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Cada cubo descia com a sede das pedras.

Cada pequeno gelo circular, sim são semi ovais, foge ao solo sabendo do derretimento. Mesmo assim desce.

Somos confidentes desse granizo. Deste formato rigido que se esfacela no granito.

Granizo sobre granito.

Não deixa de ser choque entre durezas. Faz tempo que nós só amolecemos a tirania no meio-fio. Espremidos no barulho das latas que amassam os carros, esperando pelas enchentes.

Não há poesia em inundações, há n’água. Nas poças. No chuvisco estrito. Nas tevês desligadas. No fenomeno natural que subverte a tecnologia. Nas rimas de passagens. No estalo dos raios.

Há no granizo a potência de um futuro, de uma chuva granulada que quer, precisa, se espalhar. Da sarjeta, o guarda-chuva usado na frente dos corpos se espelha na espada. Mas o vento, olha para nós com a segurança de quem nos têm na mão.

Olho a água, a rua brilha. Não há mais cacos, os fractais correram até o chão, e no fundo (ai dá para ver), toda tragédia é falta de criatividade. A poesia forma até represas, o que ela pode, ou não quer (o que no fim dá no mesmo) é ficar à deriva enquanto qualquer nau faz cruzeiro.

A chuva daqui é texto ao sabor das águas.