciar a subjetividade e o sofrimento dos cidadãos.

Então, que pânico é este?

Olho para os de “menos risco”e penso: gerações em desperdício. Entre vidas ceifadas, e vidas resguardadas — só saberemos adiante o real significado do sacrifício — mas jamais saberemos de vidas que nem vieram à tona. Vidas que não estão acontecendo. Vidas conduzidas ao estado de animação suspensa. E a filosofia da ética insiste em perguntar: quem pode controlar a vida dos cidadãos, com ou sem álibi? Quão oportuno é conseguir nos manter em cárcere privado, enquanto os abusos de poder e legislações de exceção prosperam? O medo é insuperável. Mas, também, o desejo de liberdade. A geração do pânico desorganizador conta com a cumplicidade de muitas forças. Para elas, o terror não é só pedagógico, é um território fértil para pesquisa eleitoral.

Depois da última descida ao pátio, agora só uso as escadas do edifício. Como confessei antes, sou do chamado grupo de risco. Meu risco é ser riscado sem poder voltar a ver o céu.  E meu céu não é o céu comum. Meu céu é uma intuição de horizonte, aquela faixa que lá no fundo, você sempre soube, deveria ser sua, e quem sabe a alcance um dia. A fobia induzida conseguiu ir bem além de restringir a liberdade, coibiu a vida. Antes das pedradas, não pensem que não estou dividido. Há uns dias alguém me criticou “não te basta estar vivo?” Eu nem respondi, mas é óbvio: não. Lembrei da frase de Montaigne quando parodiou Cícero: filosofar é aprender a morrer. Há ocasião mais perfeita para tal empreendimento? Meu lado médico quer preservar os sistemas de saúde, o resto de mim quer mais é romper o lacre do humilhante respiro que nos deixaram. Se as instituições não estão preparadas para emergências servem para que? Se não conseguem educar para a civilidade mínima, o que estamos esperando? Nada mudará, enquanto estivermos fazendo o oposto da única tarefa cabível, aproveitar o dia.

Um vento frio sopra, é a oportunidade para me despedir do vizinho provocador e iniciar meu retorno à solitária. Avanço alguns andares e recorro à janela basculante, já quase sem fôlego. É minha chance de enxergar o um pouco de horizonte os céus. Consigo discernir o azul calmo das nuvens cinza chumbo que viajam em rápida dispersão. Uma tempestade se anuncia.

Rogo pela iminente tormenta, imagino ela levando as ameaças para longe.

É ai que noto, olhando bem mais acima: cheguei ao olho do furação.

 

 About the Brand New Medicine[1]

       About the Brand New Medicine[1]

 

It is not unusual to hear people talking about crises in medicine. However, no matter how much I look for them, I cannot detect them. At least, not as a subtle drama, crises of conscience or exhaustion of the scientific model where it is based. On the contrary, its hegemony is increasing solidly and comprehensively. Then, where would it, this crisis, be located? I state that it is not in the success of technological reasoning, since the success of new technologies is not only spectacular, but also seems to have the consistency of what is both final and irreversible.

 

The validation regime of medicine procedures is so extraordinary and it cannot afford to care too much for the so called “minor” issues, such as, for instance, the conflicts of interest that take place in scientific publications, even when not recognized. It is not that the conflicts are not being evaluated and much less that they do not generate true concern, but that there is no reasonable solution for them. This may generate perplexity, but in a very practical way: a subsidized researcher is, first of all, a paid employee. His/her function is to submit to a system that, either explicitly or implicitly, requires the presentation of accounts. They have to produce to justify their costs in the technology production/generation line, and this leads to the fact that papers, that grow geometrically against readers that are not able to update themselves, end up by being a de-luxe surplus. In other words, the problems of scientific production are like roots that cannot be properly separated. To control them, we would need research centers subsidized by the State, that would also have to be relatively exempt and independent in its scientific production and evaluation policies. Obviously, this does not happen, since the States have become less and less impartial in their research policies. In the case of medicine, unfortunately, the development of an expensive drug addressed to a disease that has higher visibility in the public opinion – although it may not be a priority – takes precedence over social-educational actions or substitutive/supplementary techniques that have a lower immediate impact on the media. Considering that elections are all short or extremely short-term events, it is not difficult to infer to what side economic decisions in health will lean. This is the game currently played by scientific research in the political world of subsidies and it does not help – quoting Ronald Laing – to pretend that we do not see the game that they pretend they are not playing.

 

As most of the experiments with new drug substances and vaccines, as well as the development of biotechnology are in the hands of private initiative, there is no space, or perhaps, even interest, in going beyond the bureaucratic dimension of the discussion. It becomes automatically hostage to vices that the anti-vice regulations tried, uselessly, to correct. This is not about understanding the script of the way Franz Kafka saw the world, but to point out problems, that, by being so astonishing, operate as blind points of scientific discussions’ development.

 

In practice, this means that he new is, a priori, doomed, or, at least, with high chances of never being born, or of being prematurely suffocated in the institutional environment. In this direction, the sanctuaries of innovation, the Universities, end up by working against themselves, or, at least, against the idea of their permanence. Therefore, we have a new paradox, since the purpose of research – that is not necessarily the endorsement of institutionalized procedures – but of acting against the nature that created it: the creation of the new.

 

As an example, this may be better seen in public policies for the cultural area: independent movies or any artistic activity that is not commercial, are able to survive only with the government support and backing.   This induces at least two types of questionable statements: the denouncements of overuse of simplistic and abstract generalizations, such as to blame the “system” for the status quo and another one, not less compromised, of defending the automatic alignment with the status quo. This means, in practice, a certain inertia before tampered game boards.

 

Perhaps nothing better has been invented and the regulations and methologies that are around, although extremely problematic, are still the less absurd. But, would scientific revolutions surface under them, leading to scientific and technological development proper? We cannot answer, but this problem continues unsolved, since the structuralism on which the worldwide scientific production is based continues systematically to deny its basic vocation.

Next question would be to know if, in this same involuntary cycle, that blocks any and all perspective of disruption, one could expect a significant change in medical praxis, for instance. In other words, how to expect renewed perspectives within this scenario? How to believe in the induction of a brand new medicine? If we depended on the canonic scientific production and on the instrumental apparatus of publications, as they are designed, we would never achieve boldness. The opportunities, the good opportunities, are in places located outside the hegemonic mainstream. Such areas create pressures required for renovation, although they still not mainstream. These escape areas are still uncharted territories. They are unknown continents that create the pressures necessary for renovation. However, there is one key to better understanding the power of these excluded regions: people.

 

These are people that wish for medicine to have a sense and a direction quite different from the features it has taken to this date. It is from this space, with no defined latitude or longitude, that dissatisfaction, discomfort, a kind of humane ill-feeling, that instigates and fosters changes, has originated. It was because of this majority, silent until some time ago, that talks about “narrative-based medicine” were started, as well as “patient-centered medicine” and “medicine of the subject”.

 

There are patients and their demands; their needs to be heard; of expressing interpretations of their biographies together with their clinical complaints; there are narratives with details showing the specificity of each subject’s context. The non-verbalized claim for solidarity; the search for people that care; the strong desire that the dialogue with physicians is not restricted to mere scientific discourse constructs; the honest sharing of questions, protection and risks behind each intervention; attention focused on what is vital in health more than on pathology itself; quality of existence as the most important success criterion. All of these aspirations continue to grow even in a society saturated with information screened by scientific journalism, dictated in accordance with the climate in newsrooms or political articulations woven in corridors.

 

It is from this point that homeopathy, integrative medicines and a renewal of the researchers’ behavior may kindle the rebirth of the natural inclination for challenges that is a characteristic of science. This challenge acts against two contemporary forces that deceive with a pre-dialectic battle: scientificism versus doctrine strictness. A challenge that may break the dependence that we have today on the techno-science mainstream. A challenge that refuses the discarding what is considered outdated. It may be a brand new event that will group ideas that have already been tracked, the resurfacing of research already out of use; the reuse of an old formula of Hypocratic medicine based on observation and empirical rituals. It may be the rethinking of categories proposed by Samuel Hahnemann, who, even if well-positioned among the men of his time, insisted in stating his resistance, always a more difficult path than to enjoy the ease of a mainstream. The practical result of not letting himself be taken by the common sense flow installed in the mind of the old continent about the concepts of disease and treatments was to distance himself from the average and announce the novel. It was not about learning totalities only, but of observing, analyzing and medicate specific subjects: beings with extremely personal diffuse suffering. Hahnemann wanted a medicine with characteristics completely different from the ones he knew. He noticed that any brand new idea required a permanent intellectual opening to reinterpret canonic bibliographies, including those produced by him.

 

The same exact thing happened there, in the 19th century, and is happening here and now. Contemporary physicians, as well as the physicians of previous centuries, can easily discard the power of this undertaking. There are those who evoke evidences to block away any rethinking of clinical philosophy. But, even before the increasing scarcity of champions in medical arts, counter-thinking still survives with a certain vigor. But, this time, there is the detail of reversion: those who murmur now are outside medical ranks.

 

Let us think together as follows: the new medicine does not refuse anything a priori since it understands, before the vastness of contemporary ill-being, that it cannot afford to do it. It accepts what seems to be the most rational, the less invasive and more in accordance with a human economy based on the knowledge of vitality.

 

The brand new medicine embraces the need to include human sciences into natural sciences, reopening a lost-in-time interlocution. Involved by the third Hypocratic principle, this medicine can only be the medicine that best fits each one.

 

[1] Paulo Rosenbaum. M.D. MsC. PhD. Associate Researcher Universidade de São Paulo. rosenbau@usp.br

PARALOGISMS OF SCIENTIFIC JOURNALISM (2007)

PARALOGISMS OF SCIENTIFIC JOURNALISM

“Life only comprehends life through the mediation of the sense units that raise above the historical flow”

Dilthey

 

In recent issue of the New York Times (Jan/16/2007), Dan Hurley published an article whose title caused considerable curiosity in readers worldwide. Under the title Diet Supplements and Safety: Some Disquieting Data”, the journalist presents data that are really disquieting on the use of repercussions of freely sold products such as vitamin supplements, essential oils and herbs. According to the reports mentioned by Hurley and sourced from the American Association of Poison Control Centers, the consumption of vitamin supplements and essential oils may represent a significant epidemiological risk for the population. 14,006 cases were reported in 1983; 121,595 incidents reported based on the use of vitamin supplements and similar products. These numbers are modest if compared to those published by the National Institute of Health in its 2006 report “Congressional Justification” discloses in the sub-chapter “Why people differ in the way they respond to drugs” regarding conventional drug substances when they regret that “unfortunately the most significant cause of deaths in the USA is adverse reaction to drugs”.[1] From 1989 to 2004 the Food and Drug Administration, Hurley goes on, received a report with the list of 260 deaths associated to herbal medicines and other non-vitamin products. These are relevant facts, since most of these products are freely sold. In pharmacies and drug stores they are not even kept behind counters, with restricted access. Any citizen, here or there, may fill a basket or supermarket cart with a variety of products of this type – from vitamins to natural processed compounds, whose indication is, usually, both inaccurate and dangerous. In spite of the analytical deficit of the matter, there lies the merit of this alert, that disassembles the common sense belief that the “natural” products – with the criticism of the mythology that the word is subject to – is, at most, innocuous. One novel aspect is that Hurley included in the package of obnoxious substances, the homeopathic drugs and “products”. Without too much detail, he says that in 2005 there were 7,049 reports of reactions, including 564 hospitalizations and two casualties. Only to situate the problem, I will present below a brief context. A good part of researchers that investigate ultra-diluted substances believe that they may really be harmful to health if ingested without due care, guidance and medical assistance. There is no secret here. It has been clearly established that all drug substances may induce adverse reactions, from mild to the most potent. They will depend directly on the patient’s sensitivity and idiosyncrasies. That is why, often times, the only and blessed preventive action, is taking excessive care in the use of any pharmaceutical product (be it natural or not) or food supplement. Therefore, what part of the world media, including important medical magazines, have published in the most recent discussions (and here is where we find paralogism) is that infinitesimal substances are suspect – not of toxicity – but exactly of the opposite. They are suspect of not presenting any detectable biological effect. Neither in vitro (in laboratories) nor in vivo (in human beings). Of course these are partial conclusions, therefore, challengeable, since an hermeneutical regard would determine distinct results. Experimentations in human beings, observation studies and quality of life in health, for instance, contradict strongly these conclusions of inaction. This is a challenging aspect. If the Food and Drug Administration can find empirically that the answer is yes, there are adverse effects in homeopathic drug substances and they are significant, how is it that, with stoic obstinacy of a mantra, they are accused (they, the drug substances) of being pharmacologically inert substances? In reality, this has been the unsurpassed epistemological obstacle, a kind of Rubicon of homeopathy, since its inception, considering that there is no consensual scientific support to explain the action mechanism of the drug products.. This means the following: discarding happens sometimes on the excess side, sometimes on the lacking side. The notorious question: “does it work or not?” from now on, will carry an unbearable ambiguity: It works. Only to intoxicate. But, hold on a moment! Infinitesimal substances are not even “substances” strictu sensu. If there is not even a trace of active drug, nor any other validated evidence, how can one determine such actions? We are faced – and this article in the New York Times is just a pale sample – with a superficial diagnosis of mechanical and non-criticized data that reverberate, impacting both society at large and the community of users with misinformation. Just to give you some numbers, around 180 million Europeans consume homeopathic medications. In addition to double criteria, the surprise here is the size of paralogism. We would be as follows: one of the most influent newspapers in the world announces that homeopathic medications are poisonous. However, until recently they considered that there was nothing in the flasks, just water. Effects would be only mirages for the believers, placebo-effects. After saying it, either we see the course of a remarkable epidemics of placebo-effects in the poison monitoring centers or we see a phenomenon that, once verified, should be at the top of the investigations list, generating, additionally, public support for research. The corollary that would follow would contain the following concerns: are the medicines fake? Are there active poisons in infinitesimal doses? If there are, everything has to be reassessed. Restrictions on the truthfulness of the action should be replaced with the desire to know better these clinical accidents, which appeared in the practical life of the most industrialized society in the planet. Would it be fit to think that these facts take place because – without any conspiracy theories, only commercial assumptions – all pharmaceutical companies stimulate consumption and self-medication? But, there is, in fact, a more daring alternative: evaluate sociologically what is happening with scientific journalism. We know that logic itself, is insufficient to meet all the demands and possibilities of validity, that, as shown by Thomas Kuhn, is supported by values and needs of a certain culture, at a certain moment in time. This means that it is important to recognize the non-universality and the non-univocationality of the regulatory standards of a certain science. In his classic book Structure of Scientific Revolutions” he warned us that there is one single pressing aspect in the analysis of development of theories and scientific verifications: the psycho-sociology of sciences and understanding of motivations, senses and meanings of its discourses. In this case, the agenda is urgent.

 

Paulo Rosenbaum, Physician, Master in Preventive Medicine and PhD in Sciences from FMUSP. Member of the Medical Rationalities Group of the IMS- UERJ. Author of “Between Art and Science” (Hucitec Publishers), and “Homeopathy, Customized Medicine”, etc.

[1] http://www.niehs.nih.gov/omfmb/fy2006/niehs/NIEHS-FY2006v5-2.pdf

Time and censorship in the polyphony of scientific information (Blog – Brazilian Newspaper – Estadão) 

Time and censorship in the polyphony of scientific information (Blog Newspaper – Estadão)

11 Monday May 2020

Posted by Paulo Rosenbaum in Articles

1 comment

I decided to take advantage of house arrest to develop a chronology of the most relevant facts. It will not be possible to conclude much, but it seems that the use of masks “the portable quarantine”, an opportune expression borrowed from Nelson Asc her , will be that temporary solution that, through a habeas corpus , will make us circulate again.

Since there are those who say that there are no arguments against facts – observing the media it is easy to see that this is not the case – the “raw” facts exposed, show that the information abounds, as well as its interpretations.

Let’s go to these raw facts, here they are:

(Bold characters are on me)

01 September 2017

“The concept of“ original antigenic sin ”was first proposed by Thomas Francis Jr. in 1960. This phenomenon has the potential to rewrite what we understand about how the immune system responds to infections and the mechanics of the implications of how vaccines should be projected. It was demonstrated that the antigenic sin occurs in various infectious diseases in animals and humans, including infection with human influenza and dengue. The basis of “original antigenic sin” requires immune memory and the ability of the immune system to self-correct . In the context of viral infections, it is expected that if we are exposed to a native strain of a pathogen, we will be able to mount a secondary immune response on subsequent exposure to the same pathogen. The “original antigenic sin” does not contradict this well-established immune process, as long as the subsequent infectious antigen is identical to the original. But the “original antigenic sin” implies that when the epitope varies slightly, the immune system depends on the memory of the previous infection, rather than mounting another primary or secondary response to the new epitope , ( the smallest portion of antigen with the potential to generate immune response) which would allow faster and stronger responses . The result is that the immune response may be inadequate against the new strain, because the immune system does not adapt and, instead, depends on your memory to organize a response”. (Source – Article – Abstract published in the Journal Autoimun – Publimed – NIH)

31 December 2019

Groups of cases of pneumonia of unknown origin were reported in Wuhan, province of Hubei , China, reported by the municipal health committee in Wuhan. A new coronavirus was eventually identified (WHO source)

1 January 2020

The WHO issued a statement that there was an incident and triggered the organization’s three levels, putting the organization in an emergency to deal with the outbreak. (WHO source)

(end of January 2020)

President Donald Trump bars all flights from China stating that since mid-December, so six weeks earlier, Chinese authorities knew there was inter-human transmission ) (Source – NYT, WP)

4 January 2020

WHO reported on social media that there was a group of pneumonia cases – no deaths, in Wuhan, Hubei Province, China (WHO source)

5 January 2020

First publication of the WHO disease outbreak on the new virus. It contained the alert and report of what China told the organization about the status of patients and the measures taken by public health teams on cases of pneumonia in Wuhan. (WHO source)

10 January 2020

WHO publishes a package of guidance and technical measures to explain to all countries how to detect, test, and manage potential cases, based on what was known about the virus at that time. (WHO source)

12 January 2020

China publishes Covid 19 genetic sequence (WHO source)

13 January 2020

Officials confirm a case of Covid 19 in Thailand, the first case outside China (WHO source)

14 January 2020

WHO technical leaders hold a press conference stating that transmission between humans can be limited (in the 41 confirmed cases) preferably to people in the same family and that there was a risk of wider outbreaks. (WHO source)

20-21- January 2020

WHO experts from China offices and Pacific region offices make a brief field visit to Wuhan

22 January 2020

The WHO mission says in statements that there is evidence that the transmission of the virus in Wuhan is inter-human, but more research is needed to understand the extent of this transmission. (WHO source)

23 01 2020

Note from the Ministry of Health and Family Welfare of India

At the instance of the Ministry of AYUSH, the government of President Modi, through the Central Council for Research in Homeopathy (CCRH) discussed the ways and means of preventing coronavirus infection at the meeting of its Scientific Council on January 28, 2020. The Expert group suggested that the homeopathic medicine Arsenicum album Ch 30 could be considered a prophylactic medicine against Coronavirus infections, which was also recommended for the prevention of ILI. The Expert Group also suggested that general hygiene measures (such as wearing masks, social distance to prevent airborne infections, suggested by the Ministry of Health and Family Welfare, Government of India), to prevent the disease as well must be followed by the public. It is also recommended to use ayurvedic medicine, in addition to turmeric and other herbal medicines. (Source: Ministry of Health of India- AYUSH)

23 January 2020

The WHO Director-General calls the Emergency Committee to assess whether the outbreak constitutes an emergency that deserves international concern. Independent members are unable to reach a consensus-based on the evidence available at that time. They requested a new call within 10 days, after receiving more information. (Source – WHO)

30 January 2020 ( 29 days later )

The WHO director-general reconvict the Emergency Committee which reached a consensus and reached the conclusion that the outbreak constitutes a public health emergency of interest Mundia l, and the Director-General accepted the recommendation and stated to 2019-nCoV as such. It would be the 6th time since 2005 that this type of alert has been issued. WHO attributes very high risk to China (WHO source)

At the moment, there were already 7818 confirmed cases in the world, the majority in China and 82 cases in 18 other countries.

01 February 2020

“Get the flu, America. The flu (the influenza virus, the source of the common flu) is a greater threat than the coronavirus, for now. ” (Source – Washington Post Health Notebook)

3 February 2020

WHO prepares a Strategic Response Plan to protect States with precarious health systems. ( WHO source)

03 February 2020

India declares State of Emergency (Source The Telegraph )

February 11-12

WHO convenes a Research and Innovation Forum for Covid-19 that brings together more than 400 experts from around the world, which includes Zunyou Wu, a chief epidemiologist in China

February 16-24, 2020

WHO, together with a commission from China with experts from Canada, Germany, Japan, Singapore, Nigeria, Korea, Russia, and the United States, spend time in Beijing and then visit Wuhan and two other cities. Talk to employees, scientists, and health professionals in health facilities ( maintaining social distance ) (WHO source)

21 February 2020

South Korea declares State of Emergency (BBC source)

03 March 2020

Dr Pak-Leung Ho – Head of the Hong Kong Medical Center for Infectious Diseases states in a message on social media that the number of cases in Hong Kong has not skyrocketed as in Iran and Italy due to strict epidemiological surveillance and the universal use of masks by part of the entire population. (source Tweeter @ hkumed )

11 March 2020

Deeply concerned by the alarming levels of severity and spread, and by the alarming levels of inaction, the WHO declares that Covid 19 can be characterized as a pandemic. (WHO source)

13 March 2020

United States declares State of Emergency (BBC source)

March 16, 2020

Brazil declares State of Emergency (BBC source)

16 March 2020

Finland declares State of Emergency (NYT source)

16 March 2020

Germany (Bavaria) declares State of Emergency (Source – DW)

March 16, 2020

Australia declares State of Emergency (The Guardian)

16 March 2020

“China promotes traditional medicine as a ” solution Chinese “to the coronavirus. Not everyone gets on board ”(Source CNN)

Coronavirus: can traditional Chinese medicine help fight the disease? The importance of traditional Chinese medicine ”(Source Deutsche Welle – Caderno Science)

19 March 2020

Israel declares State of Emergency

20 March 2020

NYT columnist Bret Stephens publishes an article in which he states “ It is dangerous to be guided by fear” (NYT source)

22 March 2020

France declares State of Emergency

25 March 2020

Chloroquine can be used in severe cases d the coronavirus. (Source: Ministry of Health of Brazil)

26 March 2020

China closes its borders and does not allow foreigners to enter.

25 March 2020

The UK declares the State of Emergency

31 March 2020

“We are studying this” Dr. Antony Fauci on the use of masks by non-healthcare personnel.

April 1, 2020

Russia declares State of Emergency ( later Putin denies – Reuters source)

April 1, 2020

WHO considers revising guidance on wearing masks (The Guardian)

01 April 2020

The drug used against malaria, hydroxychloroquine helped to speed up the recovery of a small group of patients, say doctors in China.” (NYT source)

03 April 2020

Everyone should wear masks in public (Center for Disease Control and Prevention – Source Live Science)

03 April 2020

The drug Fiver, approved by the FDA, inhibits the replication of SARS-Cov2 in Vitro ” (Source – National Institute of Health)

06 April 2020

WHO says there is no use or need for healthy people to wear masks (source CNN – The Guardian)

06 April 2020

“Social detachment: how to persuade others that it works?” (Source-BBC)

07 April 2020

Wearing masks alone does not prevent healthy people from contracting Covid 19 (The Guardian)

07 April 2020

“Social detachment is controlling Covid 19: now scientists need to understand which measures are most effective” ( Source – Stat )

07 April 2020

For psychologist Jacob Pinheiro Goldberg: “Science without ethics is a crime in dehumanization. The freedom of Being does not admit the “truths” of laboratories since we are not or should not be reduced to guinea pigs in conditional experiments as Nazism and Stalinism intended. This war is fought and the first battle was won by the Virus’s sordidness. Now we need true prophets, ethical scientists and conscientious leaders, an authentic humanist elite to conduct the Good Fight ”(Source Blog Estadão)

09 April 2020

Sweden declares “special laws” to deal with, the outbreak (Source The Local)

09 April 2020

Hydroxycycline will be used as a treatment in the municipal network. (Source – Estadão)

12 April 2020

Petition calling for the resignation of the WHO chief, Tedros Adhanom Ghebreyesus, close to 1 million signatures” (Source Fox News)

15 April 2020

Studies on the impact of the coronavirus on mental status are urgent: according to researchers the effects of the lockdown and the virus itself can be profound and long-lasting, say researchers” (Source – The Guardian)

April 16

Japan declares the State of Emergency

17 April 2020

Luc Montagnier: revelations about the origin of Sars-CoV 2, a marginal Nobel accustomed to controversies. Was it created in a laboratory or not? ” (Source – Pourquoidocteur )

17 April 2020

Why do n’t we know the true death rate for Covid 19 ? (NYT source)

22 April 2020

Spain declares state of emergency

21 April 2020

People who are known to be more at risk for Covid 19

People over 65

People who have been inwards or bedridden for a long time

Immunocompromised people: cancer treatment, smokers, organ transplantation, AIDS patients, prolonged use of corticosteroids, and other conditions of medications that weaken immunity.

Severe obesity (BMI over 40)

Diabetics

People with chronic kidney disease who are on dialysis

People with liver disease

(Source- Center for Disease Control and Prevention USA)

20 April 2020

“Brazilian researchers from FMUSP: Heparin therapy improves Covid 19 hypoxia – case studies” (Source – ResearchGate )

24 April 2020

FDA warns of using Hydroxychloroquine for patients with Covid 19 ″ (Source University of Minnesota)

Caution is needed in the use of chloroquine for the Covid 19 disease ” (Source JAMA)

Hydroxychloroquine and coronavirus: a guide to scientific studies so far: the drug, now a partisan issue – which has become hope, but effectiveness studies are still limited (Source – The Guardian)

29 April 2020

“Hope grows with the drug remdesivir . Despite conflicting results, results from extensive trials show that the antiviral accelerates recovery. And it will be placed as a standard treatment in the United States ”(source – Nature )

30 April 2020

For pathology professor Paulo H. Saldiva : “As for the immune storm, it does occur. That’s what, called a cytokine storm. It occurs in a fraction of patients, with a great activation of the, say, defense, line of defense response. It can cause the damage to be in the desire to eliminate the microorganism, you also eliminate, destroy the tissue. This can be done by extruding enzymes from lymphocytes, macrophages, and neutrophils, but there is also a phenomenon that is called “net”. They are networks of DNA that neutrophils release, a network, like a mesh, like that of the old gladiators. This mesh comes tempered, comes adhered with a lot of proteases. This greatly increases the efficiency of the destruction, while reducing its aim. We are living a huge observational ecological experiment where we cannot interfere with the variables and whose outcome will only be known at the end of the story and unfortunately, we are the beings that are being studied. We are the guinea pigs of that moment . ” (Source Blog Estadão)

01 May 2020

Total blockade policies in Western European countries have no obvious impact on the COVID-19 epidemic ″ – (Source MedRXiV )

02 05 2020

“Treatment with anticoagulant is associated with reduced mortality in patients with severe forms of coronavirus – heparin” (Source – Publimed )

“Anticoagulant medication reduces cell infection by the new coronavirus by 70% (Source – Agência Fapesp)

05 May 2020

Pfizer begins human clinical trials for a possible Coronavirus vaccine. (Source – New York Times)

05 May 2020

Israel and the Netherlands report that they have made progress in combating Covid in antibody tests to treat or prevent infection. (Source – The Guardian)

05 May 2020

The epidemiologist Neil Ferguson, an expert in the strategy that helped shape the strategy for the coronavirus in the United Kingdom and the United States, resigns after breaking the rules lockdown suggested by him and his team. (source The Guardian)

07 May 2020

In a letter, scientists point to pressure for more expensive drugs against hydroxychloroquine. (Source – Gazeta do Povo)

07 May 2020

Race to cure covid-19: there are already 182 drugs and 99 vaccines under test. (Source – Revista Exame)

08 May 2020

The study estimates 4.2 million already infected with coronavirus in Brazil . (Source – Estadão)

08 May 2020

Coronavirus scientists in India: Why celebrating “ successful models ” in dealing with Covid 19 is dangerous. Being and staying vigilant is the only option. The other problem is trying to replicate the same model in states and districts. The epidemiologist Latlit Kant warns against this practice: these models used so far are for specific areas and cannot be replicated. The size – of the intervention – does not fit all. Of course, we can learn from different models “ . (BBC source)

08 May 2020

“Swedish doctor Anders Tegnell maintains that 25% are immune in Stockholm and counters criticism saying that Sweden, which has reached 3 thousand deaths, has already crossed a good part of the way. As head of the fight against the virus, he speaks of the advantage of having part of the population infected. We want to reduce the spread of the virus so as not to overload health systems . And keep society running. We are giving people information, advice, recommendations, as there is a strong trust between Swedes and government agencies. The recommendations have been respected. I do not believe that it is the size of the population that matters, but the trust between the agencies and the population. If you have that, you get a lot. (Estadão source)

09 May 2020

We know everything – and nothing – about the covid . Vitamin D protects against colds and flu, and especially at the end of winter, it is deficient in obese, dark-skinned, and elderly people. The study in Indonesia showed that Covid 19 cases with vitamin D deficiency were 19 times more likely to die than people with adequate levels. The British government took a paternalistic view that we would not be trusted if we were just guided, but decided that we needed to be ordered at the lockdown. ” (Source – The Spectator )

09 May 2020

Sweden is not a miraculous model for the coronavirus. WHO has been generous in praising this pandemic. China, Singapore, and Ireland, all these countries received applause for the way they handled this crisis. Now that the spread of the infection has slowed and draconian lockdown measures are gradually being lifted, WHO is promoting the Swedish way of doing things ” (Source – The Strait Times)

09 May 2020

German intelligence service says China has asked WHO to delay reporting that there will be inter-human transmission of Sars CoV 2 . (Source – Der Spiegel )

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Governments could make citizens, through good maieutic technique, start to think for themselves. And, perhaps, come to different, emancipated conclusions, from those that wish to impose on us under the argument of intellectual authority or, worse, under a peremptory scientific discourse, when, in fact, it is neither the consistency nor the rigor that it aspires to.

It is also important to mention some characters, who only after being elected, raise their masks, and assume their autocratic profiles when placing their hand in the cup of the sworn in. And for that very reason, it does not have the confidence of public opinion, vital for cooperation and individual responsibility to happen.

Science advances without linearity, it is the very nature of the method. And it is no longer possible to postpone, it is necessary to accept the empirical component of medicine. Learning from a strategic trial and error is not shameful. It is shameful to accept that someone has all the answers. Imagine inept governments can do anything without the societies, at some point, react in kind.

Abulia will end, as soon as the subjects, those who build the story, notice that the institutions are in the same disorienting measure as everyone.

Draw your own conclusions, but I repeat: the story is just beginning.

 

Tempo e censura na polifonia da informação científica (Blog Estadão)

Resolvi aproveitar a prisão domiciliar para elaborar uma cronologia dos fatos mais relevantes. Não será possível concluir muita coisa, mas parece que o uso de máscaras “a quarentena portátil” oportuna expressão emprestada do Nelson Ascher, será aquela solução provisória que mediante um habeas corpus, nos fará voltar a circular.

Uma vez que há quem diga que contra fatos não existem argumentos — observando a mídia é fácil constatar que não é bem assim — os fatos “crus” expostos, mostram que as informações abundam, assim como suas interpretações.

Vamos aos tais fatos crus, ei-los:

(Negritos são por minha conta)

01 setembro 2017

“O conceito de “pecado antigênico original” foi proposto pela primeira vez por Thomas Francis Jr. em 1960. Esse fenômeno tem o potencial de reescrever o que entendemos sobre como o sistema imunológico responde às infecções e a mecânica das implicações de como as vacinas devem ser projetadas. Demonstrou-se que o pecado antigênico ocorre em várias doenças infecciosas em animais e humanos, incluindo infecção por influenza humana e dengue. A base do “pecado antigênico original” requer memória imunológica e a capacidade do sistema imunológico de autocorreção. No contexto de infecções virais, espera-se que, se formos expostos a uma cepa nativa de um patógeno, poderemos montar uma resposta imune secundária na exposição subsequente ao mesmo patógeno. O “pecado antigênico original” não contradiz esse processo imunológico bem estabelecido, desde que o antígeno infeccioso subsequente seja idêntico ao original. Mas o “pecado antigênico original” implica que, quando o epítopo varia levemente, o sistema imunológico depende da memória da infecção anterior, em vez de montar outra resposta primária ou secundária ao novo epítopo, (a menor porção de antígeno com potencial de gerar a resposta imune) o que permitiria respostas mais rápidas e mais fortes. O resultado é que a resposta imunológica pode ser inadequada contra a nova cepa, porque o sistema imunológico não se adapta e, em vez disso, depende de sua memória para organizar uma resposta. (Fonte – Abstract do Artigo publicado no Journal Autoimun – Publimed – NIH)

31 dezembro de 2019

Grupos de casos de pneumonia de origem desconhecida foram relatados em Wuhan, provincia de Hubei, China, relatados pela comissão municipal de saúde em Wuhan. Um novo coronavírus foi eventualmente identificado (fonte OMS)

1 janeiro 2020

A OMS emitiu um comunicado de que houve um incidente e acionou os três níveis da organização, colocando a organização em emergência para lidar com o surto. (fonte OMS)

(final de  janeiro 2020)

Presidente Donald Trump barra todos os voos da China afirmando que desde o meio de dezembro, portanto seis semanas antes, as autoridades chinesas sabiam que havia transmissão inter-humana) (Fonte – NYT, WP)

4 janeiro 2020

OMS divulgou nas mídias sociais de que havia um grupo de casos de pneumonia — sem mortes, em Wuhan, Província de Hubei, China (fonte OMS)

5 janeiro de 2020

Primeira publicação do surto de doença da OMS sobre o novo vírus. Continha o alerta e o relato do que a China contou à organização sobre o status dos pacientes e das medidas tomadas pelas equipes de saúde pública sobre os casos de pneumonias em Wuhan. (fonte OMS)

10 janeiro 2020

OMS publica um pacote de orientação e medidas técnicas para explicar para todos os países como detectar, testar e gerenciar os casos potenciais, baseado no que se sabia sobre o vírus naquele momento. (fonte OMS)

12 janeiro 2020

China publica a sequencia genética do Covid 19 (fonte OMS)

13 janeiro 2020

Funcionários confirmam um caso de Covid 19 na Tailândia, o primeiro caso fora da China (fonte OMS)

14 janeiro 2020

Lideranças técnicas da OMS fazem uma conferência de imprensa afirmando que a transmissão entre humanos pode ser limitada (nos 41 casos confirmados) preferencialmente em pessoas da mesma família, e que havia o risco de surtos mais amplos. (fonte OMS)

20-21- janeiro 2020

Experts da OMS dos escritórios da China e do escritórios de região do Pacífico  fazem breve visita de campo em Wuhan

22 janeiro 2020

A missão da OMS diz em depoimentos que há evidência de que a transmissão do vírus em Wuhan é inter-humana, mas mais investigação é necessária para entender a amplitude dessa transmissão. (fonte OMS)

23 01 2020

Nota do Ministério de Saúde e Bem Estar da Família da Índia

Na instância do Ministério da AYUSH, o governo do Presidente Modi, através do Conselho Central de Pesquisa em Homeopatia (CCRH) discutiu as formas e os meios de prevenção da infecção por coronavírus na reunião de seu Conselho Científico em 28 de janeiro de 2020. O Grupo de Especialistas sugeriu que o medicamento homeopático Arsenicum album Ch 30 pode ser considerado um medicamento profilático contra infecções por Coronavírus, que também foi recomendado para a prevenção de ILI.  O Grupo de Peritos também sugeriu que medidas gerais de higiene (como uso de máscaras, distanciamento social para prevenção de infecções transmitidas pelo ar, sugeridas pelo Ministério da Saúde e Bem-Estar da Família, Governo da Índia), para a prevenção da doença também deve ser seguida pelo público. Recomenda-se concomitantemente também o uso de medicamentos da medicina auryvedica, além de turmeric e outros fitoterápicos.  (Fonte Ministério da Saúde da Índia- AYUSH)

23 janeiro 2020

O diretor geral da OMS convoca o Comitê de Emergência para avaliar se o surto constitui uma emergência que merece preocupação internacional. Os membros independentes não conseguem chegar a um consenso baseado nas evidencias disponíveis naquele momento. Solicitaram nova convocação num período de 10 dias, após receberem mais informações. (Fonte – OMS)

30 janeiro 2020 (29 dias depois)

O diretor geral da OMS reconvoca o Comitê de Emergência que alcançou um consenso e chegou a conclusão de que o surto constitui uma Emergência de saúde pública de interesse mundial, e o diretor geral aceitou a recomendação e declarou a 2019-nCoV como tal. Seria a 6a vez desde 2005 que este tipo de alerta foi emitido. OMS atribui risco muito alto para a China (fonte OMS)

Neste momento já eram 7818 casos confirmados no mundo, a maioria na China e 82 casos em outros 18 países.

01 Fevereiro de 2020

“Pegue a gripe, América. A flu (o vírus influenza, origem da gripe comum) é uma ameaça maior do que o coronavírus, por enquanto.” (Fonte – Caderno de Saúde do Washington Post)

3 fevereiro 2020

OMS prepara um plano Estratégico de resposta para proteger Estados com sistemas de saúde precários.(fonte OMS)

03 fevereiro 2020

Índia declara Estado de Emergência (Fonte The Telegraph)

11-12 fevereiro

OMS convoca um Fórum de Pesquisa e Inovação para o Covid-19 que reúne mais de 400 experts de todo o mundo, que inclui Zunyou Wu, epidemiologista chefe da China

16-24 fevereiro de 2020

A OMS junto com uma comissão da China com experts do Canadá, Alemanha, Japão, Singapura, Nigéria, Korea, Russia e Estados Unidos, passam algum tempo em Beijing e depois visitam Wuhan e outras duas cidades. Falam com funcionários, cientistas, e profissionais de saúde nas unidades de saúde (mantendo distanciamento social) (fonte OMS)

21 fevereiro de 2020

Coreia do Sul declara Estado de Emergência (Fonte BBC)

03 março 2020

Dr Pak-Leung Ho – Chefe do Centro Médico de Doenças Infecciosas de Hong Kong afirma em mensagem nas redes sociais que o número de casos em Hong Kong não dispararam como no Irã e na Itália pelo rigor na vigilância epidemiológica e pelo uso universal de máscaras por parte de toda a população. (fonte Tweeter @hkumed)

11 março 2020

Profundamente preocupados pelos alarmantes níveis de severidade e alastramento, e pelos alarmantes níveis de inação, a OMS declara que o Covid 19 pode ser caracterizado como pandemia. (fonte OMS)

13 março 2020

Estados Unidos declara Estado de Emergência (fonte BBC)

16 de março 2020

Brasil declara Estado de Emergência (fonte BBC)

16 março 2020

Finlândia declara Estado de Emergência (fonte NYT)

16 março 2020

Alemanha (Bavária) declara Estado de Emergência (Fonte – DW)

16 de março de 2020

Austrália declara Estado de Emergência (The Guardian)

16 março 2020

“China promove medicina tradicional como “solução chinesa”para o coronavírus. Nem todo mundo embarca” (Fonte CNN)

“Coronavirus: a medicina tradicional chinesa pode ajudar a combater a moléstia? The importance of traditional chinese medicine” (Fonte Deustch Welle – Caderno Science)

19 março 2020

Israel declara Estado de Emergência

20 março 2020

Colunista do NYT Bret Stephens publica artigo no qual afirma “É perigoso ser guiado pelo Medo” (Fonte NYT)

22 março 2020

França declara Estado de Emergência

25 março 2020

Cloroquina poderá ser usada em casos graves do coronavírus. (Fonte Ministério da Saúde do Brasil)

26 março 2020

China fecha suas fronteiras e não permite entrada de estrangeiros.

25 março 2020

Reino Unido declara Estado de Emergência

31 março 2020

“Estamos estudando isso” Dr. Antony Fauci sobre o uso de máscaras por pessoal que não é da área de saúde.

01 de abril 2020

Rússia declara Estado de Emergência (depois Putin desmente– Fonte Reuters)

01 de abril de 2020

OMS considera revisar a orientação sobre o uso de máscaras (The Guardian)

01 abril 2020

A Droga usada contra a malária, a hydroxychloroquine ajudou a acelerar a recuperação de um pequeno grupo de pacientes, afirmam médicos na China.” (Fonte NYT)

03 abril 2020

Todos deveriam usar máscaras em público (Centro de Controle de Doenças e Prevenção – Fonte Live Science)

03 abril 2020

A droga ivermectina, aprovada pelo FDA, inibe a replicação de SARS-Cov2 in Vitro” (Fonte -National Institute of Health)

06 abril 2020

OMS diz que não há utilidade ou necessidade de que pessoas saudáveis façam uso de máscaras (fonte CNN – The Guardian)

06 abril 2020

“Distanciamento social: como persuadir os outros que funciona?” (Fonte-BBC) 

07 abril 2020

Uso de máscaras (isoladamente) não evita que pessoas saudáveis contraiam o Covid 19 (The Guardian)

07 abril 2020

“Distanciamento social está controlando Covid 19: agora os cientistas precisam compreender quais medidas são mais efetivas” (Fonte – Stat)

07 abril 2020

Para o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg: “A ciência sem Ética é crime na desumanização. A liberdade do Ser não admite as “verdades” de laboratórios eis que não somos ou não deveríamos ser reduzidos à cobaias em experimentos condicionais como pretendia o nazismo e o stalinismo. Esta guerra está travada e a primeira batalha foi vencida pela sordidez do Vírus. Agora precisamos de profetas verdadeiros, cientistas éticos e líderes conscientes, uma autêntica elite humanista para conduzir o Bom Combate” (Fonte Blog Estadão)

09 abril 2020

Suécia declara “leis especiais” para lidar com, o surto (Fonte The Local )

09 abril 2020

Hidroxicloquina será usada como tratamento na rede municipal. (Fonte – Estadão)

12 abril 2020

Petição pedindo a renúncia do chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, perto de 1 milhão de assinaturas” (Fonte Fox News)

15 abril 2020

São urgentes estudos sobre impacto do coronavírus  no estado mental: segundo pesquisadores os efeitos do lockdown e do próprio vírus podem ser profundos e de longa duração, dizem pesquisadores” (Fonte – The Guardian)

16 de Abril

Japão declara Estado de Emergência

17 abril 2020

Luc Montagnier: revelações sobre a origem do Sars-CoV 2, um Nobel marginal habituado às polêmicas. Foi ou não criado em Laboratório?” (Fonte – Pourquoidocteur)

17 abril 2020

Por que não sabemos a verdadeira taxa de morte para o Covid 19? (Fonte NYT)

22 abril 2020

Espanha declara estado de emergência

21 abril 2020

Pessoas que comprovadamente apresentam mais riscos para a moléstia Covid 19

Pessoas de mais de 65 anos

Pessoas que estão em enfermarias e ou acamadas há muito tempo

Pessoas imunocomprometidas: tratamento de câncer, fumantes, transplante de órgãos, portadores de AIDS, uso prolongado de corticoesteróides, e outras condições de medicações que debilitam a imunidade.

Obesidade severa (BMI acima de 40)

Diabéticos

Pessoas com doenças renais crônicas que estão em diálise

Pessoas com moléstias hepáticas

(Fonte- Center for Disease Control and Prevention USA)

20 abril 2020

“Pesquisadores brasileiros da FMUSP: terapia com Heparina melhora hipóxia de Covid 19 – estudo de casos” (Fonte – ResearchGate)

24 abril 2020

FDA alerta sobre o uso de Hydroxychloroquina para pacientes com Covid 19″ (Fonte-  University of Minnesota)

É necessário cautela no uso de Cloroquina para a moléstia Covid 19″ (Fonte JAMA)

“Hydroxycholoroquina e coronavirus: um guia aos estudos científicos até aqui: a droga, agora uma questão partisã – que se tornou uma esperança, mas os estudos de efetividade ainda são limitados ” (Fonte – The Guardian)

29 abril 2020

“Esperança aumenta com a droga remdesivir. Apesar de resultados conflitantes, resultados de amplos ensaios mostram que o antiviral acelera a recuperação. E será colocada como tratamento standard nos Estados Unidos” (fonte – Nature)

30 abril 2020

Para o professor de patologia Paulo H. Saldiva: “Quanto à tempestade imunológica, ela ocorre sim.  É o que, chamados de tempestade de citocinas. Ela ocorre numa fração de pacientes, com uma grande ativação da resposta, digamos, de defesa, da linha de defesa. Ele pode fazer com que o dano seja no afã de eliminar o micro-organismo, você elimine também, destrua o tecido.  Isso se pode fazer por extrusão de enzimas da parte dos linfócitos, macrófagos e neutrófilos, mas também tem um fenômeno que é chamado “net”. São redes de DNA que os neutrófilos soltam, uma rede, como uma malha, como aquela dos antigos gladiadores. Essa malha vem temperada, vem aderida com um monte de proteases.  Isso aumentando muito a eficiência da destruição, porém reduzindo a sua pontaria. Nós estamos vivendo um enorme experimento ecológico observacional onde não podemos interferir com as variáveis e cujo desfecho só será conhecido ao final da história e infelizmente, nós somos os seres que estão sendo estudados. Nós somos as cobaias desse momento.” (Fonte Blog Estadão)

01 maio 2020

As políticas de bloqueio total nos países da Europa Ocidental não têm impactos evidentes na epidemia de COVID-19″ – (Fonte MedRXiV)

02 05 2020

“Tratamento com anticoagulante é associado com queda de mortalidade em pacientes com formas graves de coronavírus – heparina” (Fonte – Publimed)

“Medicamento anticoagulante reduz em 70% a infecção de células pelo novo coronavírus” (Fonte – Agência Fapesp)

05 maio 2020

Pfizer começa ensaios clínicos em humanos para uma possível vacina contra o Coronavirus. (Fonte – New York Times)

05 maio 2020

Israel e Holanda divulgam que fizeram progresso no combate ao Covid nos ensaios com anticorpos para tratar ou prevenir a infecção. (Fonte – The Guardian)

05 maio 2020

O epidemiologista Neil Ferguson, expert na estratégia que ajudou a modelar a estratégia para o coronavirus no Reino Unido e nos Estados Unidos, renuncia após quebrar as regras do lockdown sugeridas por ele e sua equipe. (fonte The Guardian)

07 maio 2020

Em carta, cientistas apontam pressão por drogas mais caras contra a hidroxicloroquina. (Fonte – Gazeta do Povo)

07 maio 2020

Corrida pela cura da covid-19: já são 182 remédios e 99 vacinas em teste. (Fonte – Revista Exame)

08 maio 2020

Estudo estima 4,2 milhões já contaminados com coronavírus no Brasil. (Fonte – Estadão)

08 maio 2020

Cientistas da Índia sobre o coronavirus: Porque celebrar “modelos bem sucedidos” em lidar com o Covid 19 é perigoso. Ser e permanecer vigilante é a única opção. O outro problema é tentar replicar o mesmo modelo em  estados e distritos. O epidemiologista Latlit Kant adverte contra esta prática: estes modelos usados até aqui são para áreas específicas e não podem ser replicados. O tamanho – da intervenção – não cabe em todas. É claro que podemos aprender dos diferentes modelos“. (Fonte BBC)

08 maio 2020

“Médico sueco Anders Tegnell sustenta que 25% estão imunes em Estocolmo e rebate críticas dizendo que Suécia, que chegou a 3 mil mortos, já atravessou boa parte do caminho. Como chefe da luta contra o vírus ele fala da vantagem de ter parte da população infectada. Queremos reduzir a disseminação do vírus para não sobrecarregar o sistemas de saúde. E manter a sociedade funcionando. Estamos dando a informação para as pessoas, conselhos, recomendações, já que há uma forte confiança entre os suecos e as agencias governamentais. As recomendações tem sido respeitadasNão acredito que é o tamanho da população que importa, mas a confiança entre as agências e a população. Se você tem isso, consegue muita coisa. (Fonte Estadão)

09 maio 2020

Nós sabemos tudo — e nada — sobre o covid. Vitamina D protege contra resfriados e gripe, e especialmente no fim do inverno, é deficiente nos obesos, pessoas de pele escura e idosos. O estudo na Indonésia mostrou que os casos de Covid 19 com deficiência de vitamina D tinham 19 vezes mais chances de morrer do que pessoas com os níveis adequados. O governo britânico assumiu uma visão paternalista de que não seríamos confiáveis caso fôssemos apenas orientados, mas decidiram que precisávamos ser ordenados ao lockdown.”  (Fonte – The Spectator)

09 maio 2020

Suécia não é um modelo milagroso para o coronavírus. A OMS tem sido generosa em elogiar nesta pandemia. China Singapura e Irlanda, todos estes países receberam aplausos pela maneira em como lidaram com esta crise. Agora que o alastramento da infecção ficou mais lento e as medidas draconianas de lockdown estão sendo gradualmente suspensas a OMS está promovendo o caminho sueco de fazer as coisas” (Fonte – The Strait Times)

09 maio 2020

Serviço de inteligência alemão diz que China pediu para a OMS retardar a informação de que haveria transmissão interhumana do Sars CoV 2. (Fonte – Der Spiegel)

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Os governos poderiam fazer com que os cidadãos, através de uma boa técnica maiêutica, passem a pensar por si mesmos. E, quiçá, cheguem à conclusões distintas, emancipadas, daquelas que desejam nos impor sob o argumento da autoridade intelectual ou, pior, sob um discurso cientificista peremptório, quando, de fato, ele não nem a consistência, nem o rigor que aspira.

Importante também mencionar alguns personagens, que somente depois de eleitos, levantam as máscaras, e assumem seus perfis autocráticos ao colocar a mão na taça dos empossados. E, por isso mesmo, não tem a confiança da opinião pública, vital para que a cooperação e a responsabilidade individual aconteçam.

A ciência avança sem linearidade, é da própria natureza do método. E não é mais possível adiar, é preciso aceitar o componente empírico da medicina. Aprender com a estratégica tentativa e erro não é vergonhoso. Vergonhoso é aceitar que alguém detém todas as respostas. Imaginar que governos ineptos possam fazer qualquer coisa sem que as  sociedades, em algum ponto, reajam à altura.

A abulia acabará, assim que os sujeitos, aqueles que constroem a história, notarem que as instituições estão no mesmo compasso de desorientação que todos.

Tirem suas próprias conclusões, mas reitero: a história está apenas começando.

Nós, cobaias da pandemia. (Blog Estadão)


  1. Nós, cobaias da pandemia.

Prosseguindo na coleta de distintas vozes e disciplinas, o Blog Conto de Notícia conversou novamente com Prof. Paulo H. Saldiva (PHS), médico patologista e Titular de Patologia na FMUSP, que foi um dos colaboradores acaba de publicar um artigo na revista “Journal of Thrombosis and Haemostasis”[1] com importantes avanços na compreensão da moléstia.

(O Blog usou negrito para dar destaques a alguns trechos da entrevista)

Blog – Vou começar com um aspecto simbólico que emergiu durante esta pandemia: em entrevistas anteriores você enfatizou que apesar do sofrimento, as famílias que perderam entes queridos aceitaram doar os corpos para autopsias, mas mais do isso, elas “doaram conhecimento”. Uma atitude relevante e de alta dignidade, onde mesmo na dor do luto, a morte pode ser ressignificada. No que esta consciência pode ajudar no progresso de uma ciência humanista, feita por homens em benefício dos homens?

PHS – Eu diria que a sua primeira pergunta, se nós vamos sair diferentes ou vamos ter uma ciência mais humanista… Eu não quero parecer piegas ou otimista, nem nenhum discípulo de Pangloss, mas eu acredito que sim. Veja, historicamente, todos esses períodos de crise, de pandemias, do medo do invisível, da morte de pessoas por causas que você não enxergava.  Eles suscitaram sempre o melhor e o pior dos seres humanos.  É como se tivesse aquela casca civilizatória que a gente veste ao longo da nossa vida. Ela se desfizesse e emergisse a verdadeira natureza do nosso íntimo. E olhando assim tanto lidando com a situação no cotidiano quanto vendo por exemplos externos, a gente percebe que existem aqueles que no Titanic, pularam na frente dos outros para dentro do escaler e aqueles que cederam o lugar.  Esse, eu acredito que é o exemplo das pessoas que estão trabalhando para responder as questões, vão mudar um pouco o papel da ciência. É como se a gente tivesse se libertado daquele quadradinho aonde nós fazemos as coisas para sermos avaliados por uma comissão de pós graduação ou para obter uma nota em um boletim universitário pelo qual nós somos avaliados. Nós ultrapassamos estas etapas intermediárias e muitos de nós chegamos à essência. Eu vou fazer aquilo porque é importante e em benefício das pessoas. E esse é um caminho sem volta, quer dizer quando você consegue se libertar, digamos, do formalismo das pastas amarelas, dos projetos das agências de fomento ou das universidades. Você começa a chegar direto a um objetivo reto com vínculo emocional dessa intensidade, acho que a gente sai melhor.

Blog– Poderia explicar no que consiste e quais foram os achados principais das autopsias minimamente invasivas que conduziu?

PHS – Bom quanto aos achados de autópsia mostram que esse vírus, a gente teve o privilégio aqui na FMUSP de fazer um comparativo dos três surtos de doenças infecciosas que mataram bastante gente: o H1N1 em 2009; a febre amarela em 2018; e agora o Sars Cov2. Do ponto de vista sistêmico, a febre amarela era mais agressiva, mas comparando dois vírus respiratórios, o Sars cov e H1N1, que é uma variante do influenza, esse é muito mais agressivo.   Mais agressivo do ponto de vista de agressão ao pulmão e da progressão rápida para o desenvolvimento de uma fibrose. O indivíduo pode perder, nos casos que a gente pega que são os piores, é lógico, pode perder o pulmão significativamente, e ter uma fibrose importante em cerca de 10 dias, 12 dias.  A agressividade do vírus no artéria respiratória é muito grande e ele está associado também com manifestações sistêmicas, por exemplo, agora estão aparecendo lesões cerebrais. Nós já tivemos dos 30 casos que fizemos, quatro com lesões cerebrais detectadas na tomografia, sugerindo lesões, necroses focais parecendo infartos cerebrais recentes. E agora, no presente momento que estou falando com você, tem mais um caso aonde o indivíduo tem uma extensa lesão em região frontal, lobo frontal esquerdo, que estamos agora fazendo exames de ressonância e também de angiotomografia e coletando material para esclarecer.

Blog – Um dos achados mais importantes foram as lesões micro-trombo-embólicas em vários órgãos e mais particularmente nos pulmões. O estudo que você e colaboradores conduziram e publicaram evidenciou isso: quais foram os impactos e desdobramentos dessas descobertas para a compreensão da atuação do vírus covid-19 e como os clínicos podem instrumentalizar este conhecimento para a terapêutica?

PHS – Então as lesões micro trombóticas também que aconteceram, que a gente ajudou, de alguma forma a dar substrato, ela vem dar suporte aos achados clínicos de que os pacientes que tinham marcadores de inflamação, desculpe, de trombólise como Dímero-D, aumentados, tinham mal prognóstico.  A gente mostra que em relação a, por exemplo, ao H1N1, a presença de micro trombos pulmonares, as vezes de pequena monta invisíveis aos exames convencionais de angiotomografia ou angioressonancia , mas eles ocorrem  em ramos intralobares,  bem lá dentro, no interior do pulmão .

Isto talvez explique porque alguns pacientes, não muitos, mas uma fração deles, apresentarem uma insuficiência respiratória desproporcional aos achados radiológicos, ou seja, nem sempre você pode entrar em insuficiência respiratória só por alteração da ventilação, por inundação do alvéolo, por exudato inflamatório, mas também podem ser por alterações da perfusão. E isso indica que em alguns pacientes que tem dispneia desproporcional à imagem e que são entubados com o pulmão sem estar muito rígido, o pulmão relativamente mole, talvez se beneficiem com uma anti-coagulação não plena, mas tentando reduzir ou reabrir essas vias vasculares que estejam entupidas.

Blog – Poderia nos explicar como se produz a chamada “tempestade imunológica” que o vírus dispara? Neste sentido, além de manter as comorbidades sob controle naqueles pacientes com patologias crônicas, há alguma forma de agir preventivamente?

PHS– Quanto à tempestade imunológica, ela ocorre sim.  É o que, chamados de tempestade de citocinas. Ela ocorre numa fração de pacientes, com uma grande ativação da resposta, digamos, de defesa, da linha de defesa. Ele pode fazer com que o dano seja no afã de eliminar o micro-organismo, você elimine também, destrua o tecido.  Isso se pode fazer por extrusão de enzimas da parte dos linfócitos, macrófagos e neutrófilos, mas também tem um fenômeno que é chamado “net”. São redes de DNA que os neutrófilos soltam, uma rede, como uma malha, como aquela dos antigos gladiadores. Essa malha vem temperada, vem aderida com um monte de proteases.  Isso aumentando muito a eficiência da destruição, porém reduzindo a sua pontaria.

Como se você joga uma enorme rede visando aprisionar as bactérias, por exemplo, o agente que você quer eliminar, mas essa rede pode atingir outros lugares. Estamos estudando isso.  E isso se você já tem um estado pré inflamatório crônico, seja por obesidade, seja pelo fumo ou o próprio diabetes, ou tem um efeito pró inflamatório, você tem mais gladiadores prontos para jogar a sua rede e muito mais suscetível a desenvolver então uma complicação. Aonde você quer, matar uma barata, por exemplo. Num quarto você pode matar a barata, mas em vez de você usar um chinelo ou então, um anti bacterícida específico que seria um anticorpo, você pode dinamitar a sala, ou seja, morre a barata e tudo que tiver ao redor.

Blog – Os caminhos da ciência envolvem retificações constantes, porém o excesso de informações corre o risco de gerar desinformação. E isso vem acarretando certa desconfiança na opinião pública. Isso aconteceu com os próprios relatórios da OMS.   Como equilibrar esta equação e, ao mesmo tempo produzir um saber que pode ser demonstrado para a população que não é especializada em ciência?

PHS– E quanto ao diálogo entre ciência e ignorância, esse é um diálogo que sempre existiu, né? E você vai ver historicamente em todas as pandemias. Você vai ver desde o primeiro episódio, a Peste justiniana e nos outros períodos da antiguidade clássica. E vendo depois a peste na Europa a partir do século XIV. Sempre houve uma relação entre, digamos, entre incompreensão e aqueles que estudavam de forma mais objetiva.  Isso porque os nossos medos estão, não que a fé seja uma manifestação de ignorância, mas ela vai ser a única, ou teorias conspiratórias também, que foram colocadas como se isso não houvesse nada ou então, como aconteceu antigamente, eram os judeus, os ciganos e outros “inimigos” que tinham trazido a peste, como uma forma de, digamos, de prejudicar uma nação ou um povo. Quando não era o Deus, que nos punia pelos pecados, eram os nossos “inimigos” ou as pessoas que a gente não gostava.

A ciência se equilibra entre isso.  Eu acho que o saldo também vai ser positivo, porque na hora que todos esses discursos das fake news, eles desmoronam, frente uma realidade evidente, que são corpos se acumulando nos cemitérios, a razão então começa a falar: bom, acho que esse pessoal tinha alguma razão, não?  Esse pessoal que falava que ia morrer gente e que era importante se preservar, tinha alguma razão e é muito mais palpável, as mortes são muito mais palpáveis, porque se você fala, por exemplo, as mudanças climáticas não existem, o efeito é lento e geralmente é distante. As pessoas não enxergam isso, mas quando começam acontecer digamos, filas de hospitais ou excesso de enterros, qualquer um aprende.

É um powerpoint trágico de realidade para aqueles que não acreditam na ciência. A ciência também tem sido utilizada como um fetiche, por outro lado, não? Governadores, políticos, argumentam que certas medicações, o que existe, vão fazer a reabertura do comércio baseado em dados científicos. A ciência não tem as bases ainda para saber, especificamente no caso do Brasil, nem quantas pessoas morrem e nem aonde.

Portanto, os modelos são alimentados de forma imperfeita e nós estamos então utilizando a ciência, dizendo que vão tomar, baseado em ciência por uma coisa que ela não pode produzir.

A ciência não faz milagres! Ela tem o seu papel e talvez tenha o papel em desenvolver vacinas mais rapidamente e descobrir alvos terapêuticos para tratar os doentes. Mas saber se vai abrir o comércio ou não, baseado em dados científicos, eu acho que estamos usando um fetiche para, digamos, temperar com um pouco de conteúdo aquilo que é determinado pela necessidade econômica que pressiona os governantes no sentido de abrir o espaço.

Blog – Quais eram suas impressões originais e como ela se modificou com seu contato com pacientes que foram infectados? Qual é a sua opinião pessoal sobre o uso do conhecimento empírico em medicina?

PHS – É… mudei de opinião diante das primeiras impressões. Eu achava que não era tão grave, fui surpreendido pela gravidade da doença.  Eu imaginava, estava com a cabeça voltada para o H1N1, mas quando a gente viu o primeiro resultado de uma autopsia do pulmão, e a primeira tomografia, eu nunca tinha visto uma tomografia pós mortem com um pulmão tão afetado, no paciente inicial que nós vimos.

Isso foi, digamos, eu percebi que nós estamos lidando com uma doença diferente e à medida que a gente foi vendo, é uma doença que afeta múltiplos órgãos e que pega gente, que não deveria ter morrido e que teria ainda muito a contribuir, ela faz com que você saia do mundo muito antes do que poderia ter saído. O que também nos dá para uma sensação de fragilidade. E é a fragilidade. E ela aumenta porque, a gente também é exposto. Nós temos hoje médicos, internados nas UTIs do Hospital das Clínicas, e eu acho que isso faz com que a gente tenha mais consciência. É trágico isso, mas é a realidade, a gente sempre se coloca numa posição diferente do paciente.  Nos colocamos num outro nível. Não tem aquela alteridade do Martin Buber: o eu e o tu. Por incrível que pareça, eu particularmente quando estou fazendo autópsia, às vezes, imagino que eu podia estar ali, ou poderei estar ali pela minha idade e por ser asmático.

Então é como se fosse uma empatia na tragédia. Já que a gente não conseguiu dar essa empatia em vida, porque a gente vê, Paulo, que as coisas, que os doentes que estão aqui, que a gente está  fazendo autopsia, são indivíduos que não puderam nem fazer quarentena ou foram infectados em casas que moram várias famílias, onde alguns tinham que sair para trabalhar.  Então essa é a empatia na morte. Ela trouxe a morte para perto de nós, nós médicos.

Blog – Como médicos seguimos o juramento hipocrático de que não só devemos ter como meta a cura, mas também o alívio, a paliação, e, quando for o caso, o consolo daqueles que sofrem. Há uma discussão que vem se desenrolando há anos de que a carga excessiva de tecnologia aplicada à medicina criou barreiras para a relação médico paciente. Será a pandemia uma situação na qual a tecnologia científica pode voltar a ser aliada de uma abordagem mais empática e humanista da medicina?

PHS– Isso eu acredito que vai, que a gente não fique indiferente a isso… Tem uma transformação permanente na nossa alma e eu acho que quando se dimensiona essa tecnologia aplicada, a medicina criou se uma barreira com relação a médico/paciente, eu também sou otimista.  Como a maior parte do conhecimento que tínhamos ter de memória cabe hoje no bolso, no smartphone, no aplicativo, talvez tenhamos que ter mais tempo, nos sobrará mais tempo para  perguntarmos ao paciente, o que ele sente, se ele pode fazer aquilo que estamos prescrevendo e obter informações, que talvez eles nos deem, por falta de confiança.  Então eu acho que a tecnologia vai libertar o lado, digamos, mais humanista da prática médica paradoxalmente.

Blog – Já que agora existem alguns tratamentos disponíveis, conhecemos um pouco mais da fisiopatologia da enfermidade, e o isolamento social parece estar produzindo o efeito desejado com o achatamento da curva de contágio, você arriscaria dar algum prognóstico para o fim da pandemia? Ou ao menos quando poderemos mitiga-la de forma significativa? Já alguma evidência ou sinal de que estejamos a caminho de obter uma imunidade de rebanho?

PHS – É, quanto ao prognostico do fim da pandemia, eu acredito hoje pelas modelagens que a gente vê com o pessoal que trabalha com isso que o Brasil vai ter um comportamento atípico, ou seja, o Brasil não é Itália. Ela que é um país relativamente pequeno e muito denso, eu acho que nós vamos ter várias ondas de epidemia deslocadas no tempo e no espaço.

Então, São Paulo vai ser uma Itália, ou uma Espanha. Aí isso chega no Rio um pouco depois, depois isso vai chegar em outras cidades.  Está começando agora. A epidemia está se deslocando da região metropolitana, indo agora para outras regiões metropolitanas, como Campinas, como Santos, como São José dos Campos. Ela não chegou ainda em Ribeirão Preto, mas pode chegar, então, nós vamos ter várias ondas locais e regionais e nós vamos ter, infelizmente, talvez, ao longo do território brasileiro, uma doença que vai se espalhando pela imensidão do nosso território. Eu acho que é por isso que é totalmente imprevisível, quando que vai acabar e quanto a imunidade de rebanho ela vai acontecer, mas a gente ainda não sabe o tamanho disso, ou seja, nós estamos vivendo um enorme experimento ecológico observacional onde não podemos interferir com as variáveis e cujo desfecho só será conhecido ao final da história e infelizmente, nós somos os seres que estão sendo estudados. Nós somos as cobaias desse momento. É isso que eu tinha a dizer para você.

 

[1] Pathological evidence of pulmonary thrombotic phenomena in severe COVID-19  Marisa Dolhnikoff1*, Amaro Nunes Duarte-Neto1*, Renata Aparecida de Almeida Monteiro1, Luiz Fernando Ferraz da Silva1,2, Ellen Pierre de Oliveira3, Paulo Hilário Nascimento Saldiva1, Thais Mauad1, Elnara Marcia Negri4 Para ler o link do artigo acesse: https://www.researchgate.net/publication/340669733_Pathological_evidence_of_pulmonary_thrombotic_phenomena_in_severe_COVID-19/link/5e9cc425299bf13079aa31b6/download)

 

 

A Pandemia sob o olhar interdisciplinar (Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

Prosseguindo na tentativa de elucidar e promover debates profícuos sobre o atual e muito particular momento vivido pelo mundo o Blog Conto de Notícia tem buscado ouvir as perspectivas multiprofissionais sobre os temas ligados à pandemia. Desta vez conversamos com o advogado e mestre em Direito Flávio Goldberg (FG), o cientista social pela USP André Montoro (FM) e o economista Márcio Chaves (MC)

Blog A discussão também passou a envolver aspecto jurídicos e legais, como por exemplo, se os governantes podem, constitucionalmente deter pessoas que não respeitem a quarentena. Na opinião de vocês falta uma legislação específica para os casos de epidemias e pandemias? Especialmente quando parecem fora de controle? Este não parece ser o caso do Brasil que já contou com o célebre episódio da “revolta da vacina”. E o que sugerem para controlar os possíveis abusos de autoridade decorrentes de “períodos de exceção”? A enorme constituição de 1988…

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