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Espera-se que o débito dessa crise instalada no mundo árabe (oxalá a democracia sobreviva) não caia na conta de Israel. Colunistas notaram que pode haver algo diferente: não estão queimando bandeiras do estado judaico. O inimigo se deslocou para dentro das fronteiras de cada estado. Destarte, a mídia persista em não alcançar as sutilezas realmente importantes. Uma delas é até quando esta suspensão da animosidade durará? Pouco, decerto. Cruzadores iranianos aproveitaram a “deixa”e pela primeira vez em 30 anos passaram através do canal de Suez, navegando a poucas centenas de milhas náuticas da costa israelense. Só uma provocação? Mais um abastecimento militar nas costas sírias? Veremos.  

Mas o mais incrível é uma outra coisa. Ficou mais do que frequente ouvir opiniões das mesas dos bares (tivemos que ouvir coisas do tipo da boca do ex-vice presidente) e nos meios pseudo-acadêmicos de que a solucão para o Oriente Médio é o deslocamento de Israel.

A facilidade com que se aventam lugares impressiona:

— Amazônia

— Regiões desabitadas do deserto australiano

—  Os polos (isso resolveria um problema extra: asquenazis ao sul, sefaradis ao norte)

— Qualquer sarjeta! 

Afora o caráter ignobil e fanfarrão da tese, a aposta funciona como débil sedativo para quem sabe que isso não ocorrerá. Muitas concessões podem e devem ser feitas. Mas Israel jamais se moverá de onde está, por um motivo que subverte todas as prerrogativas opostas: aquela região pertence aos judeus. Não se trata de um registro cartorial ancestral e justificacionista. A humanidade deve isso a eles.

A asneira histórica-demográfica têm tomado consistência graças à leniência, quando não aberta simpatia, com sujeitos como os  revisionistas do holocausto,  ditaduras do Irã, Venezuela, e simpatizantes, só para citar os mais pródigos e famosos. Os antisemitas estão mais vivos e ativos em todo o globo. Não são forças desprezíveis e, paradoxalmente, crescem na trégua que a tolerância da pluralidade democrática lhes oferece. Mas isso é razoável? Parece que sim. Basta notar o silêncio conivente da Mídia e a crescente antipatia pelo Estado hebreu.  Fica pior quando se quer fazer a distinção entre antisionismo e antisemitismo. Uma vez incapazes de admitir (ou lidar com enraizadas pulsões) a sua aversão aos judeus é muito frequente o jornalismo usar o enorme manto antisionista.    

O deslocamento? Pode-se fazer sim.  E por que não?

Desde que a aplicação da lei que rege a diplomacia, como por exemplo, a da reciprocidade, fosse aplicada nesse caso. Seria mais ou menos o seguinte: abolir a propriedade privada das terras.

Em seguida moveremos todos os resquícios de apego étnico e tribalista à terra, esta bobagem inventada pela burguesia. Simples assim, por decreto. Pode ser da ONU.

E, enfim, fica-se mais livre para barganhas e promover êxodos mundo afora. Habitantes da Caxemira vão para o Caribe, Palestinos para Madagascar, Coreanos do sul ficam com uma das ilhas vulcânicas do Japão, habitantes do curdistão ficam com Gibraltar, bascos vão para Malta, armenios ficam com as ilhas Falklands ou Malvinas, tanto faz.  

Os belgas, por exemplo, uma vez desapegados de seus retrógrados vinculos com o lugar em que sempre estiveram, seriam deslocados para o interior do Sergipe. Nenhum critério especial na escolha do menor estado brasileiro, apenas uma questão de compatibilidade em hectares.