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Como se sabe, na era dos i-pads e da digitalização a tendência mundial é que a escrita manual desapareça; e com ela os rascunhos.

Se faz todo sentido que as facilidades tecnológicas ajudem as pessoas obter acesso mais rápido e fácil às coisas e às ideias, o que não parece  fazer muito sentido é que o preço dessa nova aquisição seja o apagamento da precedente.

Tudo para dizer que os manuscritos podem estar com os dias contados, mas talvez a memória de sua utilidade – e beleza — não possa ser simplesmente borrificada de nosso imaginário.

Em várias tradições, inclusive, ou especialmente, na judaica, há a obrigação religiosa espiritual de se produzir textos escritos à mão. Na arte do escriba (sofer) ensina-se desde o preparo do pergaminho até o desenho das linhas guia que receberá cada uma das letras do alfabeto. 

Por que isso importa?

Talvez não importe. A sobrevivência dos artesãos é que importa. Estudos mostram que há diferenças significativas entre  papel e tela no que se refere a absorção do material (seja ela cognitiva, sensorial, táctil ou metafísica)  E a diferença deve ser mais do que aquela que existe entre o mundo tridimensional e o mundo virtual. A diferença é voce projetar sua luz no lugar de ter a luz projetada em voce, como comentou certa vez o cineasta Godfrey Reggio falando das diferenças entre cinema e televisão.

O manuscrito de Zult é mais uma prova da vitalidade do papel. Ele, por exemplo, sobreviverá a todo tipo de apagão.

E eles virão.