Tendemos a mistificar o mundo material e desmistificar a transcendência: endereços errados. É só mais uma pequena prova de que tudo, precisa mudar, tudo!

Pois não acho que a vida seja, conforme Ortega Y Gasset “puro acontecimento”. O espírito pede, também, sentido. Vou reformular: para ele, espírito, só há fome de sentido.

E qual é o sentido?

Não há resposta Senhor! Há de ser descoberto individualmente, na conclamação particular de cada um, numa reza, dentro de um suspiro ou sob insônia.

Agora pode sentir? Precisamos de uma mudança fora de proporção, única, radical. Um evento como nunca houve. Estamos maduros. Acredite Senhor, estamos maduros. Faremos e ouviremos e agora é a hora.

Se isso é delírio?

Pode ser, é verdade. A meu favor e em benefício de todos, posso te demonstrar que não se pode eliminá-lo.

Pode parar de balançar a cabeça?

Não te convenço fácil, eu sei. Mais ainda digo que todos, todos nós, precisamos de um pouco desta dimensão execrada aqui na América, a presença da desrazão. Numa certa proporção asseguro: sem ela não conseguimos viver.

Fui eu? Eu quem falei em desmistificação?

Sim, falei, do meio, vale dizer, do alto do meu isolamento, foi exatamente isso.  Preciso confessar: isso não me torna menos adepto da utopia. É ela. Ela é a medida certa. A medida.

Se é um lugar sem lugar não sei dizer, mas Senhor, pense melhor. A utopia é, em certa proporção, o que nos torna viáveis como sujeitos. Só assim somos ou podemos vir a ser.

Quem falou em masturbação mental?

Falei de um giro tão violento que carregasse os arredores consigo. Digo que precisamos de uma renovação para os critérios que construiram para nós, mas não por nós.

São os políticos?

Não só eles Senhor. Pode ver? Abriu o último jornal? O mundo tem sido regido pelo conceito de bolha. Bolhas sequenciais. Bolhas sucessivas. Bolhas econômicas, sociais, religiosas. Posso? Ousar perguntar? 

— Não está na hora de uma novidade?

Quem sou eu para falar assim?

Tem razão. Total razão.

Preciso resolver isso antes, antes de tudo.