• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Emancipação sem adaptação: a vez dos perdedores!

09 quinta-feira ago 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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adaptação, advogados censores, Darwin, darwinismo social, Democracia grega, desigualdade, emancipação, escravocrata, mensalão, pódio, perdedores


Emancipação sem adaptação: a vez dos perdedores!

O julgamento do mensalão (agora que os advogados censores do PT querem impedir a palavra ela passa a ser a única que merece menção) vem despertando paixões e discussões. Talvez o mais importante esteja sendo a oportunidade para discutir a desigualdade dos cidadãos perante a lei.

A opinião pública não espera que o embate principal deste julgamento fique entre técnica jurídica e discursos empolados. O verdadeiro jogo está sendo jogado nos vestiários, entre uma documentadíssima e consistente ação cívica versus um novo triunfo da onipotência do Estado contra seus cidadãos.

Adivinhem quem tem mais força?

Numa cultura de ganhadores leva quem tem mais cacife enquanto a igualdade morre todos os dias no documento constitucional. Mesmo assim, às vezes, vale a pena apostar no azarão e apreciar como os fracos podem surpreender.

Os políticos, cúmplices e funcionários do Estado estão acima da população. O fenômeno é mundial e nada novo: não somos iguais. Era exatamente a lógica dos fundadores das Olimpíadas. Na velha Grécia de 2.500 anos atrás, a democracia não só previa como considerava imprescindível a lógica escravocrata. Para entender talvez tenhamos que retroceder à época em que a espécie humana engatinhava.

Para Darwin, a travessia histórica da evolução das espécies culminava em sistemas progressivos de adaptação. Os mais adaptados sobrevivem e triunfam para procriar e prevalecer sobre os demais. Os outros…bem os outros são os outros, quem mandou não seguir a cartilha? Dois séculos depois, para além dos estereótipos, achados científicos mostraram que, do ponto de vista biológico, as espécies continuam evoluindo.

Finalmente chegamos à nossa contemporaneidade atípica onde a pergunta muda de direção: o que significa evolução para além da biologia?

Ficamos impressionados pela força, velocidade, e agilidade e respectivos
records e medalhas, enaltecidos por locutores dos feitos olímpicos.
A luta do atleta contra seus próprios limites faz do ouro
devida recompensa. Daí virá pódio, hino, superação triunfal,
glória e os contratos de publicidade.

Nesta lógica, a cultura do vencedor representa no mundo prático,
a bandeira da evolução.

A atmosfera pop que hora nos governa pensa poder esnobar a cultura,
e escarnecer da opinião pública, assim como o político sem méritos
se imagina o marco zero da nação. Mais comum que seja só o zero.

Como nada é linear se houve um ganhador é porque muitos, necessariamente, perderam.
Ter isso em mente é amadurecer. O que está em jogo hoje é uma espécie de repetição do momento histórico de eclosão da contracultura. Ali uma geração atormentada diante da mesmice dos modelos políticos, guerras e desesperança, resolveu virar a mesa e criar um front pacifista e anti establishment. O novo apareceu e os hippies se inscreveram na história. Não só os valores eram contestados, mas a vida ela mesma se voltava para existir fora dos cânones estipulados na mídia, pelos políticos e a moral da época.

Hoje vivemos condições análogas aquelas dos anos 60, a mesma desesperança, o mesmo ceticismo, a mesma dualidade estúpida entre ideologias envelhecidas. Tudo agravado pela crise financeira mundial e o embrutecimento dos valores éticos.

Há uma aspiração de retomada das tradições espirituais – precocemente descartadas pelos esclarecimentos científicos – assim como uma sensação generalizada de que algo precisa mudar se quisermos uma versão melhorada deste mundo. Nada de polir o discurso introduzindo a frase mágica “em nome das próximas gerações”. Tudo é para nós mesmos, aqui e agora. Chegou a hora de chocar, radicalizar para assumir certa marginalidade, de preferência que nos faça redescobrir a honra da dissonância, da oposição e da discórdia.

Sem estabelecer essa urgência, a inércia vencerá a necessidade e, mais uma vez, o conformismo será a desculpa para a mesmice que nos assola. Talvez devamos começar desobedecendo a critérios de vitória aos quais fomos condenados, e que, sob a batuta da educação formal, virou doutrinação social. Como o sentido da vitória se esgota chegou a vez dos perdedores. Muito provavelmente, teremos que redescobrir sozinhos o valor das tradições às quais pertencemos e reafirmar que não só há valor na derrota e na depressão nossa de cada dia, como elas são as maiores responsáveis pelo amadurecimento que nos fará gritar o “não” e desadaptar-se.

Emancipação é se insurgir contra os destinos previamente traçados por outros, em nosso nome. Por isso mesmo, para uma filosofia libertadora só há um sentido, obrigatório, o da contra mão.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Autor de “A Verdade Lançada ao solo (Ed. Record)”

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar, acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/08/09/emancipacao-sem-adaptacao-a-vez-dos-perdedores/

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Vale tudo, torcer e arbitrar 

02 quinta-feira ago 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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açao penal 470, conflito de interesses, justiça, mensalão, The Economist

Vale tudo, torcer e arbitrar

Em carreira meteórica o vale tudo se transformou no esporte mais popular no mundo. Dizem que superará o futebol. Sem julgamentos e longe das prospecções morais cabíveis, o vale-tudo é um perfeito símbolo dos nosso tempos.

Mas o vale tudo, que mudou de nome, se espalhou por toda parte. O símbolo do vale tudo é que as regras hoje favorecem o predador, quem cria o fato, o mais rico ou os milhões de “você sabe com quem está falando?”. Nesta nova versão da lei do mais forte isso equivale dar passagem para quem dá mais porrada, quem tem o joelho mais pontiagudo, e quem se adaptou melhor ao Coliseu das competições. A competição, dizem, tem sido o combustível do progresso.

Nos jogos temos que escolher um lado, e para escolhe-lo temos que torcer. Pouca importa que seja Fla-Flu, Gre-Nal Cor-San, olimpíadas, megasena ou a novela das 8, o fato é que todo mundo torce por alguma coisa.

Ouviu-se dizer que Dilma torce para que os acusados da “ação penal 470” sejam absolvidos. O PT torce para que seus candidatos não saiam prejudicados já que o projeto original continua. Isso já com a sociedade “avisada” de que se o julgamento for “político” a Central Sindical paralisará o país. Os réus, incluindo o acusado de ser co-mentor do esquema, torcem para que seus nomes pulem de réus para o hall dos mártires injustiçados. Os intelectuais de partido torcem para que tudo passe rápido a fim de que ninguém mais lhes cobre o silencio indevido. Os marquetólogos torcem pela grande borracha na mídia (já que a mordaça desta vez não colou). Os jornais sensacionalistas torcem por furos que escapem dos autos do processo, enquanto os advogados de defesa por brechas jurídicas e meios de desqualificar os consistentes relatórios do procurador geral. Os promotores torcem para que eles não as enxerguem. O homem comum torce para que se de um basta no assunto, de preferencia com alguma consequência que ele possa entender (80% das pessoas desconhece o significado do “mensalão”).

A oposição encurralada torce para que o processo não respingue sobre suas hostes. A imprensa paga pelo Estado pode se dar ao luxo de torcer discretamente enquanto, bem alimentada, ela cuida da guerra de dossiês. Os partidos nanicos torcem por sobras: com mais pressão da mídia, barganhas são trunfo extra nas negociações do horário eleitoral. O PMDB torce para ser esquecido e assim permanecer o mesmo: indefenestrável dreno no pescoço do Estado.

Os juízes torcem para que suas análises técnicas não sejam deturpadas. Para os apaixonados por causas, bem para esses não há mesmo muita saída. No julgamento mais relevante da história republicana qualquer condenação será tomada como golpismo conservador, toda absolvição, obrigação histórica.

Para nossa sorte a opinião publica brasileira é muito mais complexa do que as previsões do poder.

Como se vê estamos todos enrolados em bandeiras especialmente naquelas que não conseguimos enxergar.

Pois esse é o ponto mais perigoso na estrada da democracia.

Quando um arbitro julga ele não deve ser parte interessada e a isso convencionou-se chamar de ”conflito de interesse” Pois rapidamente um dos ministros superou o drama de consciência, tomou partido, e escolheu arbitrar. O problema, nesse caso, não está em como julgará, mas o equilíbrio de sua avaliação. O auto-julgamento requer um prumo milimétrico, instrumento para poucos, na balança entre legalidade e moralidade, lealdade e dever. A divisão é sutil, o impacto gigantesco. Agora é tarde, mas a análise deveria começar lá atrás quando o problema foi gerado, numa legislação equívoca, que prevê indicação de Juízes a partir dos lobbies e interesses do executivo.

Na cadeira magistral, especialmente instalada bem longe dali, repousa incólume a cabeça-mãe de todos os estratagemas adotados. Ela é a única que não torce porque para torcer seria necessário qualquer dúvida da vitória. E ela pensa que já ganhou. Está mais do certa que fez o que precisava fazer e que é assim que se governa (dai o pavor que a liberdade tem dos homens de convicção!) Estas certezas provem da crença em sua estrela, afinal seria muito improvável que alguém que comandou a deixasse cair. Esta cabeça não torce pela verdade, ela seria insuportável. Sem os dogmas, a verdade desabaria sob o peso de sua comprometida coroa.

Ainda que muitos ali sejam réus confessos, ninguém tem autoridade suficiente para lançar a primeira pedra, mesmo que pareçam muito distantes do arrependimento. Os críticos e gente onde a palavra ética ainda tem valor prático torcem por punições, os pragmáticos pela repatriação do dinheiro público desviado do Banco do Brasil. Aqueles que amam a Republica e a liberdade acima das causas, torcem pela pedagogia simbólica das eventuais penalidades, para ultrapassar o castigo e alcançar a reeducação. Vale dizer, afasta-los de vez da coisa pública.

Mesmo que a justiça tarde, cabe enxergar o mérito antecipado e a inconteste vitória de toda sociedade nesse julgamento; isso mesmo que os cabeças saiam da sala do STF impunes. Um julgamento desta natureza, inconcebível há alguns anos atrás, é, hoje, notável avanço institucional, conforme reconheceram os editorialistas do ˜The Economist”.

O papel das pessoas é facilitar o nascimento daquilo que não é espontâneo ou óbvio numa sociedade. Nem tudo vale e assim como na indução aplicada num experimento científico, nossa prerrogativa é viabilizar os sentidos para as coisas.

A escada é alta, a direção incerta, mas o passo foi dado: um degrau rumo à justiça.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É Autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)
Paulorosenbaum.wordpress.com

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Castas à brasileira.

26 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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centralismo partidário, Eleições 2012, hegemonia e monopólio do poder, justiça, justiça e saúde, mensalão, política

Castas à brasileira

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum

As histórias das pessoas sensibilizam não exatamente pela narrativa de como sofrem, mas como cada uma resiste ao sofrimento. Essa resistência (desisti de “resiliência” depois da apropriação indevida que a psiquiátrica fez do termo) já é uma forma de cura que, às vezes, transcende cuidados médicos. Pois vejam dois exemplos de problemas que misturam medicina, justiça e aberração. A lei é para todos, pois não? Somos iguais perante a legislação? Então por que uma moça negra, trabalhadora doméstica, de aproximadamente 35 anos que teve o pé direito amputado em função de um tumor maligno não consegue se aposentar, e outros conseguiram o benefício por terem perdido a unha num torno mecânico? É um problema de peritagem? De organização sindical? Da capacidade de tumultuar um posto do INSS? Por que a classe política tem foro especial enquanto o policial federal não conseguiu obter a tempo a escolta antes de ser fuzilado em Brasília? Por que até os juízes estão sendo acossados ao julgarem gente poderosa conforme convém ao poder? O demagógico não é comparar eventos aparentemente distantes como esses, mas fingir que não são pertinentes. Estão todos interacionados.

A reforma do Código Penal ainda em trâmite só é bem-vinda se vier com determinação da sociedade para modificar as condições de sua aplicabilidade e minimizar a separação das castas nacionais. O sistema de castas à brasileira é aquele que separa não pela etnia ou por um tribalismo metafísico mas por extratos de poder. Numa blitz policial, o cidadão liberado quis saber qual o motivo de ter sido tão desrespeitado durante a revista, e a resposta foi: “Agora a gente trata pobre e rico tudo igual”. Pois esse é o medo, a regra ficou clara, serão todos maltratados.

É impossível contemporizar e duro admitir: a web é um lixão aberto ao ciberspaco. Diverte, distrai e há até pérolas resgatáveis, mas constam como exceções à regra. A legislação mudará para tentar enquadrar os crimes virtuais, resta saber se funcionará. Circulam pelo esgoto eletrônico sideral, além das calúnias e golpes, textos e correntes que para serem classificados sob este rótulo precisariam melhorar muito. Algumas merecem resgate: pedidos de volta dos “bons tempos” do regime militar, mensalão como conspiração arquitetada pela CIA, volta da censura com controle da mídia, educação formal dispensável, vírus da Aids fabricado por laboratórios farmacêuticos (essa até que poderia ser crível, mas para outras patologias), a mudança do clima como invenção das indústrias de ar condicionado, de fato o bestialógico é assustador. Mas o que causa espanto é que aparentemente perdemos a virtude — nesta altura é o que é — da perplexidade. O saudoso Millôr dizia que imprensa é oposição, o resto é capitulação. Espanta ver quantos capitularam e se acomodaram nos braços do subsidio estatal.

Escandalizei-vos já.

Sim, o mensalão (desculpem, é força do hábito), vale dizer, a lógica por detrás da “ação penal 470” sobrevive Brasil afora, com seus impunes tentáculos cheios da grana fácil dos contribuintes, travestida de “liberação de verba”, “medidas provisórias” e “emendas parlamentares”. Só mesmo “trouxas legalistas” ainda acham que não vale a pena sucumbir aos dez por cento. Acontece que eles são a maioria da população. Mesmo com o beneficio da dúvida, diante de tantas injustiças não era para um país redemocratizado estar de ponta-cabeça antes de se aposentar? A justificativa corrente “mas isso tudo ocorria também em governos anteriores” perdeu o prazo de validade. Se de fato ocorria, o que estamos esperando para evitar a recorrência?

Temos 200 milhões de técnicos de futebol e talvez a metade disso de analistas políticos amadores. Muitos admitem o medo de fazer comentários críticos em público — como confidenciou o funcionário de uma universidade — porque poderiam dedurá-lo e lhe cortariam o ponto ou a bolsa. O patrulhamento já era uma realidade, a novidade é o monitoramento virtual.

Por que os intelectuais adotaram o silêncio defensivo como forma de não se comprometer com os esculachos na República? A omissão da crítica intelectual — nome correto: “constrangedora cooptação“ — passou do ponto. Esperava-se muito mais da inteligência nacional. As vozes ouvidas são tímidas e em sua maioria coro de enaltecimento à gestão federal, puxa-saquismo, no velho idioma. Como Arthur Schopenhauer pedira em sua época, uma comissão da verdade merecia ser constituída também para avaliar porque assuntos e pessoas realmente vitais passaram a ser irrelevantes, enquanto a superficialidade arrivista tornou-se hegemônica.

O amortecimento coletivo chegou ao insuportável e à beira do ponto de ebulição, agora terá que escolher de qual lado do abismo ficará.

A sociedade sairá triunfante porque, diante da parada dura que é o tamanho do fosso, ninguém mais pode se dar ao luxo de escolher errado.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”. (Ed. Record)

Para acessar e comentar use o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/26/castas-a-brasileira/

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Aos cumpridores de ordens

19 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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cumpridores de ordens, imperativo, nazista

Não diga, nem ouse, não resista,
a ordem está dada
e é essa!

e senhor,
não pense que abandonaram o mundo
ele é todo imperativo

e é na catraca das ordenações
que fazemos todos os obséquios para a morte

silencio é só desculpa
para que o universo surdo e curvo
se cale aos que mandam

a primeira alinea da pólvora é mate,

por isso, nossas mãos ainda tremem
sob a mira de gente obediente

Da coletânea “Diáforas Continentais”

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Democracia, saúde, felicidade

19 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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democracia, direitos democráticos e saúde, felicidade e saúde, innersfera, medicinas complementares, planos de saúde

Democracia, saúde, felicidade.

Ao receber o importante premio americano de ciências humanas “Jonh W. Kluge”, que dividiu com nomes como Paul Ricoeur, FHC ao fazer seu discurso de agradecimento, introduziu uma questão relevante e acabou tocando numa área que transcende a sociologia.
Ao indicar que precisávamos encontrar um meio que “permita não só o aumento do PIB – mas também o aumento da felicidade nos países”, quiçá tenha se referido ao índice que aferisse a TF.
Vale dizer, taxa de felicidade.
Na pesquisa epidemiológica já existem em quantidades questionários de qualidade de vida em saúde que avaliam parâmetros psíquicos e tentam diagnosticar o status de felicidade das pessoas. Destarte, essa psicometria ainda é um instrumento precário, que requer ajustes. O certo é que ela tende a se universalizar e no futuro próximo se fará quase onipresente em qualquer avaliação clínica, dos atos cirúrgicos aos tratamentos ambulatoriais.
Por que?
É ela, a felicidade, que deveria direcionar o grau de impacto que tanto a vida como os tratamentos têm sobre as pessoas. Ou seja, para além da saúde objetiva, mensurada por testes laboratorais, anamnese e exames subjetivos será obrigatório examinar melhor o impacto eco-ambiental não só externo, mas especialmente dentro na inneresfera de cada cidadão.
A importância disso é obvia.
Um dos grandes adventos da democracia deveria ser promover a liberdade através da justiça social conjugada a uma vida que inclua e concilie solidariedade com bem estar de cada sujeito. E numa democracia real, a liberdade merece ser ingrediente presente em todas as instâncias.
Tal qual deveriam ser as escolhas em saúde. Seria obvio e provavelmente consensual que também nela teríamos o direito de poder escolher e opinar.
Temos assegurado o direito de escolha quando se trata de saúde?
Se a pergunta fosse colocada dessa maneira, saberíamos de antemão a resposta: não! Vale dizer que, pelo menos na área da saúde não há escolha possível.
Quando a pessoa busca atendimento em saúde e mais ainda, mas não exclusivamente na esfera pública, forçosamente terá que submeter-se ao esquema padrão e à hegemonia inquestionável da medicina standard.
As medicinas complementares estão praticamente fora do campo de escolha das pessoas e, essa decisão, sempre bom que os contribuintes saibam, é exclusivamente política. Os pacientes têm que se submeterem, necessariamente, as terapias caras e sofisticadas, e pior, muitas vezes sem necessidade.
Vale dizer, se há uma máquina de Ressonância Nuclear Magnética ociosa alguém precisará usá-la e justificar assim custos e investimentos, ainda que na maioria esmagadora dos casos uma boa anamnese também pudesse definir uma boa hipótese diagnóstica.
Reconhecidas e recomendadas pelas OMS as medicinas tradicionais e outras formas de agir terapeuticamente, são diretrizes que não vem sendo incorporadas pela maioria dos órgãos governamentais como alternativa aos enormes custos centralizados em atendimentos hospitalares. A ausência de opção para o cidadão como direito de escolha acarreta ônus extra e não somente aos usuários do sistema público de saúde, mas também, indiretamente, na prática privada.
Assim como criaram reservas de mercado para certos nichos na indústria e comércio, vigora no campo da saúde um tabelamento maquiado para não caracterizar truste. Numa recente prova de força a ANS caçou mais de 200 planos de saúde que vendiam, no afã incontrolável de caçar consumidores da classe C, sonhos de consumo impossíveis.
Os empreendedores dessa saúde mercadológica – agindo abertamente contra médicos e pacientes — também souberam se proteger e elegeram bolsões que garantem, sem muitos riscos, alta lucratividade. Com ou sem felicidade determinam as regras para seus conglomerados que vão dos planos de seguro saúde à indústria farmacêutica, passando pelos parques hospitalares e turismo terapêutico.
As medicinas complementares, práticas de custo muito menor e que privilegiam a atenção primária à saúde produziriam impacto altamente favorável se introduzidas macicamente no SUS e por extensão natural nos planos privados. Ela implica tanto diminuição de custos pela racionalização no uso dos medicamentos quanto menor consumo de procedimentos invasivos.
E apesar de contarmos com um instrumento importante como a política transgovernamental e apartidária que é a PNPICS (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares), todas são providencialmente colocadas à margem do ciclo produtivo dos sistemas industriais que hora regulam a saúde no Brasil.
Essa direção detectada não favorece nem uma boa pedagogia médica, nem a educação dos usuários, cada vez mais seduzidos pela idéia discutível de que a última palavra em medicina é sempre o novíssimo medicamento ou a terapêutica recém saída do forno.
O historiador de medicina Henri Sigerist, ainda na virada do século XX, sugeria que a única forma de verificação da segurança e real eficácia das terapêuticas seria que centros independentes de pesquisa pudessem controlar e distinguir o que realmente funciona sem prejudicar, daqueles procedimentos inócuos ou aparentemente eficazes mas altamente nocivos.
O Estado em dobradinha com o capitalismo selvagem nunca operou tão aberta e confortavelmente. Não sendo tão lucrativas, não fica difícil deduzir as razões do preterimento dos direitos sobre nossas escolhas.
Só uma opinião pública crítica e ativa pode modificar isso.
Nesse caso, a liberdade de escolha será um passo a mais no percurso até a felicidade.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

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http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/19/democracia-saude-felicidade/

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Interregnos e preconceito de classe

12 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Interregnos e preconceito de classe

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum+A-AImprimirPublicidade

Uma era terminou sem que outra surgisse. Isso pode ser chamado de hiato, mas também de interregno. Quando surge um vácuo no poder ou algo não está definido como poder. Mas poder é muito mais que o político eleitoral. Há poder na história e na cultura. E é esse que derruba o que outras forças não conseguem. Parece que ninguém se deu conta ou não leu o obituário da pós-modernidade e o vácuo de história que se criou com seu desaparecimento. O interregno é exatamente esta área de transição, vácuo, onde o que já era acabou e o que deveria nascer ainda não apareceu. Desapareceram utopias políticas, mas não sonhos megalomaníacos ou a tentação autoritária.

A revolução ciber-tecnológica e seus avanços mudaram radicalmente parâmetros de crença e comportamento, mas não se pode afirmar que se criou uma nova cultura. O efeito mais visível até aqui foi testemunhar aditos ao mundo virtual. Só como exemplo: cerca de 58% dos jovens afirmaram usar os fones para teclar mensagens de texto enquanto dirigem. No entanto, um tópico como “decência com a coisa pública” nem precisa mais de consenso. Aqui e alhures, são sempre os mesmos, — ou os da mesma família — os mesmos fatos, as mesmas Cpmis.

A decência, esse tema que foi tema dos principais tratados, dos mais renomados filósofos, nem mesmo é um valor a ser contemplado. A pulverização dos valores serviu bem ao desmonte das certezas conservadoras e para dar voz à dúvida contemporânea. E o resultado foi nos arremessar a um mundo de tal pluralidade, cuja abundância praticamente anula as chances de formação de qualquer paradigma. Não dá tempo. A impossibilidade de saber onde e com quem havia de se conhecer a verdade nos coloca todos juntos, cada vez mais perdidos. Não é ao dogma “verdade”, nem mesmo qualquer aspecto da verdade.

Nesse caso, nem matemática, nem estatísticas resolvem. Um dos desdobramentos tardios da morte de qualquer expectativa de que exista qualquer verdade foi o relaxamento com a perspectiva filosófica (o que também significa espiritual). O filósofo Roger Bastide já previa que o século 21 seria marcado pela volta das religiões e da busca interior. Sem ela, nós, “os comedores de feijão”, vivemos à mingua. Nosso único anfitrião no horizonte existencial tem sido o materialismo em suas várias modalidades. Ali, o expoente máximo tem sido o agressivo capitalismo selvagem, incluso o praticado pelo Estado.

Mas é claro que a política contemporânea dispensa filósofos, poetas ou sonhadores de qualquer espécie, jamais seria permitido que entrassem na festa para denunciar as arapucas que distribuíram em cima dos muros do país. Porém, há agora bons motivos para temê-los, já que o discurso ideológico assumiu terrível similaridade. Não é só nas fotos de grandes alianças que fica impossível distingui-los.

A propaganda eleitoral — prova indireta disso — tornou-se um campeonato involuntário no qual os candidatos vêm se esforçando para ver quem vai levantar o troféu do menos original. A propósito, quem vê a programação de péssimo nível da televisão pode atestar isso. A exploração do escândalo, das matérias apelativas, do enaltecimento do senso comum tem sido tão hegemônica que custa achar opções viáveis fora da TV paga, também nenhuma maravilha.

Muitas vezes, parte-se de um princípio equivocado quando se assume que a tentativa de trazer informações mais refinadas às pessoas que mudaram de patamar financeiro pode ser vista como colononialismo cultural ou preconceito de classe. Em outras palavras, significa que a nova classe C não precisa ou merece uma cultura ampla, acesso à literatura ou dramaturgia sofisticada, programas de debates ou jornalismo crítico. O que segundo o comando central ela merece é ser condenada a incrementar os elementos que já integram sua identidade. Nossa sorte é que o brasileiro comum parece ter nascido imunizado contra a mediocridade, e mesmo com todas as conspirações em curso ousa ser criativo. Pode operar a vida de acordo com uma malandragem do bem, o que torna tudo mais leve, quando o povo precisa se defender do Estado.

Não se pode prever muito em longo prazo, mas é provável que a mesmice terá seu fim decretado pelos mesmos com os quais a elite política mais conta no momento, a saber, aqueles que vão aos poucos percebendo que o grande golpe tem sido acorrentá-los ao endividamento sem fim.

Mas o pior será quando as massas descobrirem, deliberadamente, que, para consolidarem o projeto de poder, seria necessário manter a opinião pública do povo à margem da cultura, da informação de qualidade.

É graças a essa natureza que o que está aí encontra-se com os dias contados. Quando se vira a página, a mudança costuma vir sem alarde. Que ninguém se afobe, saberemos quando chegar.

para comentar acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/12/interregnos-e-preconceito-de-classe/

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Vidraças da justiça e o Executivo redentor

05 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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justiça, mensalão, planos de saúde, significado de justiça

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

O jato da FAB ultrapassou a barreira do som e estilhaçou as vidraças do STF. Foi um evento espetacular e chocante, mas se os símbolos ainda têm algo a dizer, é nossa obrigação debruçar sobre eles. Pois há um mundo onde nem tudo é casual e os fenômenos não são aleatórios. Pouco provável que tenha sido imperícia dos exímios pilotos.
Não defendo nenhuma hipótese mística ou paranormal: não pairam mais dúvidas de que concentração de energia é um fenômeno mensurável. A nanotecnologia e a microfísica contemporânea, já avançaram para demonstrar que, no jogo de íons, a matéria pode concentrar ou dispersar enormes quantidades de energia. E forças psíquicas entram com poder para afetar essa contabilidade.

Os transtornos foram relativamente pequenos, e, ainda bem, ninguém se feriu gravemente. Alguns ministros tiveram que se deslocar para prosseguir trabalhando.

Há unanimidade que os dois mandatos do PSDB e os dois e meio do PT promoveram significativos avanços sociais e a justiça ampliou suas perspectivas.

Mas a venda que recobre a estatua da justiça precisa de urgente restauro.

O ex-ministro poderoso que caiu fora de dois governos foi autorizado a recolher salários acumulados enquanto o caseiro que o denunciou está a ver navios, o poder de pressão e confisco do sistema financeiro sobre o cidadão comum aumentou desmesuradamente, os planos de saúde montaram verdadeiro esquema lesa-pacientes numa área sensível em que o cidadão é o bode expiatório preferencial. O contraste nessa área não poderia ser mais absoluto quando se imagina o plano de saúde vitalício assegurado para ex-parlamentares e ex-governantes.

Assim como há consenso sobre os tais avanços da sociedade, esboça-se uma percepção na opinião pública de que algo se deteriora no quesito direitos civis e equidade. Assim as áreas que vem dando nítidos sinais de retrocesso podem ainda estar no plano sutil, destarte estarmos diante de fatos gravíssimos. Claro que os índices de aprovação da atual administração ainda não refletem esse desgosto, pois a maioria vincula bom governo com poder de consumo e crédito fácil. Aí ficamos bem na fita, ainda que comprometidos no cinema de longo prazo.

A independência dos poderes, uma das bases da República democrática vêm sendo aos poucos substituída por um “executivo redentor” que insinua que os poderes legislativo e judiciário só servem para atrapalhar a performance daqueles que administram.

Não é nada fortuito que a corda aperte o pescoço exatamente na hora em que o processo do mensalão está para ser julgado depois de sete longos anos. Estamos diante de uma dupla forca. Todos sabem que o que está em jogo ali vai muito bem além da justiça tardia. Apesar de confiar na lisura e capacidade de discernimento dos meritíssimos, suspeita-se que pressões externas ao tribunal transbordem o que um ser humano pode suportar.

À boca pequena já circula a versão que alguém “já queimado” assumirá o crime e os outros estarão livres para prosseguir em suas carreiras, rumo às aspirações maiores da existência: o poder.

Isso é o que mais amedronta.

Uma impunidade dessa ordem e nesta escala produz efeitos históricos com amplas repercussões, inclusive biográficas. Caso saiam vitoriosos, explorarão as presumidas inocências como mais uma prova da conspiração cantando a derrota da “burguesia lacaia”.
Aos poucos, valores como honestidade, trabalho e esforço vão sendo ideologizados em banho-maria para serem transformados e servidos a la carte como “moralismo reacionário”. E como é fácil seduzir aqueles que não ousam pensar pelos próprios meios, teremos que nos conter diante de um eventual cala-boca dessa ordem de grandeza.
O atual governo tem sido pródigo nas mensagens dúbias e em produzir a desmoralização seletiva. Muitas vezes comprometendo a moderada e histórica boa atuação do Itamarati, se servem do Estado para colocar o país em situação embaraçosa perante a opinião pública mundial. Aproximação com ditadores, retórica anti norte-americana, a afoita intermediação fracassada para proteger a política militar atômica do Irã, e, por fim, a entrada relâmpago da Venezuela no Mercosul, exemplos desse oportunismo que vigora entre gaviões da política externa da Brasília atual.

Mas é claro que nenhum deles se manifestou quando Hugo Chavez despachou seu chanceler para convencer os militares paraguaios a desafiar a ordem institucional daquele país e ir contra a decisão do parlamento. Em outras palavras, o déspota venezuelano oferecia suporte para um golpe. Se faltaram chances para a ampla defesa de Lugo – e decerto faltaram – um crime não justifica outro, como diz o famoso aforismo.

Para o cidadão há o consolo de torcer. Assim como ontem vibramos todos por um título inédito para o Brasil, devemos usar a mesma energia para enviar força e coragem simbólica aos árbitros do país.

O que custa pensar no melhor?

Às vezes estragos na fachada induzem inesperadas reformas no prédio todo.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A verdade Lançada ao solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e retransmitir usar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/05/vidracas-da-justica-e-o-executivo-redentor/

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Artigo “Equilíbrio Instável” transformado em questão do Vestibular

04 quarta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Clique para acessar o LPortuguesa_CulturaGeral_Espanhol.pdf

LÍNGUA PORTUGUESA
Equilíbrio instável
Paulo Rosenbaum
Vigora a velha ideia distorcida sobre o que
é saúde. Às vezes, ela é encaixada em tópicos
estéticos e procedimentais. O que vale, hoje, é
ser musculoso ou consumir o que é oferecido
como a última palavra em tecnologia. O consumo
irracional de procedimentos tem se tornado um
problema de saúde em si. Muitas vezes, em
detrimento da saúde do próprio sujeito. Excesso
de cirurgias – como a bariátrica, por exemplo – e
o consumo exagerado de drogas, com ou sem
automedicação, colocam o sujeito exposto a
tantos males quanto os que eles supostamente
estariam tentando corrigir como advertiu
abertamente o National Institute of Health dos
EUA, há alguns anos, num extenso relatório.
O fato é que estamos muito distantes de
uma medicina apropriada ao sujeito. No
Congresso Internacional da Medicina da Pessoa,
realizado na Austrália nos anos 50, alguém
formulava sinteticamente uma pergunta central.
Mesmo subestimada, ainda permanece de
importância vital em nossos dias para
compreender a medicina: “Não há saúde sem
uma resposta satisfatória à pergunta: saúde para
quê?” Não que não se possa fazer objeção ao
incômodo que esta pergunta poderia suscitar
naqueles mais pragmáticos. Mas para além deste
ponto a pergunta é oportuna, pois nos remete ao
conceito de saúde subjetiva: a sensação de bemestar.
O desenvolvimento tecno-cientifico,
aplicado às ciências da saúde, conseguiu notável
eficácia e controle sobre uma quantidade
apreciável de doenças. Mas este mesmo controle,
infelizmente, não se estendeu a uma concepção
de saúde mais sutil. O máximo que se fez foi
contemporizar colocando a palavra humanismo
na frente dos postos de saúde, clínicas e
hospitais. O cuidado, a apreciação subjetiva dos
sintomas, a rede de apoio e solidariedade para
quem está perdendo a saúde e até a
cumplicidade frente ao desespero de quem
enfrenta sofrimento não estão dentro da estrutura
geral, que prioriza outros aspectos como critérios
de sucesso. Trata-se de um grande equívoco.
Como negar que as necessidades de
cuidado estão para bem além de drogas
eficientes e hospitais modernos? Como ignorar
que, numa sociedade enferma, a saúde tenda a
ser progressivamente mais instável? Estamos
isolados e, ao mesmo tempo, nossa
interdependência aumentou, pois como se sentir
bem com tanta violência, injustiça social e
competição? Como ser saudável numa sociedade
que se esqueceu do sentido mais íntimo da
cidadania e onde os políticos lato sensu – nossos
representantes! – são os ingredientes menos
confiáveis dentre todas as camadas sociais?
A resposta talvez esteja no espaço interno.
A saúde e sentido correm juntos e dependem da
direção que queremos imprimir às nossas vidas.
Uma vida que não faz mais sentido, passa,
automaticamente, a ser insalubre. O único que
pode atribuir sentidos é o próprio sujeito. Algo
que nos traga ao espaço público sem que nos
igualemos. Para alcançar a paz e a justiça social
podemos prescindir da luta de classes. Por isso é
urgente recuperar o valor da subjetividade e as
sutilezas do espírito.
Talvez uma boa metáfora para a saúde seja
a instalação interativa “equilíbrio instável” de uma
recente exposição de arte internacional que se
realizou no Brasil. Ali centenas de pequenas
peças de acrílico como mesquitas, igrejas,
sinagogas e outros templos e edificações eram
colocadas em cima de uma grossa mesa circular
de vidro, suspensa por um cabo de aço bem no
centro. O desafio era mover uma peça sem
desequilibrar o tampo de vidro. O objetivo era
mover as peças, sem que as oscilações do tampo
chegassem a derrubar tudo. Um minúsculo
movimento em cada elemento provocava grande
turbulência no todo. Quem experimentou mover
as peças sabe: não dá para confiar nos instintos.
Texto adaptado extraído de JB On line em
17/05/2012 – http://www.jb.com.br/coisas-dapolitica/
noticias/2012/05/17/equilibrio-instavel/
Leia atentamente e responda
1) O autor define, na relação da saúde, como
um equilíbrio instável:
a) um constante desequilíbrio de fatores
provocados pelo consumo excessivo de
procedimentos médicos desnecessários.
b) o constante equilíbrio que há entre o
pensamento médico e os procedimentos
de humanização nos hospitais.
c) a relação entre as religiões existentes no
mundo e as lutas que elas empreendem
entre si pelo poder.
d) o equilíbrio social de tudo que é oferecido
ao cidadão e contribui para seu bem estar
emocional e financeiro.
e) um conjunto de fatores que se encontram
em constante relação e em que um
depende do equilíbrio do outro.
Conhecimentos Gerais (Espanhol) 2
2) O conceito mais sutil de saúde não foi
contemplado pelas novas tecnologias de
saúde porque:
a) não se considerou que a saúde envolve
fatores mais subjetivos e sutis no trato
com seres humanos do que o uso de
novas tecnologias.
b) o que vale é a aparência. Um corpo forte
e musculoso e o consumo de novas
tecnologias basta para definir alguém
como saudável.
c) as pessoas continuam consumindo
procedimentos cirúrgicos e
medicamentos de maneira desregrada e
sem prescrição.
d) a única coisa feita foi divulgar a palavra
humanismo em postos de saúde,
hospitais e clínicas médicas.
e) há um equilíbrio estável e constante entre
o homem, seu corpo e a sociedade em
que ele se insere como agente
transformador.
3) Segundo o autor do texto, qual é o conceito
mais adequado à ideia de saúde?
a) O desenvolvimento tecno-científico
trabalhando pelo ser humano.
b) A promoção do bem estar físico,
emocional e social do indivíduo.
c) O corpo forte e musculoso resultado de
exercícios constantes.
d) O uso de cirurgias que promovam o
aperfeiçoamento do corpo.
e) O uso de medicamentos modernos para
promover o bem estar.
4) Leia atentamente e responda
I . Os procedimentos médicos podem
comprometer a saúde e se tornam piores
do que os males para os quais foram
feitos
II . O Consumo de procedimentos e
medicamentos é resultante do maior
acesso das pessoas à informação
atualmente.
III . Saúde é um conceito amplo que envolve
a relação do indivíduo com o meio em
que vive e não só com o seu corpo.
Com base na leitura do texto, podemos afirmar
que estão corretas:
a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) Todas
e) Nenhuma
5) Na expressão “equilíbrio instável”, o autor
apresenta a mesma figura de pensamento
que encontramos em expressões como:
a) A última morada do homem
b) O pé da mesa de mármore
c) A clara escuridão da noite
d) O fogo ardente da paixão
e) O frio olhar da moça
Leia o trecho atentamente e responda às
questões 6 e 7
“(TF) A saúde e sentido correm juntos e
dependem da direção que queremos imprimir às
nossas vidas. (FP) Uma vida que não faz mais
sentido, passa, automaticamente, a ser insalubre.
(FS) O único que pode atribuir sentidos é o
próprio sujeito.“
6) O trecho acima constitui um parágrafo
completo por si com um tópico frasal (TF),
uma frase primária de explação (FP) e uma
frase secundária (FS). O autor optou por não
fazer uso de conectivos, mas a relação entre
as unidade do parágrafo são mantidas e
podemos defini-las, respectivamente, como:
a) assertiva / conclusiva / explicativa
b) assertiva / alternativa / concessiva
c) assertiva / adversativa / conclusiva
d) assertiva / explicativa / conclusiva
e) assertiva / adversativa / explicativa
7) Com base no mesmo trecho extraído para a
questão acima, se quiséssemos fazer uso de
conectivos para ligar as unidades do
parágrafo em destaque, a única opção que
nos permitiria o texto sem mudar o seu
sentido original seria, respectivamente, o uso
do:
a) porque / entretanto
b) entretanto / pois
c) já que / embora
d) logo / por isso
e) pois / por isso
Conhecimentos Gerais (Espanhol) 3
8) Leia atentamente
“Vigora a velha ideia distorcida sobre o que é
saúde. Às vezes, ela é encaixada em tópicos
estéticos e procedimentais.” No primeiro
parágrafo, a que se refere o autor no texto
como “tópicos estéticos” e “procedimentais”?
a) músculos avantajados e medicamentos
modernos
b) aparência emocional e medicamentos
c) aparência física e emocional
d) aparência física e cirurgias
e) aparência emocional e cirurgias
9) Todos os conceitos mais sutis e subjetivos de
saúde expresso pelo autor do texto podem ser
representado pelas alternativas abaixo,
EXCETO:
a) sensação de bem estar.
b) exercício da cidadania.
c) ausência de violência.
d) equilíbrio emocional.
e) aparência física.
10) Para o autor do texto, quais critérios podem ser
entendidos como um exemplo de sucesso a
ser considerado no tratamento de pessoas que
estão perdendo a saúde?
a) A tecnologia e o uso de recursos
alopáticos modernos.
b) A fé e o acompanhamento terapêutico do
paciente.
c) O cuidado e a capacitação técnica dos
médicos.
d) O cuidado e a rede de apoio e
solidariedade.
e) A solidariedade e os recursos
tecnológicos.
11) Leia atentamente as afirmativas
I . A saúde é uma junção de fatores que
operam para o bem estar do homem.
II . A saúde precisa de mecanismos
tecnológicos para ser plena e eficiente.
III . A saúde provoca um desequilíbrio instável
quando estamos mal com nós mesmos.
Com base na leitura do texto, qual(is) opção(ões)
está (ão) correta(s)
a) I
b) II
c) I e II
d) Todas
e) Nenhuma
12) Leia atentamente e responda
A imagem abaixo de uma placa em uma
barbearia correu a internet e virou piada pelo
duplo sentido que ela oferece.
Gramaticalmente, podemos dizer que tal
ambiguidade ocorre porque:
a) a conjunção aditiva “e” permitiu a omissão
do verbo “cortar” na segunda sentença
criando a ideia de que “pinto” era um
substantivo e não um verbo.
b) o verbo “pintar” na 1ª pessoa do singular
do presente do indicativo, em razão da
homonímia com o substantivo “pinto”, cria
no leitor a impressão de que tanto ele
quanto o substantivo “cabelo” são
complementos do mesmo verbo.
c) a conjunção “e” aponta para a
classificação do verbo “pintar” como um
substantivo masculino similar a “cabelo”.
d) A palavra “corto” é uma grafia inadequada
do adjetivo “curto” e permite associação
aos substantivos “cabelo” e “pinto”.
e) os três vocábulos que se apresentam no
cartaz podem ser interpretados como três
adjetivos ou três substantivos.
13) Na frase “Talvez uma boa metáfora para a
saúde seja a instalação interativa “equilíbrio
instável” de uma recente exposição de arte
internacional que se realizou no Brasil.” A
oração em destaque corresponde a mesma
classificação sintática da oração apresentada
na alterntiva:
a) Como negar que as necessidades de
cuidado estão para bem além de drogas
eficientes (…)
b) O fato é que estamos muito distantes de
uma medicina apropriada ao sujeito.
c) A saúde e sentido correm juntos e
dependem da direção que queremos
imprimir às nossas vidas.
d) O objetivo era mover as peças, sem que
as oscilações do tampo chegassem a
derrubar tudo.
e) Quem experimentou mover as peças sabe
que não dá para confiar nos instintos

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Intelectuais e déspotas

28 quinta-feira jun 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Tags

antiamericanismo, déspotas, Ditador do Irã, nazismo, refusiniks, teocracia

Intelectuais e déspotas

Não foi um caso isolado da Rio + 20. Às cotoveladas sessenta intelectuais (sempre bom recorrer à etimologia para saber se a atribuição ainda bate com o significado: intelecto – ação de compreender) se apertaram para assistir a explanação do ditador iraniano. Uma possível compreensão, nesse caso legítima, seria que os doutores tivessem ido até lá para saciar a curiosidade frente a um homem deselegante, que já negou o holocausto, considera mulheres seres de terceira categoria, persegue minorias como Bahai e Sufis e prega a reforma “por bem ou por mal” dos homossexuais. Sem contar os criminosos atos contra os protestos da oposição nas comprovadas fraudes eleitorais que o levaram a reeleição. Eleição é modo de dizer, sufrágio indireto, que só se concretiza com aval do líder supremo.

Ninguém duvida que é sempre interessante ter a oportunidade de ver uma “criminal mind” ao vivo, tudo para tentar entender como funciona a mente onipotente, como raciocina o fanático, e sentir a astúcia do mitômano.

Mas parece que não é isso que tem levado intelectuais do mundo a aderir ao pensamento monológico e ao culto dos déspotas que se proliferam pelo mundo. Talvez, cansados da anomia e do fracasso crônico das experiências com os projetos sociais pelos quais se batem, só encontrem recompensa naqueles que prometem implantar a justiça plena na Terra.

Com o fim das doutrinas e a morte dos heróis, só um ungido pode saciar os intelectuais de nossos tempos.

A perplexidade máxima aflora quando se identifica na plateia herdeiros de tradições ideológicas consistentes, a maior parte daquela vertente que um dia convencionou-se chamar de esquerda. A adesão se dá basicamente por uma única afinidade: a postura antiamericana.

Ficou fácil conclamar fiéis, bastando para isso desfraldar a bandeira “morte à América”.

No caso de professores e gente esclarecida e com tanto currículo na bagagem, que espontaneamente escolheu ir ao encontro o fato nos deixa à deriva. Melhor dizendo, à lona!

O fenômeno transcende a razão e como evitamos a parapsicologia, precisamos nos contentar com a velha psicopatologia. Alguém pode explicar como o carisma agressivo e non-sense entorpeceu tantas cabeças a ponto de asfixiar a região onde se aloja a capacidade critica?

Pode ser que seja inevitável que chefes de partidos ou figuras do executivo tenham que ciceronear ditadores e gente que, para conquistar o poder, deixou rastro de cadáveres. Costuma-se aturar isso dignamente com a ajuda de autocontrole, respiração yogue e
banhos frios.

O fenômeno leva o nome de pragmatismo selvagem, o que conduz inevitavelmente a uma espécie de esquizofrenia política.

Basta um exemplo: sabe-se que o regime teocrático do Irã apoia abertamente o regime Sírio de Assad e sua atual política genocida. Pois decerto alguns dos bem pensantes que sentaram nas cadeiras da frente assinaram petições, ao menos devem ter pensando nisso, contra o massacre do povo sírio. Pois é o que a selvageria política faz com as pessoas: produz incoerências seriadas. Ninguém tem compromisso com a coerência nem com a lucidez, mas há uma ambivalência ética que é capaz de dissolver o caráter.

Esta fusão de ideologia tosca com pragmatismo já foi o estuário de desastres políticos importantes em outros continentes. A adesão de extensas camadas da população universitária na Alemanha nazista – o maior apoio vinha dos profissionais liberais com 50% dos médicos alemães dando endosso à ideologia ariana do Fuhrer.

E não é que persiste a maldição dos “formadores de opinião”?

As massas finalmente aderiram e produziu-se um consenso perto do absoluto, a favor do expansionismo belicista germânico.

O mesmo apoio das camadas intelectualmente mais esclarecidas marcou nos primórdios a Revolução Soviética. Até que testemunhando o desvirtuamento e a implantação de um regime tão sanguinário e opressor quanto o de seus antecessores, os intelectuais mais críticos começaram a ser internados em hospitais com ajuda de um sistema nosológico criado sob encomenda aos psiquiatras comunistas.

Dissidentes começaram a ser diagnosticados como insanos: refusiniks. Para um regime totalitário só um doente mental pode recusar o sistema perfeito.

Foi Hanna Arendt quem escreveu que quando “termina a autoridade começa o autoritarismo”. Agora que a autoridade natural no Brasil está no início do declínio já que sua sustentação depende da bonança econômica e a inadimplência chegou a um patamar perigoso, o desespero já começou: alianças desastradas, chantagens e ameaças institucionais chegando ao destempero com promessas de mordidas.

Nossa sorte é que hoje o homem comum no Brasil deixou de ser bobo e já sabe como deve sair de casa: discreto, sem lenço, cheque ou documento e, se possível, com caneleiras à prova de predadores.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A verdade Lançada ao solo” (Ed. Record)
paulorosenbaum.wordpress.com

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http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/06/28/intelectuais-e-despotas/

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Insurreição de gênero

24 domingo jun 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Tags

coragem para se opor, democracia, fisiologismo, impacto político das imagens, infidelidade partidária, insurreição de gênero, mensalão, mulheres na política, resistencia política ao neo patriarcalismo

Insurreição de gênero: Erundina, Marina e Martha

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum+A-AImprimirPublicidade

A proximidade das eleições traz imagens, e imagens podem mudar tudo. Para além das alianças e manchetes políticas incompreensíveis, algumas cenas mexem com nossas entranhas. Tudo isso se deve ao advento da única ideologia sobrevivente: pragmatismo político. Denunciantes do mensalão desfilam lado a lado com réus que atentaram contra a democracia, e, por segundos a mais, sociais-democratas flertam com nanicos. Como sempre, o glorioso MDB continua jogando em todas as posições, mas, vamos reconhecer, como esse pessoal sabe cavar faltas!

Até a divulgação da famosa foto no jardim, Erundina topava bater ombro a ombro com Maluf. As alianças regionais e nacionais fazem cair o queixo de qualquer cidadão que algum dia sonhou com coerência. O que ainda não sabem é que coerência virou artigo morto no glossário dos políticos contemporâneos. Pobres intelectuais e bem pensantes. Não entenderam nada. Melhor assim. Já imaginaram se os doutos descobrem que não há incoerência alguma? Pois, é isso mesmo. Eles todos são aliados porque concordam no básico: o importante é estar lá, custe o que for.

Ninguém esperava mesmo que sinais angelicais acompanhassem essa turma, mas não pode haver dúvida: é um abismo. Diante do fosso, duas alternativas: mergulhar de cabeça ou resistir e aguentar o tranco. E em meio aos trampolins e piscinas bem regadas, bater o pé em recusa é o que expressivas figuras femininas da política brasileira, como Erundina, Marina e Martha estão começando a fazer.

Dizer não ao costumeiro “sim, senhor” não é fácil, e o pior é “não dá lucro imediato”, por isso mesmo devemos considerar qualquer “não” como ato de bravura. Difícil analisar quais os pontos em comum das três senhoras, mas uma coisa é certa: elas podem até disfarçar e tergiversar, mas são conseguem mais esconder; suas ações afirmativas já são pedras indigestas no sapato do regime.

Como é bom lembrar que há uma raça que não se curva ao comandante! A resistência ao modelo neopatriarcal só poderia mesmo vir das mulheres. Já que falta aos homens disposição ao enfrentamento – sobra narcisismo – são elas que estão dando explícitos sinais de insatisfação. A boa-nova é que os chefões castradores que hoje fazem as vezes dos velhos coronéis do cabresto em currais eleitorais já estão ficando ressabiados.

O feminino, enfim, descobre o agradável poder que existe na infidelidade, partidária. Oxalá isso se espalhasse por toda a República. Assim, quem sabe, voltaríamos aos trilhos da democracia.

Independentemente das simpatias e antipatias pessoais, são elas que estão peitando não só os critérios stalinistas do partido hegemônico como as confrarias que usurparam o poder. Mas, sem idealizações, sabemos que todas também estão atrás dos cargos. Mas que não se desconsidere a novidade em suas mensagens descriptografadas: “Queremos, mas não a qualquer preço”. Se a insubmissão se alastrar, pode-se batizar o movimento Sim, mas não a qualquer preço. Teremos que ser muito agradecidos, qualquer coisa para nos deslocar do medonho status quo.

Não seria exagero afirmar que a insurreição de gênero em curso deve ter fortes repercussões num futuro próximo. Por isso merece registro a postura delas frente aos caciques com seus baralhos viciados. Com o movimento sindical e estudantil nas mãos e uma oposição sem estofo, elas viraram a única peça do jogo político a desafiar os desmandos. Torçamos para que essa lufada de vento também pique Dilma. Calma, eu também duvido, bom demais para ser verdade. Imaginem se ela resolvesse abrir melhor os olhos. Suponham que, tomada pela audácia, ela se rebele contra seu mentor. Seria o mais histórico e memorável de seus atos presidenciais.

Um desejo não deixa de ser possível só porque ainda não se realizou. Até nas profecias há gap temporal. O sonho pode não ser plausível agora, mas se todos bem recordam houve uma vez uma eleição no Brasil com o slogan A esperança venceu o medo. Talvez tenha chegado a hora de fazer isso acontecer de verdade.

Para comentários acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/06/24/insurreicao-de-genero-erundina-marina-e-martha/

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