Médicos protestam contra decisões do governo na área da saúde

Para Lula, protestos não representam rejeição à política

Aprovação do governo Dilma cai de 54,2% para 31,3%, indica CNT

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Ninguém precisa de poesia. Como apontam pragmáticos e os inimigos da subjetividade, talvez ela não sirva para nada. Ainda assim, palavras tem o potencial para nos livrar de uma trama sinistra, da qual o senso comum nem desconfia.
Por trás de toda fanfarra totalitária está o elemento que ninguém previu. Para que um Estado totalitário se instale é preciso contar com algo além da cegueira das maiorias. Tampouco bastam ideólogos e intelectuais de arrimo, os sustentáculos acadêmicos do regime. No debate numa grande Universidade sobre os recentes protestos pode-se perceber o mal estar quando alguém da plateia perguntou:
–E os intelectuais? Como se posicionam nesta história toda? (das manifestações maciças por todo País)
Entre pigarros e acenos para o chão, a sala se encheu de constrangimento. Tudo devidamente racionalizado com as indevidas evasivas.
A rigor só há uma função decente para intelectuais, assim como para a imprensa: vigiar e cobrar o poder de suas responsabilidades. Não importa quem governe. Aliás, o vigor da academia e da informação está na crítica, não na aquiescência, jamais na cumplicidade. Tudo que deviam evitar é chapa branca e uniformes dos partidos.
Mesmo agora, depois da perplexidade inicial o núcleo duro que dá respaldo ao governo não parece arredar pé. Escolheram sustentar o engano a consentir e proceder uma revisão vital. Para muitos deles, assumir erros é capitular, examinar erros é fraqueza e a autocrítica não passa de punição. Estão inventando moda, pois qual ciência se sustenta sem retificação permanente a partir das experiências?

A reação da legião uniformizada surpreende mesmo os mais pessimistas. Esperava-se que diante da claríssima contestação popular, pudessem conceder que houveram desvios graves. A flexibilidade doutrinária seria enxergar que todos fomos grosseiramente ultrapassados pelos fatos.
Sempre que bem pensantes se alinharam a projetos hegemônicos de poder a história os desmascarou. Salvo exceções, a análise retrospectiva mostrou que estavam do lado errado: muitos deram legitimidade para o uso do poder contra a população e a sociedade. Os que resistiram aos conluios não sobreviveram inteiros.

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