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LÍNGUA PORTUGUESA
Equilíbrio instável
Paulo Rosenbaum
Vigora a velha ideia distorcida sobre o que
é saúde. Às vezes, ela é encaixada em tópicos
estéticos e procedimentais. O que vale, hoje, é
ser musculoso ou consumir o que é oferecido
como a última palavra em tecnologia. O consumo
irracional de procedimentos tem se tornado um
problema de saúde em si. Muitas vezes, em
detrimento da saúde do próprio sujeito. Excesso
de cirurgias – como a bariátrica, por exemplo – e
o consumo exagerado de drogas, com ou sem
automedicação, colocam o sujeito exposto a
tantos males quanto os que eles supostamente
estariam tentando corrigir como advertiu
abertamente o National Institute of Health dos
EUA, há alguns anos, num extenso relatório.
O fato é que estamos muito distantes de
uma medicina apropriada ao sujeito. No
Congresso Internacional da Medicina da Pessoa,
realizado na Austrália nos anos 50, alguém
formulava sinteticamente uma pergunta central.
Mesmo subestimada, ainda permanece de
importância vital em nossos dias para
compreender a medicina: “Não há saúde sem
uma resposta satisfatória à pergunta: saúde para
quê?” Não que não se possa fazer objeção ao
incômodo que esta pergunta poderia suscitar
naqueles mais pragmáticos. Mas para além deste
ponto a pergunta é oportuna, pois nos remete ao
conceito de saúde subjetiva: a sensação de bemestar.
O desenvolvimento tecno-cientifico,
aplicado às ciências da saúde, conseguiu notável
eficácia e controle sobre uma quantidade
apreciável de doenças. Mas este mesmo controle,
infelizmente, não se estendeu a uma concepção
de saúde mais sutil. O máximo que se fez foi
contemporizar colocando a palavra humanismo
na frente dos postos de saúde, clínicas e
hospitais. O cuidado, a apreciação subjetiva dos
sintomas, a rede de apoio e solidariedade para
quem está perdendo a saúde e até a
cumplicidade frente ao desespero de quem
enfrenta sofrimento não estão dentro da estrutura
geral, que prioriza outros aspectos como critérios
de sucesso. Trata-se de um grande equívoco.
Como negar que as necessidades de
cuidado estão para bem além de drogas
eficientes e hospitais modernos? Como ignorar
que, numa sociedade enferma, a saúde tenda a
ser progressivamente mais instável? Estamos
isolados e, ao mesmo tempo, nossa
interdependência aumentou, pois como se sentir
bem com tanta violência, injustiça social e
competição? Como ser saudável numa sociedade
que se esqueceu do sentido mais íntimo da
cidadania e onde os políticos lato sensu – nossos
representantes! – são os ingredientes menos
confiáveis dentre todas as camadas sociais?
A resposta talvez esteja no espaço interno.
A saúde e sentido correm juntos e dependem da
direção que queremos imprimir às nossas vidas.
Uma vida que não faz mais sentido, passa,
automaticamente, a ser insalubre. O único que
pode atribuir sentidos é o próprio sujeito. Algo
que nos traga ao espaço público sem que nos
igualemos. Para alcançar a paz e a justiça social
podemos prescindir da luta de classes. Por isso é
urgente recuperar o valor da subjetividade e as
sutilezas do espírito.
Talvez uma boa metáfora para a saúde seja
a instalação interativa “equilíbrio instável” de uma
recente exposição de arte internacional que se
realizou no Brasil. Ali centenas de pequenas
peças de acrílico como mesquitas, igrejas,
sinagogas e outros templos e edificações eram
colocadas em cima de uma grossa mesa circular
de vidro, suspensa por um cabo de aço bem no
centro. O desafio era mover uma peça sem
desequilibrar o tampo de vidro. O objetivo era
mover as peças, sem que as oscilações do tampo
chegassem a derrubar tudo. Um minúsculo
movimento em cada elemento provocava grande
turbulência no todo. Quem experimentou mover
as peças sabe: não dá para confiar nos instintos.
Texto adaptado extraído de JB On line em
17/05/2012 – http://www.jb.com.br/coisas-dapolitica/
noticias/2012/05/17/equilibrio-instavel/
Leia atentamente e responda
1) O autor define, na relação da saúde, como
um equilíbrio instável:
a) um constante desequilíbrio de fatores
provocados pelo consumo excessivo de
procedimentos médicos desnecessários.
b) o constante equilíbrio que há entre o
pensamento médico e os procedimentos
de humanização nos hospitais.
c) a relação entre as religiões existentes no
mundo e as lutas que elas empreendem
entre si pelo poder.
d) o equilíbrio social de tudo que é oferecido
ao cidadão e contribui para seu bem estar
emocional e financeiro.
e) um conjunto de fatores que se encontram
em constante relação e em que um
depende do equilíbrio do outro.
Conhecimentos Gerais (Espanhol) 2
2) O conceito mais sutil de saúde não foi
contemplado pelas novas tecnologias de
saúde porque:
a) não se considerou que a saúde envolve
fatores mais subjetivos e sutis no trato
com seres humanos do que o uso de
novas tecnologias.
b) o que vale é a aparência. Um corpo forte
e musculoso e o consumo de novas
tecnologias basta para definir alguém
como saudável.
c) as pessoas continuam consumindo
procedimentos cirúrgicos e
medicamentos de maneira desregrada e
sem prescrição.
d) a única coisa feita foi divulgar a palavra
humanismo em postos de saúde,
hospitais e clínicas médicas.
e) há um equilíbrio estável e constante entre
o homem, seu corpo e a sociedade em
que ele se insere como agente
transformador.
3) Segundo o autor do texto, qual é o conceito
mais adequado à ideia de saúde?
a) O desenvolvimento tecno-científico
trabalhando pelo ser humano.
b) A promoção do bem estar físico,
emocional e social do indivíduo.
c) O corpo forte e musculoso resultado de
exercícios constantes.
d) O uso de cirurgias que promovam o
aperfeiçoamento do corpo.
e) O uso de medicamentos modernos para
promover o bem estar.
4) Leia atentamente e responda
I . Os procedimentos médicos podem
comprometer a saúde e se tornam piores
do que os males para os quais foram
feitos
II . O Consumo de procedimentos e
medicamentos é resultante do maior
acesso das pessoas à informação
atualmente.
III . Saúde é um conceito amplo que envolve
a relação do indivíduo com o meio em
que vive e não só com o seu corpo.
Com base na leitura do texto, podemos afirmar
que estão corretas:
a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) Todas
e) Nenhuma
5) Na expressão “equilíbrio instável”, o autor
apresenta a mesma figura de pensamento
que encontramos em expressões como:
a) A última morada do homem
b) O pé da mesa de mármore
c) A clara escuridão da noite
d) O fogo ardente da paixão
e) O frio olhar da moça
Leia o trecho atentamente e responda às
questões 6 e 7
“(TF) A saúde e sentido correm juntos e
dependem da direção que queremos imprimir às
nossas vidas. (FP) Uma vida que não faz mais
sentido, passa, automaticamente, a ser insalubre.
(FS) O único que pode atribuir sentidos é o
próprio sujeito.“
6) O trecho acima constitui um parágrafo
completo por si com um tópico frasal (TF),
uma frase primária de explação (FP) e uma
frase secundária (FS). O autor optou por não
fazer uso de conectivos, mas a relação entre
as unidade do parágrafo são mantidas e
podemos defini-las, respectivamente, como:
a) assertiva / conclusiva / explicativa
b) assertiva / alternativa / concessiva
c) assertiva / adversativa / conclusiva
d) assertiva / explicativa / conclusiva
e) assertiva / adversativa / explicativa
7) Com base no mesmo trecho extraído para a
questão acima, se quiséssemos fazer uso de
conectivos para ligar as unidades do
parágrafo em destaque, a única opção que
nos permitiria o texto sem mudar o seu
sentido original seria, respectivamente, o uso
do:
a) porque / entretanto
b) entretanto / pois
c) já que / embora
d) logo / por isso
e) pois / por isso
Conhecimentos Gerais (Espanhol) 3
8) Leia atentamente
“Vigora a velha ideia distorcida sobre o que é
saúde. Às vezes, ela é encaixada em tópicos
estéticos e procedimentais.” No primeiro
parágrafo, a que se refere o autor no texto
como “tópicos estéticos” e “procedimentais”?
a) músculos avantajados e medicamentos
modernos
b) aparência emocional e medicamentos
c) aparência física e emocional
d) aparência física e cirurgias
e) aparência emocional e cirurgias
9) Todos os conceitos mais sutis e subjetivos de
saúde expresso pelo autor do texto podem ser
representado pelas alternativas abaixo,
EXCETO:
a) sensação de bem estar.
b) exercício da cidadania.
c) ausência de violência.
d) equilíbrio emocional.
e) aparência física.
10) Para o autor do texto, quais critérios podem ser
entendidos como um exemplo de sucesso a
ser considerado no tratamento de pessoas que
estão perdendo a saúde?
a) A tecnologia e o uso de recursos
alopáticos modernos.
b) A fé e o acompanhamento terapêutico do
paciente.
c) O cuidado e a capacitação técnica dos
médicos.
d) O cuidado e a rede de apoio e
solidariedade.
e) A solidariedade e os recursos
tecnológicos.
11) Leia atentamente as afirmativas
I . A saúde é uma junção de fatores que
operam para o bem estar do homem.
II . A saúde precisa de mecanismos
tecnológicos para ser plena e eficiente.
III . A saúde provoca um desequilíbrio instável
quando estamos mal com nós mesmos.
Com base na leitura do texto, qual(is) opção(ões)
está (ão) correta(s)
a) I
b) II
c) I e II
d) Todas
e) Nenhuma
12) Leia atentamente e responda
A imagem abaixo de uma placa em uma
barbearia correu a internet e virou piada pelo
duplo sentido que ela oferece.
Gramaticalmente, podemos dizer que tal
ambiguidade ocorre porque:
a) a conjunção aditiva “e” permitiu a omissão
do verbo “cortar” na segunda sentença
criando a ideia de que “pinto” era um
substantivo e não um verbo.
b) o verbo “pintar” na 1ª pessoa do singular
do presente do indicativo, em razão da
homonímia com o substantivo “pinto”, cria
no leitor a impressão de que tanto ele
quanto o substantivo “cabelo” são
complementos do mesmo verbo.
c) a conjunção “e” aponta para a
classificação do verbo “pintar” como um
substantivo masculino similar a “cabelo”.
d) A palavra “corto” é uma grafia inadequada
do adjetivo “curto” e permite associação
aos substantivos “cabelo” e “pinto”.
e) os três vocábulos que se apresentam no
cartaz podem ser interpretados como três
adjetivos ou três substantivos.
13) Na frase “Talvez uma boa metáfora para a
saúde seja a instalação interativa “equilíbrio
instável” de uma recente exposição de arte
internacional que se realizou no Brasil.” A
oração em destaque corresponde a mesma
classificação sintática da oração apresentada
na alterntiva:
a) Como negar que as necessidades de
cuidado estão para bem além de drogas
eficientes (…)
b) O fato é que estamos muito distantes de
uma medicina apropriada ao sujeito.
c) A saúde e sentido correm juntos e
dependem da direção que queremos
imprimir às nossas vidas.
d) O objetivo era mover as peças, sem que
as oscilações do tampo chegassem a
derrubar tudo.
e) Quem experimentou mover as peças sabe
que não dá para confiar nos instintos