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O título do livro refere-se a uma passagem que se encontra nas escrituras do profeta Daniel 8:12 “e lançou por terra a verdade””.

Como pode acontecer com a maior parte das metáforas ela é polissêmica, vale dizer, têm muitas possibilidades interpretativas, diz muitas coisas ao mesmo tempo, vive de muitos modos diferentes. 

A verdade foi lançada ao solo para que, dele, surgisse o homem. Ele, com suas características e potencialidades.

Mas esta verdade poderia ter sido desperdiçada com uma terra árida, semi desértica que não aceita brotar, muito menos deslocar-se. Ainda a verdade poderia ser lida como a formação, emanada, de uma espécie de clone de quem a lançou.  

Contudo o mais provável é que a verdade lançada ao solo era uma aposta do Criador. Um desafio a ver que tipo de massa embrionária surgiria. E só por isso, talvez exatamente isso, lhe desse a consistência — e a liberdade — necessária para ir, adiante.

Impossível confirmar. Não podemos saber se o que temos hoje é isso.

Os homens desconcertaram o mundo. Depois do massacre da natureza, do fim da história, da hegemonia do fanatismo e da belicosidade da ciência não se pode imaginar mais um devir. 

Com nossas teorias, crenças, ciências e atos fizemos da terra uma migalha disforme. A aldeia global está mais tribalista que nunca, retalhada entre rincões, abismos culturais, que são, ao mesmo tempo, tribos sem identidade ou culturas intolerantes com as demais, exigindo dos outros semelhanças artificiais ou distinções sem conteúdo. É fato: estamos cada vez mais aculturados. No calor do caos não se fez surgir nada estritamente melhor — ou pior –apenas uma inércia cômoda.

A vida espiritual entra (entraria) em cena aqui. Nada a ver com as representações conhecidas: superficialidade calculada dos filmes de Hollywood ou as máscaras de realismo social dos atuais filmes brasileiros.

A alegria é essencial e ela não está fora. Exultação (bliss) é o termo para alegrias do espírito. O mundo da verdade é o mundo com subjetividade e é pela linguagem que podemos escolher como afinal decidiremos: o que quer que seja.