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A utopia é algo para se desejar.

Não sei ao certo se é algo ou um lugar. Lugar talvez seja mais apropriado. Não precisamos mais das utopias sociais ou estéticas. Precisamos de um lugar.

Pois podemos sentir. Estamos sem lugar. E por isso precisamos um lugar que não é lugar.  Lugar nenhum.

O cyberespaco pode ser o lugar.

O vácuo que faz intermediações entre pessoas. Um espaço onde não chegamos e de onde saem os que se desligam. A utopia é um estado. Um estado interno. Um momento agudo onde não queremos estar em lugar nenhum. Aí temos utopia. Aqui a utopia faz sentido.

Extamente, temos utopia quando vagamos em busca de sentido. De um lugar ao outro. Como ramblers que perderam os documentos para sempre.

Utopia é alegria infundada.

Um perfil para a calma pode definir a utopia?

Não.

Utopia não é calma. Tudo menos calma. A utopia é se desmanchar na marcha diária. Utopia é quase acreditar que podemos contar com o futuro. Qualquer um. Porque assim o presente não pode ser vivido. E é com ele que podemos contar.

Utopia é o presente intensificado. A utopia é uma fronteira não demarcada. E no mapa fica bem aqui. No espaço sem dono que são as emissões dos radares.  Entre uma onda eletromagnética e outra a utopia balança nossas cabeças. E, para respirar melhor, vivemos acesos. 

Utopia, vidraça para a realidade.

Eu?

Já quebrei a minha hoje.