• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Suspeitos por Pensar

15 quinta-feira ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

O escritor Ray Bradbury sofisticou as predições de George Orwell. Em 1953 já havia previsto tudo aquilo que testemunhamos em nossos dias, quando publicou Fahrenheit 451 — o título é uma alusão à temperatura sob a qual os livros queimam. Mais uma vez, foi a imaginação dos escritores que antecipou a ciência e os problemas da vida prática. Questões fundamentais como o controle dos cidadãos, a gula fiscal e o sistema que protege os políticos da vigilância que costumam montar para espionar a sociedade, já estavam na cabeça dos romancistas.

É possível que os sujeitos sejam realmente emancipados da sociedade em que vivem e ao mesmo tempo permaneçam como atores nas comunidades? Em outras palavras, como adquirir autonomia em meio a um ambiente que menospreza a independência e a autodeterminação individual?

O Estado, ao se preocupar com a totalidade abstrata, doravante nomeada “população”, e desprezar os sujeitos únicos que compõem a sociedade não só negligencia como — em nome da ordem e da segurança —  oprime com sua força de  Leviatã urbano. O Estado onipresente hipertrofia a fiscalização em troca de segurança.

Se a privacidade ainda sobrevive por aí, ela passou a ter uma dose de ilegalidade e adquiriu aura imoral. A vida pública é a do cidadão, e a mais recôndita e protegida é a da autoridade que fiscaliza. Curiosamente, na República dos fiscais os mais controláveis são os mais inofensivos. O cidadão comum é o único alvo fácil. A delação e sabotagem viraram moedas políticas potentes, armas que podem virar o jogo ao revirar a cabeça dos cidadãos em meio à guerra de versões.

Nenhuma destas mazelas é regional, a realidade dos abusos é mundial.

Sim, temos sido a civilização do sossego, da acomodação, das ondas passageiras. E não é só o brasileiro que não tem memória, a amnésia corre solta pelo mundo. A política demanda uma reforma que não poderia se limitar aos remendos. A expressão mais apropriada para o que seria conveniente seria ressignificação da vida política. Uma nova ordem que trouxesse a representação ao alcance do arrependimento, de repensar um voto dado, de voltar a ter poder de fato para obstruir quem não faz jus ao cargo.

É que as pessoas, assim como Montesquieu, têm aversão natural a qualquer despotismo. Essa mistura de medo e desconfiança que temos das lideranças deve ser herança dos ancestrais. E se líderes tiverem mesmo que existir, se o Estado e o conceito de nação ainda forem imprescindíveis, será tanto mais saudável para todos quanto mais temporário e reversível for.

A conciliação entre a solidão criadora e o exercício de uma vida social ativa nunca foi fácil, ainda que a maioria despreze a solidão e sem vacilar escolha uma vida gregária embora pouco original. O que será de nós quando todos os livros editados se limitarem aos que mais vendem?

Nada contra best-sellers, mas avaliando as listas parece que no futuro teremos só títulos inofensivos,  obras que não nos perturbam, manuais de ataraxia e compêndios de resignação. Nos poderosos guias de acomodação, todos poderão ler slogans, os mesmos que ilustram os livros de autoajuda e os dramas sem literatura das novelas. Não será mais preciso queimar livros, eles nem chegarão a ser editados, censura na fonte.

A Suíça de nossos dias estimula os cidadãos a denunciarem uns aos outros quando um lixo não é devidamente embalado. O Estado então faz a intermediação entre as pessoas, jugula o diálogo usando seu poder e a repressão para fazer valer as regras de convívio. Não é fortuito que na sociedade norte-americana, uma das mais judicializadas do mundo, boa parte das contendas e disputas sejam entre vizinhos e gente próxima. A morte do  diálogo exige sua substituição por ações penais.

Na ex-URSS filhos poderiam, com promessas de bônus dados pelo PC, denunciar os pais por atividades antissoviéticas como, por exemplo, posse de livros “subversivos”. Um Arquipélago Gulag ou um bom romance burguês ocidental bastariam para se abrir um processo e, quem sabe, gozar uma temporada na Sibéria. Ironicamente, a nossa ditadura também procurava cidadãos pela posse dos livros considerados subversivos. Sinais invertidos: por aqui o crime era possuir “O capital” ou filósofos perigosos. Foi assim que bibliotecas inteiras com títulos considerados revolucionários ou de autores suspeitos de pensar sumiram sob o leito do rio Tietê.

Só mesmo peixes alfabetizados e falantes podem recriar nossas esperanças.

Coisas da Política – Jornal do Brasil

 

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Diretrizes em esparadrapos

11 domingo ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

ABEM, atenção primária, conto de notícia, diretrizes em esparadrapos, hegemonia e monopólio do poder, hospitalocentrico, investimento em saúde, Ministro da Saúde, Programa de Saúde da Família, Unidade Básica de Saúde

medicosVFjpg
A saúde pública no Brasil é precária e os contrastes mais evidentes estão nos grandes centros urbanos. Hospitais que disponibilizam procedimentos de alta complexidade se associam a UBS (unidades básicas de saúde) com atendimentos que oscilam em performance, regularidade e infraestrutura. Em um posto de saúde, falta material de sutura, menos de dez quadras atrás um hospital privado com equipamentos de última geração. O sofisticado convive com o precário e o supérfluo muitas vezes ocupa o lugar do básico.

Para além da desigualdade social do País, convenhamos que a situação acima descrita não é de hoje nem se trata de erro de planejamento recente. Há muito tempo relegou-se o atendimento primário e ambulatorial e deu-se preferência e prioridade aos planejamentos que davam visibilidade a uma saúde publica centrada nos atendimentos secundários e de cunho hospitalocêntrico. Era mais do que imperícia de planejamento, tratava-se de uma estratégia de marketing que traria mais dividendos políticos. A lógica de que a carência no setor era de especialistas invadiu até os tradicionais critérios ambulatoriais, por excelência redutos da atenção primária, e alguém teve a ideia de ofertar clínica de especialidades nestes mesmos locais.

Apesar de precária, a rede publica de saúde apresentou avanços nos últimos 20 anos. A expansão da oferta de medicamentos subsidiados, o aumento da capacidade de atendimento e um incremento na infraestrutura se fizeram sentir. O PSF, programa de saúde da família foi, dentre todos os programas, um dos mais bem sucedidos porque associou o conceito de saúde comunitária descentralizado com os critérios de atenção primária. Em termos de investimentos em saúde medicina até 2000 o Brasil investia U$ 107/ano e hoje atingimos U$466/ano contra uma média mundial de U$ 571/ano. Ouvimos sempre que este é o possível para se oferecer para a população. Porém quem se dá ao trabalho de debruçar sobre as planilhas, nota que o contexto todo cria um contraste desfavorável. Estamos muito aquém do possível.

Ver mais:

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

O mal e os dez réis de mel coado

08 quinta-feira ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

Eichmann, Hannah Arendt, justiça, nazismo, O Mal e os dez réis de mel coado, significado de justiça, Von Trotta

Se quisermos seguir uma linha de raciocínio persecutória, o filme “Hanna Arendt” de Margarethe Von Trotta confere fôlego extra e talvez aporte simpático involuntário para alimentar as teses revisionistas que despontam neste fim da pós-modernidade. Revisionismo que vai para bem além da contestação da numerologia dos mortos.

Von Trotta resolveu emprestar toda voz a um só lado da história, e ainda lhe ofereceu as palavras finais. Quase ao término a diretora deu enorme destaque ao discurso que a filósofa faz na universidade onde lecionava. Era o libelo de autodefesa contra os ataques que sofreu pelos EUA após a publicação dos artigos. Na cena ela é aplaudida efusivamente pela plateia de acadêmicos entorpecidos pelo seu brilhantismo intelectual. Proficiência insuficiente para sustentar as insinuações de que as vítimas desenvolveram cumplicidade com os carrascos.

Ora, sabe-se por depoimentos de sobreviventes como operavam as brigadas alemãs. Comandos da SS jugulavam de cara qualquer reação e promoviam o esvaziamento prévio de toda e qualquer autoridade. O totalitarismo nunca vem de supetão, ele se implementa em fogo lento e faz meticulosos testes empíricos para avaliar até onde a sociedade emudece. A dose do remédio foi gradualmente aplicado na própria Alemanha, primeiro com a promulgação das leis raciais de Nuremberg, depois com a declaração de ilegalidade, extinção e subsequentes assassinatos de todos os líderes políticos que não se curvassem à hegemonia do partido nazista.

Essa rotina foi quase redundante nos depoimentos daqueles que sobreviveram, conforme nos relata em detalhes o historiador Jacob Robinson. Além disso, o filme não faz uma única menção às centenas de episódios de resistência judaica — que resultou em levantes como a do Gueto de Varsóvia. Isso significa que uma das estratégias da arquitetura de domínio do nacional socialismo alemão era impor precisamente a acefalia.

Heidegger, considerado o maior filósofo do século 20, confessou ter enterrado seus escritos nazistas na Floresta Negra
Na cena em que a filósofa faz uma aula magna com a exposição de suas teorias, a diretora bem que tentou minimizar a defesa partisã enxertando contestações dos supostos detratores, ex-amigos de Arendt, que estavam presentes na plateia para testemunhar suas considerações. Um destes amigos, o intelectualmente mais consistente deles, era o sujeito que já havia sido previamente desqualificado lá pelo meio do filme. O marido de Arendt confidencia a ela que as críticas deste amigo eram “movidas pelo ciúme” e por ser a “pupila preferida” do famoso professor. Referia-se ao caso amoroso que sua cônjuge teve com Martin Heidegger, além de sua aluna predileta em Freiburg. Heidegger ocupou a reitoria da universidade e se filiou ao partido de Hitler. Numa retratação discreta, aquele que é por muitos considerado o maior filósofo do século 20 confessou ter enterrado seus escritos nazistas na Floresta Negra.

Seria Eichmann apenas um funcionário cioso com seus deveres hierárquicos, o parafuso inerme na azeitada engrenagem nazi? O que permanece indiscernível é o papel que coube a cada cidadão quando o país inteiro aclamava o mal. Neste caso, terá mesmo o mal um caráter tão desprezível?

Isso importa muito para a atualização das nossas experiências. Como pudemos nos render tão facilmente às autoridades, sejam elas membros do partido, intelectuais venerados pela inteligentzia, ou líderes com inaudito traquejo com as massas?

Só um estado coletivo de entorpecimento poderia explicar como opera um processo que se desenvolve às custas da abolição do pensar. Aprender a pensar criticamente é o oficio humano mais doloroso, solitário e estraga-prazeres que existe.

Mas, vez por outra, é a decência e não a inteligência que nos pede para resistir.

Coisas da Política – Jornal do Brasil

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Insignificâncias do mal

07 quarta-feira ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

antijudaismo, antisemitismo, Hannah Arendt, hegemonia e monopólio do poder, Israel, justiça, mercado financeiro, nazistas, política, Von Trotta

arendtVjpg

Dezenas de artigos, análises e conversas de rua depois, o filme de Margarethe Von Trotta sobre a filósofa Hannah Arendt, ainda não foi devidamente esmiuçado. O filme é cinematograficamente bom sob a presença cênica de Barbara Sukowa impecável no papel principal. O acerto está também na inserção de trechos originais dos debates que representaram uma das batalhas jurídicas essenciais para a compreensão do século XX. Mesmo assim, as vicissitudes superam as virtudes deste longa metragem.

A impressão que fica é que não se executou uma obra da sétima arte, mas defesa de tese com recursos filmográficos. A diretora e o roteirista, Pam Katz, parecem ter privilegiado um enfoque que, além de vez por outra lançar condenações veladas ao sionismo, buscaram expurgar a ansiedade de consciência que ainda paira sobre o papel coletivo dos alemães durante o III Reich

E se da arte não se deve esperar completude, pode-se sim exigir honestidade intelectual no trato das ideias.

Um dos mais comandantes do alto escalão nazista, Adolf Eichmann, foi capturado em Buenos Aires em 1960 pelo serviço secreto israelense. Ironicamente, quem casualmente o identificou na capital argentina foi um judeu alemão idoso e cego, ele mesmo vítima sobrevivente da juventude hitlerista. A pauta central do filme é o julgamento em Jerusalém do homem que teria arquitetado a “solução final” – o projeto de eliminação sistemática dos judeus europeus.

Determinada a defender as idéias contidas em seu “As Origens do Totalitarismo” a filósofa decidiu assistir o julgamento de Eichmann como correspondente do New York Times e redigiu artigos para publicação na revista New Yorker.

Para ela, toda cúpula nazista não era, necessariamente, composta por monstros, pervertidos ou aberrações da psicopatologia e o depoimento mecânico e sonso de Eichmann aos juízes israelenses pode ter ajudado a ludibria-la quanto à natureza de alguém, que em uma entrevista em 1957 a um ex-companheiro, já se definia como “um idealista”. Contrariamente às acusações da época, em momento algum Arendt o absolve, investe na relativização da grandiosidade autoral do criminoso. O teórico nazista era apenas um caso fortuito de mediocridade existencial, venial, sediço, frívolo, anódino, ridículo. Este tipo de insignificância era chamada nos séculos precedentes de dez réis de mel coado. Dessa perspectiva, o gerenciamento do mal poderia ser exercido por qualquer um contra qualquer um. A verdade empírica é de que não foi qualquer um nem contra qualquer um. O extermínio foi ditado por sujeitos contra outros sujeitos.

Ler mais no Blog do Estadão “Conto de Notícia”

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Jogos Paradoxais

04 domingo ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

anomia, democracia, impunidade, Jogos Paradoxais, mensalão, significado de justiça

 Jogos Paradoxais

O novo mês entra e a sede por utopia parece intacta. Não se trata só das manifestações – que começam a parecer redundantes — nem da notável sensação de desgoverno. Parece que somos pastoreados por gente que perdeu o discernimento no patético clima de despreparo dos legisladores.

A desigualdade social diminuiu e pode até ser que a insatisfação das ruas seja realmente um fruto indireto de expectativas inflacionadas. Mas a ascensão de toda essa gente à classe média jamais seria uma espécie simbólica de “índice de sucesso” como quiseram insinuar os propagandistas do poder. Oportunistas com suas bravatas são os que menos precisamos nessa hora.

Reparem que desde os blocos de junho não surgiu um só político com visão de Estadista, nenhum discurso que trouxesse uma percepção original, nada de uma análise ampla para o esclarecimento da delicadeza do momento atual e a grande oportunidade para fazer avançar a democracia.

A psicologia já fez notar que é próprio do mundo idílico não assumir responsabilidades. É sob este clima que Governo e oposição ficam no faz de conta. Agora travam guerra aberta de dossiês na mídia, com óbvia  vantagens para quem controla as informações e as escoa conforme sua conveniência. Alguém do alto do marketing político está dando as cartas. E está tentando infundir a ideia de que é tudo igual. Há contudo uma diferença: há figuras fortes da oposição com autocrítica suficiente para pedir investigações na própria carne, já, do outro lado, sabemos onde foi parar a tal refundação do partido depois do mensalão.

Ler mais em 

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/jogos-paradoxais/ 

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Dicionários no Paraíso

01 quinta-feira ago 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Imagem

Há quem imagine o paraíso como jardim, outros preferem o palácio de mármore branco ou pátios brancos vazios, alguns, entre os quais Jorge Luís Borges costumavam imaginar o paraíso como uma biblioteca.

Em uma palestra de 1977 sobre a “Divina Comédia” de Dante Alighieri, o escritor argentino menciona que, segundo os cabalistas hebreus, a Bíblia foi escrita com a polifonia mais radical já concebida: qualquer palavra parece conter uma mensagem pessoal para cada sujeito. Isso só seria possível se concordássemos que o autor das Escrituras, sendo quem é, alcançou a proeza vedada aos escritores: a ciência da singularidade absoluta.

Considerei seriamente antecipar quais seriam os títulos prediletos de uma biblioteca pessoal no mundo porvir. A maioria daria preferencia a uma estante eclética, com um pouco de tudo, mistura de tomos clássicos e títulos curiosos.

Mas o livro essencial, aquele que sempre fará a diferença independentemente de cronologia, editor e autoria, será aquele que nunca estará completo. Onde não há espaço para a página perfeita nem a última palavra.

Se tivesse que optar entre milhões de exemplares decerto escolheria a estante de dicionários. É que nele, numa combinação volúvel e polissêmica, estão contidas todas as perspectivas.

Leia mais e comente : Estadão

 

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Tosltoi e a Terra

29 segunda-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

A história a seguir foi contada pelo tataraneto de Tolstoi que esteve por aqui divulgando sua fundação. Perguntei a ele sobre sua última fase do escritor quando ele, “acusado” de uma literatura confessional, teve a obra proscrita na ex URSS. Ele me respondeu que, de fato, Tolstoi jamais foi perdoado pelo establishment comunista (e mesmo hoje com sua redenção, sua última fase ainda é vista com desconfiança pelos literatos) e que sua ideia de justiça social sempre foi indissociável de resgate espiritual do sujeito.

Imagem

Iásnaia Poliana é tudo menos um lugar comum. A propriedade está há muitas gerações no clã da família Tolstói, importante dinastia da aristocracia russa.

Segundo seu tataraneto, que esteve em São Paulo divulgando as atividades da fundação que dirige, a relação do escritor com a Iásnaia Poliana sempre esteve para bem além de uma simples  moradia.

Para o escritor ali, em algum lugar ignoto dos arredores, esteve enterrada a vara verde. Instrumento mítico, se encontrado teria o poder para reconstruir o mundo, cujo máximo desdobramento se faria através de uma paz mundial inédita. Ele radicalizaria o pacifismo idealizado que mobilizou Tolstoi, especialmente em seus últimos anos de vida.

E, de fato, em pelo menos dois episódios pouco conhecidos da maioria, a propriedade pareceu ter adquirido parte das forças mágicas a ela atribuída. Na revolução de 1917, a área foi salva por camponeses dos incêndios revolucionários diante das turbas enfurecidas. Conta a tradição oral que uma multidão significativa, igualmente determinada, protegeu a área, impedindo a invasão, fazendo um escudo com seus corpos.

Leia mais: Estadão

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Transparência privada e outras opacidades

24 quarta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Spy.Vpg_

Aposentem os espiões

Além da notoriedade, que outras características pessoas famosas precisam ter para merecer nossa veneração? Nenhuma. Basta que alguém lhes siga, compartilhe aos milhões, e sejam citados na mídia milhares ou centenas de milhares de vezes.

Pois é esse combustível que, paradoxalmente, leva à abulia crônica na qual nos metemos todos. Aquela que nem os mais poderosos psicofármacos são capazes de corrigir, já que a correção demanda elevação do discernimento, não sua eliminação.

Mas há sim uma função social na adoração das celebridades: contingenciar a imobilidade psicológica das massas. Por aqui, com a mobilidade social provisoriamente assegurada, será preciso lembrar que mais recursos financeiros garantem apenas acúmulo de bens, não patrimônio cultural.

Fotografado com beldades em sua banheira de ouro puro, uma destas celebridades internacionais do mundo musical recém explicou: o negócio é fazer com que acreditem que “eles sou eu”.

Parece que funciona. Variações de cultura? Maia, o mundo da ilusão, é, para a cultura hindu, o próprio equívoco. Mas para a nossa serve bem. Para quem quer popularidade a todo preço é uma forma de fidelizar a clientela.

É óbvio que quanto mais se expõe uma personalidade pública, menos privacidade terá. Mas é esse o negócio. Isso é vendido pela indústria da mídia como vantagem. E o que isso tem a ver com espiões? O enorme aparato de escutas, monitoramento e repressão que foi montado a fim de deixar a vida privada desnuda, tem a missão colateral de acobertar a esfera pública.

É assim que a fórmula se fecha: transparência privada/opacidade pública.

Vêm bem a calhar a polêmica sobre o vai-não-vai de Snowden. Não é porque estamos sob holofotes que ameaçam a vida privada que precisamos eleger espiões profissionais e delatores como grandes defensores das liberdades civis.

Há uma avaliação errônea, sobretudo precoce, ao apontá-los como heróis. Repete-se a ingênua celebrização de Assange,– que se recusa a responder aos processos de agressão sexual na Suécia — e agora se encontra sob a proteção do notório perseguidor de jornalistas equatoriano. O resultado final é que, ironicamente, tanto Snowden como Assange devem se tornar popstars sem a menor chance de voltar a usufruir privacidade. E quem foi que disse que não é exatamente isso que desejam com as grandes perspectivas de contratos com grandes editoras e subsequente publicação de best sellers.

Leia mais: Estadão

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Rumo ao Totalitarismo

17 quarta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Médicos protestam contra decisões do governo na área da saúde

Para Lula, protestos não representam rejeição à política

Aprovação do governo Dilma cai de 54,2% para 31,3%, indica CNT

Marcha_Totalitária.j2pg

 

Ninguém precisa de poesia. Como apontam pragmáticos e os inimigos da subjetividade, talvez ela não sirva para nada. Ainda assim, palavras tem o potencial para nos livrar de uma trama sinistra, da qual o senso comum nem desconfia.
Por trás de toda fanfarra totalitária está o elemento que ninguém previu. Para que um Estado totalitário se instale é preciso contar com algo além da cegueira das maiorias. Tampouco bastam ideólogos e intelectuais de arrimo, os sustentáculos acadêmicos do regime. No debate numa grande Universidade sobre os recentes protestos pode-se perceber o mal estar quando alguém da plateia perguntou:
–E os intelectuais? Como se posicionam nesta história toda? (das manifestações maciças por todo País)
Entre pigarros e acenos para o chão, a sala se encheu de constrangimento. Tudo devidamente racionalizado com as indevidas evasivas.
A rigor só há uma função decente para intelectuais, assim como para a imprensa: vigiar e cobrar o poder de suas responsabilidades. Não importa quem governe. Aliás, o vigor da academia e da informação está na crítica, não na aquiescência, jamais na cumplicidade. Tudo que deviam evitar é chapa branca e uniformes dos partidos.
Mesmo agora, depois da perplexidade inicial o núcleo duro que dá respaldo ao governo não parece arredar pé. Escolheram sustentar o engano a consentir e proceder uma revisão vital. Para muitos deles, assumir erros é capitular, examinar erros é fraqueza e a autocrítica não passa de punição. Estão inventando moda, pois qual ciência se sustenta sem retificação permanente a partir das experiências?

A reação da legião uniformizada surpreende mesmo os mais pessimistas. Esperava-se que diante da claríssima contestação popular, pudessem conceder que houveram desvios graves. A flexibilidade doutrinária seria enxergar que todos fomos grosseiramente ultrapassados pelos fatos.
Sempre que bem pensantes se alinharam a projetos hegemônicos de poder a história os desmascarou. Salvo exceções, a análise retrospectiva mostrou que estavam do lado errado: muitos deram legitimidade para o uso do poder contra a população e a sociedade. Os que resistiram aos conluios não sobreviveram inteiros.

Leia mais: Estadão

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Trem de fricção

17 quarta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Parque de brinquedos vintage abre as portas em Nova York

FricçãoIIpg

Tertius entrou desesperado na casa do avô viúvo.

Sentiu que poderia achar o que queria.

– Onde está vovô?

– Na última gaveta.

O garoto ficou olhando esperando pelo complemento da informação.

–Lá. No quarto que era do seu pai.

Tertius escalou o sobrado e ajoelhou-se diante da  cômoda instável. Revirou tudo da última gaveta e retirou o brinquedo.

Leia mais: Estadão

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos
Posts mais Recentes →

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra

Carregando comentários...

    %d