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21 segunda-feira fev 2011
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20 domingo fev 2011
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a linguagem com que a alma alcança o Criador, adesão espiritual, beatitude, Bliss, devekut, exercícios espirituais, falar com Deus sem intermediários, proximidade a Deus, transcendência
Um dos maiores mistérios de “A Verdade Lançada ao Solo” é o manuscrito deixado por Zult Talb. Nele, o rabino filósofo escreve sobre suas experiências com a devekut (adesão, apego, proximidade a Deus). Ele fala, não somente do ponto de vista teórico ou filosófico, fala do que experimentou.
Como ele aprendeu a técnica? Através de alguém que já vivenciou a experiência. Portanto a devekut é infecciosa, transmissível.
Para Zult a “adesão”não é fruto de catarse, não é o resultado de meditação, ou bônus espiritual que se alcança com mantras ou com a erudição biblica. A devekut é um professor com alta proficiência pois ensina a partir de uma fonte quase inaccessível. Aparentemente. O mais incrível é que ela jamais promete para quem a experimenta.
Zult quer deixar esse testamento aos homens de nossa época porque intuiu o que virá. Sabe o que nascerá. Parece que o mundo migrará para um esvaziamento da vida subjetiva, das aspirações do espírito, do caminho do cultivo de um retorno a uma perspectiva em que alma possa ocupar um lugar central.
O fanatismo religioso e a religiosidade canônica não podem cumprir este papel porque a forma e a ideologia parece ter superado, com folga, qualquer conteúdo. Neste sentido, Deus não parece ser uma força presente. E a distância foi criada e alimentada pelos próprios homens.
Por isso a devekut é o sonho regenerador, ainda que dessa utopia só se possa sentir na carne.
18 sexta-feira fev 2011
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Cada cubo descia com a sede das pedras.
Cada pequeno gelo circular, sim são semi ovais, foge ao solo sabendo do derretimento. Mesmo assim desce.
Somos confidentes desse granizo. Deste formato rigido que se esfacela no granito.
Granizo sobre granito.
Não deixa de ser choque entre durezas. Faz tempo que nós só amolecemos a tirania no meio-fio. Espremidos no barulho das latas que amassam os carros, esperando pelas enchentes.
Não há poesia em inundações, há n’água. Nas poças. No chuvisco estrito. Nas tevês desligadas. No fenomeno natural que subverte a tecnologia. Nas rimas de passagens. No estalo dos raios.
Há no granizo a potência de um futuro, de uma chuva granulada que quer, precisa, se espalhar. Da sarjeta, o guarda-chuva usado na frente dos corpos se espelha na espada. Mas o vento, olha para nós com a segurança de quem nos têm na mão.
Olho a água, a rua brilha. Não há mais cacos, os fractais correram até o chão, e no fundo (ai dá para ver), toda tragédia é falta de criatividade. A poesia forma até represas, o que ela pode, ou não quer (o que no fim dá no mesmo) é ficar à deriva enquanto qualquer nau faz cruzeiro.
A chuva daqui é texto ao sabor das águas.
17 quinta-feira fev 2011
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Um tema atravessa obcessivamente “A Verdade Lançada ao solo”.
Atravessa, tanto na boca dos personagens como nos fatos históricos ali alocados. E o tema recorrente é a luta, sempre inconclusa, instável, obsedante, entre ceticismo e crença.
Não, isso não é um tratado teológico, muito menos libelo agnóstico. O que se discute no livro é o conflito entre imanência e transcendência. Pouco importa se o assunto está em desuso, se os críticos literários não sabem o que é uma coisa ou outra, e menos ainda se não há interessados, pois eis assunto do qual não se escapa. Ninguém.
Cá ou lá estamos todos metidos nesse dilema. Mais que a dúvida existencial estamos todos imerssos num mundo anômico, com regras díspares, paralógicas, e apesar de intuirmos que deve estar quase tudo errado, fingimos que tudo vai indo.
Não, não vai.
Ah? Não esperava por isso? Está chateado? Não sabia que esse era um blog pessimista? Queria algo para ficar de bem com a vida?
Desculpe, mas não escrevo para ovelhas e os lobos estão mais interessados no site ao lado.
Então vamos parar com o estoicismo e ir direto ao ponto?
Yan era um crente que migrou ao ceticismo até ser trazido de volta em busca de um sentido transcendente. Buscar não significa sequer pisar na estrada, mas abertura para experimentar. E o faz não porque desejou, não escolheu isso (assim como nenhum de nós escolhe) mas foi tragado a isso, e, só para usar uma palavra destestável, foi engulido pelas evidências.
No mundo contemporâneo a experiência é a única ferramenta da alma. E a alma que quer, precisa abolir o senso comum, ir além das evidencias.
Yan, à guisa de um cientista honesto, sabe que mesmo que duvide não pode explicar quase nada. Deve se render às experiências que seu espirito pode ter.
Sibelius um cético que gostaria de acreditar em alguma coisa depois da falência — avassaladora — de todas as ideologias e de qualquer fé no mundo institucional.
Acreditar que a redenção virá de fora têm sido um grande problema para os homens. Não há salvador que dê conta da complexidade e da simultaneidade de problemas individuais. Não há igualmente teoria que dê respostas coletivas.
Claro que, no livro, assim como na realidade, há não uma, mas várias tentativas de mútuo convencimento. Mas não estamos a fazer isso o tempo todo? Com idéias, programas partidários, teorias e nos embates da vida quotidiana?
O que a dupla Yan e Sibelius percebe é o ceticismo como premissa para a construção de alguma esperança. De qualquer esperança. Ela pode ser a crença, a fé, a religião. Mas ela pode ser também simplesmente o respeito aos que chegaram em algum lugar através das experiencias.
Pois, nesse mesmo dia, os consensos cairão por terra, porque só o sentido de cada sujeito terá valor e máximo valor.
Esse será o dia da liberdade.
Mais uma vez utopia?
Pode ser. E por que não?
14 segunda-feira fev 2011
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14 segunda-feira fev 2011
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o sentido das coisas, o sentido do fracasso, o sentido do sucesso, sucesso e fracasso, vida com sentido
Neste, como em muitos outros dias, lamentamos a vida improdutiva.
E se fomos programados para considerar que o homo fabris deve prevalecer sobre todos os outros?
Que é crime não trabalhar.
Um horror completo não gerar dinheiro.
Qualquer inercia, considerada fracasso.
Pensem nisso: há uma fonte de vida subjetiva que diz mais que qualquer faturamento.
Esta percepção não é uma maquiada versão terapêutica para tirar alguém da depressão, apenas devolver as coisas aos lugares.
Só há (se é que há) sentido no sucesso se ele faz sentido.
O fracasso pode não fazer sentido, mas precisamos de cuidados especiais ao assumi-lo.
Não é fracasso se voce passar o dia escrevendo mesmo que ninguém leia.
É fracasso escrever, ser lido, mas descobrir prematura ou tardiamente, que não havia o que ser dito.
Assim, por favor, cuidado com a democracia tanto quanto o auto-julgamento sumário.
Em ambos, há fuzilamento.
Em ambos, a armadilha esta toda explicada, racionalizada.
Então, mergulhar no céu cinzento da melancolia, pode fazer sentido.
Pode gerar a sensação de que basta viver.
11 sexta-feira fev 2011
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A utopia é algo para se desejar.
Não sei ao certo se é algo ou um lugar. Lugar talvez seja mais apropriado. Não precisamos mais das utopias sociais ou estéticas. Precisamos de um lugar.
Pois podemos sentir. Estamos sem lugar. E por isso precisamos um lugar que não é lugar. Lugar nenhum.
O cyberespaco pode ser o lugar.
O vácuo que faz intermediações entre pessoas. Um espaço onde não chegamos e de onde saem os que se desligam. A utopia é um estado. Um estado interno. Um momento agudo onde não queremos estar em lugar nenhum. Aí temos utopia. Aqui a utopia faz sentido.
Extamente, temos utopia quando vagamos em busca de sentido. De um lugar ao outro. Como ramblers que perderam os documentos para sempre.
Utopia é alegria infundada.
Um perfil para a calma pode definir a utopia?
Não.
Utopia não é calma. Tudo menos calma. A utopia é se desmanchar na marcha diária. Utopia é quase acreditar que podemos contar com o futuro. Qualquer um. Porque assim o presente não pode ser vivido. E é com ele que podemos contar.
Utopia é o presente intensificado. A utopia é uma fronteira não demarcada. E no mapa fica bem aqui. No espaço sem dono que são as emissões dos radares. Entre uma onda eletromagnética e outra a utopia balança nossas cabeças. E, para respirar melhor, vivemos acesos.
Utopia, vidraça para a realidade.
Eu?
Já quebrei a minha hoje.
09 quarta-feira fev 2011
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aculturamento, assimilação, congregação de símiles, relação entre as minorias, sentimento gregario, tribalismo primitivo
Um tema de grande complexidade que “A Verdade Lançada ao solo” tentou esmiuçar.
O que isso significa?
Aculturar-se ou assimilar-se tem sido discutido como um problemas das minorias frente à pressão — massacrante e exaustiva — das maiorias.
Por que uma pessoa deveria resistir e lutar para manter seus hábitos, suas tradições, as caracteristicas que fundaram sua trajetória?
Por ela mesma. Não pela causa. Não por poder parecer ideologicamente adequado. E sem dúvida não porque isso traga qualquer vantagem.
Pelo contrário. Todos sabem que marchar, resistir, ou simplesmente viver à revelia das pressões por comportamentos padrão, pela regularização homogênea ou a pasteurização social demanda energia extra e muitos…muitos….mas muitos aborrecimentos.
Não quero convencer nenhum índio, nem ninguém, de que deve voltar para sua aldeia natal e abraçar o tribalismo primitivo (acabo de me imaginar às margens de um rio na babilonia, colhendo um pouco de água para beber, e eu era um dos exilados que escapou dos massacres do império romano, tentando enxergar algum sentido naquelas terras estranhas).
Na verdade, aqui, agora, quero só compartilhar a angústia incurável.
O sentimento gregário e a busca por pertencimento é uma característica de animais racionais e irracionais, entretanto temos sido convencidos que a emancipação é que é libertária. Que os valores são lábeis como os políticos. Que a adaptação exige o desapego, e o desapego demanda um certo esquecimento. Esqueça a herança e viva melhor, talvez fosse um bom motto para essa pregação contemporânea.
Mas será possível? Que a demanda por inclusão nos caçe a originalidade. É esse o custo? Se for esse o tributo a pagar penso em duas saídas: inadimplência ou sonegação.
Assimilar-se e aculturar-se são, em alguma medida, o passo final para que fiquemos, todos nós, na melancólica semelhança.
07 segunda-feira fev 2011
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as múltiplas aptidões das pessoas, ser muitas coisas ao mesmo tempo, talento e escolha profissional, talentos individuais
A primeira parte da frase que entitula este post pertence à Emmanuel Swedenborg. Botânico, místico, diplomata, pesquisador, escritor e astrônomo.
O que significa?
Que não é razoável, muito menos plausível, que as pessoas tenham apenas um único talento.
Ah…mas a carreira exige dedicação exclusiva!
Fomos talhados para uma vida que segue numa direção?
Mas quem quer uma carreira? Os sólidos homens de negócio? Os professores? Os bancários? O apego está relacionado à ascensão social? E quem não quer isso? Entendo perfeitamente Senhor, mas melhor esclarecer: carreira não tem nada a ver com os atributos plurais das pessoas.
O Senhor discorda? Cada um nasceu para uma coisa específica?
É possível mas posso…aceita uma provocação? Não há problema? O Senhor está disposto a qualquer desafio; entendo. Ótimo, hoje em dia poucos estão dispostos a se colocar à prova.
Nunca invejou ninguém — não pelo que possui — mas pelo que é ou pelo que faz? Nunca se pegou cansado da repitação brutal em seu escritório?
Eu sei, eu sei, o Senhor é executivo…viaja muito, trabalha cá e lá, aqui e ali.
Mas o Senhor ouviu o que eu disse? Quantas vezes a rotina não colocou suas perspectivas abaixo? E quantas vezes o Senhor fez o que realmente queria fazer?
Quer dizer que não tem este problema, está tudo muito “bem resolvido”? Se não tem este problema fico feliz pela ideia da sua bem aventurada completude. Fica o sabor triste da mentira.
Ah! Não? Nenhuma mentira? O Senhor está ofendido? Por favor!!
Sinto pela ofensa mas não retiro uma palavra do que disse. Eu digo já no que o Senhor mente, apesar de não poder dizer por que faz isso. Mas mente e mente com a pior das desculpas: autoengano.
Viu que seu dia a dia não é tão liquido e certo quanto planejava? Que num lance pode ter ideias novas e mudar o curso de história? Da sua história?
O Senhor dispensa conselhos e só vai discutir isso em análise? Pois faz muito bem.
Mesmo assim e mesmo que não queira ouvir, preciso dizer: o Senhor pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.