• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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O gosto pelo superficialidade

21 segunda-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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conduzido, discurso político, gosto pela superficialidade, Obama, Simples e superficial

As vezes nos contentamos com o superficial. Isso significa mais ou menos nos contentar com as coisas simples, certo?

Não é bem assim.

As coisas simples nem sempre são superficiais e vice versa.

A profundidade tampouco é garantia de qualidade.

Para examinar melhor tomemos os discursos políticos como exemplo. Eles representam  bem a auto-exaltação das gestões, promessas evazivas, ou as grandes transformações que nunca chegam. 

O recentíssimo exercício de relações públicas do presidente americano no Rio mostrou isso. Nada de novo sob o luar. E assim vamos. Entretanto isso tem que ser feito.

Por que?

As pessoas precisam deste módulo confortador. Vale dizer, é como se todos nós desejassemos que alguém nos conduza, a velha e recorrente falha de autodeterminação que nos leva a falha de instinto: a necessidade de líderes e heróis, a ilusão de que podemos nos dar ao luxo de não sermos reflexivos. 

Parece, simula, de qualquer forma, dá a impressão que confiar nos outros como condutores nos alivia a carga assim como aderir ao conformismo da superficialidade nos faz contornar aquela condição que não será transformada.

Pois a carga, vale dizer, está tão aderida como uma mochila costurada ao corpo. Ela já faz parte do metabolismo e a sua composição, pode-se dizer, já entrou nos nossos metabolismos.

Pois a carga é ter que responder — todos os dias — quem somos e porque nos contentamos ou não com o que temos.

O gosto pelo superficial — e pelos seus pequenos afagos — decorre dessa exaustão. Da impossibilidade de viver com nossos recursos. (pois é no mínimo curioso que quanto mais se espandem mais insatisfeitos ficamos). Da incapacidade — temporaria ou permanente — de saber onde está a justiça. A justiça interior. Aquela tomada como uma condição prévia à liberdade, a justiça como percepção do mundo, a justiça como elo de passagem para que todo e qualquer ofício humano faça sentido.

O gosto pelo superficial é então, talvez, fruto da impotência. Dos programas  televisivos dominicais aos veículos de fofocas nós buscamos alívio no entreterimento rasante. E antes de desligarem notem que não há um pingo de moralismo nisso que escrevo, ainda que o tom seja de um alerta preventivo contra as forças e os sentidos interiores que nos arrastam às diversões sem significado,  à desnecessária depressão. (sobre a depressão necessária falo depois)

Mas o significado não têm que ser dado, construído, atribuído, necessariamente, por cada um de nós?

Claro senhor, por isso mesmo valeu a pena ter escrito isso.

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“Sonho não interpretado” – Parte III

17 quinta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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imanência e Transcendência, paraíso

Horizonte em Massada

A terceira e última parte do meu livro é que mais têm recebido comentários. Alguns já a chamaram de “arrebatadora” enquanto outros apenas a classificaram como bela. As críticas menos elogiosas voces podem ler em outros sites.

No entanto, como autor devo dizer que de fato ali está o aspecto libertário do livro. Libertário porque ali estão reunidos todos os elementos de uma catarse, de uma violenta e desreprimida ação.

Yan ressurge porque descobre como se restaura os valores. Liberta-se porque a matéria não é mais um problema. Com quantos paraísos se faz uma utopia? Em primeiro lugar é difícil  construir mas quase impossível destruir. A utopia é uma prova de vida, portanto vital.   

Claro que uma obra aberta pode não ser o que há de mais fácil para os leitores. Mas a recompensa é outra. Mesmo assim o escritor fica sempre em dúvida se fez o certo. Mais , se o que fez foi suficiente para que a trama estivesse dentro de um fluxo narrrativo agradável. Pode até ser difícil, mas tem que ser compreensível

O texto tem que ser apenas claro, mas ele não precisa ser, necessariamente, simples. A linguagem é o único patrimônio do autor. Se ele perder a oportunidade de ser ele mesmo, de insistir em seu registro — incluindo suas idiossincrasias e manias — perderá a originalidade autoral. Se adotar uma linguagem artificial pior, matará o texto. Sem idiossincrasias e sem originalidade será, de uma forma ou outra, pulverizado. Então quando achar que terminou uma obra não terá mais a literatura.   

A saga final do “A Verdade Lançada ao solo” é uma “viagem” onde nosso protagonista penetra no átrio de um paraíso. Onde suas preocupações e paranóias não são, pois não podem, panos de fundo de uma composição. Diante de sua saga, os outros detalhes não parecem mais fazer sentido já que ele está falando dos grandes temas humanos, como por exemplo o conflito entre imanência e transcedência.

Há alguma forma de conduzir estas forças que tendem a auto anulação para um desvio comum?

Haverá alguma voz que nos dê a sensação de que há uma resposta? Ainda que ela seja a mais inconclusiva de todas?

A terceira parte.

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Minorias

16 quarta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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aculturamento, autocracia, consensos, despersonalização da sociedade, idiossincrasias, maioria e minoria, minorias

O que significa pertencer a uma minoria?

Um dos aspectos mais evidentes deste pertencimento é aceitar que voce faz parte dela. Todos sofrem, mas as minorias em dose extra.

Sofrem porque não é fácil aceitar uma condição contra-hegemônica que nem é mesmo uma escolha. Pois não se trata de ideologia. Voce nasce ou não dentro em uma minoria.

No “A verdade lançada ao solo” esta condição aparece em vários momentos. Yan pertence a uma delas. Ganfres  e Sibelius estudam as minorias. A condição judaica da maioria dos personagens é uma realidade mas pode funcionar como uma metáfora para qualquer um que se identifique com pertencer a uma fração.

Os “sem tribo” ou os que vêm de pequenas tribos não tem exatamente uma vida fácil numa sociedade que deseja nivelar as pessoas pela média. Parece obvio mas não é. Assim como o proselitismo  viola uma regra fundamental dos direitos das pessoas: ninguém pode ou deve convencer as pessoas de coisa alguma, especialmente no campo das escolhas religiosas e espirituais.

Quem dirá no campo político!

Nesse sentido os partidos não devem existir. Mas essa parece ser a vida dos prosélitos e dos políticos.

Ao desrespeitar sistematicamente a divergência, preterindo um lugar onde a diversidade poderia ser respeitada — em geral usando o pretexto dos consensos — o que se busca é desmantelar as originalidades.  

Uma minoria, neste contexto, pode ser de um homem só. Desde que ele resista à compulsão, essa que impele todos numa única direção. Pois para resistir ao totalitário há que ser ligeiramente egoista.

O discurso social é justo mas não onisciente.  Sem as minorias todos os sistemas sociais tendem a autocracia. Porque a minoria (que seja de um homem só) denota a resistência psiquíca à se deixar arrastar pelas massas. A despersonalização da sociedade é evidente e não se pode saber de antemão até onde irá.

As minorias são enfim a garantia de que nossas idiossincrasias não devem sumir porque sem elas o que somos?  

Por isso mesmo, nada está garantido.

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Redator, Mérito e Justiça Poética.

15 terça-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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justiça poética, mérito

— O que o Sr deseja?

— Saber um pouco mais!

— Sobre o que Sr?

— Como é que as coisas são decididas por aqui?

— Não sabe?

— Não! Uma coisa é certa. não é por mérito. Dinheiro? É o dinheiro que resolve?

— Ajuda. Se vier com poder melhor, o cacife não é para qualquer um.

— Mas reli e gostei. 

— Isso não sei. Ele já disse que não.

— Quem disse?

— Ele ali.

— Mas ele não é ninguém.

— Ninguém é ninguém. Ele é “o” alguém, ele é o dono.

— Qual o nome dele?

— Redator. Faz o que bem entender. Manda em tudo e todos.  Como se diz por aí, só ele apita.

— Mas é o Sr. Redator-chefe, ele não tem moral?

— Têm! Uma muito particular, a dele.

— O que podemos esperar dele?

— Como disse, nem mérito, nem justiça poética.

— Onde anda, está morto?

— O mérito? Ihh, faz tempo que ele agonizava lá no quintal. Hoje está embrulhado em jornais. 

— Mas e a justiça poética?

— Essa aí? Empacotou. Faz mais tempo ainda!

— É mesmo? Mas nem vi o anúncio.

— É, nem deram mesmo. Querem até apagar o jazigo. Idéia do chefe. Sabe como é que é, aqueles papos, podem fazê-la heroína, martir, sei lá o que.

— E eu nem sabia! (lágrima)

–Opa, mas não precisa chorar.  

— Não estou chorando (disfarça), é que acabei de abrir o livro e vi a notícia.

— Qual delas? A matéria paga?

— Esta aqui:

“Quando todo Mérito perecer, a Justiça Poética voltará para vingar seu patrono. Nesse dia, não haverá uma só palavra publicada que não possa ser ouvida por todos.”

(estrondo, estampido)

— Por que fez isso? Está louco? Agora voce se sujou. 

— Alguém tinha que fazer. Está feito.

— Foi justiça com as próprias mãos. Sem o chefe quem vai controlar tudo? O que vamos fazer com as informações?

— Não é da minha conta! Vim com missão pontual.

— Bom, já que fez, qual seu nome?…é para colocar na manchete.

— Coloque apenas “um amigo das letras”

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Coincidências, imprevisibilidade e intuição

11 sexta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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acaso e probabilidade, intuição, premonição, prever, previsibilidade imprevisibilidade, sentidos internos, sonhos e premonição

Um dos sentidos mais obscurecidos em nossos tempos — se é que não extinto — é a intuição.

A intuição é um sentido, um instrumento — oculto como o sentido do equilíbrio — que, pelo desuso, se atrofia.

Minha hipótese é que essa verdadeira benção — com potencial de nos guiar pela vida — não desapareceu, apenas foi obcurecida pelas demandas violentas, tirânicas, que a vida material e a rotina mecanizada nos arrastou através destas metrópolis saturadas.

De qualquer forma, se ela ainda é um recurso ainda disponível, apenas escamoteado pelas aparências, por que não vêm mais à tona? Por que a impedimos? Melhor dizendo, se ela está mesmo viva, se é um sentido presente, apenas inativado, porque não a colocamos de novo em disponibilidade?

Ninguém pode duvidar dessa necessidade.

Cada vez mais escolhemos, e acusamos este pertencimento, ser uma sociedade de robôs aculturados. E os robôs estão cada vez mais ativos porque ofertas e demandas foram reduzidas às necessidades materiais, satisfações imediatas, confortos sem significado.

Mesmo diante de tanta superficialidade e repressão, relatos aparecem. As pessoas já notaram que esses snapshots (instantâneos) mesmo amordaçados sempre ameaçam vir à tona e dar seu recado.

No “O Caderno Vermelho” de Paul Auster, por exemplo, vemos as coincidências em operação. Mesmo sendo tratadas de forma blasé elas são poderosas. Interferem ativa, ainda que a maioria das vezes imperceptivelmente na vida das pessoas.

A constatação de que existem acontecimentos e fenômenos sincrônicos, que, de alguma forma, poderiam ser indícios de que há uma providência em exercício, não são admitadas dessa forma.

Talvez porque seja mesmo mais fácil e aceitável atribuir aos eventos extraordinários conotação de acaso, ou encaixá-los dentro dos fenômenos comportados dentro de teorias como, por exemplo, a das probabilidades, vale dizer ao aleatório. Claro que isso parece melhor, ou mais cômodo, que evocar uma teoria mística ou inexplicável.

A intuição pode nos ajudar. Por isso, presságios, pequenas imagens internas, fragmentos de sonhos e até mesmo o pensamento mágico não podem ser descartados com tanta pressa. As desrazões podem nos ser mais úteis do que se imagina. Mas compreende-se bem porque, numa sociedade mediada por relações completamente racionalizadas, roteirizadas, reféns do cientificismo (a ciência que tudo explica) a intuição chega a ser um disparate.

Não se pode prever quase nada. Mas, as vezes, mesmo assim ela vem. Um mini alerta se codifica. E com esta minúscula informação podemos nos guiar. São espaços internos que funcionam como antecipações de sensações, imagens, sonhos, flashs, lampejos, ou arrepios indefiníveis:

“Sinto que não devo ir lá”

“Não tive uma sensação boa naquele apartamento”

“É nesta viagem e neste roteiro que vamos ficar bem”

“Vamos deixar passar esse negócio, não sei porque mas acho que não daria certo”

“Pintarei com um outro material, sinto que  é o caminho”

“Vamos escolher outro vôo, este número…não gostei”

“Resolvi ir porque sei que vou conhecer uma pessoa especial”

“Tive um sonho, melhor adiar a proposta”

“Justo hoje, o telefone dela caiu na minha mesa, e eu não a via há 10 anos”

Sim, elas aparecem.

Assim, mesmo que voce não acredite em nada, deixe ou crie espaço para sua intuição. Ela é mais que um faro. E mesmo nada prenunciando, fará muita diferença só por saber que se pode contar com ela.

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Galeria

Convite para Palestra e Lançamento do livro A Verdade Lançada ao Solo – Rio de Janeiro, 29/03

08 terça-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Ensaio, judaísmo, Literatura, Palestra Literatura Rio de Janeiro, Verdade Lan, Verdade lançada ao solo

A Verdade Lançada ao solo - Lançamento do Livro e Palestra

Esta galeria contém 4 imagens.

  Ficção nacional | Romance | Filosofia             Estreia do médico e poeta Paulo Rosenbaum como romancista, A VERDADE LANÇADA …

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Como se julgar? O que significa justiça?

04 sexta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

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a sombra, auto-julgamento, conceito de justiça na tradição judaica, hermeneutica juridica, justiça, justo que sofre, maniqueísmo, o que é ser justo?, significado de justiça, tzadik, vícios moralistas

Claro que aqui não se trata de dar definição como se estivessemos dentro de um compêndio de direito. O conceito de justiça (e portanto do ser justo) é um dos fundamentos da civilização moderna.

Será?

De uma perspectiva talmúdica estaríamos em outro campo. O justo é um advento não só poderoso como raro. São uns poucos justos no mundo. Muitos estão a procura-espera dessa justiça, mesmo que as vezes confundam justiça com hermenêutica jurídica ou jurisprudência.  Não. Isso não é aquilo.

A justiça na perspectiva judaica não é só uma terminologia para definir ética. A justiça não é feita por juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. Não é dessa justiça que estamos falando. Falamos da justiça como eixo filosófico, como atitude, aquela que norteia a vida. Falo da justiça como o fundamento  poético (sim, estético também) que nos permite viver com liberdade.

Já que segundo o filósofo e rabino Schneur Zalman um tzadik (justo) é tão raro — somos apenas, quando muito, aspirantes à justos — que devemos nos conformar com a belíssima idéia de sermos “justos que sofrem”.

Sofremos porque não é possível aos seres humanos médios — aqueles que não nasceram com uma carga de santidade introjetada n”alma — escolherem a perfeição.

E pela santa imperfeição que sofremos. Mas sofremos porque aspiramos a justiça. A justiça  que, talvez, não esteja conosco, a justiça longínqua, inaccessível, a justiça que a vida — em suas gradações e tonalidades múltiplas — teria a potência de nos oferecer. Mas a potência não vira, necessariamente, ato. Deveras nunca.

Um dos papéis humanos é tentar fazer nascer o que não é espontâneo. Assim como numa indução em um experimento científico, a nossa prerrogativa é tentar viabilizar um sentido para as coisas, e isso é, já, um passo para a justiça.   

Assim, abandonando-se completamente e renunciando à inalcançável perfeição podemos voltar a pensar em nossos papéis. O papel de sujeitos que lutam para buscar a justiça nos sentidos interiores. Malgrado se perceberem brutais, omissos, mentirosos e espertos. E mesmo assim não se rendem à debilidade de uma análise maniqueísta. Não se flagelam, não se penitenciam, não  se entregam aos vícios  moralistas. Em outras palavras, — e aí está a genialidade pseudo-naive de Zalman —  somos obrigados a conviver com nossas sombras e a melhor notícia é que ela não precisa ser extirpada, eliminada ou sublimada. Ela deve ser assimilada no sofrimento já que somos os tais justos que sofrem. Os permanentes sêres intermediários. E os que sofrem (talvez só eles) saibam que precisamos sair da medíocre passividade na qual estamos todos metidos.

Se conseguirmos esta aspiração ela deve começar conosco. Somos justos, sequer razoáveis no julgamento particular em todos os dias defesa e acusação encarnam aquele papéis horrendos de sempre enxergar (alguns até pagos para isso) só um lado?

Não só não somos, como ficamos a espera de que jurados alienados e frequentemente hostis nos concedam a benesse do fôro privilegiado (nota- só há esta aberração no Brasil) ou a sentença máxima, geralmente definitiva.

Não se pensa em bondade, talvez nem caiba mais, mas em justiça.

Isso, só isso,  já seria uma enorme mudança no mundo prático.

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A Verdade Lançada ao Solo – O título do livro.

27 domingo fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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aculturamento, aldeia global, alegria como estado espiritual, exultação, filmes de Hollywood, lançou por terra a verdade, mundo da verdade, Profeta Daniel, tribalismo

O título do livro refere-se a uma passagem que se encontra nas escrituras do profeta Daniel 8:12 “e lançou por terra a verdade””.

Como pode acontecer com a maior parte das metáforas ela é polissêmica, vale dizer, têm muitas possibilidades interpretativas, diz muitas coisas ao mesmo tempo, vive de muitos modos diferentes. 

A verdade foi lançada ao solo para que, dele, surgisse o homem. Ele, com suas características e potencialidades.

Mas esta verdade poderia ter sido desperdiçada com uma terra árida, semi desértica que não aceita brotar, muito menos deslocar-se. Ainda a verdade poderia ser lida como a formação, emanada, de uma espécie de clone de quem a lançou.  

Contudo o mais provável é que a verdade lançada ao solo era uma aposta do Criador. Um desafio a ver que tipo de massa embrionária surgiria. E só por isso, talvez exatamente isso, lhe desse a consistência — e a liberdade — necessária para ir, adiante.

Impossível confirmar. Não podemos saber se o que temos hoje é isso.

Os homens desconcertaram o mundo. Depois do massacre da natureza, do fim da história, da hegemonia do fanatismo e da belicosidade da ciência não se pode imaginar mais um devir. 

Com nossas teorias, crenças, ciências e atos fizemos da terra uma migalha disforme. A aldeia global está mais tribalista que nunca, retalhada entre rincões, abismos culturais, que são, ao mesmo tempo, tribos sem identidade ou culturas intolerantes com as demais, exigindo dos outros semelhanças artificiais ou distinções sem conteúdo. É fato: estamos cada vez mais aculturados. No calor do caos não se fez surgir nada estritamente melhor — ou pior –apenas uma inércia cômoda.

A vida espiritual entra (entraria) em cena aqui. Nada a ver com as representações conhecidas: superficialidade calculada dos filmes de Hollywood ou as máscaras de realismo social dos atuais filmes brasileiros.

A alegria é essencial e ela não está fora. Exultação (bliss) é o termo para alegrias do espírito. O mundo da verdade é o mundo com subjetividade e é pela linguagem que podemos escolher como afinal decidiremos: o que quer que seja.

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O deslocamento de Israel: que tal mover a Bélgica para o Sergipe?

25 sexta-feira fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antisemitismo, crise no mundo árabe, deslocamento de Israel, Israel, mover os judeus para outro lugar, que tal mover a Belgica para Sergipe?, revisionistas do holocausto

Espera-se que o débito dessa crise instalada no mundo árabe (oxalá a democracia sobreviva) não caia na conta de Israel. Colunistas notaram que pode haver algo diferente: não estão queimando bandeiras do estado judaico. O inimigo se deslocou para dentro das fronteiras de cada estado. Destarte, a mídia persista em não alcançar as sutilezas realmente importantes. Uma delas é até quando esta suspensão da animosidade durará? Pouco, decerto. Cruzadores iranianos aproveitaram a “deixa”e pela primeira vez em 30 anos passaram através do canal de Suez, navegando a poucas centenas de milhas náuticas da costa israelense. Só uma provocação? Mais um abastecimento militar nas costas sírias? Veremos.  

Mas o mais incrível é uma outra coisa. Ficou mais do que frequente ouvir opiniões das mesas dos bares (tivemos que ouvir coisas do tipo da boca do ex-vice presidente) e nos meios pseudo-acadêmicos de que a solucão para o Oriente Médio é o deslocamento de Israel.

A facilidade com que se aventam lugares impressiona:

— Amazônia

— Regiões desabitadas do deserto australiano

—  Os polos (isso resolveria um problema extra: asquenazis ao sul, sefaradis ao norte)

— Qualquer sarjeta! 

Afora o caráter ignobil e fanfarrão da tese, a aposta funciona como débil sedativo para quem sabe que isso não ocorrerá. Muitas concessões podem e devem ser feitas. Mas Israel jamais se moverá de onde está, por um motivo que subverte todas as prerrogativas opostas: aquela região pertence aos judeus. Não se trata de um registro cartorial ancestral e justificacionista. A humanidade deve isso a eles.

A asneira histórica-demográfica têm tomado consistência graças à leniência, quando não aberta simpatia, com sujeitos como os  revisionistas do holocausto,  ditaduras do Irã, Venezuela, e simpatizantes, só para citar os mais pródigos e famosos. Os antisemitas estão mais vivos e ativos em todo o globo. Não são forças desprezíveis e, paradoxalmente, crescem na trégua que a tolerância da pluralidade democrática lhes oferece. Mas isso é razoável? Parece que sim. Basta notar o silêncio conivente da Mídia e a crescente antipatia pelo Estado hebreu.  Fica pior quando se quer fazer a distinção entre antisionismo e antisemitismo. Uma vez incapazes de admitir (ou lidar com enraizadas pulsões) a sua aversão aos judeus é muito frequente o jornalismo usar o enorme manto antisionista.    

O deslocamento? Pode-se fazer sim.  E por que não?

Desde que a aplicação da lei que rege a diplomacia, como por exemplo, a da reciprocidade, fosse aplicada nesse caso. Seria mais ou menos o seguinte: abolir a propriedade privada das terras.

Em seguida moveremos todos os resquícios de apego étnico e tribalista à terra, esta bobagem inventada pela burguesia. Simples assim, por decreto. Pode ser da ONU.

E, enfim, fica-se mais livre para barganhas e promover êxodos mundo afora. Habitantes da Caxemira vão para o Caribe, Palestinos para Madagascar, Coreanos do sul ficam com uma das ilhas vulcânicas do Japão, habitantes do curdistão ficam com Gibraltar, bascos vão para Malta, armenios ficam com as ilhas Falklands ou Malvinas, tanto faz.  

Os belgas, por exemplo, uma vez desapegados de seus retrógrados vinculos com o lugar em que sempre estiveram, seriam deslocados para o interior do Sergipe. Nenhum critério especial na escolha do menor estado brasileiro, apenas uma questão de compatibilidade em hectares.

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Fome por sentido

25 sexta-feira fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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poesia fome por sentido

Fome por sentido                         Manhãs ———– travessões colossais

que migram pelos textos,

letras podem confundir

e acordar não é enxergar.

por isso (e para isso) o espírito

têm sede única: 

fome por sentido.

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