• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Utopia dos Párias

31 quinta-feira out 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

farelo, Thomas More, utopia, utopia dos párias

  • RSS
  • Twitter
  • Facebook

Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

 

    Coisas da Política

    Hoje às 06h00

    Utopia dos párias

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

    Todos chocados com a frase do parlamentar que disse às claras que o fim dos mendigos deveria ser virar “farelo para peixe”. O escândalo é incompreensível tanto quanto falsa a indignação. Os assim chamados párias da sociedade, aqueles que nunca lerão páginas digitais na internet, já vivem como ração ambulante.

    Os milhões de esmagados na pobreza absoluta são seres residuais, vivem por inércia. Não atraem a preocupação do Estado ou da sociedade, a não ser pelo incômodo de lembrar que muitos não vão tão bem assim. Um dos motivos da exclusão dos miseráveis, também autoexclusão, é que não são contribuintes, e portanto, nesta lógica, seria cabível negar-lhes o estatuto de cidadãos, conforme declarou o nobre representante do Poder Legislativo. Os paupérrimos oneram, porque nos pressionam com sua existência. É como lembrar todos os dias uma dívida não saldada: quanto mais queremos esquecê-la, mais ela aparece. Quando passamos por um pedinte, pensamos que o Estado deveria fazer alguma coisa por ele. Os mandatários por sua vez — menos o senhor Farelo —  ao deparar com um desses pedintes, maquina novos cálculos para que a sociedade os subsidie. No vacilo entre as partes, ninguém faz nada, enquanto o mendigo continua revirando o lixo. O fato é que um dos motivos pelo qual recolhemos impostos é exatamente esse, que o arrecadador ofereça assistência e trabalho — não mesadas — a quem perdeu a capacidade de subsistir. Há muito tempo isso deixou de acontecer no Brasil.  

    Já a classe média, tanto a que subiu como a que agora desce, espoliada por impostos confiscatórios, encontrou a escada terminal, uma espécie de emparedamento insolúvel. E a falta de perspectiva é também um motor para o desespero e a violência, especialmente para os jovens da classe média baixa, como podemos testemunhar todos os dias ao vivo ou na TV.  A originalíssima saída do poder foi reviver a fórmula arcaica: aumentar impostos e aceitar passivamente a pressão inflacionária. A sétima economia do mundo tem índices ridículos de disponibilidade de recursos para educação, mobilidade urbana e saúde, contra uma das maiores taxações do mundo. 

    Suscita curiosidade ainda maior entre milhares de parlamentares, membros do Executivo e burocratas, ninguém tenha tido a ideia de, no lugar de descarregar aos custos da ineficiência da administração pública no lombo desta camada social, já tão achatada, sobretaxar os bancos. Sim, afinal, eles tiveram por aqui o maior lucro líquido, dentre todas as instituições do mesmo gênero do mundo.

    Pressionar e arroxar quem tem menor poder de pressão pode soar esperteza, mas é escolha equivocada. Foi esta fatia social quem sustentou a fórmula que adiou a crise com consumo interno. Esta camada, odiada pelos intelectuais, desprezada pelos candidatos e abandonada à falta de articulação política, é a responsável por parcela significativa da receita do Estado. Forjada na alienação da ditadura, quando enfim teve a chance de empatar o jogo sob uma educação consistente, foi recompensada pelas autoridades com esmolas: saúde pública em péssimas condições, soluções tampão, sistema de ensino superado e cidades degradadas.

    Então, quem está ilhado? Fica a sensação de que a formulação que constitui os Estados contemporâneos mudou para “ilha de poder politico e econômico, cercada de párias para todos os lados”.

    Os párias? Todos nós. 

    Portanto, conforme escreveu Tomas More em seu sempre atual “Utopia” de 1516,  os membros do governo sempre se manifestavam a favor da manutenção de um exército subordinado de miseráveis já que: “A riqueza e a liberdade conduzem à insubordinação, e ao desprezo da autoridade; o homem livre e rico suporta com impaciência um governo injusto e despótico”. More concluiu contundente: “Os homens fizeram os reis para os homens e não para os reis, colocaram os chefes à sua frente para que pudessem viver comodamente ao abrigo da violência e dos ultrajes, o dever mais sagrado do príncipe é velar pela felicidade do povo antes de velar pela sua própria; como um pastor fiel, deve dedicar-se ao seu rebanho, e conduzi-lo às pastagens mais férteis”.

    Já que não podemos ter pastores fiéis nem pastagens férteis, leiam “Utopia”.

    http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/31/utopia-dos-parias/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Blog Estadão – Estoicismo de Estado

    29 terça-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa

    ≈ Deixe um comentário

    Tags

    estoicismo de Estado

     

    Podemos ficar boquiabertos, perplexos, tanto faz. Seja o que for, o que testemunhamos nos últimos dias não é um nenhum fenômeno inédito. Estradas tomadas, reféns em massa, incêndios a esmo. Há décadas, contingenciados nas margens das grandes cidades, estão milhões de pessoas que não participam da cidadania. Não foram convidados ou não têm o desejo. Ninguém é isoladamente responsável, ainda assim a culpa é coletiva. Este estatuto de sub cidadania que o Estado e a sociedade proporcionam a importantes parcelas da população é o contexto real das eclosões violentas. A raiva e a revolta tornam-se instrumentos que se desencaminham para tumultos e vandalismo. Nota-se também que movimentos como o passe livre, o qual nitidamente teve usufruto político com o abre alas destrutivo, já não dita nem controla agenda nenhuma. Criaram a onda, sem estimar o alcance da maré. A fúria descentralizada se vira contra a própria sociedade e uma  parcela considerável de indignados com capuz outorgam-se aval para arruinar o dia e a vida de milhões. O que se espera do Estado? Tudo, menos o improviso e a leniência. Ninguém quer twitadas da presidente anunciando o horror da barbárie como se ela reinasse em nação distante. Dizem que na escola dos estóicos finge-se que nada está acontecendo. Ações condescendentes com a violência partisã, medidas pseudo-apaziguadoras e a inação, sobretudo ela,  não trazem resultados esperados e excitam a farra piromaníaca. Não só as forças de segurança devem atualizar seus comandos para fazer a justa contenção — sem excessos ou omissão  — como não é mais suportável que o ruído das fogueiras permaneça ignorado pelos políticos e por quem foi escolhido para governar. O mínimo de atitude republicana que se esperava era que, por hora, colocassem as eleições em estado de animação suspensa. Só uma coalizão de forças, suprapartidária e transgovernamental  seria decente em momento tão grave e sinistro. A única alternativa saneadora são as ações preventivas e a reintegração de todos os cidadãos. Sem a sensação de pertencimento tudo sempre parecerá hostil para estes jovens. Agora já há um morto. Sem correção, conflagrações civis tendem a ser mais volumosas, contundentes e imprevisíveis.  O pior cenário diante do sonoridade da crise é um Estado estoico. Municipal, estadual ou federal, o preço da hesitação é cumulativo. Nesta tarda anarquia que se espalha por cópia, só cabe uma previsão: desordem sem progresso.

    Para comentar usar o link

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/estoicismo-de-estado/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Blog Estadão – Canal de Beagles

    27 domingo out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    Tags

    anima nobili, anima vili, animais, canal de beagles, experimentação em animais, instituto royal, obscurantismo

    Tudo começou com um erro de tradução. E ele pode ter trazido parte importante da má fama para os animais. Não falo da serpente que ofereceu os figos para Eva. É que a tradução do grego para “animais irracionais” trouxe a conotação de que todos os animais não políticos seriam não inteligentes, ou, em outra versão, não dotados de espírito. Para que o pragmatismo considerasse todos eles seres inferiores não foi preciso muito. Aristóteles escreveu que somos animais políticos (zoon politikon) porque só realizaríamos nossa natureza em plenitude enquanto estivermos em contato permanente com a polis, a cidade. Animais políticos somos na suposição de que agiríamos com zelo com nosso habitat a sob a consciência da moral que o filósofo classificou de moral magna, ou grande moral.

    E quanto aos outros animais? Não se sabe se Aristóteles quis dizer que não raciocinam, ou seriam menos dotados de inteligência. Serão irracionais, ilógicos, estúpidos? Ou apenas animais “não políticos”? Qualquer pessoa que tenha um em casa sabe que muito da estimadevotada aos bichos está na cumplicidade. E claro, numa espécie de afetividade incondicional. Via de regra, animais não nos arguem, sua malícia é tomada como graça e suas malandragens interpretada como esperteza. São portanto apreciados e, ainda por cima, obedecem sempre, ou quase isso. O valor deles está para bem além da frescura burguesa de se possuir um bicho de estimação. São polivalentes como condutores de cegos, inspiradores de heroísmo, resgatadores de gente perdida, soterrados em desastres ou apenas companhia para solitários. Serviram inclusive à causas jurídicas importantes como aquela sacada genial na qual Sobral Pinto conseguiu um tratamento digno para o recém preso Luis Carlos Prestes, invocando o artigo 14 do código de defesa dos animais.

    Ainda que sejam proibidos em alguns países (como no Irã) e sofram bullying aqui e ali, pets e companhia são hoje seres cada vez mais apreciados como seres relacionais. A cidadania animal, causa do final da pós modernidade, trouxe questões que ainda não conhecem respostas. Devemos aceitar submete-los aos testes científicos? Com quais limites? E quanto à criação e abate para consumo? Independentemente das aporias, vale refletir sobre o que está acontecendo bem sob os nossos focinhos. O que está se passando com as pessoas? Faz muito que passamos um limite perigoso. Sabemos disso pelo crescimento obscurantismo anticientífico + militância violenta. Os devotos da libertação animal agridem, ameaçam e arriscam matar para advogar pelos nossos parceiros de evolução. Deste ponto em diante passamos a não ter mais causa, mas tremenda encrenca ética. Nunca foi um bom negócio coibir atrocidades com irracionalidades. Desaguamos no fundamentalismo. Perdemos parâmetros autocríticos nas lutas, logo estaremos enfrentando equipes que pulverizam mosquitos e apedrejando os homens da desratização.

    Culpa da evolução que temos nos considerado senhores de todos as outras espécies. Em ciência nos auto denominamos anima nobili (animais nobres). Fomos nós, inclusive, que atribuímos que, em oposição a nós, os animais são irracionais. Sinceramente, diante de tantos paradoxos e barbaridades de humanos contra humanos é realmente tentador reconsiderar isso. Não precisamos enfrentar Darwin para saber que, justa ou injustamente, nós ainda estamos no comando da cadeia evolutiva. E uma vez que isso ainda é auto evidente cabe considerar que se as experiências in anima vili (animais vulgares, isto é, não humanos) podem ser menos agressivas e no futuro, até dispensáveis, hoje elas podem ser a diferença entre vida e morte para outros seres humanos.

    Há cinco séculos seguimos a risca a cartilha de Francis Bacon de “torturar a natureza” para extrair dela o sumo do progresso. Estamos um tanto arrependidos. Mas se vamos mesmo mudar, procedamos com classe. Não é só o estatuto jurídico-legal dos animais não humanos que está em jogo, mas também a escolha das prioridades.

    Numa democracia todos os temas são relevantes ao mesmo tempo, mas não haverão prioridades? Assuntos que merecem preceder outros? Que tal consumismo e produção de lixo ou agressão ao bioma? Decerto que uma causa não invalida a outra, mas é sempre bom pensa-las em escalas e de preferência, contrastando-as. As mazelas mundiais tais como um bilhão de famélicos, ,condições dos presos, dos viciados em drogas, dos que não tem abrigo não deveriam preceder a arrumação da casa?

    Podemos responder não! Mas então teremos que assumir: nos amamos menos.

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/canal-de-beagles/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Blog Estadão – Ditaduras democráticas

    24 quinta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    Nova presidente da SIP vê ‘ditaduras democráticas’

    Imprensa pressionada

    Qual versão você prefere?  Que o País vai mal, bem ou muito pelo contrário?  Como saber se uma cartada econômica foi ou não bem sucedida? Ouvir a oposição? Dar crédito ao governo? Foi a maior privatização da história ou não se trata de privatizar, mas sim de parceria? Parceria é consórcio? Há como saber qual a tese mais plausível? Basta escolher a linha de consultor e bem-vindos à teia geral da complexidade. Tudo pode ter duas ou mais respostas, abordagens opostas, consensos contraditórios e explicações desencontradas. Isso significa que estamos oficialmente desobrigados da coerência. Pode ser mentira ou omissão. Mas pode ser só meia verdade. A não linearidade das respostas é apenas um desdobramento da multiplicidade de fatores simultâneos. Uma espécie de efeito colateral do caos multifatorial. Há uma recusa inconsciente em admitir que, apesar de todas as metodologias de quantificação disponíveis, a realidade se recusa a proceder cientificamente. A propaganda, como nunca antes na história do planeta, parece ter se tornado a essência de todas as coisas. Tudo depende como se divulga, o tempo na Tv, a verba destinada ao marketing e como a linguagem é articulada. Ao contrário das insinuações cada vez mais comuns, nem sempre há golpismo ou conspiração nas discordâncias. Se existem, são patrocinadas pelos cultores da lógica única e das dicotomias baratas. Ainda que os executivos públicos não enxerguem há um vasto mundo, para bem além dos partidos e das ideologias.

    Enquanto os números são debatidos e a agenda fica sempre aberta no amanhã, existe uma conexão inquietante entre o cerceamento das liberdades individuais, a neo censura e o fim da vida privada. Com fervor análogo o pensamento totalitário e as multidões afobadas odeiam a liberdade de expressão. E tem sido cada vez mais frequente que façam as vezes da tropa de choque do obscurantismo. Compreensível, portanto, que a primeira vítima do arbítrio seja a imprensa, cuja natureza é intrinsecamente desafiadora, discordante e crítica. Ela expressa, explicita e ousa debater a infinidade de versões que se atribuem aos fatos. Apesar do senso comum, contra fatos sobram argumentos. Essa dificuldade para lidar com a abundância de variáveis explica a prosperidade das burcas laicas e a brutalidade com que Estado têm tratado seus habitantes. Por toda América Latina testemunhamos os direitos da cidadania cassados. Melancolicamente, o assalto da gritaria desalojou o diálogo. Não ficou fácil identificar bandido e mocinho, podem, inclusive, nunca ter existido.

    Já ouvimos o suficiente acerca de um Estado onisciente que reformará a sociedade delinquente. Faltou contar a outra metade da história, o avesso deste pressuposto. Aquela que considera que uma sociedade adulta admite sonhar, mas não consegue mais dormir embalada pelo faz de conta. Exige respeito pois considera que ela é quem dá vida e propósito ao Estado e não vice versa. A sociedade emancipada não tolera conviver com o que a presidente da SIP — sociedade interamericana de imprensa — nomeou como “ditaduras democráticas”. Em qual outro período histórico teríamos um exotismo destes? A aversão ao Estado salvador e onipotente não tem nada a ver com ideologia. Tampouco é porque preferimos outros governantes, ou a sensação de que estamos quites com os débitos sociais. Fazemos por pura teimosia. É que seguir acreditando no sonho é que dá sentido para todos os outros, liberdade.

    Para comentar

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/ditaduras-democraticas/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Nota

    Campo dos sonhos

    24 quinta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    Tags

    especialistas

    • RSS
    • Twitter
    • Facebook
    • Assine o JBLogin

    Jornal do Brasil

    Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

    Coisas da Política

    Hoje às 06h00

    Campo dos sonhos

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor

    Não se trata de Libra, petróleo ou leilão. Nada de apanhador no campo de centeio. Até quando teremos que aturar discursos políticos ufanistas e autorreferentes? Opiniões autocentradas se transformaram na terceira via do totalitarismo. Confunde-se “uma pessoa, um voto” com “uma pessoa, autoridade sobre todos os assuntos”. Por outro lado, temos uma sociedade voltada e regida por especialistas, gente que se esmera numa coisa só.

    Na era da massificação é muito provável que estejamos vivendo o tempo onde nunca se entendeu tão superficialmente sobre tantas coisas. Ao mesmo tempo, nunca tantos dominaram tanto sobre tão poucos assuntos. O paradoxo não significa que não seja realidade. Essa é uma façanha com a marca registrada da pós-modernidade terminal. Isso é ou não desejável? Nada de sim ou não.

    Aliás, ninguém ainda conseguiu vincular aos sonhos uma área submersa com megatoneladas de fósseis apodrecidos. Sonhar é uma atividade neurológica, experiência diária na qual estão envolvidos os núcleos cerebrais mais sofisticados quando o córtex atenua sua performance. Sonhar reserva mistérios desafiadores para as neurociências. Como as imagens adquirem tanta consistência? Como se processa o senso de realismo deste cinema interior? Muitos têm a sensação de que o sonho não termina mesmo quando passamos do sono à vigília. Quase 1/16 do nosso tempo existencial, essa é contabilidade onírica. É mais ou menos isso que passamos sonhando pela vida. Há até tradições que dizem que neste interregno o espírito provisoriamente desabita o corpo. Quando a respiração, as atividades metabólicas e a temperatura caírem é que tecemos esse enredo curioso. Os sonhos ainda ajudam a solucionar impasses e problemas que a capacidade lógica ordinária não consegue alcançar, segundo pesquisas recentes do neurocientista Robert Stickgold, da Universidade de Medicina de Harvard

    Mas há um campo em que o sonho encontra barreira mais espessa, dificilmente superável: o domínio da realidade.

    O princípio da realidade pode ser um intruso no campo dos sonhos — uma espécie de bolsa estraga-prazeres

    O princípio da realidade pode ser um intruso no campo dos sonhos. Uma espécie de bolsa estraga-prazeres. Não é bem que a maioria de nossos políticos não sonhem. Estão ocupados nos vendendo uma versão edulcorada da fábula. Como aprender a confiar em quem tergiversa?Qual mágica será necessária para que voltemos a crer no resgate da função dos governantes?

    Nosso problema, portanto, não é ceticismo. O problema é que somos ingênuos de véspera, e mesmo assim continuamos a acreditar. Sempre uma nova véspera renasce na manhã seguinte. Muito provavelmente, mecanismo de adaptação. Em mais uma lance espetacular da evolução, ela nos faz acordar com fé.

    Não sei se a educação poderá sofrer a revolução evocada, porque ainda não pensamos a etapa preliminar: que educação queremos? Os professores, as instituições, maltratados por salários humilhantes, condições indignas, manipulados politicamente até a medula, simplesmente não podem depender da extração do fundo do poço.

    Podemos ensinar até em condições precárias, enfrentar mazelas subumanas. Possível até esquecer que vivemos num mundo em que temos contas a pagar. Dar suporte aos filhos de famílias disfuncionais para exercer um papel que extrapola totalmente a função. Mas há limites para a automotivação e o altruísmo. Não podemos mais servir a uma causa que deforma o dever de ensinar. Muito menos em uma estrutura arcaica que nos coage a compactuar com a estupidez. Há ou não uma emergência? Podemos esperar que o óleo e derivados mantenham o valor em algum futuro distante? Ou merecemos mudar o estado das coisas com o que já temos?

    Escolho o agora. O futuro já passou.

    http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/24/campo-dos-sonhos/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Depressão Induzida

    17 quinta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

     

    • RSS
    • Twitter
    • Facebook

    Jornal do Brasil

    Quinta-feira, 17 de Outubro de 2013

     

    Coisas da Política

    Hoje às 06h00

    Depressão induzida 

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

    Jamais os pesquisadores que elaboraram o relatório da Organização Mundial de Saúde no ano de 1988 em Genebra, Suíça, poderiam ter imaginado. Como previsões de um texto científico se transformariam em profecias. Ali estava escrito: o mal do século 21 seria a “era da depressão”. Assim como sujeitos peregrinam até os cuidadores e médicos se queixando de patologias diversas, em nossa era, a queixa prevalente seria dominada pelo mal-estar difuso, a sensação de adoecimento sem moléstias, um estado inominável e não menos opressivo

    A palavra “depressão” é uma generalização, uma nomenclatura inexata para definir esta condição subjetiva que não tem sítio, comprovante de residência ou CPF. Mesmo fugindo da atribuição do estrito caráter nosológico (de doença propriamente dita) conferido à palavra, o século comprova o que prometia: se mostra arredio, inóspito, aborrecido. 

    A palavra “depressão” é uma generalização, uma nomenclatura inexata para definir esta condição subjetiva que não tem sítio, comprovante de residência ou CPF. Mesmo fugindo da atribuição do estrito caráter nosológico (de doença propriamente dita) conferido à palavra, o século comprova o que prometia: se mostra arredio, inóspito, aborrecido.

    As ideologias da esquerda se transformaram em andrajos, costurados com retalhos. O capitalismo selvagem urbanizou-se e agora achaca à luz do dia. Até aqui os verdes, nem cá nem acolá, constituíram um programa que realmente representasse uma terceira via consistente. Estamos sem projetos. A pobreza objetiva pode ter diminuído, mas persiste outra, perversa, ainda que menos aparente. Avanços existiram: no Brasil 10 milhões de famintos a menos nos últimos 20 anos, e no mundo, só no último ano 18 milhões de miseráveis absolutos saíram desta condição.

    Tudo é muito razoável. Como poderia ser ótimo, se o saldo persiste devedor?

    As ideologias da esquerda se transformaram em andrajos, costurados com retalhos

    Quase um bilhão de pessoas passa fome, enquanto ficamos discutindo a utopia da isonomia absoluta. Se a desigualdade social diminui então por que cargas d’água ainda estamos no prejuízo? Por que não saímos comemorando? De onde provém tamanha insatisfação? O que impede o entusiasmo com os progressos da tecnologia, o Bóson premiado, a inventividade dos cientistas? Por que não aplaudimos de pé? Temos uma rede mundial de computadores? Certo, os monitores nos invadem com dados imprestáveis e imagens irrelevantes. Facilitou a vida da Al Qaeda e dos encrenqueiros urbanos, mas imaginem só o potencial, a quantidade de veiculações sensacionais, a capacidade pedagógica!

    Mais uma vez, por que raios nos rendemos à paralisia? Por que seguimos insatisfeitos com mais qualquer coisa? Tudo parece insuficiente, leniente, ineficiente. Todo esforço, complacente. Nós, ainda indigentes! Como toda fome de espírito o vazio pode não ser contabilizado. Pode ser síndrome de abstinência de justiça, de exemplos, de humanistas.          

    Pelo instante considerem que o problema pode estar exatamente no “mais”. Como rezava o velho provérbio oriental “as moléstias vêm do mais”.  Pode estar numa miserabilidade menos urgente que a faina propriamente dita. A disparidade maior está oculta. Num lugar que não tem nada a ver com pobreza, fome, nem más condições sanitárias e de habitação.

    Com tantas necessidades materiais criadas, passa a não ser só uma impressão de que nada é suficiente. Saturados de matéria e de consumo, a insuficiência induzida está no ar. E ela não guarda relação linear exclusiva com condições socioeconômicas: a taxa de suicídios mais alta no mundo ainda está nos países escandinavos, aqueles com melhores índices de desenvolvimento humano. Mesmo assim, indicadores subjetivos como bem-estar e felicidade permanecem tabus. Ainda são encarados com desconfiança e frieza pelos sociólogos e economistas. De pirraça, gente sisuda nos joga na cara estatísticas, renda per capita e PIBs. Como contraponto à depressão induzida, só mesmo reaprender a arte do amusement. Não é programa humorístico, deboche ou entretenimento. É dar uma recíproca na vida quando ela mesma ameaça brincar com nossas existências.        

    http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/10/17/depressao-induzida/?from_rss=colunistas

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Retrocesso

    16 quarta-feira out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    A palavra foi forte, pertinente, necessária. O necessário costuma ser dose incomoda. Submersos é mais fácil observar a arrogância do gigante. O periscópio de Marina Silva verbalizou o que muitos já intuíam. O retrocesso vigente não é só regressão, é estagnação pintada de progresso. O que o regime político da vez tenta fazer é postergar as tintas, e assim, borrar a percepção da composição geral. Já vimos tudo isso antes. Nos estados totalitários, na ditadura, nos estados de exceção A arte final da tela permanece sem diagnóstico. Não é só a bolha econômica e a volta da inflação, não é só a irresponsabilidade fiscal e a negligencia com as coisas públicas. O poder impinge-nos sua agenda reducionista, anacrônica, sectária.

    O contraste fica mais chocante num país de multiplicidades continentais, étnicas, políticas, temáticas.

    Decerto, nenhum partido quer soltar o osso. Mas e se o custo for dilacerar os avanços sociais que ajudou a construir? O tudo ou nada político é jogo para lá de tenebroso. A fábrica de crises tem formula: imbróglios, cortina de fumaça. Vamos assumir que seja uma  teoria conspiratória desde que alguém conteste, o que é deixar o pau comer solto senão anular a maioria?

    Uma rápida passada pelas analogias da palavra retrocesso desvenda mais do que pretende, “voltar sobre si”, “andar ao arrepio”, “virar de bordo”, “distorcer caminho” e finalmente, o mais preciso: “não manter o terreno conquistado”.

    Por acaso vamos nos conformar? Alcançamos estes dias para deixar que a censura, branca, parda ou preta nos aleije de um processo pelo qual muitos deram a vida? Desacorrentamos a democracia para que políticos presunçosos usurpem a República?  Por acaso viemos para assistir grupelhos proto-fascistas e bandidos, que cresceram nas barbas da irresponsabilidade do Estado, desafiar a sociedade para espalhar terror e intolerância?

    Chegamos até aqui para testemunhar a história ser varrida a contrapelo por incompetência e acefalia? Acaso sobrevivemos para ver o país recuar até onde? A sagração da ignorância?

    Se é para isso que viemos, melhor ciar, andar de caranguejo e recomeçar do zero.

    Ver e comentar no Blog do estadão:

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/retrocesso/

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Dia da Criança Vintage

    12 sábado out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

     

     

     

    Parque de brinquedos vintage abre as portas em Nova York

    Tertius entrou desesperado na casa do avô viúvo.

    Sentiu que poderia achar o que queria.

    – Onde está vovô?

    – Na última gaveta.

    O garoto ficou olhando esperando pelo complemento da informação.

    –Lá. No quarto que era do seu pai.

    Tertius escalou o sobrado e ajoelhou-se diante da  cômoda instável. Revirou tudo da última gaveta e retirou o brinquedo.

    Estava inteiro e era parecido com o que brincou no parque. Fez a fricção e soltou para ver a locomotiva circular.

    Anoiteceu e ele ainda estava excitado.

    O avô recolheu o neto adormecido do chão do quarto e o embalou até a cama.

    Tertius sonhou: descobriu que o mundo das telas, dos vídeo-games era uma enganação de brincadeira.

    Ele riu. Soube que a felicidade estava ao contrário.

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Blog Estadão – Ofício Literatura

    12 sábado out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

     Imagem

     

    Não sei se foi ou não aula de sociologia mas faz muito sentido que o discurso do escritor brasileiro em Frankfurt tenha sido uma crítica generalizada. O Estado contemporâneo merece ser refundado numa sustentabilidade com sobrenome. E ela não parece ser material, financeira ou industrial. Talvez não esteja nem mesmo na preservação do meio ambiente, segurança ou reservas estratégicas. No atual mal estar no mundo subsiste algo anterior. Uma enfermidade atávica, que os antigos gregos já compararam com a temível hidra de mil braços que habitava o lago de Peloponeso. Também chamada de muitos outros nomes, como mal estar na cultura, e, mais recentemente, de peste emocional. Estamos perdidos numa travessa, sem significados claros, cruzando de uma era para outra sem timão nem timoneiro. 

     

    Viramos o milênio como uma legião entorpecida de bens, drogados pela abundancia. E quem não goza de fartura quer entrar no jogo. A fantasia é que lá está a completude. A classe média recém chegada ao paraíso, realiza que não é nada disso. Por sua vez, o poder acelerou a máquina para nos poluir com pão e distração. Um circo que se locupleta com a sociedade sem critérios. Os outros? Obscurecidos pela cegueira que emanamos. Trabalho, esforço e educação foram transformados. Nas sinonímias populares já aparecem como estupidez e perda de tempo. A busca de sucesso a qualquer preço é a prova da deslegitimação de todas as pedagogias. Que importa a biografia do sujeito desde que o resultado seja superávit primário?  Neste contexto, quem se espantaria com a desvalorização dos professores em meio à escolas cujas funções originais foram pervertidas? Quem ainda fica perplexo com o déficit de leitores? Ainda há alguma coisa a ser feita?  Digo, sem cair no moralismo salvacionista, medicalização da vida ou em formulações políticas messiânicas. Deslocar-se para estar no lugar do outro? Há quem seja capaz? A literatura acrescenta experiências, ressignifica sentidos. Não que seja sua função, trata-se de apenas um dos efeitos colaterais favoráveis.  Acontece por que a singularidade é caprichosa e costuma se manifestar na estranheza, no reconhecimento das diferenças. Apollinaire escreveu, “amo os homens não pelo que os une, mas pelo que os divide.” Luis Rufatto pode ter razão: a literatura transforma sujeitos e têm potencial para romper a imutabilidade de nossos tempos.   

     

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...

    Leiam Hipócrates

    12 sábado out 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

    ≈ Deixe um comentário

    Tags

    Brasiliana USP, Hipócrates

    http://www.brasiliana.usp.br/destaques_lista

     

    Hipócrates (460 a.e.c. – 370 a.e.c): Medicina que convém a cada um

     

    Apresentação:

    Paulo Rosenbaum

    A obra de Hipócrates é vasta e a autoria dos textos polêmica. Entretanto, o conjunto de obras deixado pelo fundador da técnica médica permanece indelével e surpreendentemente atual.

    Leia mais

    Compartilhe:

    • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
    • Mais
    • Tweet
    • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
    • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
    • Compartilhar no Tumblr
    • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
    • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
    Curtir Carregando...
    ← Posts mais Antigos
    Posts mais Recentes →

    Artigos Estadão

    Artigos Jornal do Brasil

    https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

    Entrevista sobre o Livro

    aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
    Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

    • Assinar Assinado
      • Paulo Rosenbaum
      • Junte-se a 30 outros assinantes
      • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
      • Paulo Rosenbaum
      • Assinar Assinado
      • Registre-se
      • Fazer login
      • Denunciar este conteúdo
      • Visualizar site no Leitor
      • Gerenciar assinaturas
      • Esconder esta barra

    Carregando comentários...

      %d