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Na serração de junho, quando entrou na repartição percebeu que não havia mais lugar para ele. E foi assim com o banco, com a financiadora, com a loja de cosméticos naturais.

— Voce não está entendendo!
— Explica pra gente!
— Nao quero mais.
— O que?
— Nada!
— Voce quer dizer…não quer mais trabalhar?
— Nem estudar, servir, obedecer, sustentar ninguém
— E…
— Nada, that’s it.
–Vai fazer o que?
— Ser livre!
— Isso é ser livre?
— Não sei, mas quero tentar.

Foi dirigindo para o norte até que o combustível acabou. Entrou na floresta. Nunca mais se ouviu falar dele. Décadas depois seu caderno foi achado em Ribeirão das Torres, interior de Roraima, às margens do Rio Taquagorá.

“Não foi liberdade, fiquei livre”