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Direito de Resposta

Paulo Rosenbaum

01 outubro 2014

Solicitei faz tempo, mas só chegou hoje. Como consegui? Usei a lei de proteção ao consumidor. Já que o candidato é hoje apresentado como produto, não deveria vir com garantia de devolução? Um juiz aceitou meu argumento. Como nunca tive direito de resposta nem sei por onde começar. A senhora é dona do País? Determina liberdade ou cárcere? Perdão, é que no debate deu essa impressão. E se lhe disséssemos: dispensamos aquele passeio pelo Jardim Venezuela? E se explicássemos que a essência de um estadista é estimular a inclusão? Ou a Sra. acha que o eleitor com candidato derrotado merece ser subjugado? Desaconselhável instigar a luta entre classes. Como meu pai lembra, o próprio Marx teria revisado este e aquele outro tópico do manifesto. Aquele “cada um terá de acordo com suas necessidades”, sempre foi, de longe, o mais problemático. Claro, claro, a senhora diz ser flexível, só não admite remendos na cartilha. Mas não é meio abusivo insinuar uma constituição redigida pelo seu partido? Ainda temos o direito de saber o que a Sra fará assim que assumir, se assumir? Até hoje não tivemos direito de contestar a promessa desviada, a creche na maquete, tijolos sem olarias, escândalos em refinarias. A excelentíssima afirma que a volta da inflação é culpa da crise externa, a queda dos mercados especulação e o fracasso econômico complô internacional e não há malversação. Só para saber, sobrou algo para ser debitado da incompetência? É que ficamos com a impressão de uma grande conspiração. A Sra corre o risco de estar tratando a verdade com a mesma deferência com a qual seus funcionários tratam os números. Deixe-me também explicar Dra. que, caso a senhora prefira o modelo Bolivar essa é a hora de explicita-lo! Estamos a nos indagar o que será que ele tem a ver conosco. Já ia esquecendo: dia 9 de novembro é o aniversário de 25 anos da queda do muro de Berlim. Eu sei, eu sei, não precisa chorar, aquilo doeu na senhora, mas são os nossos tempos. Já que tocamos no assunto, liberdade nunca foi valor pequeno burguês, a democracia não se dobra ao gosto do freguês e não queremos modelo chinês. Quem é pessimista não é direita. É que já existiu uma esquerda arrojada e anti stalinista. Por falar nisso, que papelão! Aquele da ONU foi impagável mas me refiro aquele da imprensa. Se ela não investigar a quem caberá a prerrogativa? Estou sabendo que boa parte da Universidade te apoia, mas quem abandona seu papel crítico, renuncia à análise e vegeta na militância. Não faz diferença? Discordo. Caso queira reformar a República, virar de ponta cabeça as instituições e refazer a nação, anuncie hoje, antes da eleição. Fale dos seus ídolos políticos, do poder dos Conselhos Populares, do futuro da propriedade privada e quais os planos para a instabilidade social. Pode omitir aquela palavra que dá medo no pessoal. No lugar de comuni… use regime que se apropria dos meios de produção e decide para sempre todo o resto. Compreendo, é tentador mudar as regras do jogo no meio da partida, só que tem muita gente com a mesmíssima vontade.

PS- Não esqueça de mandar felicitações para Angela.

Respeitosamente,

Eleitor e consumidor