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Pais tem natural orgulho dos filhos. Tenho três filhas: Marina, Hanna e Iael. Cada uma me inspirou em uma etapa da elaboração do livro “A Verdade Lançada Ao solo”.

Marina fez sempre perguntas desconcertantes e demonstra uma capacidade lógica acima da média, notável poder de argumentação, além disso é uma oradora nata. Iael é criativa, intuitiva e engraçada. Possui um vocabulário que as vezes nos assusta “onde ela ouviu isso?” é a tendencia que temos de reagir frente aos seus insights. Mas isso também é inato, trata-se uma elaboração dela, questão de alma.

Hanna Rosenbaum, teve uma participação curta mas fulgurante no filme “Onde está a Felicidade” dirigido por Carlos Alberto Riccelli, roteiro dele e de Bruna Lombardi. Aliás, agradeço ao casal pela gentileza e cuidado com que a trataram.

É verdade que pais não são juízes neutros, mesmo assim não me sinto interditado para fazer observações quando se trata da categoria de “eventos extraordinários” (já que é vital tanto quanto inevitável emitir juízos mesmo quando suspeitos).

O que chamo de “evento extraordinário” é o talento natural e inato que algumas pessoas apresentam para alguma coisa.

Meu amigo, o dramaturgo Leo Lama, já tinha percebido como Hanna era uma atriz potencialmente talentosa em nosso documentário “O nome do Cuidado”.

Depois, Hanna teve pequena participação no filme “É proibido fumar” e agora foi chamada para fazer o filme “Onde está a Felicidade” vencedor (juri popular) do Festival de Cinema de Paulínia.

O que chama a atenção na participação dela nesse filme é que seus cinco minutos e pouco de aparição são desproporcionais e particularmente marcantes. Sua presença cênica chega a ser ruidosa, e, em muitos sentidos, brilhante. Não me refiro somente à técnica teatral, mas a voz, os gestos, e principalmente a vivacidade.

Sua interpretação como “Clarinha” é lúcida; ela, — quase sem experiencia em palcos — captura o personagem e digere-o com facilidade além de enfrentar as cenas com notável tranquilidade,
para enfim nos apresentar sua vibração vermelha.

Ruiva, ela domina a tela com sua intensidade e nos comove por sua inocencia. Há uma pureza espontânea na vigorosa persistencia típica de uma criança que precisa ter um capricho contemplado, mesmo quando tudo tem que ser ensaiado. Sua expressividade invade a audiência com poros bem abertos. Sua voz, auxiliada por abanos das mãos, naturalmente persuasiva chega a ser perturbadora.

Aqueles que forem ver o filme, por favor, reparem nestes detalhes e me digam com toda franqueza se estou exagerando.

Para mim, todos esses elementos são quase auto-explicativos e evidenciam como talentos realmente brotam bem cedo. Pais e educadores podem aprender a aprecia-los em seus filhos e nas crianças; elas serão sempre gratas mesmo muito antes de se formarem em uma faculdade qualquer.