A história a seguir foi contada pelo tataraneto de Tolstoi que esteve por aqui divulgando sua fundação. Perguntei a ele sobre sua última fase do escritor quando ele, “acusado” de uma literatura confessional, teve a obra proscrita na ex URSS. Ele me respondeu que, de fato, Tolstoi jamais foi perdoado pelo establishment comunista (e mesmo hoje com sua redenção, sua última fase ainda é vista com desconfiança pelos literatos) e que sua ideia de justiça social sempre foi indissociável de resgate espiritual do sujeito.

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Iásnaia Poliana é tudo menos um lugar comum. A propriedade está há muitas gerações no clã da família Tolstói, importante dinastia da aristocracia russa.

Segundo seu tataraneto, que esteve em São Paulo divulgando as atividades da fundação que dirige, a relação do escritor com a Iásnaia Poliana sempre esteve para bem além de uma simples  moradia.

Para o escritor ali, em algum lugar ignoto dos arredores, esteve enterrada a vara verde. Instrumento mítico, se encontrado teria o poder para reconstruir o mundo, cujo máximo desdobramento se faria através de uma paz mundial inédita. Ele radicalizaria o pacifismo idealizado que mobilizou Tolstoi, especialmente em seus últimos anos de vida.

E, de fato, em pelo menos dois episódios pouco conhecidos da maioria, a propriedade pareceu ter adquirido parte das forças mágicas a ela atribuída. Na revolução de 1917, a área foi salva por camponeses dos incêndios revolucionários diante das turbas enfurecidas. Conta a tradição oral que uma multidão significativa, igualmente determinada, protegeu a área, impedindo a invasão, fazendo um escudo com seus corpos.

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