• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Homem pensa

13 sábado jul 2013

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Coisas da Política

O romancista e pensador Milan Kundera considera que é a escrita, e não a ciência ou a filosofia, particularmente o romance, a forma mais abrangente de assumir quão pouco sabemos sobre quase tudo. O velho provérbio judaico de que o O homem pensa e Deus ri nunca fez tanto sentido. Deus ri porque achamos que sabemos a verdade e ignoramos por completo seu caráter escorregadio, maroto, inapreensível.

Impossível avaliar tudo ao mesmo tempo, por isso a academia inventou aquele termo. Horrível, reducionista, limitado. O nome dessa maravilha se chama “recorte”. Ele permite e dá endosso científico para que o especialista se detenha num só objeto de estudo — em nome da pseudodivindade contemporânea chamada metodologia.

A próxima etapa é fazer-se uma espécie de reserva de mercado da área estudada. São os feudos, ultraespecíficos, fronteiras cercadas por gente disposta a combater invasões. Ai daquele que se atrever a falar do assunto sem consultar as bases. Em geral, bases autoproclamadas, autorreferentes e erguidas sob consenso. Os conselhos? Feito de curadores escolhidos a dedo. A matéria fica então simplificada aos nichos de especialistas, que se debruçam sobre o tema até metabolizarem o assunto de cabo a rabo.

Os ‘doutores’ desejam o esclarecimento ou amam as verdades porque se sentem ofendidos por não serem citados ou consultados

Ai,  em seguida, aparecem com seus papers,  que comprovam tudo o que disseram de cabeça. Soltam opiniões para a imprensa, que, em geral os acata e propaga acriticamente o que os doutores concluíram ou consultam contra especialistas que vão para a réplica. Muito provavelmente não porque desejam o esclarecimento ou amam as verdades claras e distintas, mas porque se sentiram ofendidos ao não serem citados ou consultados.  Como ousam?

Não é necessário erudição para sentir que não é por ai. Por outro lado, a realidade é evidente: vivemos —  numa expertocracia. 

Existimos numa época em que, ou não se julga para dar a aparência de que tudo serve ou se julga com critérios da tribo, do clube ou do time. Partidos estão perigosamente fora de moda. Vale dizer, vivemos com tantos critérios de julgamentos que na prática ficamos sem julgamentos válidos. Isso é péssimo. Só para citar o exemplos da hora: Snowden é herói? Traidor? Mistura dos dois? Temos déficit de leis, ou elas estão em descompasso com nossos tempos? Quantas vezes reformaremos a Constituição até que ela seja enxuta o suficiente para que os três poderes possam aplicá-la e não estudar maneiras de contorná-la?

Para termos alguma chance de buscar aproximações sucessivas até a verdade, precisamos achar os critérios que permitam saber ao menos onde está a verossimilhança.  O trabalho talvez não esteja em acelerar mas em parar. Parar tudo para reinventar a arte do diálogo. Onde foi que a perdemos? No Iluminismo? Durante a Revolução Francesa? Ou foi bem antes disso, quando começamos a acreditar que tínhamos mais respostas que perguntas?

Ninguém se refere a esta conversa fiada de ajeitar as coisas na base dos conselhos do marqueteiro “Empurre com a barriga”, “Torça pelo status quo” até que a onda passe. Não é esta a forma de conduzir as coisas onde tudo é para ontem, onde não há planejamento e o plano vira obra urgente? A caça aos votos virou instrumento antirrepublicano. Afogadilho já é nome pouco estético, pois insinua pressão, feito nas coxas, precipitação que vai acabar rimando com embromação.

Não adianta culpar a mídia, a burguesia, a direita, o bode

A boa notícia é que os especialistas podem estar entrando em decadência. Boa noticia, porque se os especialistas são mesmo necessários — da medicina à engenharia —, jamais poderiam ter prioridade sobre os generalistas, os que se especializaram no contexto e não nos detalhes.  Aqueles que enxergam o horizonte e conseguem compartilhá-lo com quem não chegou cedo e não encontrou um bom lugar. Basta de furadas. Não adianta culpar a mídia, a burguesia, a direita, o bode. A tecnologia não é culpada de nada, mas da forma como a usamos não será impensável que o futuro a acuse como coautora dos próximos crimes.

Assim como conhecemos uma época onde o conhecimento está fragmentado e cego à sua missão, temos algo a mais para aprender com a arte. Um saber viável para os nossos tempos pode ser a revolta contra o previsível. Imaginem só assumir que o pensamento não é tudo e que chegou a hora de compartilhar o bom humor de Deus.

Jornal do Brasil – Coisas da Política

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Pós Paradoxos 1

12 sexta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Jornalistas__AL Snowden aceitou oferta de asilo venezuelana, diz deputado russo

Informação ainda não foi confirmada por autoridades russas e venezuelanas
09 de julho de 2013 | 11h 36

 ‘Governos reinventam perseguição’, diz SIP

Encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa foi concluído com documento aprovado pelos representantes empresariais de 21 países

Relação de países que ofereceram asilo para Snowden:

Equador

Bolívia

Venezuela

Nicarágua

Leia mais: Estadão

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Nota

Dignidade da Escuta

09 terça-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Estudante de medicina terá de atuar no SUS; entidades criticam

Cursos terão 8 anos de duração; representantes da classe veem proposta como ‘paliativa e demagógica
Curso de medicina passará de 6 para 8 anos de duração a partir de 2015. As manifestações que esbofetearam analistas, estrategistas e marqueteiros ainda tentam conservar um pouco da aura romântica e da naturalidade. Destarte fica nítido que lhes falta a força de uma direção, de uma canalização mais eficiente.
 
 
Como tudo, sabe-se que o lirismo perdido daria lugar a maior eficiência. Melhor manter a fantasia. Afoito, desmedido, inoportuno e seletivo o governo tenta reagir ao clamor difuso com soluços. Mas ninguém contorna inação, má gestão e desejo de hegemonia com medidas frenéticas e reducionistas.Além de um timing duvidoso e das assincronias o que falta ao poder é imaginação. A criatividade é que repercute nas expectativas das pessoas. A falta dele nos exaure.

Sem perspectivas, ainda estamos a mercê de acordos feitos nas cúpulas. No lugar da verdadeira escuta os diálogos privilegiam os movimentos organizados e sindicatos e partidos. Falta o principal: aquelas pessoas comuns, resgatadas da pobreza, recolocadas no cardápio social, e que agora desejam algo além do paternalismo subserviente de Estado. O desejo de consumo é um item em escassez no mercado : a dignidade da escuta.

Uma vez que ela foi esnobada, esperava-se um enfoque suprapartidário e transgovernamental. Também não aconteceu. O partido não permitiu. Pactos se costuram sob interesses, o que só faz aumentar o combustível para os desvios. E o mal estar não se cala quando se sente manipulação, ele fica sob descontrole.

Passar cursos de medicina para 8 anos ao invés dos 6 atuais é um espelho perfeito da cadeia de equívocos. O motivo alegado agora não é mais aquele original, ou seja, a de que não seria para suprir a falta de médicos mas de impedir ou desestimular a especializaçao precoce. Ora, a especialização precoce tem causas com raízes mais infiltradas que não se resolvem com as canetas alienadas dos gabinetes de Ministros.

Essas mudanças erráticas e a sistemática repetição de improvisos além de não inspirarem seriedade desnudam a falta de planejamento de longo prazo e mostram o desespero para alavancar candidatos a qualquer preço.

Mudar a mentalidade de formação precoce de especialistas é estimular a medicina preventiva e melhorar as condições de trabalho dos clínicos gerais. Como justificar isso quando se construiu por aqui o mito de que mais saúde significa mais hospitais, medicamentos subsidiados, disponibilidade de exames e procedimentos de alta complexidade além de clínicas especializadas com pesada hotelaria?

Mudanças deste porte demandam tempo e acordos. Portanto dependem antes de mudanças profundas e estruturais nos currículo das escolas de medicina e talvez até de uma mudança na mentalidade. Refiro-me à educação em saúde da própria população.

Maior enfoque à atenção primaria e um atendimento menos hospitalocentrico seriam prioridades.

O estimulo a formação de cuidadores não médicos, implantar a Politica Nacional de Praticas Complementares — já aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde — e enfrentar os grandes interesses econômicos que comandam a saúde suplementar no Brasil seriam medidas relevantes.

Leia mais: Estadão

 
 

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Um ônibus chamado realidade

04 quinta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, artigo, assessoria, ônibus, democracia, editora, livros, medico, minorias, política, São Paulo

Há demanda generalizada por soluções adiadas. E há pressa.  Agora, não nunca. Já, e não em breve. Ainda que as mazelas não lhe sejam inatas é mais do que justo que se cobre de quem está no poder há quase 10 anos. O poder sempre ficou tentado a repetir o establishment. Aquele que originalmente deveria ser deposto. E por que tanto espanto? Sim senhora, é o ônus do mando. Bases fisiológicas derretem sem organicidade. Aliados se dispersam na crise, mas muito estranhamente, lá dentro, no quente núcleo duro do poder, a dissidência é pontual. O que será que será? Restringe-se à mudança de nome caso a candidatura seja eleitoralmente inviável? Que tipo de governo teremos caso ele volte? Cada agremiação tem seus defeitos. Fica escancarado que o principal defeito do petismo institucionalizado é o culto à personalidade e a convicta aversão à autocrítica. Compreensível. Agem como torcedores roxos, para quem o time nunca erra e assumir a sucessão de enganos parece uma afronta insuportável.

Mas para entender temos que vasculhar as origens. Expectativas infladas, sempre maiores do que as perspectivas. E ainda por cima havia essa coisa horrível, conspiratória, sempre à espreita. Ela de fato não deu um minuto de paz. Se ao menos pudesse ser enquadrada. Uma mordaça como tantas já usadas teria dado um jeito na malvada. Um pau bem dado faria a coisa cair na real. Mas a bichana era esquiva. Chama-se realidade e mora em toda parte. É ela que costuma colocar tudo a perder. Jamais existiu um marco zero. Não houve o “nunca antes na história”. No âmbito sociológico não existe ex-nihilo, não se inventa um País, não se emula uma cultura nem se forja uma tradição. Construímos, modificamos e modelamos de acordo com a criatividade e com a consciência do sujeito. E só depois se pode fazer com todos e para todos, coletivamente.

Que tal na consulta no referendo de 2014 (ninguém aceita plebiscitos instantâneos) fazer as perguntas que estão para bem além do financiamento das campanhas. Aquelas que encostam no nervo desprotegido do corpo político: qual o teto para o uso dos recursos do marketing e propaganda? Antes disso. Não são tecnologias desenvolvidas para vendas? Não são instrumentos que visam intensificar o consumo? Vender bem o peixe? E o que faz o marketing no meio da política? Como pode ser que essa gente tenha se transformado nos fiéis da balança numa República Federativa? É a alma do negócio? Se é isso vamos assumir que políticos são como tudo hoje em dia: produtos numa sociedade de consumo. Que se criem regras de SAC e que haja um repartição para devolução dos fajutos. E por último alguém de plantão responda alto, por que é que o voto ainda é obrigatório?

Leia mais: Estadão

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Oposição substituta

04 quinta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, artigo, aspirações impossíveis, assessoria, centralismo partidário, confiança, democracia, Dilma, Eleições 2012, hegemonia e monopólio do poder, plebiscito, voto distrital

No pronunciamento todos botavam fé. Nunca as palavras foram tão importantes. Como dizia um muro de Paris em 1968 : chega de atos, queremos palavras. É isso. Até os muros falam quando há vida nas ruas. Isso significa que havia uma chance de reconciliação. O poder poderia se reinventar e, a depender do encaixe e do discurso, esclarecer todos, a maioria, ou uns poucos. As 21hs, fala sério, era para restabelecer o diálogo – não cooptar com concessões de linhas de crédito, propor reformas oportunistas, ou medidas de escopo e alcance paliativos. Aí mora o ilegítimo. Falou o que lhe mandaram. E quem manda? Quem assopra a brasa lá dentro? Quem sabota os esforços para aprender a pilotar durante o voo em apuros? Ou alguém duvidava do despreparo político? Há enorme lastro de dúvidas, mas é certo que as ondas embarcam de outra maré. Estão lá dentro, de molho, na agua estagnada.

O ministros já fizeram sua lista de acusados, só faltou o veredito. Apedrejaram a oposição, a burguesia, jornalistas, a fração belga da Belindia, os sem representação, uma minoria. E o que seria da democracia sem a voz das minorias? Daí ousaram pular para imputações menores, num varejo pueril e que reforça o diagnóstico do clima da capital: cinismo institucional pleno. O poder é, neste momento, a reação em seu pior momento. Aquele instante, quando se está saindo das cordas, e como barata tonta distribui ganchos no ar.

Leia mais: Estadão

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Vozes e Mordaças

04 quinta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A revolução científica e a era digital trouxeram benefícios que todos conhecemos e usufruímos (até para os ranzinzas que, no breu, consultam as últimas na rede), entre os quais a libertação da informação que a internet proporcionou ao mundo. Ao mesmo tempo, os efeitos colaterais. Quem é traidor da pátria pode estar sendo útil à liberdade das pessoas, e quem governa precisa assegurar que os critérios de liberdade não serão traídos pela necessidade de controle da sociedade. O equilíbrio nunca foi tão complexo, a ambiguidade nunca esteve tão presente. O número de calúnias e a velocidade de boatos maledicentes ficou sem qualquer chance de controle institucional. Reze alto para não ser alvo. Se você, leitor, já sofreu com o maior maquinário de assédio moral inventado, sabe que o máximo ao seu alcance é redução de dano. As máculas virtuais serão perpétuas pelo menos enquanto houver energia elétrica, antenas e radares.

Ai está o papel da imprensa. Oferecer à opinião pública elementos para formar uma consciência crítica. Por isso jornalismo é serviço público essencial. Uma imprensa sem independência — liberta dos governos e do domínio econômico — é como um teste medicamentoso conduzido e validado pela indústria farmacêutica. Não têm muito mérito, vale dizer, quase nenhum. Conflito de interesses em curso anulam a essencial neutralidade que a análise requer.
“É papel da imprensa oferecer à opinião pública elementos para formar uma consciência crítica”

O vácuo de poder no qual caímos abriu espaço para bravatas daqueles que foram ultrapassados pelo tempo mas não ainda em popularidade. Como assim? Isso se explica pelo fenômeno estudado pela física de que existe um delta tempo até que a massa se adeque à mudança da energia, sempre mais célere e disposta a ir para frente e buscar o novo.

Ah, sim, existem os chamuscados. Conforme o clássico filme “Z” do diretor Costa Gravas, usam o resíduo de poder e caem na tentação — sempre estrondoso equívoco — de fomentar o conflito entre as massas para assegurar sobrevida da reinação. Mas essa nossa velha conhecida, a história, já tentou ensinar que o poder não tem a propriedade de autofomento, pelo menos não para sempre. Cai de velho, teimoso, ou porque já nem existia.

Se há mesmo uma imprensa golpista e tendenciosa, ela está do lado de quem quer se agarrar aos benefícios da hegemonia. Interesses e ambiguidades sempre existirão. Admissível a existência de uma imprensa mais criteriosa e menos criteriosa. Por isso mesmo, também temos visto as ruas com gente de todo tipo: do beócio vândalo com os molotovs nas mãos ao professor que exige receber um retorno digno pelo trabalho essencial que desenvolve. É que quando some a representação precisamos agir para reconquistá-la. Trata-se de questão de vida ou morte, literalmente.

Seria muito mais fácil se estivéssemos num Estado contando com três poderes autonômicos, com plena clareza nos critérios de mérito e competência. Mas isso tornou-se raridade não só por aqui. É poesia numa terra autocrática, onde os autoprivilégios que os políticos se concedem encobrem os benefícios, que às vezes, quase eventualmente, eles nos proporcionam.

Podem-se caçar as vozes, mas por um capricho dos céus há mais bocas que mordaças!

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/07/04/vozes-e-mordacas/

Tags: estado, internet, pátria, poderes, traidor

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Pacto e Jogo Vital

27 quinta-feira jun 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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democracia, hegemonia e monopólio do poder, jogo vital, justiça, manipulação, mensalão, movimento ônibus, pacto politico, pobre nova classe media, significado de justiça, voto distrital

Pacto: do latim pactum, origem; pascisci, particípio passado de pactus, concordar

Um pacto não é uma ordem. Um pacto não nasce de um desejo voluntarioso. Um pacto não pode ser firmado com condições, pressões ou sob armistícios frouxos. Um pacto também nunca é ditado ou decretado. Um pacto não é legitimo, a menos que esteja na plataforma dos consensos. Pactos não são conchavos.  Um pacto é o oposto de um acordo entre lobistas, a antítese de uma união em detrimento do bem público. O pacto rejeita o oportunismo Um pacto não é poesia (ainda que a partir dele algum verso possa acontecer).

Pactos são destinos compartilhados. Políticas de legitimação. O pacto favorece a atitude republicana e coloca na defensiva quem rejeita o entendimento. O pacto é um tratado que tira a prerrogativa do partidarismo. Pactos promovem acordos intersubjetivos. Ressonâncias acordadas. Pacto são diálogos que fluem na tentativa de compreender a interlocução. Pactos têm poder autêntico: combatem miséria, fome e opressão. Pacto é um arranjo, não é uma negociata. Pacto é consentimento, não acomodação. Pacto exige a presença de muitos. Pacto é um conluio entre vozes, conciliação. Pacto é cachimbo de paz.

Pactos têm poder autêntico: combatem miséria, fome e opressão

Quando ouvimos que era chegada a hora do pronunciamento, havia uma expectativa e uma tensão que poucas vezes se viu no país. Havia alguém no comando? Quem estava governando? Hiatos assim jogam contra a República.  Todos aguardaram, queriam sentir e, se possível, experimentar qual era a mensagem. A maioria bufou um “ahh!!”. O gol perdido, uma chance desperdiçada, ou uma grande esperança que nunca se concretiza. Sim, o povo é crédulo. Sim, as pessoas têm as melhores intenções de envolver-se nos pactos, mas não acatá-los sem compreendê-los. Sim, todos reconhecem que, gostemos ou não, há um jogo que foi jogado, e as regras devem valer até que se criem novas regras, ou o fim do tempo regulamentar.

Pobre nova classe média, sem poder carimbá-la e com medo de perdê-la eleitoralmente, políticos e intelectuais se inquietam no afã de tachá-la com precisão. É difícil etiquetar o novo. E talvez eles estejam certos em silenciar mais uma vez. E se a nova classe busca, através da intuição, um caminho que ninguém percorreu? E se não for direita nem esquerda, para desespero dos maniqueístas da taxionomia?

Há um jogo sendo jogado, e as pessoas não querem mais participar como  expectadoras, figurantes ou como equipe dos bastidores. Acabou-se o tempo em que se contemplava o rio sem querer provar da correnteza. A batalha é clara: que sejamos aceitos como protagonistas. Os principais, se não falha a memória. A quem mais o Estado deve obedecer?

Mas é claro que se compreende por que tanto empenho.  Não se trata de simples campeonato ou Copa do Mundo; trata-se do jogo vital. O presente e o futuro de todos depende do desenrolar deste jogo vital. E ninguém mais aguenta ver árbitros oniscientes nem jogadores passivos. Só podemos ser otimistas — e acreditar no grande teste para avaliar o estado de nossa democracia — se mantivermos o clima de paz. Quem não quer viver sem violência? Sem a miséria degradante das crianças? Sem a estupidez em vigor? Quem não declararia amor a uma cidade sem guerras civis abafadas pelas distorções da estatística? Quem não deseja que o vizinho não sofra as mazelas que sofremos? Quem não se sentiria melhor com florestas, índios e habitats protegidos e seguros? Quem não se inclinaria diante de um político ou estadista que abandonasse os privilégios e, como qualquer um de nós, cumprisse os deveres do cargo?

Quem não se inclinaria diante de um político que abandonasse os privilégios e, como qualquer um de nós, cumprisse os deveres do cargo?

A chacoalhada foi geral. Não abalou só a classe política. O tremor intencional fez acordar a esperança de que não precisamos ser anônimos, sujeitos ocultos, ou zumbis que aceitam qualquer coisa.

Houve uma mudança de degrau. A mudança que se impõe não é por mais, agora é por melhor, mais digno, mais justo.

E os efeitos colaterais? Não há substância, em matéria médica ou sociológica, que não os apresente. Pois a transformação é também contra a tirania velada do tal “formador de opinião”. O autoritário, cantor, astro ou famoso que indica seu sucessor pode estar entrando em decadência.

A autoeducação amplia muito a visão. Enfim, se enxerga com muito mais clareza a inconsistência quando somos mal dirigidos ou governados, e como é possível inverter os ritmos que antes pareciam ser nosso único destino.

Veja a matéria no Jornal do Brasil

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Saciedade e Fraternidade.

25 terça-feira jun 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Seria possível coletar muita informação dos cartazes, faixas e slogans destes últimos dez dias. Poderíamos até fundi-las com as de maio de 1968. Mas pergunto se será possível ao Estado atender tantos pedidos simultâneos? Se não fizemos em 500 anos, vão providenciar para a semana? Não seria, talvez, exigir demais? Não que o Estado tenha se comportado bem com o cidadão, pelo contrário. O Bullying de Estado comprova o quanto o Poder contemporâneo massacra seus súditos.

Há algum tempo o filósofo Edgard Morin indagou se na luta por transformações não nos faltaria um terceiro elemento? Aquele que complementa liberdade e igualdade, para além da liberdade e da igualdade. Um elo vital que caracterizaria uma outra perspectiva existencial. Segundo ele, nem antes nem depois nem nunca foi colocado em pauta!

Os grupos que foram às ruas pelo País saíram inicialmente com pauta única, mono específica: redução dos valores das passagens. Avaliando o eco que o MPL conquistou, ampliou as ordens (não importa que o MPL não tenha autorizado a participação de outras pautas, a sociedade é, para usar o jargão, horizontal e autonômica, portanto, todos devem ter o mesmo direito de reivindicar) desta vez muito mais abrangentes e abstratas. Os sonhos foram colocados nas demandas. Aspirações românticas. Desejos breves. Necessidades imediatas. Coisas inadiáveis. Tudo para ontem, para já, numa pauta insaciável.

O que se pede é muito mais que troca de regime. A demanda foi quase que comandada por uma inusitada rede de significados. É como se o consumo e a energia motriz acumulada por tantos anos de paralisia, sedentarismo e vida virtual tivessem jorrado para fora das cabeças e dos corpos ao mesmo tempo. Agora, passado o espasmo, já é outra coisa. Racionalizada e analisada a coisa toda não só perde um pouco de graça, esvazia-se o sentido. O charme da bagunça e da rebelião era exatamente guiar-se pela intuição, imaturidade, matizado por certa irracionalidade e leveza. Anarquismo ameno, bem humorado, que não podia ser reduzido a um gesto político muito menos ser interpretado à luz das ciências sociais. A concretude aspirada – diminuir as mazelas reais – era menos importante do que só se expressar. Testemunhe você mesmo, muitos nem imaginam o que é PEC 37 ou Ato Médico.

Leia mais no site do Estadão.

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Novo Post em “Conto de Notícia”- Blog Estadão

20 quinta-feira jun 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Movimento deixará população mais vigilante

As faces do movimento nas ruas: Punks, tribos sem vínculos políticos, viciados, trabalhadores e moradores de rua foram personagens dos protestos

O maior inimigo desta vitória não foi ainda identificado. Ele anda no esconderijo sutil, lá, onde sabe que é impossível ser defenestrado. Ficou a espreita por uma geração e meia. Ele não só se articulou para trazer a passividade excessiva, como, impedir que qualquer descobrisse qual sua missão central. Preferiu ficar imerso no na sombra, o lado escuro de todo acerto. Torcia quieto, não queria que nada atrapalhasse a hibernação coletiva.

A cara deste monstro inominável bem que poderia ser encontrada naqueles gibis velhos. Deveríamos procurá-lo nos antigos romances. Em meio aos personagens estereotipais. Alguns admitem terem sentido sua presença em becos sem um pingo de esperança. Ele esteve nas piores guerras, nos massacres sucessivos. Dizem que ele vigia e estimula as ofensas que cometemos uns contra os outros. Viveu em toda opressão que exercemos sobre aqueles que não podem se defender. Sua última aparição pública precedeu a devastação e depois comandou as sessões de tortura contra a natureza.

Essa aberração nunca esteve longe. Sempre aqui, bem ao lado. Low profile, foi criado em cada casa. Alimentado em cada escola. Mantido em todos os postos de trabalho, em qualquer reunião, nos passeios, nos mercados e na via pública.

O silêncio. Exato, é dele que falamos. Ádito, omissão, interdição do diálogo, apuridar-se.

Há terapêutica? Mas é claro, diálogo, seu nome é diálogo! Também conhecido por interlocução, conversação, debate, parouvelar, cavaquear, discretear.

Mas soube-se que o medicamento, apesar de ser instrumento imprescindível para a democracia, passou gerações inteiras sem ser treinado ou ensinado. Por aqui ninguém compreendeu sua importância. Sua força permanece ignota. Cult para as ciências humanas, só foi isolado para estudo em profundidade uma vez em maio de 1968. Enigmático, ninguém das ciências naturais ousou mensura-lo em joules até que ele escapou de uma prisão de segurança máxima.

As vozes que agora se ouvem não querem só gritar. Preferem audiência atenta, intensa, prolífica. Não podem mesmo ficar impassíveis quando sentem a farsa. E quem atua no poder não pode fingir. Não pode atuar para fazer parecer que não é com ela. Quem governa não pode dissimular. Ignorar quem fala é como cultivar o abandono. Ainda que não saibam perfeitamente disso, a multidão exige mais ser escutada, que obter respostas práticas pelas quais ela luta. Não há culpa e sequer culpados isoladamente. Precisamos consentir: o mal já estava sendo feito há muito. Feito e consumado. Eu mesmo demorei para perceber que não era só o caso de consumidores enfurecidos. Era isso também, mas era mais.

Leia a matéria na íntegra

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Ousadia para ouvir

20 quinta-feira jun 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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açao penal 470, anomia, centralismo partidário, impunidade, justiça, mensalão, ousadia para ouvir, por um retorno a natureza sem partido verde, tribalismo, tribunais revolucionários, utopia, violencia

Enquanto a inflação volta e a crise econômica se instala, o mercado de opiniões opera em franca oscilação. O que se condena hoje exalta-se amanhã, e vice-versa. Os analistas se desencontram. A coerência e a verdade vão ao sacrifício. Uma coisa parece estável: a tentativa de encontrar culpados pela crise. Ela transitou entre governo federal, globo, políticos de Brasília, gastos da Copa, insegurança e omissão do Estado em assuntos vitais. Ninguém tem razão sozinho. Não se pode ter a tentação de achar que tudo é problema oriundo da inoperância petista. E quanto a essa oposição que engoliu tanto sapo e só agora soluça? Tímida, amedrontada e estudando os benefícios da desorganização. Não tão rápido nem tão simples. E os votos desta moçada? Onde foram despejados? Há poucos meses, sufragaram esses mesmos que agora são contestados.

O problema é que o poder e os poderosos chamaram para si e magnetizaram a ira quando tripudiaram com postes eleitos sem luz própria, com medidas duras de autoacobertamento, e, principalmente, pela arrogância escancarada à luz do dia. Só há uma saída: cultivar a ousadia de ouvir. As ironias e o sarcasmo como que foram se liberando, e não passaram despercebidos pelos homens e mulheres comuns que agora marcham.

Sabe quem pode ter decifrado fração importante destes nós? Sob o incômodo exercício da função de máxima autoridade judiciária da República,  Joaquim Barbosa afirmou que os partidos no Brasil eram “de mentirinha”. Talvez pudesse não ter dito isso sendo quem é, e representando o que representa. Mas julguem por vocês mesmos mediante observação das ruas. Aquela verdade inconveniente não continha mais que mero fundinho de razão? Muita gente — a maioria que assistiu ao desenrolar das discussões no STF — gritava “sem partido, sem partido”. É inegavelmente um novo fenômeno social, que vai gerar implicações políticas adiante.

E agora? Espera-se civilidade e respeito, sem dúvida. Mas por que temos a sensação de que o poder público está se omitindo? Medo das massas? Aflição pela sangria de votos já em curso? Para garantir a integridade dos manifestantes e das cidades estamos testemunhando um colapso paralelo. O estado de direito ainda deve ou não prevalecer numa democracia? Cidadãos podem aplaudir, mas não querem ser acuados pela liberdade dos outros. É para esperar os tribunais revolucionários? Para quando? Vai ter fórum privilegiado para quem apoiou?

Pode-se perguntar como fica o direito dos que não se manifestaram?   Vinte e dois hospitais nos arredores da Paulista não têm podido funcionar adequadamente e em outras capitais mais gente ficou sitiada. Alguém contabilizou? Alguém sabe o que isso significa para as famílias com parentes internados? Estão se lixando? Um detalhe? Ah, isso é coisa de burguês? Mas o risco de se aglutinar é esse mesmo. Perder a individualidade, abandonar-se à transcendência horizontal, e, com isso, esquecer do motivo que, em última análise, nos impeliu às ruas: opor-se ao massacre do sujeito.

Deveríamos sempre lembrar que, em qualquer causa justa, renunciar à delicadeza é o princípio do fim.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/06/20/ousadia-para-ouvir/

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