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Por dias mirava o nada, aquele traço oblíquo e torpe que gruda nos transeuntes. Olhava por cima das ondas da embarcação, que flutuava bem diante de seu enjôo. Era um colchão macilento, odioso, plastificado, mas seu, todo seu. No retângulo de seu confinamento atendeu ao pedido da mãe: ouvir os pássaros a bombordo. Estava de cabeça para baixo quando enxergou a névoa que aterrava as montanhas. Era uma nova imagem. Um pouco estúpida, mas consistente. E se os caules nascessem do céu, e se o solo tivesse sido trocado pelo azul? Era, definitivamente, um dia novo, isso, sem mais nada, já seria o avesso, o começo.