Na segunda parte Yan e Sibelius levam a relação entre médico e paciente ao seu máximo teste, à sua máxima tensão: tornaram-se amigos. Quando isso acontece, perde-se uma possibilidade, mas, em compensação, muitas outras perspectivas aparecem.

Yan sabe que uma relação médico-paciente — originalmente assimétrica —  que se estabiliza como uma relação entre sujeitos, pode mudar tudo. Em nossos dias essa mudança vai ocorrendo cada vez mais raramente. Principalmente neste século, a era da “expertocracia”. Isso vai muito além da pauta da medicina. Numa sociedade onde tributamos aos especialistas a palavra final, o veredito, o diagnóstico, o vaticínio, enfim o decreto, quase não se pode estabelecer relações autênticas.

Por isso Yan não sabe se quer mais ser médico, clínico geral, ou psiquiatra. Não sabe se quer obedecer as convenções que pedem e regulam as normas profissionais.  Como ser autêntico se o que se pede é a dissecção entre razão e emoção entre frieza técnica e envolvimento curativo.

Yan quer trazer os pacientes para outro lugar, aquele de  protagonistas de suas histórias. E para isso ele deve ser Yan, somente Yan, nada mais que Yan.

Nada de Dr. Talb.

Nada de Prof. Dr.

Nada de citações,

Longe das academias.

Yan quer limpar da vida todo artificialismo.

Como viram, ele sonha alto!