• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Memória dos Românticos (blog Estadão)

11 sábado out 2014

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"o que fazer"político, conto de notícia, indução de conflitos, memória dos românticos

Memória dos românticos

Paulo Rosenbaum

10 outubro 2014 | 18:42

Estamos bem na metade da ponte, e a tendência é que se encontrem bem lá, no meio. De um lado acordos, alianças, confluência, liga. De outro, luta, conflito, colisão polaridade, e antagonismo. No fundo, todo adulto pobre ou rico, erudito ou leigo, rural ou urbano, nortista ou sulista, sabe intuir: exceto no futebol, vitória nunca foi fazer o outro lado engolir a derrota. Pode ser de grande valor acionar a memória nos incertos dias do presente.

O interesse pelo bem comum, teórica característica do que fazer político, pode estar não só ultrapassado, como ter sido destituído sem consulta prévia. Deu lugar a uma geração de hábeis representantes cismáticos, porfiosos, rabulisticos e facciosos. Ao se açular uns contra os outros e, abraçar diretamente o partido, quem estão submetendo ao combate? Não é mais um postulante contra o outro, nem rinha de ideias. Agora, é povo contra povo. A maioria nem percebe, trata-se de um jogo que, lá atrás, poderia ser chamado de zangui-zarra, renzilha ou chantagem. Nele, a esgrima de baixa qualidade, fingindo discutir valores, promove a deselegância. Com efeito, o refrão já está pronto e na ponta da língua: “é política, vale tudo.” Se ao menos pudéssemos resmungar, encaixar a agressão em alguma figura jurídica, ou, simplesmente, migrar para um reino menos litigante.

Mas, pensou-se em tudo. Nada parece estar ao nosso alcance a não ser entrar na bolha e assumir o contágio. No manual dos litigantes está o alfabeto do ajuste de contas, buscar ocasião de bulha, falar entre os dentes, medir-se em duelo, em uma palavra, haver-se.

Quando lá do fundo da sala te perguntarem: é essa então a tal festa democrática? Já poderás dissuadi-los e responder que não sabe. Mas, na memória dos românticos haveria outra: não é nem a sombra do que poderia ter sido.

Para comentar usar o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/memoria-dos-romanticos/

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Os refratários – blog Estadão

08 quarta-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Os refratários

Paulo Rosenbaum

08 outubro 2014 | 15:38

A sensação é incerta, mas o espírito indica que podemos estar saindo de um pesadelo. Mesmo que nem todos chancelem esta percepção, é notável, depois de domingo já se respira bem melhor. Mas não é bem a vitória da razão. O que vimos emergir foi a contracorrente, um sentimento coletivo que fermentou a aversão ao conjunto da obra. Pode-se explicar pelo artificialismo de uma cisão entre o sul contra o resto. Também buscaram-se justificativas nas más gestões apresentadas.  A maioria deu o recado em paz, com extrema civilidade. E foi exatamente esta civilidade, gentil, mas determinada, que fez acender as irascibilidades latentes. Iracundos que, refratários às decisões democráticas, e, impedidos de fazer autocrítica, preferiram ressuscitar teorias de conspiração, táticas neofascistas e a belicosidade de sempre. Previsivelmente preferiram apontar indetectáveis forças da reação, que assumir os enganos. Mas, se há mesmo uma conspiração em curso ela seria o método recorrente: hostilizar quem não os aprova. Desqualificar as divergências com personalismos foi o que insuflou a animosidade. Plantar veneno é uma aposta de alto risco. Parecem dispostos a corre-lo, enquanto cresce a usurpação do Estado. Sequestro ainda sem resposta por parte das instituições imobilizadas pelos exércitos de nomeados. Na guerrilha eletrônica tentam desconstruir a coalizão de descontentes usando todas as armas e recursos. Contam com a lentidão das medidas jurídicas que os conteria.

O que pode atrapalhar aquele que parecia ser o plano perfeito foi um erro de cálculo. Negligenciar uma terceira força, que, ainda não completamente desenvolta, que cresceu e cresce por contágio, esboça potencial mais amplo do que só um sufrágio. Se não é propriamente nova, aglutina prioridades distintas e, principalmente, concentra novas preocupações. Este novíssimo contingente não é propriedade de ninguém, líder, partido ou entidade. Emergiu do saldo da pós modernidade determinando a orfandade política de parcela significativa de jovens.

Órfãos preferem acompanhar ideias à submissão aos pastores. O carisma pessoal, o magnetismo sedutor e a capacidade de persuasão não convencem com a mesma facilidade de antes. O novo em política não será, portanto, decisão de uma cabeça, conselho de notáveis, nem do habitual messianismo roto. Emergirá de consensos que parecem escapar das ruas, das necessidades complexas destes nossos tempos, e dos verdadeiros direitos humanos: o desejo por uma vida melhor, mais liberta, mais secura, e menos consumista.

Faz parte destes ingredientes, por exemplo, não ser controlado por gestores e partidos desconectados dessas necessidades. Emancipação das ideologias que definem o que deve ou não ser pensado. Libertados daqueles que insistem na navalha dicotômica: direita ou esquerda, conservador ou progressista. O anacronismo sobrevive na bandeira dos ideólogos, que sucumbem aos dogmas, slogans e culto à personalidade. Incapazes de conceber outras soluções para os problemas sociais, persistem nas teses superadas: autocracia, Estado onipresente, progressivamente controlador e hegemonia partidária. Não foi por racismo, preconceito de classe ou elitismo. Foi para este projeto de poder que significativa parcela da sociedade, justamente a mais bem informada, registrou sua mensagem: NÃO.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/os-refratarios/

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Dia dos Perdoados (Blog Estadão)

08 quarta-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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conto de notícia blog, dia do perdão, dia dos perdoados, doxologia, o que é perdão?, Yom Kipúr

Dia dos perdoados

Paulo Rosenbaum

03 outubro 2014 | 16:34

Quem é perdoado reconhece o que se perdoou? Na generosidade irrealista do perdão, o perdoado raramente repara no que acaba de receber. E aí há uma interessante inversão. Uma carga às avessas. Um espaço criado à força. A inesperada perspectiva de reparação. Pois um perdão não precisa ser justo, coerente, adequado ou mandatório. Sua oferta, inclusive, prescinde origem, circunstância e justiça. O perdoado não necessariamente mergulha no mérito. Perdoar é um verbo estranhamente impreciso, porque não pertence à agenda da razão. Rompe com qualidades às quais acostumamos no universo da des-subjetivação. Onde bens, serviços e relações instrumentais ocuparam o lugar da solidariedade. Um perdão é, portanto, uma reconsideração filosófica de valores. Pode ser a pequena meditação sobre um julgamento, mas também, elevar a potência de uma consideração. Perdoar é abandonar voluntariamente – e não à revelia, essa é toda a diferença – a nostalgia. Esquecer o passivo parece medida anti terapêutica. Talvez não seja. Destarte, há que se impor a particularidade. A alienação e a passividade não podem valer frente aos opressores e regimes tirânicos, potenciais ou reais. Com efeito, já que o silêncio aplaca a repressão, toda perspectiva totalitária exigirá grito, resistência e luta. A mentira, dita com convicção, constrange. Eis que em tempos de cólera política, a alienação pode ser o oásis da neutralidade. Por que nos impomos escolhas? Ao sim ou não, ao agora ou depois, a este ou aquele, ao sucesso ou fracasso? Um dia de expiação não é para sofrer, mas buscar o neutro. Neutralidade não significa anulação (não anulem), mas atuação pelo desconcertante. Através da metáfora da desrazão, perseguir a paz da incoerência. A relativização da seriedade e a recuperação do humor. O verdadeiro desvio do previsível. Já que alguns significados do perdão devem recair na metafísica, sua máxima concretude pode estar em passar sobre as ofensas, alcançar o outro na congratulação do dia a dia, e sentir se há alguma fusão de horizontes em vista.

Para comentar acessar o link:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/dia-dos-perdoados/

Tags: dia dos perdoados, Yom Kipúr

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Perdão: uma reflexão sobre Yom Kipúr

03 sexta-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Avatar de Paulo RosenbaumPaulo Rosenbaum

Perdão não faz sentido.

Por que perdoaríamos os desafetos, os inimigos, os injustos e os caluniadores? Os políticos e os agressores? Os egoístas e os censores? Os críticos e os traidores?

Mesmo assim este é o dia. Esse é o dia para fazer isso.

Não se trata de uma superestimulação intelectual, nem de uma adesão acritica ao dogma religioso. Perdão faz parte de uma longa viagem que termina nesta janela aberta.

Atravessemo-la ou recusemo-la. Não importa sua decisão, ela continua real e se recusa a desaparecer.

A janela do perdão fica sobre um espelho muito maior. O tal quadro que nos viabiliza como sujeitos.

Perdoar não é um aceno à ingenuidade mas um passo forçado para a integração. A maturidade real e não aquela que se exige de adultos, que disfarçam as neuroses com a seriedade. Despistamos as angustias com trabalho e carreiras.

Perdoar é dar passo em falso. É…

Ver o post original 96 mais palavras

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Direito de Resposta

01 quarta-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Livros publicados, Na Mídia

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Bolivar, direito do consumidor, eleições 2014, fraude eleitoral, golpe de Estado, manifesto comunista, Marx, Modelo bolivariano, queda do muro de Berlim, risco de ditadura, totalitarismo

Direito de Resposta

Paulo Rosenbaum

01 outubro 2014

Solicitei faz tempo, mas só chegou hoje. Como consegui? Usei a lei de proteção ao consumidor. Já que o candidato é hoje apresentado como produto, não deveria vir com garantia de devolução? Um juiz aceitou meu argumento. Como nunca tive direito de resposta nem sei por onde começar. A senhora é dona do País? Determina liberdade ou cárcere? Perdão, é que no debate deu essa impressão. E se lhe disséssemos: dispensamos aquele passeio pelo Jardim Venezuela? E se explicássemos que a essência de um estadista é estimular a inclusão? Ou a Sra. acha que o eleitor com candidato derrotado merece ser subjugado? Desaconselhável instigar a luta entre classes. Como meu pai lembra, o próprio Marx teria revisado este e aquele outro tópico do manifesto. Aquele “cada um terá de acordo com suas necessidades”, sempre foi, de longe, o mais problemático. Claro, claro, a senhora diz ser flexível, só não admite remendos na cartilha. Mas não é meio abusivo insinuar uma constituição redigida pelo seu partido? Ainda temos o direito de saber o que a Sra fará assim que assumir, se assumir? Até hoje não tivemos direito de contestar a promessa desviada, a creche na maquete, tijolos sem olarias, escândalos em refinarias. A excelentíssima afirma que a volta da inflação é culpa da crise externa, a queda dos mercados especulação e o fracasso econômico complô internacional e não há malversação. Só para saber, sobrou algo para ser debitado da incompetência? É que ficamos com a impressão de uma grande conspiração. A Sra corre o risco de estar tratando a verdade com a mesma deferência com a qual seus funcionários tratam os números. Deixe-me também explicar Dra. que, caso a senhora prefira o modelo Bolivar essa é a hora de explicita-lo! Estamos a nos indagar o que será que ele tem a ver conosco. Já ia esquecendo: dia 9 de novembro é o aniversário de 25 anos da queda do muro de Berlim. Eu sei, eu sei, não precisa chorar, aquilo doeu na senhora, mas são os nossos tempos. Já que tocamos no assunto, liberdade nunca foi valor pequeno burguês, a democracia não se dobra ao gosto do freguês e não queremos modelo chinês. Quem é pessimista não é direita. É que já existiu uma esquerda arrojada e anti stalinista. Por falar nisso, que papelão! Aquele da ONU foi impagável mas me refiro aquele da imprensa. Se ela não investigar a quem caberá a prerrogativa? Estou sabendo que boa parte da Universidade te apoia, mas quem abandona seu papel crítico, renuncia à análise e vegeta na militância. Não faz diferença? Discordo. Caso queira reformar a República, virar de ponta cabeça as instituições e refazer a nação, anuncie hoje, antes da eleição. Fale dos seus ídolos políticos, do poder dos Conselhos Populares, do futuro da propriedade privada e quais os planos para a instabilidade social. Pode omitir aquela palavra que dá medo no pessoal. No lugar de comuni… use regime que se apropria dos meios de produção e decide para sempre todo o resto. Compreendo, é tentador mudar as regras do jogo no meio da partida, só que tem muita gente com a mesmíssima vontade.

PS- Não esqueça de mandar felicitações para Angela.

Respeitosamente,

Eleitor e consumidor

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A Intermediação II – Blog Estadão

27 sábado set 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antiamericanismo, antisemitismo, centralismo partidário, declaração na ONU, diplomacia obtusa

 

 A Intermediação II

Paulo Rosenbaum

27 setembro 2014 | 20:12

Já havíamos publicado que o assessor especial para assuntos internacionais, se dispôs a intermediar os conflitos e embarcaria para a região com uma comitiva especial do Partido escolhida a dedo. Se sobrasse tempo, outras áreas seriam incluídas no roteiro. Na pauta: respeito às escolhas de orientação sexual, situação das feministas, proteção às minorias, liberdade de culto, segurança pública e como implementar a democracia plena durante a recessão econômica. Integrantes do Isis aguardavam ansiosos a presença do enviado e teriam declarado “não ver a hora da oportunidade”.

Devido ao fracasso do plano original, e, logo depois do inesquecível discurso na ONU, a presidente, consultando as bases e o assessor especial, resolveu elaborar um plano de emergência. A nota divulgada para a imprensa dizia  “assim como resolvemos a crise econômica e fiscal do Brasil, estamos levando a mesmíssima carta de intenções ao EI, esperando que compreendam que só a transparência, lisura e verdade unem nações.” Ainda não está confirmado, mas a governante passou as últimas horas tentando agendar encontro pessoal com a cúpula, “queremos falar com quem manda”. Foi encaminhada à facção dominante “AF, Adagas Afiadas” Já no aeroporto, antes do embarque, falou aos jornalistas: “Tá lá provadinho: olhando olho no olho deste pessoal, é claro que falo dos carrascos, eles não terão escolha, cederão ao nosso conhecido bom senso e clareza de raciocínio. Aposto meu pescoço como vai dar certo.” A caminho do embarque, a comitiva foi surpreendida com inesperado apoio multipartidário, com carreatas, bandeiras e fanfarras enaltecendo a iniciativa.

Nos cartazes: “Vai firme, presidente”.

Comentários? Usar o link abaixo:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/a-intermediacao-ii/

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Quando nos acusam de pessimistas (blog Estadão)

24 quarta-feira set 2014

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Quando nos acusam de pessimistas

Paulo Rosenbaum

24 setembro 2014 | 17:22

Pessoas tem o hábito de confundir pessimismo com análises desfavoráveis. E realismo, com pensamentos cheios de desejos. O pessimismo pode ser hábito do espírito. Uma retração da esperança. Um viés permanentemente desgostoso. Uma vida regrada pelo não. Talvez a acusação de pessimista guarde relação com a forma pela qual escolhemos apresentar o mundo. Ela só teria alguma chance de ser justa se aceitássemos que existe um estado normal. Uma média psíquica, a qual, tendendo ao otimismo seria a condição inata de todos os sujeitos. A garantia de que isso é impossível encontra-se na leitura das pesquisas eleitorais. A bolsa teme Dilma. Ela sobe, o mercado despenca. O agronegócio desconfia de Marina. Ela sobe e os produtores testemunham safras desvalorizadas. O pânico Aécio não é um fenômeno ainda bem conhecido. Estereótipos ou signos indiciários da verdade? O mesmo fato (a variação para cima e para baixo dos candidatos) enseja pessimismo, especialmente quando uma oposição é morna contra uma situação tórrida. O jogo eleitoral no Brasil, como outros fenômenos, talvez seja único. No fim das contas o que vale não é uma causa, uma ideia, mas o movimento de onda. É costume, ou tradição, tanto faz, que as massas migrem em direção à corrente mais fluida. O voto útil. A menos pior, aquela que não compromete. Ou aquele que não representaria desastre anunciado. A fé aplicada à política carrega extensa bula de contra indicações. Como ninguém lê, a devoção geralmente leva povos aos confins. Não importa para onde estejam nos levando, o que conduz o movimento é a adesão ao rebanho. Por aqui, mesmo quando o encalhe é nítido, o estelionato eleitoral pode ser aplicado sem engasgos. Até mesmo estimulado, com direito a repique no horário nobre. Do contrário, que regime permitiria o uso amplo geral e irrestrito da máquina do Estado com finalidade autopromocional? Fôssemos um lugar menos idiossincrático — nossa incurável refratariedade às normas — só este tema sufocaria os demais. As instituições estariam convulsionadas pela aberração. Em condições normais seria ele próprio a negação absoluta da isonomia de oportunidades, a reafirmação da desigualdade, um símbolo paradoxal e insustentável da destruição do conceito de equidade. Porém, considerando que a normalidade inexiste, e a grosseria é cínica, estas aberrações sequer são mencionadas. Assim como todos os dias negamos a morte, também nos é facultado renegar o status quo do País, ouvir passivamente discursos de metas jamais alcançadas, e considerações sobre a inflação, não a real, a dos preços, mas aquela egóica, que nos tortura com as cores mitômanas do mundo auto-referente.

Quando nos acusam de pessimistas, eles têm razão.

Para comentar usar o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/quando-nos-acusam-de-pessimistas/

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Legado de Enganos (blog Estadão)

21 domingo set 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Legado de enganos

Paulo Rosenbaum

domingo 21/09/14

Quem precisa investigar? Estamos à mercê do aparelhamento, causa ou consequência de um poder que aspira hegemonia? Notável que ninguém enxergue os véus da cooptação. A  nudez difusa tornou-se móvel, generalizada, banal. Aparece tanto e por tantos lados que a gravidade se dilui. Se não era uma estratégia? Quem sabe? Mas se tornou um álibi à revelia. A mensagem seria: todos são iguais perante o mal feito. Mas eis que eles tem razão: com quem a sociedade pensa que está lidando? A opinião pública ainda não sabe de sua  irrelevância? Como ousa investigar o que não tem explicação? Por essas e por outras, nossas vidas têm valor cada vez mais relativo. Já os votos, custam um pouco mais: o cálculo é por cabeça. Só eles sabem quanto sangue e suor foi necessário para chegar até lá. E por que justo agora perderiam a viagem? Bem nesta hora, às vésperas do “mais mudanças”? É a mesmíssima imprecisão: nos dados numéricos, nas estações fiscais, nas diatribes diárias. Vivemos dias de expectativas negativas. Anomalia é tomar isso como natural. As bolsas, apenas indicadores especulativos? Se há um mérito no mercado, está exatamente aí. Vêm nos dizer, por indícios fáticos, aquilo que os dados oficiais querem calar: a perturbação não é com a sigla, mas com a falta de clareza. Com a esperteza. Com a indelicadeza. Manobraram os consensos para organizar minigolpes, suavizados por uma oposição amedrontada. O sigilo de Estado em uma democracia não foi concebido em prol de um legado de enganos. Nunca fomos consultados se desejamos modelos não explicitados, acordos secretos, agendas ocultas e vínculos com ditaduras ardilosas. Em vigor o salvo conduto para abolir as regras do jogo com impunidade garantida. E  assim mudar o caráter da República. O atentado à constituição atende por muitos nomes: reforma política, constituinte exclusiva, luta de classes, referendos de ocasião. Desta altura é impossível predizer. Talvez mantenham o Poder, mas não será o mesmo. A oxidação antecede a corrosão. Os sinais, evidentes. A contradição é explosiva: quando os contratos ficam escusos, a vida política não consegue ser pública. Os recursos jorram ao solipsismo partidário. E a maioria? Rumina o mal estar à sombra de um País que deriva sem critérios. E seja quem for o eleito, não sobrará o que salvar. O desgaste foi consumado. Pré anunciada como ato falho, era essa a herança, a maldita. Resta torcer. Talvez nem isso, nunca se pode confiar na memória das torcidas.

Leia e comente
http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/legado-de-enganos/

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Corações vagabundos (Blog Estadão)

16 terça-feira set 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Corações vagabundos

Paulo Rosenbaum

terça-feira 16/09/14

Quando o filosofo Hans Georg Gadamer, um dos fundadores da hermenêutica filosófica, publicou seu “Verdade e Método”, alguns sugeriram que o título mais adequado de sua obra deveria ser “Verdade ou Método”: a primeira não poderia ser exatamente compatível com a prerrogativa reducionista que as metodologias costumam lançar mão para “recortar o objeto de estudo.”  […]

Quando o filosofo Hans Georg Gadamer, um dos fundadores da hermenêutica filosófica, publicou seu “Verdade e Método”, alguns sugeriram que o título mais adequado de sua obra deveria ser “Verdade ou Método”: a primeira não poderia ser exatamente compatível com a prerrogativa reducionista que as metodologias costumam lançar mão para “recortar o objeto de estudo.”  Numa campanha vale tudo, a verdade vale menos, e a máquina caça-níqueis em busca de votos é a única realidade. Com tudo isso, ataques, tergiversações e escândalos a todo vapor, e, ainda assim, teremos mais um pleito. A mais nova manobra foi induzir os artistas a emprestar seu prestígio. A militância é uma espécie de cegueira induzida.  Farás tudo que teu mestre mandar, não como ficção de Orwell, mas realidade para a imensa quantidade de gente que se recusa a pensar sem cabrestos.  Os artistas que apoiam o poder tentam transferir sua popularidade à presidente. Apoio e enaltecimento não deixam de ser, ao fim e ao cabo, indicação de poste.  Gente com nome na praça artística deveria ter o cuidado de separar a ideologia do prestígio que acumula. Só precisam aceitar um ônus inerente à este tipo de operação: a taxa de rejeição funciona de forma analógica.

O que mais impressiona é a borracha moral das festas da propaganda política. Para bem além da estética degradada, o triunfo do marketing político contemporâneo é uma garantia de empobrecimento dos debates. O que seria significativo explicitar ao eleitor torna-se efeméride, o superficial ocupa o centro da meta. Não seria mais honesto uma espécie de retiro dos candidatos, longe de assessores e publicitários soprando o que pode e o que não deve ser dito? A agenda negativa que permite desconstruir, é da mesma matriz que pode, depois, negar que se prometeu qualquer coisa. A palavra, que valia bem pouco, pode estar sumindo como referência simbólica de confiança.

Circula um boato na ENDI, a escola nacional de desconstrução de imagens, frequentada por nove entre dez figurões da política. Por que as crenças religiosas pessoais são apontadas como empecilho a uma governança adequada, enquanto perdura silêncio e ninguém menciona ideologias como as verdadeiras armadilhas antidemocráticas? Pois são tão ou mais perniciosas que a fé pessoal de cada candidato. Enquanto a crença pessoal pode ser controlada, os governantes tem plena liberdade para impor suas inspirações político-filosófico-econômicas. Assim,  o materialismo histórico poderia ser equiparado aos que militam nas igrejas e os profetas do liberalismo econômico teriam alguma equiparação com fundamentalistas.

Ser oposição é uma arte mais dura do que se supunha. Requer destemor para enfrentar a opinião pública iludida e, eventualmente, arcar com uma derrota que insufle racionalidade. Pois, qual é a reclamação? Que não parece ser a razão que triunfa ao final dos pleitos. De fato. Antes, vigora um certo apreço à comoção programática, aos apelos diversionistas, ao emocional, que descongelado, migra ao voto. Em época de eleição, nossos corações vagabundos trabalham mais do que deveriam.

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Compre curtidas

08 segunda-feira set 2014

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compre curtidas, vinculos virtuais

Compre curtidas

Paulo Rosenbaum

segunda-feira 08/09/14

Já faz algum tempo que o “compre curtidas” oferece serviços. Alguém descobriu que oferecer o conforto do apreço virtual pago é um grande negócio. Na tabela de preços, antecipo, não têm pechincha. Uma curtida talvez signifique mais que a aquisição do apreço, pode estar no aplicativo narcisista que criamos. Numa sociedade autorreferente, a valorização está […]

Já faz algum tempo que o “compre curtidas” oferece serviços. Alguém descobriu que oferecer o conforto do apreço virtual pago é um grande negócio. Na tabela de preços, antecipo, não têm pechincha. Uma curtida talvez signifique mais que a aquisição do apreço, pode estar no aplicativo narcisista que criamos. Numa sociedade autorreferente, a valorização está em que os outros endossem nosso próprio umbigo. Que graça poderia ter apreciar uma foto, post, ou filme só para nosso deleite? Por isso, compungidos a compartilhar, fazemos as honras, esperando aval. Delegamos o ônus do julgamento das nossas preferências ao mundo externo. Mesmo que essa escolha acabe sendo debitada da conta de nossa autenticidade. Para que o espectador encampe a proposta, aceitamos concessões que sacrificam a única mensagem que faria sentido transmitir, e morremos como original. É mais do que não ter graça, passa a não ter significado fazer a descoberta, se essa não for, imediatamente, comunicada a outrem. O imediatamente não é fortuito, a temporalidade cobra um papel fundamental nos vínculos virtuais. Trata-se de uma espécie de comportamento simbiótico instantâneo. Vale dizer, precisamos que reconheçam que nossa auto referencia é não só válida, como a autenticação do nosso gosto. Ainda que o gosto pessoal possa a vir a ser descartado como não essencial. O importante é agradar as massas. O exemplo abaixo, pode não ilustrar isso diretamente, mas serve como reflexão.

Um conhecido escritor, por pressão de sua assessoria de imprensa, negociou num pacote de 10.000 curtidas com garantia de aproximadamente 500 comentários. Inicialmente, vibrou com os números que fariam inveja aos amigos, despertariam curiosidade nos editores e o mais importante: novos leitores. O segredo garantido, já que ninguém costuma desconfiar de inflação. Pois a euforia durou pouco, o desgosto um tanto mais. Não porque os comentários não tivessem alguma pertinência, o oposto. No meio daqueles assalariados do discurso, mercenários uniformizados para jogar conversa fora, havia gente com talento. Talvez, considerou, gente tão desesperada como ele. Descobriram que nossa era não remunera inteligência, muito menos composição de textos não especializados. Assim, o que era para ser uma capitalização triunfal, sob a artificialidade para projetar o autor à fama, tornou-se contraproducente. Como se sabe, purismo e ideologia sempre foram inimigos da vida prática. E ninguém mais duvida, a ética inferniza os negócios. O comércio, que transforma o espontâneo e amigos virtuais em vil mercadoria, gerou grave bloqueio criativo. Finalmente, o escritor, parcialmente refeito, se animou em responder cada comentário. Foi quando vislumbrou a saída, não para o fluxo de consciência, mas para o fluxo de caixa. Abandonando a poesia e o romance, passou a oferecer serviços pagos nas redes sociais. Ganhou folego, abandonou a aspiração de ser imortal. Trabalha hoje para um candidato ao senado, redigindo discursos para o horário eleitoral e sumiu das redes sociais.

Para comentar acesse o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/compre-curtidas-2/

 

 

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