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Alguém apresentou um interessante painel colorido referente à recente votação do STF sobre os Embargos Infringentes. Ele demonstrava graficamente a guerra de twiters entre os que eram a favor e contra a decisão da corte. O clima esquentou muito e se transformou numa batalha sem grande poesia. Logo as redes repercutiram: apareceram pessoas lamentando por que tanta celeuma? O que justifica a intensificação das hostilidades? Denota bem o estado das coisas no País. A falência da crítica e a asfixia do diálogo. Atos impulsivos pairam sobre todos nós. Uma análise preliminar sobre os julgamentos instantâneos, é que a web não só permite, como convida, aguça e endossa o ímpeto para opinar. Uma hipótese a ser comprovada adiante é que a ação da escrita numa rede gigante, vale-tudo e interativa, excita o automatismo. Isso significa que a frente do teclado e diante de algum assunto no qual estamos levemente convictos, decidimos nos expressar na lata, explosivamente. Muitas vezes, vale dizer a maioria, abolindo uma análise autocrítica, deixando de esmiuçar a fonte de onde bebemos a informação. O resto vira detalhe: involuntariamente podemos estar caluniando, fazendo platéia para meias verdades ou só repassando más interpretações. No caso de um post, e-mail ou in box recém emitido, quando o tal exame autocritico chega, vem tardio. Ai, só mesmo o pedido de desculpas, o remorso ou o “que se dane”. Nesse caso é correr para mergulhar nas brigas. Isso significa que as opiniões colocadas no ciberspace, via de regra, obedecem uma vontade quase instintiva, semi-irreflexiva. Não chega a ser fluxo de consciência, mas quase. Não é fortuito que as pessoas tenham brigado e se agredido mais online. Que as discordâncias instantâneas – que em outro contexto (num bar, ao vivo, ou numa conversa intima poderiam ser intercorrências sem importância) – passem a gerar cadeias de mal estar.

Para ler mais e comentar

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/impulsos-que-pairam-sobre-nos/