Ela aparece em todas as partes e de diversas formas. Há personagens médicos, pacientes, práticos, taumaturgos, enfermeiras  e hospitais. A medicina, mas mais do que a medicina a questão da saúde e da doença, é o tipo de ofício que sempre permeará as relações sociais e, portanto, as narrativas.

Na primeira parte Zult narra suas experiências — com os médicos de sua e de outras épocas —  e percebe que um rabino, especialmente se for também filósofo, precisa aprender a lidar com as questões práticas da saúde.

Ele sabe disso, porque, ao se dispôr a ouvir narrativas, os problemas humanos cairão sobre ele. O que muitas vezes, a maior parte das vezes, determinará a intervenção, modulará seus conselhos e até definirá rezas e jejuns.  

Por outro lado, ele sempre fica perplexo com a falta de humildade dos médicos que, as vezes, fazem suas predições sem conhecer o contexto com o qual estão lidando. Neste sentido, Zult tem uma enorme vantagem: ele sabe ouvir. Essa audição generosa força o encontro entre sujeitos como a forma mais elevada de relação, e isso cura.

Pode parecer estranho para muitos, mas é a relação que(m) cura. E se ela é curativa não é pelo exorcismo, nem pelo alívio catártico. É pelo estar aí.

 Não  se trata de subestimar os medicamentos, as sangrias ou as rezas. Mas aqui se trata de compreender que uma “consulta” — seja ela de que matiz for — é um tremendo instrumento para fazer surgir perspectivas. As novas.

A sabedoria judaica sempre foi pródiga em produzir interferências através dos recursos de linguagem. Freud e todos os psicanalistas das mais variadas tendências, mesmo à contragosto,  precisaram beber — alguns se enxarcaram — dessa fonte.

Zult sabe tudo isso, e aproveita ao máximo sua capacidade para, com habilidade, explorar esse caminho.