Noções de invisibilidade

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Instruções:

Mantenham-se longe das margens

Segurem pelas bordas

Usem cores vibrantes

Mecham em vespeiros

Falem o que ninguém quer

Ouvir mais que o devido

Ver nas entrelinhas

Recortem fora do pontilhado

Desviem-se das normas

Mudem-se para os cantões

Troquem networks por trabalhos

Registrem-se na autenticidade

Busquem originais.

Seguindo pelo menos 3 das 13 instruções acima garante-se tres quartas partes do manto da invisibilidade.

Sobre silêncio

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Notável o silencio.

O silencio que se torna vivo quando se vira aos interesses de quem nada emite.

Por que então falar sobre um tema e não de outro? Como escolhemos sobre o que vamos escrever ou dizer?

Para além dos dilemas das escolhas e eleições do que será expresso está a vontade de dizer. De dizer para alguém. E, de preferencia que ouça e comente e tenha o raro, extinto, dom da reciprocidade.

Mas, temos que nos acostumar.

Não é para isso que nos adaptamos? Essa palavra mágica que pode nada significar. Pois na era de abundância, do excesso de estímulos talvez tenhamos mesmo que escolher reduzir todas as comunicações aquelas que são mais lucrativas, de interesse ou simplesmente cômicas.

Temos que encarar noites como dias e os dias reserva-los para os silencios involuntários.

Façam alguma coisa!

Ensaio geral sobre a irrelevancia

Somos um sem fim sem relevância. Mas a única realidade.

Filmes e Talentos Inatos

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Pais tem natural orgulho dos filhos. Tenho três filhas: Marina, Hanna e Iael. Cada uma me inspirou em uma etapa da elaboração do livro “A Verdade Lançada Ao solo”.

Marina fez sempre perguntas desconcertantes e demonstra uma capacidade lógica acima da média, notável poder de argumentação, além disso é uma oradora nata. Iael é criativa, intuitiva e engraçada. Possui um vocabulário que as vezes nos assusta “onde ela ouviu isso?” é a tendencia que temos de reagir frente aos seus insights. Mas isso também é inato, trata-se uma elaboração dela, questão de alma.

Hanna Rosenbaum, teve uma participação curta mas fulgurante no filme “Onde está a Felicidade” dirigido por Carlos Alberto Riccelli, roteiro dele e de Bruna Lombardi. Aliás, agradeço ao casal pela gentileza e cuidado com que a trataram.

É verdade que pais não são juízes neutros, mesmo assim não me sinto interditado para fazer observações quando se trata da categoria de “eventos extraordinários” (já que é vital tanto quanto inevitável emitir juízos mesmo quando suspeitos).

O que chamo de “evento extraordinário” é o talento natural e inato que algumas pessoas apresentam para alguma coisa.

Meu amigo, o dramaturgo Leo Lama, já tinha percebido como Hanna era uma atriz potencialmente talentosa em nosso documentário “O nome do Cuidado”.

Depois, Hanna teve pequena participação no filme “É proibido fumar” e agora foi chamada para fazer o filme “Onde está a Felicidade” vencedor (juri popular) do Festival de Cinema de Paulínia.

O que chama a atenção na participação dela nesse filme é que seus cinco minutos e pouco de aparição são desproporcionais e particularmente marcantes. Sua presença cênica chega a ser ruidosa, e, em muitos sentidos, brilhante. Não me refiro somente à técnica teatral, mas a voz, os gestos, e principalmente a vivacidade.

Sua interpretação como “Clarinha” é lúcida; ela, — quase sem experiencia em palcos — captura o personagem e digere-o com facilidade além de enfrentar as cenas com notável tranquilidade,
para enfim nos apresentar sua vibração vermelha.

Ruiva, ela domina a tela com sua intensidade e nos comove por sua inocencia. Há uma pureza espontânea na vigorosa persistencia típica de uma criança que precisa ter um capricho contemplado, mesmo quando tudo tem que ser ensaiado. Sua expressividade invade a audiência com poros bem abertos. Sua voz, auxiliada por abanos das mãos, naturalmente persuasiva chega a ser perturbadora.

Aqueles que forem ver o filme, por favor, reparem nestes detalhes e me digam com toda franqueza se estou exagerando.

Para mim, todos esses elementos são quase auto-explicativos e evidenciam como talentos realmente brotam bem cedo. Pais e educadores podem aprender a aprecia-los em seus filhos e nas crianças; elas serão sempre gratas mesmo muito antes de se formarem em uma faculdade qualquer.

Milagre, antropogenia e cientificismo

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Milagre, antropogenia e cientificismo

Jornal do Brasil

Paulo Rosenbaum

A questão da ciência – seus limites e critérios – está sempre voltando à pauta jornalística. Artigos recentes lembraram a perseguição que cientistas americanos vêm sofrendo por acharem resultados que às vezes contrariam expectativas populares no caso de novas evidências surgidas contra a hipótese do aquecimento global.

Há quem ache que a ciência fará milagres. A tradução deste termo nos remete a múltiplos significados etimológicos. Mas o fato é que sempre que um extraordinário acontece, recorremos à palavra. O milagre é, provavelmente, muito mais banal que supomos. Seriam as marcas de um acontecimento extraordinário, transcendente? A natureza do milagre, vale dizer, seu propósito, é exatamente forçar-nos a admitir que há algo além, muito adiante da curva do insondável. Talvez o que não dominamos, ou nem sonhamos em conquistar: o inexplicável. Exatamente tudo aquilo que nestes estertores de pós-modernidade não nos é mais permitido.

Para ler o artigo completo:

http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/08/20/milagre-antropogenia-e-cientificismo/

Ensaio sobre o Instante

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Instante

a precedencia das sucessões

impreterível tempo

passado, rede para águas

hoje, circulação de aros

amanhã, inércia do destino

instante fim do momento.

O momento do Pai

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Há uns anos, numa bela tese de mestrado em Psicologia Social, minha esposa, Silvia Fernanda Rosemblum Rosenbaum fez um levantamento do papel do pai e suas transformações.

Ali, como agora, a permanência talvez seja mais importante que as transformações.

Que dizer do pai presente? Que de uma hora para outra parecia ter sido a grande novidade depois que as mulheres conquistaram progressiva liberdade e autonomia?

A presença do pai muda, mas jamais se transforma completamente.

O novo pai, assim como o velho, é uma espécie de forte, de complemento sólido para as coisas instáveis.Fora do simbolo ele ainda fixa possibilidades.

Ninguém discute a vantagem, simbiótica, genética e corporal da mãe em relação ao pai. Mães são imbatíveis. Mas em ambos estão as qualidades que duram. Mesmo nas trepidações e instabilidades neste final de pós modernidade, são indestrutíveis, como símbolo e como presença, como exemplo e como sonho.

Pais mortos estão um terreno ainda mais dificil, mas igualmente, o campo santo que ocupam, pode nos fazer compreender — nos pequenos, ou quase efemeros papéis — sua desmesurada importância.

Pois no desaparecimento do Pai saímos da dependencia absoluta e passamos a uma emancipação súbita, quase agressiva.

Alguns pais que não estão mais aqui, são lembrados e suas memórias não estão mortas.

Pais são patrimoniais.

Pais são as costelas das origens possíveis. O dorso e a embarcação. O navegar e a terra firme.

Numa época em que o masculino têm tantas dificuldades em se expressar para além do machismo e da negação de sua essencia, o pai sobrevive.

Permanece.

A amizade do pai, relativamente pouca valorizada entre filhos e filhas adolescentes, ganha terreno depois, quando os filhos já podem entrar nas comparações, e talvez reparar qual a qualidade da distância entre a família e todos os outros.

Corrupção na linguagem e a nova sombra do mundo

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Corrupção na linguagem e a nova sombra do mundo

Jornal do Brasil – Publicado em 06/08/2011

Paulo Rosenbaum

Nos últimas semanas pudemos ler e ouvir gente abusando de vitupérios contra os semelhantes, mas, desta feita, os xingamentos tiveram uma peculiaridade: os supostos algozes ou desafetos eram chamados de nazistas. O mais recente envolveu um cineasta e o curador de um festival literário. Não é um caso encerrado porque, cedo ou tarde, isso se repetirá. Reprisemos, na ordem reversa, as cronologias de outros fenômenos emblemáticos: piadas beócias e degradantes vinculando trens de deportação aos campos e uma estação de metrô, cineasta em Cannes confessa simpatia por Hitler, estilista britânico se declara nazista em Paris, escritor luso usa a expressão para criticar o governo israelense. Teocracias e ditadores dizem abertamente que o país judaico deve ser eliminado, teses revisionistas aparecem, primeiro timidamente, depois ganhando surpreendente apoio, sugerindo que o extermínio e os campos de concentração eram invenções dos roteiristas de Hollywood. Como se vê, a língua está bem mais solta. Definitivamente, há algo de podre.

Leia o artigo completo em

http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/08/06/corrupcao-na-linguagem-e-a-nova-sombra-do-mundo/

Acidentes e anomia

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O slogan cunhado na época da ditadura militar “não faça do seu carro uma arma, a vítima pode ser voce” precisa ser atualizado.

Não basta que o sujeito fica consciente de que pode ser a vítíma. Sim, ele pode. Mas é necessário inibi-lo com educação. Mostrando que outros é que serão vítimas se ele não puder controlar seus excessos. É preciso ter um sistema que distribua equidade.

De fato existem fatalidades mas se pode confundir essas com
intenções potencialmente fatais, como é o caso de motoristas ébrios que pensam controlar bem suas máquinas e suas namoradas (para muitos quase o mesmo).

Então é sobre excessos que podemos falar. O excesso está ligado à impunidade (e a inimputabilidade), que está ligado a uma justiça morosa (laws delays) que está, por sua vez, acorrentada aos exemplos pouco recomendáveis dos que, neste momento, exercem o poder no País.

É portanto, a anomia, o caldo desta fissura social. Sem leis ou regras de organização voltamos à crueza de um materialismo sem sentido.

Os trópicos voltam à letárgica melancolia de onde lentamente pareciam estar sendo deslocados.

Parar de custear o país com Tvs de plasma e carros pode ser o primeiro passo para voltar a investir em educação.

E, como propõe Gadamer, educação é educar-se.

Gosto das médias

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Sucesso não é para qualquer um: há o gosto das médias. O sucesso destina-se a quem direcionar esforços aquela direção.