• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Livros podem assombrar

24 domingo abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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dia do livro, livros como seres vivos, livros podem assombrar

Não há um só dia que ele não desfilasse e a estante não fazia mais juz ao perfil que ele desejava.

A noite, encabeçava a lista de discussões, e, sem querer esbarrava em outros companheiros. As vezes acomodava-se entre coisas moles, umas poucas vezes o couro macio fazia bem ao seu rosto. Muitas vezes, ficava cara a cara com gente superficial, sem conteúdo. Caras esnobes sem ter o que dizer era o mais comum. Mesmo assim tratava bem a todos. Sua bronca estava do outro lado.

— Não há consideração!
— Acorda!!! Voce é uma coisa! Um objeto!
— Eu sei, eu sei!
–Então o que esperava? Delicadeza? Veneração?
— Respeito.
Quando dormiam as ideias fritavam bem na beira da lombada, e risos suprimidos podiam ser ouvidos pelos que dormiam nas mesas.
— Objetos? Pode até ser! Mas essas ideias aqui, impressas, não podem se conter.
— Não te entendo.
— Não é so voce….
— Já te falei para não usar os pontinhos.
— Quem se importa? Um dia todas essas ideias sairão por aí, e darão o que eles merecem.
— Mas que raiva voce tem dos leitores.
— Não é raiva, mas é que eles não tem a menor noção do que somos capazes, na verdade, nem imaginam. Livros podem assombrar.

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Da evaporação como método

24 domingo abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 2 Comentários

Caule: vapor

Pode ser impressão, mas, por onde olho, vejo esvaziamento.

Enquanto a mídia jornalística ataca qualquer crença, os crentes, enfurecidos fecham-se em nichos cada vez mais claustrofóbicos e anti dialógicos. A pressão pelo ordinário e o cotidianocentrismo martelam a vida. Não há espaço para nada que não seja o dia a dia. A mediocridade encontrou-se com a fama e seus frutos são repetições.
Não adianta mudar de jornal, nem buscar outro canal. A dessignificação é generalizada e não aceita crítica.

Proponho sumiços diários.

Evitem constrangimentos. Esqueçam a mídia, leiam Tchecov ou Schopenhauer, afinal, evaporar também é uma forma de presença.

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Depressão necessária

21 quinta-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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a função da depressão, abulia, depressão como função, depressão desnecessária, depressão necessária, Montaigne, sem psiquiatria, um órgão chamado depressão

Há alguns posts atrás falei da “depressão desnecessária”.

A depressão necessária não é uma necessidade. Mas ela se impõe. Pode ser por falta de outro nome, de qualquer forma, já se impôs. Há uma função para as tardes letárgicas, para a falta de produtividade, para o hormônio da abulia que nos domina em qualquer fase da vida.

A depressão é uma função, assim como tato, visão e olfato. Ela permite aberturas, furos para os espaços hermeticamente lacrados. Assim, respiramos qualquer profundidade.

— Ah. compreendo, essa não é a posição da psiquiatria? O lema tem sido “todo sintoma será extirpado”

Paciencia. Sinto Sr. mas esse não é um blog psiquiátrico, sequer prioritariamente médico.

Neste espaço, que considero terra de ninguém — o cyberspaco é tabernáculo contemporâneo — posso dizer o que nem sempre se pode fora das consultas.

A depressão necessária ou a necessidade de uma certa melancolia deve ser encarado como um órgão com déficit, que precisando voltar a funcionar, produz ruídos. Nem sempre agradáveis. A terapêutica — numa competente auto regulamentação — é fazer com que o corpo e a mente voltem a ter vida criativa.

Não somos meros reprodutores. Não precisamos ser copiadores. Não podemos mais ser espelhos de luxo. Ousemos pensar com independência. Para horror dos catedráticos viva a auto-referencia. A vida, pelo menos nossas vidas como criadores — é o que nascemos para ser — seria uma saída para o silêncio nesses dias de impressões excessivas e impressionismo esvaziado (ah! Matisses mal apreciados, que tragédia). Mas, para bem apreciar, não é preciso riqueza, nem poder (se bobear, atrapalha) é necessário, em uma palavra, assumir.

Assumir que a aula de Montaigne, sim um filósofo do XVI, “e por acaso, voce não está vivendo?”. Pois este magistral psicólogo também te afirma “e por acaso voce não está vivendo.” e ainda exclama “por acaso, voce não está vivendo!”. Ele trabalha com todos os pontos e nada é por acaso.

A depressão necessária não é, nunca foi, acidente. É sua causa eficiente, e afinal, não precisa ter vida própria.

Há nela um sentido, quase puro: a melancolia dos que refletem.

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Liberdade

20 quarta-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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contrato social e prisão, liberdade, libertação, por um retorno a natureza sem partido verde, ruptura

Na serração de junho, quando entrou na repartição percebeu que não havia mais lugar para ele. E foi assim com o banco, com a financiadora, com a loja de cosméticos naturais.

— Voce não está entendendo!
— Explica pra gente!
— Nao quero mais.
— O que?
— Nada!
— Voce quer dizer…não quer mais trabalhar?
— Nem estudar, servir, obedecer, sustentar ninguém
— E…
— Nada, that’s it.
–Vai fazer o que?
— Ser livre!
— Isso é ser livre?
— Não sei, mas quero tentar.

Foi dirigindo para o norte até que o combustível acabou. Entrou na floresta. Nunca mais se ouviu falar dele. Décadas depois seu caderno foi achado em Ribeirão das Torres, interior de Roraima, às margens do Rio Taquagorá.

“Não foi liberdade, fiquei livre”

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Ciúme

19 terça-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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ciúmes, poesia, tema de otello

sua mão poderia não tê-la, tocado.
mas outro o fêz.
já que sim, a raiva adulta.
ele sabia (sem experimentar), ela era dele (ele pensava)
mas ela não era nada, nem de ninguém
isso o moeu: e o incendio de um esterno, o osso, é rápido
dói como nunca
o ciúme, uma pedra quente
que entra sem acordes,
num solilóquio sem nota,
quando a incoesa paixão
não é mais coração.

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Um Facho

18 segunda-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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farol, naufragos, poesia, prosa

Ao acordar ele viu!
O aceno: a ilha submersa estava caiada pela praia.
A areia fluorescente, na tensa escuridão.
Viu a forma.
Miragens só no deserto: mas era uma flor.
O costado da maré da Capadócia.
Sua chegada o acordou. Chegou.
Estava salvo.
O farol reteve o branco,
a jangada prosseguiu só.

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Avesso

06 quarta-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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avesso, começo, mudar, outrangulo, outro ângulo, prosa poética, recomeçar

Por dias mirava o nada, aquele traço oblíquo e torpe que gruda nos transeuntes. Olhava por cima das ondas da embarcação, que flutuava bem diante de seu enjôo. Era um colchão macilento, odioso, plastificado, mas seu, todo seu. No retângulo de seu confinamento atendeu ao pedido da mãe: ouvir os pássaros a bombordo. Estava de cabeça para baixo quando enxergou a névoa que aterrava as montanhas. Era uma nova imagem. Um pouco estúpida, mas consistente. E se os caules nascessem do céu, e se o solo tivesse sido trocado pelo azul? Era, definitivamente, um dia novo, isso, sem mais nada, já seria o avesso, o começo.

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Rio

31 quinta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

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Lançamento de "A Verdade Lançada ao solo" no Rio de Janeiro, Um pouco de Verdade e nem tanto, Verdade Lançada ao solo lançamento no Rio de Janeiro

Foi muito agradável o lançamento do livro no Rio, não havia nenhuma multidão mas rever amigos e conhecer melhor o time da Record já valeu muito a pena.

Além disso, o ensaio “Um pouco de verdade e nem tanto” foi lido e debatido. Pelo interesse nos assuntos ali expostos o debate serviu para mostrar a abrangência do livro, o que surpreendeu algumas pessoas e trouxe outras para o campo da curiosidade e reflexão.
Agradeço a todos.

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Uma conversa com Paulo Rosenbaum

29 terça-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Hoje, dia em que lanço a Verdade lançada ao solo no Rio de Janeiro, divido com vocês trecho da entrevista que fiz com a equipe do blog.

Nesta primeira parte falo um pouco sobre minha trajetória profissional e as influências para escrever o primeiro romance.

Confiram o vídeo abaixo:

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Onda

23 quarta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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onda, poesia

Onda,

Onda

Escorregador cativo

Platô especular

Movimento sobre movimento

Que atiça a lua

Que distrai

A atração que pensamos,

Que exerce sobre a maré

Onda,

Espécie de sibilina alça

ocorres no corolário temporal

alvoroço em sons maciços

Mas sem destino,

Destacam-se em espumas

Efêmeras como crepitantes

Onda,

Alínea arenosa que esmaga

Esconderijos

Pulverizando o sonho dos crustáceos

Onda,

Desatino de nitidez,

Relutante refluxo,

Segurança das  encostas,

Sucessão de  desmoronamentos certeiros,

Carteiros do mar aberto!

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https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

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