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Não há um só dia que ele não desfilasse e a estante não fazia mais juz ao perfil que ele desejava.

A noite, encabeçava a lista de discussões, e, sem querer esbarrava em outros companheiros. As vezes acomodava-se entre coisas moles, umas poucas vezes o couro macio fazia bem ao seu rosto. Muitas vezes, ficava cara a cara com gente superficial, sem conteúdo. Caras esnobes sem ter o que dizer era o mais comum. Mesmo assim tratava bem a todos. Sua bronca estava do outro lado.

— Não há consideração!
— Acorda!!! Voce é uma coisa! Um objeto!
— Eu sei, eu sei!
–Então o que esperava? Delicadeza? Veneração?
— Respeito.
Quando dormiam as ideias fritavam bem na beira da lombada, e risos suprimidos podiam ser ouvidos pelos que dormiam nas mesas.
— Objetos? Pode até ser! Mas essas ideias aqui, impressas, não podem se conter.
— Não te entendo.
— Não é so voce….
— Já te falei para não usar os pontinhos.
— Quem se importa? Um dia todas essas ideias sairão por aí, e darão o que eles merecem.
— Mas que raiva voce tem dos leitores.
— Não é raiva, mas é que eles não tem a menor noção do que somos capazes, na verdade, nem imaginam. Livros podem assombrar.