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Um dos maiores mistérios de “A Verdade Lançada ao Solo” é o manuscrito deixado por Zult Talb. Nele, o rabino filósofo escreve sobre suas experiências com a devekut (adesão, apego, proximidade a Deus). Ele fala, não somente do ponto de vista teórico ou filosófico, fala do que experimentou.

Como ele aprendeu a técnica? Através de alguém que já vivenciou a experiência. Portanto a devekut é infecciosa, transmissível. 

Para Zult a “adesão”não é fruto de catarse, não é o resultado de meditação, ou bônus espiritual que se alcança com mantras ou com a erudição biblica. A devekut é um professor com alta proficiência pois ensina a partir de uma fonte quase inaccessível. Aparentemente. O mais incrível é que ela jamais promete para quem a experimenta.

Zult quer deixar esse testamento aos homens de nossa época porque intuiu o que virá. Sabe o que nascerá. Parece que o mundo migrará para um esvaziamento da vida subjetiva, das aspirações do espírito, do caminho do cultivo de um retorno a uma perspectiva em que alma possa ocupar um lugar central.

O fanatismo religioso e a religiosidade canônica não podem cumprir este papel porque a forma e a ideologia parece ter superado, com folga, qualquer conteúdo.  Neste sentido, Deus não parece ser uma força presente. E a distância foi criada e alimentada pelos próprios homens.

Por isso a devekut é o sonho regenerador, ainda que dessa utopia só se possa sentir na carne.