Um julgamento não é um acerto de contas, mas uma acareação interpretativa entre leis e aqueles que as desafiam. Seu caráter é simbólico, mas também punitivo e pedagógico. Em meio às prateleiras dos museus de processos, já foi possível escrutinar acertos, imprecisão, sabedoria, parcialidade, erudição, distorção, esclarecimento e conflito de interesse. Já o justo é outra história. Sobrevive de critérios diversos: reintegra o perdido, restaura a liberdade dos inocentes, sacia a sede dos injustiçados, redime traídos, compensa humilhados e talvez sua missão mais significativa: protege o cidadão do próprio Estado. O justo é flexível, enquanto o rigor jurídico pode algemar. Por outro lado, como é perigoso abolir a técnica para contar só com a consciência; formula-se um veredito seduzido pelo mais forte,  favorece-se o mais fraco ou cria-se a média com o aplauso das massas. Quando o caso se situa no campo dos governantes, ex governantes, ou gente economicamente potente, tudo é mais problemático.

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/do-justo-a-razao-da-justica/