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Há uns anos, numa bela tese de mestrado em Psicologia Social, minha esposa, Silvia Fernanda Rosemblum Rosenbaum fez um levantamento do papel do pai e suas transformações.

Ali, como agora, a permanência talvez seja mais importante que as transformações.

Que dizer do pai presente? Que de uma hora para outra parecia ter sido a grande novidade depois que as mulheres conquistaram progressiva liberdade e autonomia?

A presença do pai muda, mas jamais se transforma completamente.

O novo pai, assim como o velho, é uma espécie de forte, de complemento sólido para as coisas instáveis.Fora do simbolo ele ainda fixa possibilidades.

Ninguém discute a vantagem, simbiótica, genética e corporal da mãe em relação ao pai. Mães são imbatíveis. Mas em ambos estão as qualidades que duram. Mesmo nas trepidações e instabilidades neste final de pós modernidade, são indestrutíveis, como símbolo e como presença, como exemplo e como sonho.

Pais mortos estão um terreno ainda mais dificil, mas igualmente, o campo santo que ocupam, pode nos fazer compreender — nos pequenos, ou quase efemeros papéis — sua desmesurada importância.

Pois no desaparecimento do Pai saímos da dependencia absoluta e passamos a uma emancipação súbita, quase agressiva.

Alguns pais que não estão mais aqui, são lembrados e suas memórias não estão mortas.

Pais são patrimoniais.

Pais são as costelas das origens possíveis. O dorso e a embarcação. O navegar e a terra firme.

Numa época em que o masculino têm tantas dificuldades em se expressar para além do machismo e da negação de sua essencia, o pai sobrevive.

Permanece.

A amizade do pai, relativamente pouca valorizada entre filhos e filhas adolescentes, ganha terreno depois, quando os filhos já podem entrar nas comparações, e talvez reparar qual a qualidade da distância entre a família e todos os outros.