• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Desate o empate

17 terça-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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ação penal final, anomia, desempate, hegemonia e monopólio do poder, impunidade, mensalão, significado de justiça, STF, utopia

Desate, o empate

Reis tombados, xeque-mate

Torne crível, como todo jogo inesquecível!

Xadrez_no_SupremoVIVFhttp://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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Curva da justiça

13 sexta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O que sairá deste último voto não é o inesperado. No país do carnaval o que realmente surpreenderia seria uma guinada magnífica, uma meia bicicleta que pegasse o goleiro de calças curtas.

Não resta a menor dúvida, somos mesmo um bando de leigos. Mas ainda podemos reconhecer quando estamos perto de cerol: linha perigosa que se faz com cacos de vidro moído. Esticada, está prestes a separar de golpe a técnica do sentido. Justo ou não, o trabalho de anos recaiu nas mãos de uma só pessoa. Ele terá o poder de selar destinos e, aos olhos de milhões, redesenhar a concepção de ética. O decano que decidirá foi aquele que usou as palavras mais articuladas, precisas e enfáticas para se referir aqueles que tentaram sequestrar o Estado, monopoliza-lo ideologicamente para depois reduzi-lo a um parque temático partidário.

Alguém disse que não se importa com o que os jornais dirão amanhã. Mas não estará aí, precisamente, um dos equívocos sobre a representatividade de um poder republicano, o mais importante dentre todos? Ninguém precisa ter medo da mídia. As manchetes não são nem vilãs nem heroínas, apenas estampam o que, as vezes, não se pode enxergar do lado de lá dos gabinetes blindados.

O que os jornais dirão na próxima semana? Que somos um país alegre porque pessoas foram condenadas? Ou que somos uma nação em luto porque réus se safaram por decurso de prazo, leniência ou falseamento, mesmo que involuntário, das regras do jogo?

Para ler mais

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/curva-da-justica/

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Desrazão do perdão

12 quinta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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armas químicas, ética de guerra, convenção de Genebra, dia do perdão, guerra, guerra civil, paz, perdão, Síria, sentido da guerra, utopia, violencia, yom kippur

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Coisas da Política

11/09 às 18h05 – Atualizada em 11/09 às 18h27

Desrazão do perdão

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Teremos valores inatos? Será a ética um deles? Um exemplo de como os critérios na atual construção social podem ser voláteis é que, por exemplo, a competição entre as pessoas é desejável. Isto é, é aceitável mencionar que “vença o melhor”, aquele que tem talento, ou “o mais dotado de habilidades” . Quem faz mais ganha mais. Mas, surpreendentemente, a verificação empírica deste axioma não passa da esquina. Não é mais pelo trabalho, nem pelo número de horas extras, nem mesmo a relação fiel que alguém tem com a  empresa ou local no qual trabalha. O que define hoje tudo é a network. O poder da rede de influências é que permite que a pessoa tenha mais ou menos oportunidades, e as vantagens da relação com o poder são óbvias. Trata-se, portanto, de uma meritocracia viciada.

Um filósofo que aborde o sentido da ética pode ser interpretado como moralista e, portanto, corre o risco de perder sua credibilidade. Entretanto, sob a vigência do atual contrato social, a ética passa a ser um valor flexível e mutável como outro qualquer. Foi assim que os consensos entre as nações acordaram que armas químicas estariam extirpadas do arsenal militar.

Historicamente, as temíveis “armas de destruição em massa” deveriam ser banidas, já que infligiam as leis éticas da guerra, escritas na célebre convenção de Genebra. Mas, se há uma ética para a guerra, deveria haver uma que regulamentasse a paz. E ela deveria prevalecer sobre as demais. Por outro lado, se dependesse dos pacifistas que não avaliam os contextos, ninguém teria enfrentado Adolf e suas máquinas de triturar partículas, povos inteiros teriam sido exterminados na África e muitas ditaduras estariam ainda em vigor pelo mundo.

As razões éticas para uma guerra? Defesa pessoal, ameaça a um povo ou grupo de pessoas, tirania de uns poucos exercida sobre muitos. Enfim, a razão será sempre pródiga em desdobrar o material para fundamentar justificativas para os tambores.

E quanto ao perdão? Há justificativas para que se perdoe alguém? Qualquer um? Todos? O perdão talvez seja o mais enigmático e deslocado dos atributos humanos. Nenhuma razão o alcança. Ele não se encaixa nas leis da evolução. Não se adequa aos exercícios de lógica. Não se adequa à teoria dos jogos, ele é, sim, frequentemente, confundido com ingenuidade religiosa.

Portanto, é o sentido e o fenômeno que merecem, vale dizer, nos permitem um esboço de análise. Às vezes, decisões são difíceis, e há mais de uma resposta certa para a mesma pergunta. Uma guerra pode ser aética, suja, sangrenta e injusta, e muitas outras coisas, menos ilógica. Ela tem sido historicamente justificada, moralmente regulamentada, frequentemente exercida. Dizem que ela acontece quando se esgotaram os recursos. A incapacidade de dialogar, ou o risco de não promovê-la, representa um risco maior do que o contrário.

A guerra não faz sentido: a não ser em condições onde todas as escolhas pela paz falharam, e, neste caso, como a paz é uma qualidade mediada, a omissão recairá sobre os agentes humanos e suas instituições. As nações e suas agencias têm demonstrado prezar a burocracia, as relações comerciais e a política. Ao mesmo tempo subestima a construção de conceitos compartilháveis de pacificação. A paz não vem imposta, prensada ou imposta, ainda que possa fluir unilateralmente.

Os mesmos valores que permitem localizar o perdão como uma desrazão que ultrapassa o escopo lógico da natureza humana são aqueles que, paradoxalmente, podem nos salvar da destruição. Dar chance à paz é impor o desejo de fazer prevalecer o diálogo contra o silêncio do mundo.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/09/11/desrazao-do-perdao/

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Não Basta Viver?

06 sexta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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colonizados por teorias, mau humor da esquerda e da direita, Montaigne, não basta viver?, tradição dos sem tradição, vida dessignificada

Não basta viver?

Diz-se que Montaigne respondeu a uma carta cheias de lamúrias e imprecações existenciais de um velho conhecido, e redarguiu com um texto que ofendeu o remetente à morte. O filósofo emendou, numa única frase, um ensinamento que deveria vir gravado nos imas de geladeira ou no google glass:

— E não te basta viver ?  escreveu o francês.

Por que a leitura de algumas poesias e de muitos romances nos dá a sensação de incompletude? Aliás, o que é esta sensação que assola a maioria das pessoas e que muitos identificam com o vazio existencial? Há um nome? É possível defini-la através da elipse, da síntese, da condensação?

Também não se pode apontar o limites do tempo para explicar uma espécie de lacuna final nas obras clássicas. Pode ser que seja um simbolismo dos nossos ciclos de vida. Mas também é cogitável que sejam os limites das histórias que contamos uns para os outros.

Parece que não nos basta mais, ou nunca. Para ninguém. A vida, ela mesma, parece dessignificada e isso explica em parte a banalização da violência e dos conflitos tribalistas presentes na raiz das barbáries do XX e do XXI. Da Síria ao Congo, da China ao Kosovo.

Nossa cultura vai virando uma tradição dos sem tradição. Mas o que parece uma pueril simplicidade vai se tornando improvável no universo intelectual. Nossa natureza gregária e o medo faz com que ainda precisemos pertencer aos grupos, as tribos, ou clubes ou classes para fazer parecer que há qualquer sentido na vida e para a vida. É como se estivéssemos obrigados a adotar perspectivas exógenas para restaurar nossa improvável completude .

E como a vida também pode ser comparada a uma editoração, é o quanto falta para dar o acabamento que importa? Ou as páginas manuseadas e percorridas?

A sensação de que “não é bem por aí” fez longa trajetória até chegar aos nossos dias. Nossas obras são inacabadas como as páginas, que segundo Jorge Luis Borges, jamais chegarão à perfeição. Não se trata de uma estratégia de artista. É que o inacabado imita Deus em performance. Seguindo a tradição judaica – e este é o significado do ano novo — tudo está sendo feito e recriado todo tempo o tempo todo. O incessante não significa acúmulo, mas renovação radical, despojamento absoluto. É como se precisássemos escapar do útero todas as manhãs. Daí a imperfeição intrínseca de toda obra, humana, natural, sobrenatural incluindo as coisas de natureza indefiníveis.

Mesmo assim por que nos bastaria viver como um mérito em si mesmo? Será que o otimismo e a alienação controlada merecem vigilância, descriminação? Esquerda e direita, ambas escravas do monotrilho partilham do mesmo mau humor endógeno: estão escravizadas pela herança materialista. Mas eis um monitoramento que vai para bem além da política. Fomos tão intensamente colonizados por ideias e teorias abstratas tão variadas que já não conseguimos nos desvincular para adotar uma síntese pessoal das coisas. Estamos amarrados para criar. Por isso mesmo a teimosia é uma benção.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/09/06/nao-basta-viver/

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Da tolerância e da decência

04 quarta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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 Da_tolerancia_e_outras_impossibilidades.jpgV

Quem insiste em ir contra os consensos. Alguns? Poucos? Os inconformados? Mas, e se muitos desses consensos estiveram costurados às custas de um alimento venenoso? E se for nutriente premeditadamente adicionado para sustentar a confusão e as suspeições. Preparado com astúcia, está temperado com a invencível capacidade mitômana de quem só pensa em ganhar. E, graças a ela, tornou-se possível vender um produto obscuro, como se ele fosse o fruto da maturidade administrativa.

 

O governo poderia adotar uma estratégia mais civilizada, crível e consensual para expor, debater e depois oferecer o programa “mais médicos” à sociedade. E por que não o fez? Fácil explicar: grande jogada de marketing. Além do ganho secundário, que têm gerado, disseminado e potencializado o produto, junto com seu  trunfo político. Pelo menos momentâneo.

 

Faz faz algum tempo que a estratégia sinistra têm sido atiçar a cisão, aguçar a litigância e a rixa entre grupos sociais. Ao constranger médicos e entidades médicas e, indiscriminadamente, joga-las contra a opinião pública a administração federal já nem se preocupa em esconder seu verve ardiloso. Nada de moralismo: nem os cubanos são humanistas natos nem os nacionais são seus antagonistas.

 

A estratégia, óbvia: demonizar os médicos brasileiros como se fossem todos xenófobos, racistas, orgulhosos e insensíveis. Como se estivessem alinhados num boicote sistemático para subverter o grandioso plano saneador do Estado. Para os autocratas de Brasília é a burguesia leniente do avental branco que se recusou atender ao chamado de emergência do estado de calamidade da saúde pública. Vê-se que não foi difícil fazer com que muitos articulistas mordessem a isca. Inúmeros se posicionaram com a arma mais débil e covarde num debate: a generalização.

Para ler mais e comentar

 http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/da-tolerancia-e-outras-impossibilidades/

 

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Rir, escrever e as patrulhas do senso comum

02 segunda-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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autoficção, escrever e os patrulhas do senso comum, ficção e realidade, Janaína Leite, kundera, Leo Lama, liberdade, Literatura, Mark Twain, Rir

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    Juro que tento achar notícia animadora no mar de improbidades, no continente de desmandos e na dispersão permanentemente belicosa dos homens. Pois ela chegou, digressiva, instável, e impertinente. Tudo começou a partir de uma discussão iniciada pela jornalista amiga Janaina Leite numa rede social, da qual tomei parte junto com o amigo dramaturgo Leo Lama e muitos outros.

Trata-se de uma reflexão mais ampla mas que se encaminhou também para a pergunta afinal o que querem os autores de nosso tempo? Será que toda literatura deve/pode estar impregnada pelos conteúdos autobiográficos dos autores? Nesse caso – e tomado por certa incredulidade – devemos aceitar o caráter semi-documental da obra literária como parece ser o curso do mundo? Estará ela sempre embasada em fatos reais e nascida dentro dos contextos históricos? Poderá se manter engajada em causas políticas? Sua narrativa deve acompanhar o ritmo contemporâneo e online do jornalismo? Ou há um ressurgimento à vista? Será ele um retorno ao subjetivo, à experiência existencial como base de toda narrativa?

Sou escritor, não teórico, crítico ou especialista em história da literatura, mas aprendi, ou me conformei — já nem sei ao certo, que isso pode ser uma vantagem numa sociedade expertocrata e impregnada de especialistas.

O que se discutia no fundo eram os desdobramentos do famoso estamento de Mark Twain que escreveu que “a única diferença entre a realidade e a ficção é que a ficção precisa ser crível” [1].

Num documentário sobre o cineasta Pier Paolo Pasolini há uma entrevista antológica do autor no qual compara a edição de um filme com a morte. Obcecado pelo tema tanatológico, o italiano explica que poderíamos fazer 700 versões para o assassinato de J.F.Kennedy e cada uma conterá, provavelmente, uma faceta da realidade, porem somente uma sairá como versão editada. Neste sentido, a edição é uma espécie de palavra final, uma mistura complexa de compostos que estarão ali estratificados e acabados.

Por isso, para ele, qualquer coisa editada equivale a morte. E um homem só se conhece efetivamente depois que passa: edição definitiva. Com o agravante atual de que com a morte do rascunho, assassinado pelos editores eletrônicos de texto, nem teremos mais como saber qual foi o processo criador do artista.

Pode ser que Pasolini tenha razão, mas neste caso o que estamos buscando com a edição? O que define se um livro é bom? Gosto do editor? Sucesso de público? Estilo da escrita? Densidade dos personagens? Na quase ausência de críticos e avaliadores de obras literárias independentes – aqueles que não sejam profissionais que prestam serviços às editoras – vai ficar cada vez mais difícil editar aquilo que Milan Kundera chamou de a razão de ser da literatura, a digressão.

Neste sentido, só a surpresa, a variação de linguagem e capacidade de redigir tornariam possível que o leitor se encontrasse com o texto em campo neutro. Dar vida e materialidade aos diálogos é sentir como se fossemos outros. De certo modo, é o que o escritor tem de vantagem sobre quem não escreve. Não é muito mas se lhe falta esta capacidade significa que seus livros não só serão mais do mesmo, como suas letras desaparecerão na sombra das frações de uma mesmíssima personalidade. É contraintuitiva essa observação já que, neste caso, ser original passa a ser uma inovação duvidosa. Por isso, a auto ficção ou é pleonasmo ou forma muito limitada de expressão: subutiliza a potencial polissemia das vozes para reduzi-la à variações monotemáticas, ainda que cheia de personagens e capítulos.

Kundera brinca e radicaliza:  a narrativa pessoal deve sumir num romance e a compensação pelo silenciamento do ego autoral mereceria a herança de um livro de conteúdo e significado. Para o autor de “O livro do riso e do esquecimento” o valor da literatura está na digressão, no não ideológico, na distante e doce liberdade de ruptura e na apreciação da existência, de preferencia, contra fatos e fenômenos. Isso conta muito numa época conflagrada onde todos são chamados a tomar partido, o do romancista será nenhum.

Porém estamos cercados dos agélastes, patrulhadores do senso comum, aqueles que reduzem tudo, que precisam de currículo, carreira e estampa, que enfim perderiam o bom humor se um dia já o tivessem experimentado.  

Não é difícil reconhece-los. Levam suas biografias muito a sério. E, sem conseguir rir de si mesmos, perdem a capacidade de divertir os outros.

Coisas da Política

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Arautos do preto no Branco

02 segunda-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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a criminalização da crítica, arautos do preto no branco, conto de notícia, filosofia marxista, furos do legislativo, MP subjetiva

Uma ira epidêmica

O que está acontecendo com as pessoas? Por todo lado está mais fácil encaixar uma gritaria, reações desproporcionais, histeria coletiva. Podemos fingir que nada acontece e até achar que não estamos em crise, mas não é possível controlar as idiossincrasias: uma hiper reatividade instantânea se instalou e impera nas relações interpessoais. E, sem alguma harmonia, nem sonhar com estabilidade e paz social.

Tentamos de todo modo dissuadir a paranoia, mas há um método, e o discurso que o constrói.

Alguém está bem satisfeito pela divisão da sociedade e a marcha ruma à polarização.

Dia desses gente truculenta quebrou vidraças de prédios residenciais num bairro de classe média no Rio de Janeiro,  e os moradores desceram á rua para perguntar:

– É assim que vocês protestam? Tentando nos destruir mano?

E a resposta:

– Vai lá burguesinho, fica vendo tudo da tua janela rapá

O curioso é que provavelmente eram da mesma classe social, a hoje quase hegemônica classe média, moravam no mesmo bairro, e não seria absurdo se descobrissem  que os filhos compartilham a mesma escola ou creche. Quem foi capaz de dividir as pessoas assim? Se não há mesmo uma arquitetura magistral e sórdida por trás de tudo isso deve ser a seleção natural fazendo das suas: luta entre classes na mais nova modalidade: luta entre as mesmas classes! Quem mandou a realidade cabular as aulas de filosofia marxista?             

Como luta de classes hoje é um passo anacrônico em direção a um passado impossível novas criações vieram, passaram pela inspiração stalinista e estão chegando até nós com seus refrões intolerantes. Repetidos acriticamente. Berrados a céu aberto. Podem ser xenófobos, classistas, racistas, ou só estúpidos. Definitivamente a grosseria desembarcou aqui.  

Ela está no varejo mas a inspiração no atacado veio do poder. Ela sempre raivosa, comandados na defensiva. Bom humor? Nem pensar. Respondem agressivamente à qualquer crítica. Ai começam a pipocar os saudosistas da ditadura e pronto, reinventou-se o ridículo climinha entre direita e esquerda. Isso só poder ser uma adição. Gente que precisa de uma dose de maniqueísmo diário na veia. Pode vir de pessoas hostilizando médicos, médicos hostilizando outros médicos, e, no fim, a peleja fica clara: jogar a população contra os críticos. O conflito de interesses foi abolido, suspenso por uma MP subjetiva. A crítica e o debate oficialmente criminalizados. Qualquer coisa serve. Como a oposição, esvaziada, perdeu a voz, e os furos do legislativo são auto evidentes, é a sociedade, na perigosa e instável ausência de intermediação política, que fica obrigada a acolher mais este papel.

Para ler mais:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/arautos-do-preto-no-branco/

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Para além dos cubanos, totalitarismo de resultados

25 domingo ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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a rigor, consta que é um motivos da existência do SUS, enfim, especialmente com dirigentes da ditadura cubana. O governo federal só esperava a oportunidade propícia para anunciar o convênio secreto. E achou que a teria achado em meio aos dias de pressão máx, mas está no mesmo escopo da pesquisa que traz a pergunta “você é a favor do combate a corrupção?"ou "concorda com uma reforma que modernize o país?”. Quem acha que as pessoas não apreciaria, mas um enfoque problemático. Pesquisas encomendadas pelo governo mostram aprovação da vinda de profissionais de outros países, Para além dos cubanos: o totalitarismo de resultados A polêmica do programa mais médicos agora se direciona francamente ao ideológico. E, quando as manifestações e o desafio ao poder atingiram o perigeu. http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/, talvez não seja exatamente um erro, tudo isso estava sendo articulado bem antes das manifestações, uma das poucas coisas em que há consenso é que a medicina não pode ser submetida às estruturas econômicas mercantilistas. Então porque tanta polêmica com a vida dos estrangeiros e particularmen


Para_Além_dos_cubanos_

A polêmica do programa mais médicos agora se direciona francamente ao ideológico. E, a rigor, talvez não seja exatamente um erro, mas um enfoque problemático. Pesquisas encomendadas pelo governo mostram aprovação da vinda de profissionais de outros países, mas está no mesmo escopo da pesquisa que traz a pergunta “você é a favor do combate a corrupção?”ou “concorda com uma reforma que modernize o país?”. Quem acha que as pessoas não apreciariam que todos tivessem atendimento médico decente? Está na constituição, consta que é um motivos da existência do SUS, enfim, uma das poucas coisas em que há consenso é que a medicina não pode ser submetida às estruturas econômicas mercantilistas.

Então porque tanta polêmica com a vida dos estrangeiros e particularmente dos cubanos? Em debate o ex-ministro da saúde disse que eles viriam por “questões humanitárias”. Questões político-partidárias teria sido uma resposta mais próxima da sinceridade.

Na verdade, tudo isso estava sendo articulado bem antes das manifestações, especialmente com dirigentes da ditadura cubana. O governo federal só esperava a oportunidade propícia para anunciar o convênio secreto. E achou que a teria achado em meio aos dias de pressão máxima, quando as manifestações e o desafio ao poder atingiram o perigeu.

Para ler mais:
http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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Peçamos o inconcebível

22 quinta-feira ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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centralismo partidário, embargos, hegemonia e monopólio do poder, impunidade, justiça, manipulação, significado de justiça, STF, utopia

  • Ainda que o gigante pareça estar em crise de narcolepsia e a economia em turbulência, perdura a necessidade de acreditar que nossa jovem democracia avance.  Mais que isso, a fé se tornou um imperativo.

Justiça seja feita. Nos últimos 20 anos conseguiu-se expressivo aumento do IDH da maioria dos municípios brasileiros. Malgrado o país tenha melhorado em muitos aspectos, especialmente na desigualdade social — ainda uma das 10 piores do mundo — não se conseguiu (coletivo, todos nós) inculcar na elite, nos dirigentes e na própria população uma das qualidades essenciais da democracia. Aqui há, sim, um principismo: que assumamos as responsabilidades.

Sem esta qualidade viveremos em solavancos e de sustos. Revolucionar valores tem a ver mais com o mundo que valoriza qualidades do que com o que os grupos escrevem em suas plaquetas. Curioso é que parecem todos as favor. Se não há ninguém contrário às  mudanças, o que estamos esperando?

Mas, e se as regras que permitiriam o resgate da cidadania estiverem cercadas pelas catracas do atraso e de um anacrônico sistema cartorial? E se  a burocracia continuar a engessar a liberdade? Sair por aí contestando sem foco, sem direção e especialmente sem princípios não é saída, é escapatória autoilusória.

Crescer não significa abandonar ambições e expectativas, nem a derrocada da utopia que nunca chegou. O amadurecimento tem a ver antes com enfrentar as consequências dos próprios atos. Não que seja fácil ingressar no mundo adulto, mas é o que podemos exigir dos que postulam e ocupam cargos públicos.

Sejamos sensatos, peçamos o inconcebível, quem sabe conquistamos o plausível?

Os anarquistas que depredam as vias públicas são a antítese da revolução

A maturidade ensina que a demolição prematura de instituições que apenas começavam a funcionar depois da redemocratização do país é o resultado de grave erro de avaliação. Na era do tempo real, sem verdadeiros pactos pelo consenso a governabilidade inexiste ou tem prazo de validade vencido precocemente. Não basta ter a soma dos votos e a maioria. Quando com um clique se convoca uma marcha pelas redes sociais, ninguém pensa no alcance prático disso. O protesto, que era manifesto, que era resistência, que era indignação coletiva, vem adquirindo uma autonomia escusa. E, como se sabe, a violência costuma ser o braço armado do autoritarismo.

Não porque existem vândalos. Os anarquistas que depredam as vias públicas pensam ser revolucionários vem a calhar. Servem bem para construir repúdio por mudanças e mostrar quão pior pode ser. São, portanto, a antítese da revolução. Incorporaram-se à reação porque a sua preocupação está em mostrar força e negar qualquer tipo de poder. Ao mesmo tempo, investem-se de um poder maior, e fazem das multidões um aríete contra qualquer um. Dominados pelo narcisismo primitivo que distorce as imagens e os espelhos, não se enxergam assim. Mas não passam de reacionários perturbados. E eles não estão sós. Por trás dos mascarados que roubam e depredam está uma inimputabilidade inconsequente que o poder, com a anuência da sociedade, vem se outorgando. Pois, não se trata de uma outra via autoritária quando se criam foros privilegiados, justiça inacessível e/ou subordinada?  Quando ficam evidentes os critérios seletivos para o que se costuma chamar “igualdade de oportunidades”?

Para cada autêntico beócio predador que se infiltra nos protestos há um correspondente que se esconde na vidraça blindada das autoridades, dos palanques, no palavreado autocongratulatório e nos discursos de posse. Trata-se da dupla face, ambas igualmente injustificáveis e daninhas. Só que  enquanto uma é televisionada, a outra permanece privativa em circuito fechado.

E como a filósofa ensinou: quando se perde a autoridade, alguém há de clamar pelo autoritarismo.

Coisas da Política – Jornal do Brasil

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Impossível, eu escuto teu nome

18 domingo ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 2 Comentários

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A Verdade Lançada ao Solo, abarcar o céu com as mãos, acabar no céu a rotação dos astros, aspirações impossíveis, assar qualquer coisa no bico do dedo, Definições de impossível, extinguir-se no planeta o calor central, impossível: eu escuto teu nome, inabordável., inacesso, paulo rosenbaum, poesia impossível, querer ter o dom da ubiquidade, utopia

Nasa divulga imagens de planeta rosa

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Quando a realidade parece inapreensível, recorramos ao impossível.

Tomemos este, que é um dos seus mais significativos e sub explorados verbetes do dicionário.  Até o suposto defeito vira virtude na voz polissêmica dos glossários.

Deduzamos sozinhos examinando a rubrica “impossível”: áporo, sonho de louco, pedra filosofal, vôo de um boi, o irrealizável, não haver possibilidade de espécie alguma, querer sol na eira e chuva no nabal, prende la lune avec les dents, incendiar o Amazonas, meter o Rocio na betesga, tirar leite de um bode na peneira, carregar água num jacá,  abarcar o céu com as mãos, assar qualquer coisa no bico do dedo, extinguir-se no planeta o calor central, acabar no céu a rotação dos astros, querer ter o dom da ubiquidade, inacesso, inabordável.

O impossível só pode ser o que acabamos de realizar, o possível visto por alguém fora das nossas órbitas.

Em outras palavras, só o impossível é justo.

Sob o pó que sobe

Escuto teu nome

Sob o desvio das línguas

Sob a conjugação dos mares

Sob bloqueio das ondas

Eu escuto teu nome

Sob a marcha dos acorrentados

Sob exércitos vencidos

Sob a exaustão das setas

Eu escuto teu nome

Sob o plátano fixo

Sob a cadeia de choros

Sob o destino sem eixo

Eu escuto teu nome

Sob órbitas de passagem

Sob a miragem do término

Sob incêndio dos rios

Eu escuto teu nome

Sob o sol oceânico

Sob a divisão artificial

Sob a palafita abissal

Eu escuto teu nome

Sob a fome da África

Sob o gelo degradado

Sob o coro dos escravos

Eu escuto teu nome

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia

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