• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Naturalizando o insuportável

10 quinta-feira out 2013

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Claudia Trevisan, liberdade de expressão, Obamacare, terrorismo

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

 

    Coisas da Política

    Hoje às 06h13

    Naturalizando o insuportável

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor

    Quem pode acompanhar esta página sabe o desprezo que me causa o antinorte-americanismo sectário, dominante no circuito do jet set diplomático e politico mundial. Cometem seus erros, mas só quem não tem computador não sabe que a espionagem é a alma dos negócios. Pode-se espernear, mas o que os Estados Unidos avançaram em termos sociais, tecnológicos e na implantação de uma democracia e instituições sólidas nenhum outro país do mundo ocidental conquistou. Certo, são egoístas para favorecer o próprio povo. Mas não é isso que um Estado decente deve ser? Poderiam ser menos egocêntricos, de acordo. Mas o crescimento do protecionismo mundial escancara: ninguém é vilão sozinho. E até aqui sedimentavam seus índices sociais mantendo a liberdade e a democracia, o que não é fácil. Muitos socialistas órfãos sabem disso, mas não podem admitir em público. Aliás, talvez um dos primeiros países a cumprir as demandas do Manifesto Comunista no que diz respeito aos direitos trabalhistas. Claro que eles não têm nosso tino paternalista, nem nossa capacidade de rir dos próprios infortúnios. Enquanto isso, o irresoluto Obama oscila entre notáveis propostas de avanço social — a inclusão de 50  milhões de pessoas nos serviços de saúde é o que está em jogo — e humilhantes concessões na política externa que estão corroendo símbolos. Pois, o que significa tomar lições de moral  e cívica de Putin? É autoevidente. 

    O fato é que a melhora dos índices de pobreza eram provas de que havia recuperação e eficiência. A retomada depois do tombo de 2008 — nas previsões otimistas para 20 anos — estava se fazendo em menos de cinco — tudo fruto de gerações de fibra dos norte-americanos.  Eles não só superaram a ideia do lucro e da livre iniciativa como pecados burgueses, como formataram um sistema de previdência social que mesmo ruim ou deficitária é muito melhor que o da concorrência. Isso, mesmo naqueles países onde o bem estar-social é chamado de outros nomes.

    A melhora dos índices de pobreza eram provas de que havia recuperação e eficiência nos EUA

    Mesmo na recuperação econômica nota-se um clima de regressão. De abandono de algum eixo sobre o qual os pioneiros ergueram a Constituição mais duradoura e enxuta da história. A liberdade parece estar afundando na armadilha da guerra fragmentária e sem perspectivas. Não porque haja qualquer dúvida da superioridade estratégica e militar, mas porque é impossível abrir intermináveis e extensas frentes de batalha e não sucumbir. Roma soube disso tarde demais, e só quando se esgotou o estoque de escravos.  

    A prisão de um jornalista do estado de São Paulo, Claudia Trevisan, no campus de uma universidade é um sintoma. Mas há outros. Mais graves ainda. Apenas seis meses separam o atentando terrorista dos dois irmãos chechenos em Boston, do fuzilamento de uma senhora que, após uma depressão puerperal, teve a infelicidade de ter seus delírios e fantasias com o presidente. Procuremos não os elos óbvios entre a paranoia antiterror generalizada e a politica que tem levado a erros de julgamento cada vez mais graves. Os irmãos que explodiram e mutilaram pessoas em Boston tiveram inúmeros defensores. Até a velha e ridícula legião, que conseguiu plantar todos os eventos nas costas da CIA. Chegou a haver comoção pelos dois jovens terroristas que resistiram, um morto e o outro gravemente ferido num barco da pequena cidade em Massachusetts.

    Por mais insanas que sejam as justificativas, isso significa que há sempre gente disposta a  defender direitos das minorias, desde que estas tenham causas ideológicas em comum. No caso da senhora que, desarmada, estava no dia e hora erradas e seu carro recebeu pelo menos 29 balaços da policia local até ter a trajetória interrompida para sempre. Não houve comoção. O caso não parece ter recebido a atenção devida.  O silêncio relativo é aquele que faz soar o “mereceu o que recebeu”. Seu destino ficou por isso mesmo. Depois de morta, ninguém hasteou bandeira a meio pau. Não houve passeatas, nem mesmo contestações veementes da mídia mais progressista. Isso é mais do que um sintoma. É um sinal, e não vem dos céus. Estamos naturalizando o insuportável, e o retrocesso é mental.

    Mas é claro que há uma guerra, a terceira, mundial, ainda fria, fracionada demais para que se note. O mundo inteiro está em polvorosa. Mas, será que a resposta é dobrar a reação? O mundo pede menos censura e mais cuidado. O mundo exige atenção ao outro. Torço para que os irmãos de cima resistam à tentação totalitária para se igualarem a tantos outros. Pode ser que não passe de um pesadelo dos direitos civis e um coma transitório dos valores democráticos. 

    http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/10/naturalizando-o-insuportavel/

     

     

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    Blog Estadão – O Menor Sentido

    06 domingo out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Batalha na rua Maria Antônia, em SP, completa 45 anos

     Imagem

    Três e quarenta da madrugada. Dois sujeitos trôpegos estão para se trombar no meio da calçada. O asfalto tinha marcas de sangue, cacos de vidro, e a fumaça cinérea de incêndios recém apagados. Klauss, sentado na calçada com a sobrancelha estourada, esfregava um lenço para estancar o corte vivo enquanto tentava com o dedo, limpar com saliva o risco fundo que tinha na bochecha. Mário estava com paletó rasgado e a gravata pendurada, apoiando a cabeça contra a parede do prédio da filosofia.

    – Voce é de lá ou de cá, puxa assunto Klauss sem levantar a cabeça

    – Cá e lá? Estranhou Mário que se desloca na direção do interlocutor

    –Daquele lado? Aponta a edificação de tijolos escuros.

    Mário balança a cabeça em negativa. Klauss levanta preocupado. Retrocede uns passos enquanto Mário parte em sua direção

    – Moro na filosofia. E retoca com um gesto vago.

    – Comuna!

    – Reaça!

    –Libertino!

    – Burguês!

    –Mac!

    –Filo!

    –Carne!

    –Leite!

    –Clássico!

    – Rock!

    – Capital!

    –Marx!

    –Esquerda!

    – Direita!

    Os homens se adiantam e estão frente a frente,  posição de duelo.

    – Isso é ridículo!

    – Ridículo!

    –Estou de saco cheio de tudo isso!

    – Não faz sentido!

    – O menor sentido!

    Os dois jogaram os porretes. Um se foi em direção à Consolação, o outro, chutou a placa que estava na sarjeta.

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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    Nota

    03 quinta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Jornal do Brasil

    Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

    Coisas da Política
    Hoje às 06h00

    O Levante e a Democracia

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

    Ontem, dia 2 de outubro,  há 69 anos, depois de 63 dias resistindo, os insurgentes do Gueto de Varsóvia foram esmagados pelas tropas nazistas. Duraram mais do que o Exército francês e polonês. Lutavam com o espírito, pelo espírito. O episódio poderia ser só mais um na história da humanidade, um dentre os milhares de resistência frente à tirania e à opressão. E a opressão costuma se formar sob o tijolo da inflexibilidade e da recusa ao diálogo, isto é, não reconhecer o outro como a si mesmo.  

    A surdez precede a mudez, a qual por sua vez deságua na única alternativa quando tudo desparece: a foz da violência. No entanto, aqueles e tantos outros heróis não foram heróis porque pegaram em armas para fazer frente a uma máquina que triturara a Europa e colocou metade do mundo de joelhos. Tampouco, porque eram símbolos de destemor ou ícones da moral pública.  

    Aquelas pessoas, mulheres e adolescentes tiveram o mérito de resistir quando a outra opção era capitular à resignação. Quando a luta persiste, mesmo com a derrota garantida, a dimensão heroica torna-se mais clara. Por isso só podemos avaliá-la retrospectivamente. Isso significa que, surpreendentemente, a capacidade humana de acreditar é superior ao pragmatismo. Em tempos de selvageria política não deixa de ser uma inspiração.

    Heróis involuntários não têm partido, ideologia, metas ou estratégias. Não são tomados pela exaustão das mesmas coisas que acontecem com as mesmas pessoas sob circunstâncias similares. Nem se deixam dobrar pelas evidencias consistentes e lógicas bem à sua frente. Neste sentido há em tal comportamento uma enigmática irracionalidade que estranhamente não parece estar equivocada. Por que lutar contra demiurgos que não largam o osso? Para que se bater por gente que nos paga com insultos? Como enfrentar a indelicadeza da injustiça que parece predominante?

    É preciso saber quando é preciso dizer não, quando a única coisa que realmente funciona é um basta

    Pois o caráter redentor daqueles que fazem valer suas presenças não está nem em uma suposta causa. As vezes não há uma causa. A causa é a própria luta. Surpreende que seja assim, poder-se-ia tratar de uma ética inata.  Não se trata do rebelde sem causa, mas da rebeldia que não precisa de causa, já que é preciso saber quando é preciso dizer não. Quando a única coisa que realmente funciona é um basta. Quando o silêncio absoluto vira uma forma de protestar. 

    Uma democracia precisa ser encarada analogamente a um ser vivo que precisa dispor das condições para estabelecer raízes, hidratação e nutrientes. Mas o solo não é um provedor infinito, são pessoas que formam os órgãos do regime político. E atenção, não estamos em guerra, ainda que haja um inimigo oculto! Há quem queira dominar e predominar.

    Como fazer? São as pessoas que podem mudar pelo voto e por atuação não violenta a cara da sociedade,  e para isso temos que dispensar máscaras e gás, cassetetes e bombas. O anonimato não precisa ser secreto, nem as forças de segurança uma ameaça para as pessoas.

    É verdade que ninguém em nossos dias parece querer entrar na briga para perder, mas é que em nossos dias era de se supor que pauladas não seriam mais necessárias, a disposição dialógica, sim. 

    Tags: espírito, exércioto, gueto, nazistas, pauladas, varsóvia

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    http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/03/o-levante-e-a-democracia/

     

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    Blog Estadão – Atores Fartos

    02 quarta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Tags

    atores fartos blog estadão, zona franca de intolerância

    Parecer do MP Eleitoral rejeita registro de novo partido de Marina Silva

    PT comanda obstrução e impede minirreforma eleitoral para 2014

    O PT e o PSDB praticamente monopolizaram os últimas duas décadas da historia política recente. Ainda que tenhamos avançado nos indicadores sociais, nenhum deles fez as reformas essenciais, aquelas que nos concederia estabilidade política e social. Pelo contrário. Essa, a prova empírica do esgotamento e do final de um ciclo. Por outro lado, há uma incapacidade generalizada de interseções que favoreçam causas comuns. A resultante desta inação têm feito as instituições descerem ao descrédito. A manutenção de um governo com oposição sombra, vale dizer, que não se antecipa, limitando-se ao observatório  reativo e que caminha ao reboque das denúncias, facilita o trabalho de uma aliança que deveria gerenciar o País.  Quem governa precisa entender o ônus do desgaste, quem se opõe, o dever de explorar as falhas e apontar saídas republicanas. Quando nem uma coisa nem outra acontece, os fatos criam as fontes: as ruas. Só que ruas que não se organizam são avenidas franqueadas à violência e ao desatino. O resultado é a criação de uma zona franca de intolerância na era geral das incertezas e do mal estar. Barrar novos partidos é destruir o princípio da isonomia e mais um passo para enaltecer simbolicamente um cenário devastado,  enquanto nós, os atores da peça estamos sincera e justificadamente fartos.

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/atores-fartos/

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    Blog Estadão – Memórias Bem Mais Póstumas

    30 segunda-feira set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
    AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COMO SAUDOSA
    LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS
    Ao leitor

    Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e

    consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem

    leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez.. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na

    verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um

    Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado.

    Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse

    conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a

    gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor

    dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.

    Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O

    melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito

    contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas

    Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria

    curioso, mas minimamente extenso, aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar,

    fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.

    Brás Cubas

    __________________________________________________________________________

    Memórias Bem Mais Póstumas

    Tudo consumido, passado século e meia década, volto para dizer aos que esta é só uma penúltima comunicação antes que se suma de vez. E, sem constrangimento, peço aos leitores que esqueçam os autores, lembrem das obras.

    O entendimento é retrospectivo e só agora pude realizar que não deveria ter confessado e registrado que um livro tenha uma escolha como, por exemplo, a de ser destinado para poucos. Nunca ousaria tanto elitismo, como foi o caso deste primeiro prólogo. Hoje, de onde escrevo posso estimar melhor:  um livro redigido para atrair o leitor pode apresentar evidentes vantagens. Mas os originais baseados em trabalho e autenticidade, ainda que não promovam glória, fama ou riqueza, confere ao autor a sensação, decerto injustificável, de algum dever cumprido. Isso é, melancolia, galhofa e experiência são insubmissas. Nem aí, nem aqui o cabresto lhes presta. O mundo, imagino, mudou, menos a sombra, a opinião e a risada.  A mensagem é que os finados, mesmo imortais, não mais reagem à picada do insulto, nem à alegria do elogio. Não é que tenhamos nos livrado dos críticos, nem atingido a equanimidade, nos falta um teco de presença de espírito.

    Ainda Brás Cubas

     http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/ainda-bras-cubas/

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    Arte é espírito

    26 quinta-feira set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    arte é espírito, capacidade da arte de nos deslocar, expressão, Lalande, política como arte, processo criador

    Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013

    Coisas da Política

    Hoje às 06h00

    Arte é espírito

    Paulo Rosenbaum

    Em recente discussão sobre o que significa a arte e as manifestações artísticas apareceu a expressão: o que isso te sugere? Pensando nisso, é possível perceber a arte como análoga ao funcionamento da psique, do espírito?

    Assim como a arte sugere, emula, cogita ou denota, o espírito constrói suas criações. A arte é talvez a mais elevada função do espírito, acima até mesmo das funções consideradas nobres pelas várias tradições religiosas. A palavra arte, segundo Lalande, comporta “dois sentidos simetricamente inversos, a partir da mesma raiz”. O termo grego tekhné pode significar ambas, técnica ou arte.

    O que mais nos interessa para esta discussão talvez seja a expressão artifex: o homem que encarna uma ideia (para fins práticos ou ideais). E o dicionário filosófico cota Cassiodone: a lógica é uma ciência ou uma arte?

    A arte pode ser uma técnica, uma razão, um método e um modo de fazer. Mas a arte também pode ser considerada a manifestação através da qual mais nos aproximamos do sagrado. Trata-se de criação lato sensu. Diferentemente dos sonhos e dos enredos reagrupados por vestígios diurnos e inspirações psíquicas diversas conscientes e inconscientes — o artista transforma (pois conforma) uma ideia. Converte uma sensação, intuição ou lampejo em um texto, música, coreografia, peça teatral, desenho, invento, escultura, ou desdobra numa outra inspiração. Todos estes gêneros e tantos outros não têm a função de nos converter ao ponto de vista do autor.

    Quanto mais o artista mergulha em seu esboço e trabalho, mais impregna o suporte com sua intensidade e metabolismo: isso significa que o artesão embebe de espirito sua criação. Daí o caráter universal da manifestação artística. Os cavalos tridimensionais da caverna de Chauvet (cerca de 30 mil anos) não ficam a dever para qualquer artista moderno ou contemporâneo. Quanto mais aberta e abrangente for uma criação, mais capacidade terá para nos deslocar para um lugar diferente do qual estávamos antes de viver aquela experiência.

    Movimentar-nos para outro plano é o que a arte, incluindo a dialógica, pode nos proporcionar de mais significativo. Ao entrar no lugar do outro demos um passo à integração. Misturamo-nos com o coletivo, sem abolir as idiossincrasias, base de nossas constituições únicas.

    Neste sentido, a experiência do artista precede e transcende a técnica, ainda que dela nunca possa se desligar se realmente deseja que sua obra, assim como a formatação dada a ela, alcance as pessoas. Isso significa que há uma potência inata para criar e que todos podem fazer alguma coisa nova usando a imaginação. Se Aristóteles estiver certo ao afirmar que a alma pensa através de imagens, temos a desesperada missão de explorá-las ao máximo.

    Todos devem exercer a capacidade criativa — neste sentido o processo criativo poderia ser classificado como um órgão funcional. Criar é retirar a potência de onde nada existia. Possivelmente é uma forma inteligente para dissipar uma das maldições do mundo: o lugar-comum, as cópias, as reproduções.

    A ruptura com o mundo de modelos e moldes preestabelecidos torna a arte uma inspiração para que possamos cuidar da principal invenção disponível que é a nossa própria vida. Não necessariamente, muito menos todo tempo, as manifestações da arte têm força, verdade, originalidade e caráter estético para que o autor possa ser reconhecido, “bom” ou “grande”. E daí?  Não é isso que importa. Mas, sim, a capacidade que alguém tem para se expressar com autenticidade e o que aquilo pode representar para o outro e principalmente para o próprio sujeito. Uma trajetória de alivio, saúde e permanência. Quem dera a política voltasse aos trilhos da arte e, trocando de lugar, se reinventasse.

     http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/09/26/arte-e-espirito-2/

      

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    Impulsos que pairam

    24 terça-feira set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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    Tags

    confrontos na web, impulsos que pairam, mensalão, polarização, política do ódio

    Alguém apresentou um interessante painel colorido referente à recente votação do STF sobre os Embargos Infringentes. Ele demonstrava graficamente a guerra de twiters entre os que eram a favor e contra a decisão da corte. O clima esquentou muito e se transformou numa batalha sem grande poesia. Logo as redes repercutiram: apareceram pessoas lamentando por que tanta celeuma? O que justifica a intensificação das hostilidades? Denota bem o estado das coisas no País. A falência da crítica e a asfixia do diálogo. Atos impulsivos pairam sobre todos nós. Uma análise preliminar sobre os julgamentos instantâneos, é que a web não só permite, como convida, aguça e endossa o ímpeto para opinar. Uma hipótese a ser comprovada adiante é que a ação da escrita numa rede gigante, vale-tudo e interativa, excita o automatismo. Isso significa que a frente do teclado e diante de algum assunto no qual estamos levemente convictos, decidimos nos expressar na lata, explosivamente. Muitas vezes, vale dizer a maioria, abolindo uma análise autocrítica, deixando de esmiuçar a fonte de onde bebemos a informação. O resto vira detalhe: involuntariamente podemos estar caluniando, fazendo platéia para meias verdades ou só repassando más interpretações. No caso de um post, e-mail ou in box recém emitido, quando o tal exame autocritico chega, vem tardio. Ai, só mesmo o pedido de desculpas, o remorso ou o “que se dane”. Nesse caso é correr para mergulhar nas brigas. Isso significa que as opiniões colocadas no ciberspace, via de regra, obedecem uma vontade quase instintiva, semi-irreflexiva. Não chega a ser fluxo de consciência, mas quase. Não é fortuito que as pessoas tenham brigado e se agredido mais online. Que as discordâncias instantâneas – que em outro contexto (num bar, ao vivo, ou numa conversa intima poderiam ser intercorrências sem importância) – passem a gerar cadeias de mal estar.

    Para ler mais e comentar

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/impulsos-que-pairam-sobre-nos/

     

     

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    Dia da Árvore

    22 domingo set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Tree's_dayV

    159a palavra a aparecer no Gênesis, a primeira referencia histórica literária aparece na “Morte do Rei Artur”

    Vegetal lenhoso cujo caule chamado tronco só se ramifica bem acima do nível do solo (Século XIII)  do latim arbor –óris. Arvorar (Século XV). Provavelmente do latim arborare, alberare, guarnecer árvores a nave

    Fontes:

    Ronai, Paulo, Dicionário Etimológico da língua portuguesa, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1982

    Nascentes, Antenor. Dicionário Etimológico da língua portuguesa. Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1932

    Comente em

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/dia-da-arvore/

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    Do justo à razão da justiça

    20 sexta-feira set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Um julgamento não é um acerto de contas, mas uma acareação interpretativa entre leis e aqueles que as desafiam. Seu caráter é simbólico, mas também punitivo e pedagógico. Em meio às prateleiras dos museus de processos, já foi possível escrutinar acertos, imprecisão, sabedoria, parcialidade, erudição, distorção, esclarecimento e conflito de interesse. Já o justo é outra história. Sobrevive de critérios diversos: reintegra o perdido, restaura a liberdade dos inocentes, sacia a sede dos injustiçados, redime traídos, compensa humilhados e talvez sua missão mais significativa: protege o cidadão do próprio Estado. O justo é flexível, enquanto o rigor jurídico pode algemar. Por outro lado, como é perigoso abolir a técnica para contar só com a consciência; formula-se um veredito seduzido pelo mais forte,  favorece-se o mais fraco ou cria-se a média com o aplauso das massas. Quando o caso se situa no campo dos governantes, ex governantes, ou gente economicamente potente, tudo é mais problemático.

    Para ler mais

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/do-justo-a-razao-da-justica/

    Compartilhe:

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    Competição e extinção

    19 quinta-feira set 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Competição e extinção
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    Jornal do BrasilQuinta-feira, 19 de Setembro de 2013

     

    Não é só pelo aumento estatístico das taxas de suicídios verificados no mundo, especialmente depois da crise econômica de 2008 – segundo estudo publicado recentemente no British Medical Journal, 5000 pessoas a mais do que o esperado tiraram a própria vida em 2009 – nem pelos crescentes aumentos dos índices de violência urbana e doméstica, mas pela natureza cada vez mais corrente e vulgar com que o trágico nos rodeia. O aumento da velocidade das informações é apenas um fator na perigosa estrada inacabada.

    A frieza com que a ciência trata os números não decorre de uma crueldade especial da estatística e da matemática, mas necessidade se não de pensar aspectos incompreensíveis da realidade pelo menos tentar explicita-los à nossa própria percepção.

    Especialistas se dividem na análise destes fenômenos. A maioria avalia que se trata de um contexto especifico que gera e mistura elementos de pressão social com a tendência cada vez mais forte de replicar uma coletividade com comportamentos individualistas e competitivos – o sustentáculo de nossa organização cultural – e que a hiper segmentação social criaria nos grandes centros urbanos ilhas de isolamento e penínsulas de insatisfação. Mas será mesmo a solidão o elemento determinante? Pode haver solidão com, sem, e apesar de gente em volta. Pode haver apartamento mesmo nos compartilhamentos e pode haver diálogo mesmo quando não temos alguém perto.

    O psicanalista Joel Birman publicou contundente artigo no Jornal O Estado De São Paulo abrindo boa discussão sobre a relação entre os estados depressivos e a exigência e pressão por performance nos sujeitos das sociedades neste contexto do fim da pós modernidade. O que criamos foi uma corrida extravagante e insana. Um cotidiano que privilegia o consumo e enaltece a busca da distração como categoria de sucesso, e portanto significando que aí está o “bem viver”. Frustrados, com a impossibilidade de uma ou ambas dessas premissas nirvanicas, nos restaria o ostracismo das ilhas de posse e o exílio da bem aventurança do entretenimento. O resultado nos faz mergulhar, todos, em uma espécie de abismo de difícil nomeação. Nele, a tônica essencial, e portanto a única saída pareceria ser medicalização da subjetividade ou recorrer à resignação extemporânea que nos torne aptos a estornar as mazelas no fim do dia. Busca-se tratamento para infelicidade e angustia quando se há alguma enfermidade ela está na crise de sentido. O sofrimento é uma trinca interna e é ela que responde pelo ilusão de que a extinção é preferível à vida. E a pulsão de morte, ardilosa, pode funcionar ao modo de epidemia, infelizmente.

    Os tratamentos podem ou não funcionar e a resignação, alcança, no máximo, fazermos encarar a existência miúda como um bônus de consolação por nossa inépcia difusa. O preço pela inoperância em gerar renda, status e lazer é não poder ter uma vida com significado. Isso significa, não ter amigos, não poder contar com eles, pois tudo indicaria que aqueles que existem provavelmente, não seriam confiáveis. Esta crise nas relações poderia estar diretamente relacionada com a sensação de que dar cabo da própria vida seria medida eficiente para reduzir a tensão a zero, conforme a hipótese de Canguilhen.

    Inútil dizer que isso não é eficiência. Enquanto isso janelas, venenos, armas brancas e de fogo vivem sendo usadas como instrumentos para as últimas deliberações de uma pessoa.

    A busca por uma sociedade que faça sentido é a busca mesma do sujeito que se enxergue, o que faz, com quem faz e para que faz.

    É abandonar os manuais, escancarar as teorias da vida e orientar-se pela totalidade de sintomas e sinais de nosso desejos e aspirações, integradores de nossos sonhos, que guiam nossa intuição e coração. Talvez não haja nenhuma saída fácil para quem acha que nada mais faz sentido. Apenas faze-los saber, que não há fim do mundo, enquanto ele puder contar consigo, e, portanto, gente para conversar.

    Competição e extinção
    http://www.jb.com.br

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