O Filme “O nome do Cuidado”, um ensaio médico-filosófico sobre a relação entre médico e paciente.

O Filme “O nome do Cuidado”, um ensaio médico-filosófico sobre a relação entre médico e paciente, confira !

“O Nome do Cuidado”, filme que trata sobre a relação entre médico e paciente, a partir da interpretação de um texto médico-filosófico interpretado por Walderez de Barros e Oswaldo Mendes. O LAPPIS, apoiando a divulgação do filme, entrevistou o idealizador do média-metragem, o Dr. Paulo Rosenbaum. O médico homeopata responde à questões sobre o filme e sobre a saúde e sua representatividade na sociedade atual. Assista ao trailer do filme e depois não deixe de ler a exclusiva entrevista !                        

*Em uma das cenas, a personagem vivida por Walderez de Barros reflete sobre a solidão e o grande individualismo presente nos membros da sociedade contemporânea. Como você encara essa tendência e quais as relações que ela tem com a saúde, sobretudo com a homeopatia? Nesta nossa sociedade da informação e relações expressas, a solidão tende a se acentuar dramaticamente, as pessoas vivem mais sós, o número de pessoas que moram sem família segundo os dados do IBGE de 2008 mostram: a tendência explodiu na última década. Isso é mundial. Por outro lado, o individualismo não está só presente nos membros da sociedade, a sociedade é ideologicamente individualista. Isso é: a sociedade – mesmo num regime mais solidário e participativo – produz sua “coesão” em geral às custas de um efeito colateral: a supressão das características pessoais, diluição das unidades irrepetíveis que são os sujeitos individuais. É relativamente simples compreender: para alcançar a média eliminam-se os traços singulares. Há cada vez menos espaço na sociedade para idiossincrasias e as singularidades têm que se adaptar – sob o preço da exclusão, marginalização ou abandono – as normas sociais que são comuns à média. A solidão contemporânea é não só um produto da incapacidade de pertencimento, mas também a rejeição ativa de um meio social que discrimina e segrega as diferenças. Não sei se há solução para este paradoxo. Há ademais uma solidão metafísica, o sofrimento existencial para o qual, talvez, não haja cura. Paul Ricouer fala que a miséria é não coincidir consigo mesmo. Acredito nisso. Mas como recuperar estes valores em uma sociedade anômica e sem critérios justos? A homeopatia e as medicinas integrativas são só meras medicinas, certo? Por que deveriam se propor a ser agentes de uma transformação mais ampla? Que pretensão é essa? Qual sociólogo ou filósofo concedeu esta liberdade para a medicina? Mas o fato é que desempenharam um papel social mais amplo do que só eliminar doenças, tentaram desenvolver critérios para avaliar cada singularidade como essenciais à uma melhor compreensão do processo de saúde e doença e até compreender melhor a sociedade. Benoit Mure pode ser sempre citado como alguém com estas preocupações. Gostemos ou não, pelo menos até aqui, a ampliação do horizonte de atuação da medicina foi um projeto derrotado. Que se choquem os puristas, mas há elementos palpáveis que permitem fazer esta leitura: as áreas não hegemônicas não conseguiram a sustentação, pois nem os médicos que usam as outras racionalidades médicas, as não hegemônicas, se entendem sobre como devem informar à sociedade. Nem sobre os motivos de sua existência, nem quais as novidades que propõem ao resistir ao hardcore das pesquisas padrão-ouro como as únicas que realmente qualificam o que se produz de benefícios. Aliás, a “resistência” que durante muito tempo foi até bem calibrada para fixar e reafirmar um projeto de pesquisa que ainda estava um tanto frouxo hoje virou justificativa para se manter como uma causa anacrônica. Uma ideologia atrasadíssima que divide o mundo entre alopatia e todo resto. Ela, além de não dialogar bem, acha que deve desafiar a corporação médica ou acusar as indústrias de medicamentos no lugar de trazê-los ao debate. Há dificuldades em ter consensos mínimos para dialogar com a comunidade científica e quando o faz paga o preço para executar a desfiguração das características que fundamentam o método. Temos, então, que fazer a pergunta dolorosa: de que vale toda luta pela reafirmação se é para aceitar uma redução que inviabiliza a novidade trazida pela perspectiva de uma prática integrativa, que é, sem ingenuidade nenhuma, um projeto generoso?                                

  • Na contemporaneidade, a saúde assumiu a definição de “não estar doente”, ao invés da definição clássica de “ser saudável”. Em uma passagem, Oswaldo Mendes questiona o paciente sobre o que ele imagina ao sentir dor. A expressão visual é a explosão de uma bomba, mas como você a definiria em palavras?A bomba é uma metáfora cuja idéia foi do diretor do filme o Leo Lama e que o Paulo Prestes Franco captou e inseriu muito bem na película. Ela é eficiente para dizer uma coisa que se reafirma ao longo do filme. Uma bomba é a violência máxima, as vezes indiscriminada, a maioria das vezes irracional, que pode ser a síntese simbólica do estatuto moderno da falta de delicadeza. É a antítese absoluta do cuidado. Só o que vale é produzir “efeitos” e “ver” fatos. O testemunho, a narrativa só aparecem e só podem ser validados pelas imagens. Ela tem a força para dizer aos que estão em volta que ele é um alvo. Um alvo da injustiça, um refém da impaciência, um objeto a ser pulverizado. Assim muitas vezes as áreas das ciências da saúde infelizmente objetificam as pessoas que precisam de tratamento. A metáfora tem, neste sentido, uma tripla hermenêutica: destruição da coisa “doença”, o “alvo” sofre uma ação indiscriminada contra tudo que está em volta. A bomba, na verdade uma cena de míssil teleguiado atingindo um alvo, também representa a intensidade desesperada do sofrimento, e finalmente uma metáfora para comparar o que às vezes é de difícil verbalização no caldo da pobreza da linguagem. Enfim, a imagem da destruição que, para quem adoece, não faz nenhum sentido. Mais para frente, durante um diálogo, o paciente diz para o médico reagindo a uma generalização que aquilo que ele fala é um problema da sociedade e não da medicina e o médico contesta: “os problemas da sociedade explodem na cara da medicina”.   
  • As medicinas integrativas, particularmente a homeopatia preconizam um atendimento individualizado, dando ao paciente a atenção necessária para que a cura seja obtida com maior qualidade. Em sua opinião, esse tipo de relação entre paciente e médico deveria ser integralizada ou deveria se restringir apenas à homeopatia? Se o que você entende por “relação integralizada” for uma relação radical onde o médico capture o estado do doente e o contextualize e a partir desta perspectiva, onde ele pode entrar em sintonia dialógica com quem está cuidando e vice versa, sim. Vice versa, pois a relação dialógica pressupõe que os dois sejam sujeitos na consulta. A homeopatia é uma especialidade que tem esta característica estrutural em sua episteme e por mais que os pesquisadores tentem dissecá-la não é possível emancipar o efeito terapêutico medicamentoso da ação e da força da ação nos rapports terapêuticos. Eles estão casados e condenados a uma fidelidade eterna para desgosto de muitos. É um grande equívoco subestimar o valor da conversação. O atendimento individualizado não é só estar atento e disponível para o sujeito enfermo, mas valorizar as idiossincrasias não só como detalhes positivos para identificar sintomas, mas para compreender e fundir horizontes com o autor dos sintomas. Neste caso a fusão de horizontes é com o paciente. Esta apreensão não é só importante naquele momento já que uma orientação ou aconselhamento sempre poderão ter como base aspectos muito particulares de determinada pessoa. Se a medicina standard pudesse reaprender a ouvir as histórias biográficas e clínicas dos pacientes isso seria um enorme avanço científico e institucional. O cuidado se aproximaria de uma prática mais cuidadosa e médicos e pacientes seriam progressivamente desobjetificados e isso, poderia funcionar como uma reformulação geral da própria noção da clínica. Mas isso é só uma esperança.                                                                                 
  • A escolha do metrô como cenário da interpretação representa a coletividade que é responsável por igualar os cidadãos, oprimindo as características individuais. Em uma cena o paciente grita, desesperadamente, que está passando mal. Enquanto ele demonstra o seu desespero, fica claro que ninguém, entre as muitas pessoas que o cercam, é capaz de ajudá-lo. Em sua opinião, a sociedade carece de solidariedade? Qual a relação desse sentimento com as práticas de saúde? Essa é uma colocação instigante. De fato, o grito da dor é um grito no vazio, além de surdo ele é um grito inoperante. Ele emite seu desespero para quem? Há quem ouça? Há quem cuide? O desamparo é um estado grave; ele é a voz do abandono e da falta de cuidado. Ele é o parente por afinidade da solidão. Por isso ela grita tão alto e insiste em se fazer ouvir. O filme busca acolher e examinar o mal-estar. Como disse acima a sociedade não é, por natureza, solidária. Muito menos o Estado que em geral é violento, repressivo e ao dizer que se preocupa com o cuidar das “massas” talvez não promova nada além de medidas homogêneas para pessoas com necessidades completamente diferentes, não importa o protocolo aplicado. A epidemiologia está apenas começando a aprender o valor prático da diversidade. Às vezes, a maioria delas, sacrifica-se o individual em nome de um bem coletivo. Ninguém está querendo negar o valor da bioestatística nem da eficácia. Por exemplo, não se pode colocar em ônibus públicos bancos individualizados de um modo que cada um seja respeitado no modo como gostaria de se sentar. Mas a ação médica é diferente e os cuidados em saúde precisam de uma atenção que enfoque o modo particular de como a pessoa adoece e se cura. Não é possível a padronização ainda que se possa aceitar os protocolos e suas taxas de eficiência. Isso é só uma faceta da interferência terapêutica. A outra cara da moeda é que se um protocolo de tratamento é eficaz numa indiscriminada aplicação de uma diretriz exitosa sobre determinada patologia, imaginem quão mais eficaz ele seria se pudesse ao mesmo tempo avaliar o impacto geral em cada sujeito e um ajuste fino pessoa a pessoa? Esse é o grande e maior trunfo de uma concepção correta de integralidade. A maneira singular e única com que cada expressa o que só ele pode expressar. Quem sabe assim não teríamos que estar discutindo à exaustão um pleonasmo como “humanização da medicina”. Decerto há segmentos de pesquisa no mainframe científico que já se ocupam apropriadamente desta questão, mas o percurso é lento e comprido. Como dizia a música: it is a long way!                                   
  • A cena em que a personagem expressa não querer saber sobre o diagnóstico, seja ele certo ou errado, representa o descaso do indivíduo pelo processo médico, desejando a cura imediata, sem se importar com as causas da doença. Essa é uma tendência geral da sociedade atual?                                                                                       A homeopatia, por possuir uma abordagem voltada para o indivíduo, pode servir de exemplo como solução para essa tendência? Não sei se eu leria dessa forma embora essa seja exatamente a riqueza do filme. Um documentário hermenêutico como “O nome do Cuidado” pretende mostrar que esta fusão se dá com as diferentes perspectivas de quem o vê e assim pode ser mais bem explorada em debates públicos. E esse é nosso esforço. Por sinal, nos chamou a atenção para a falta de apoio quase absoluto para esta iniciativa que tivemos que bancar com recursos pessoais e com a ajuda de amigos. Nenhuma associação, universidade ou grupos de pesquisa se engajou no projeto. Não reclamo. Apenas tento constatar como uma questão vital como essa está encapsulada e preterida. O que para mim só aumenta o desejo de divulgar o documentário e partir para uma segunda investigação fílmica. É uma discussão não efetivada e que exatamente por não despertar interesse institucional, devemos insistir em discutir “por que é que causa tanto incomodo este assunto? O que ele suscita? Renunciamos a qualquer denuncismo tosco, para adotar a linguagem da arte, metafórica e poética para dar voz aos problemas. Aplicar centenas de milhões de reais para implantar postos de atendimento, programas de humanização e a regulamentação das medicinas integrativas no estado brasileiro pode não ser o suficiente. Sem uma discussão levada as últimas consequências de qual é o tipo de medicina desejável e o que é o mais prioritário e de como está se dando a formação de recursos humanos para esta demanda imensa — tanto no SUS como na prática médica privada – e sem ainda levar em consideração o gênero de mal-estar que se amplia na sociedade contemporânea não me parece que podemos ir muito longe. Há um momento no filme que o médico diz “há uma patologia social gigante e parece que as pessoas não percebem que estas coisas também são sintomas”.                                            
  • Por fim, o trailer do filme, logo no início, levanta uma pergunta: “De qual medicina a sociedade precisa?”. Você poderia respondê-la? Acho que é a sociedade que precisa discutir qual medicina deseja. É uma pergunta e ninguém pode ter a pretensão de dar respostas sozinho. Mas tenho uma intuição e é disso que vou falar. Acho que as pessoas pelo menos a maioria não sabem o que é a medicina nem que ela tem várias possibilidades de intervenção. Quem dirá o que são as medicinas de corte integrativo. Se há uma medicina modelo? Se há um modelo que deveria ser hegemônico?

Não acredito. Precisamos urgentemente transcender a ideia de que uma      fórmula substituirá outra. As várias formas de intervenção fazem sentido e dizem respeito a modelos específicos de culturas e diversidades: étnicas, raciais, religiosas, geográficas. Há, entretanto alguns tópicos genéricos: acredito em levar a ideia para os usuários e consumidores de que é bom um atendimento em que a qualidade da presença esteja em evidência. Uma medicina em que a escuta seja mais generosa e que o paciente não seja objeto passivo, mas sujeito interativo que esteja também presente colocando todos os seus instrumentos à sua própria disposição. Tudo para que se possa alcançar estados mais próximos da felicidade. Um gestor de saúde poderia torcer o nariz e dizer: isso é impossível. Enquanto for médico, ainda posso – ou desejo -me dar ao luxo de acreditar. 

Para contatar o Dr. Paulo Rosenbaum, envie um e-mail para rosenbau@alumni.usp.br.

The film “The name of the Care”, a medical-philosophical essay on the relationship between doctor and patient.

The film “The name of the Care”, a medical-philosophical essay on the relationship between doctor and patient, check it out!

“The Name of Care”, a film that deals with the relationship between doctor and patient, based on the interpretation of a medical-philosophical text interpreted by Walderez de Barros and Oswaldo Mendes. LAPPIS, supporting the dissemination of the film, interviewed the creator of the medium-length film, Dr. Paulo Rosenbaum . The homeopathic physician answers questions about the film and about health and its representation in today’s society. Watch the movie trailer and then be sure to read the exclusive interview!                         

1- In one of the scenes, the character played by Walderez      de Barros reflects on the loneliness and great individualism present in members of contemporary society. How do you face this trend and what are the relationships it has with health, especially with homeopathy? In our society of information and express relationships, loneliness tends to increase dramatically, people live more alone, the number of people who live without a family, according to IBGE data from 2008 shows: the trend has exploded in the last decade. This is worldwide. On the other hand, individualism is not only present in the members of society, society is ideologically individualistic. That is: society – even in a more solidary and participatory regime – produces its “cohesion” in general at the expense of a side effect: the suppression of personal characteristics, dilution of unrepeatable unitswhich are the individual subjects. It is relatively simple to understand: to reach the average, singular traits are eliminated. There is less and less room in society for idiosyncrasies and singularities have to adapt – at the price of exclusion, marginalization or abandonment – ​​to social norms that are common to the average. Contemporary loneliness is not only a product of the inability to belong, but also the active rejection of a social environment that discriminates and segregates differences. I don’t know if there is a solution to this paradox. There is also a metaphysical loneliness, existential suffering for which, perhaps, there is no cure. Paul Ricouer says that misery is not coinciding with oneself. I believe in that. But how to recover these values ​​in an anomic society and without fair criteria? Homeopathy and integrative medicine are just medicine, right? Why should they propose to be agents of a broader transformation? What is this pretension? Which sociologist or philosopher granted this freedom to medicine? But the fact is that they played a broader social role than just eliminating diseases, they tried to develop criteria to assess each singularity as essential to a better understanding of the health and disease process and even a better understanding of society. Benoit Mure can always be cited as someone with these concerns. Like it or not, at least so far, the expansion of medicine’s horizon of action was a defeated project. Let the purists be shocked, but there are palpable elements that allow this reading to be made: the non-hegemonic areas did not get support, because even the doctors who use the other medical rationalities, the non-hegemonic ones, understand how they should inform society. Neither about the reasons for their existence, nor what new developments they propose in resisting the hardcore of gold standard research as the only ones that really qualify what is produced as benefits. In fact, the “resistance” that for a long time was even well calibrated to fix and reaffirm a research project that was still somewhat loose today became a justification for maintaining itself as an anachronistic cause. A very backward ideology that divides the world between allopathy and everything else. She, in addition to not dialoguing well, thinks she should challenge the medical corporation or blame the drug companies instead of bringing them to the debate. There are difficulties in having a minimum consensus to dialogue with the scientific community and when it does, it pays the price to disfigure the characteristics that underlie the method. We have, then, to ask the painful question: what is the point of all the struggle for reaffirmation if it is to accept a reduction that makes the novelty brought about by the perspective of an integrative practice, which is, without any naivety, a generous project unfeasible?                               

2- Nowadays, health assumed the definition of “not being sick”, instead of the classic definition of “being healthy”. In one passage, Oswaldo Mendes questions the patient about what he imagines when feeling pain. Visual expression is the explosion of a bomb, but how would you define it in words? The bomb is a metaphor whose idea came from the film’s director, Leo Lama, and which Paulo Prestes Franco captured and inserted very well into the film. She is efficient at saying something that reaffirms itself throughout the film. A bomb is the maximum violence, sometimes indiscriminate, most often irrational, which can be the symbolic synthesis of the modern statute of lack of delicacy. It is the absolute antithesis of care. All that counts is producing “effects” and “seeing” facts. The testimony, the narrative only appears and can only be validated by the images. She has the strength to tell those around her that he is a target. A target of injustice, a hostage of impatience, an object to be pulverized. So often the health sciences areas unfortunately objectify people who need treatment. In this sense, the metaphor has a triple hermeneutic: destruction of the “disease” thing, the “target” suffers an indiscriminate action against everything around it. The bomb, actually a scene of a guided missile hitting a target, also represents the desperate intensity of suffering, and finally a metaphor to compare what is sometimes difficult to verbalize in the soup of poverty of language. Finally, the image of destruction that, for those who get sick, makes no sense. Later, during a dialogue, the patient says to the doctor, reacting to a generalization that what he says is a society problem and not medicine, and the doctor answers: “society’s problems explode in the face of medicine”.         

3- Integrative medicine, particularly homeopathy, values ​​individualized care, giving the patient the necessary attention so that a cure can be obtained with greater quality. In your opinion, should this type of relationship between patient and doctor be integrated or should it be restricted to homeopathy only? If what you mean by “integrated relationship” is a radical relationship where the doctor captures the patient’s state and contextualizes it, and from this perspective, where he can enter into dialogical harmony with whoever is caring and vice versa , yes. Vice versa , as the dialogic relationship presupposes that the two are subjects in the consultation. Homeopathy is a specialty that has this structural feature in its episteme and as much as researchers try to dissect it, it is not possible to emancipate the medicinal therapeutic effect from the action and the force of action in therapeutic rapports . They are married and doomed to eternal fidelity to the chagrin of many. It is a big mistake to underestimate the value of conversation. Individualized care is not only about being attentive and available to the sick person, but valuing idiosyncrasies not only as positive details to identify symptoms, but also to understand and merge horizons with the author of the symptoms. In this case, the fusion of horizons is with the patient. This apprehension is not only important at that time, as guidance or counseling can always be based on very particular aspects of a particular person. If standard medicine could relearn how to listen to patients’ biographical and clinical histories, this would be a huge scientific and institutional advance . Care would approach a more careful practice and doctors and patients would be progressively disobjectified and this could work as a general reformulation of the very notion of the clinic. But that’s just a hope.                                                                                       

4- The choice of the subway as the interpretation scenario represents the collectivity that is responsible for equalizing citizens, oppressing individual characteristics. In one scene the patient screams, desperately, that he is feeling sick. As he demonstrates his despair, it is clear that no one among the many people around him is able to help him. In your opinion, does society lack solidarity? What is the relationship of this feeling with health practices? That’s a thought-provoking statement. In fact, the cry of pain is a cry in emptiness, besides being deaf it is a dead cry. He issues his despair to whom? Is there anyone listening? Is there someone to take care of it? Helplessness is a serious condition; he is the voice of abandonment and carelessness. He is the in-law of solitude. That’s why she screams so loud and insists on making herself heard. The film seeks to welcome and examine the malaise . As I said above, society is not, by nature, solidary. Much less the State, which in general is violent, repressive and, when saying that it is concerned with taking care of the “masses”, may not promote anything other than homogeneous measures for people with completely different needs, regardless of the protocol applied. Epidemiology is just beginning to learn the practical value of diversity. Sometimes, most of them sacrifice the individual in the name of a collective good. No one is trying to deny the value of biostatistics or effectiveness. For example, you cannot place individual seats on public buses in a way that everyone is respected in the way they would like to sit. But medical action is different and health care needs attention that focuses on the particular way in which the person becomes ill and heals. Standardization is not possible even though protocols and their efficiency rates can be accepted. This is just one facet of therapeutic interference. The other side of the coin is that if a treatment protocol is effective in the indiscriminate application of a successful guideline on a given pathology, imagine how much more effective it would be if it could simultaneously assess the overall impact on each subject and fine-tune person to person ? This is the greatest and greatest asset of a correct conception of integrality. The singular and unique way each expresses what only it can express. Maybe we wouldn’t have to be discussing at length a pleonasm as the “humanization of medicine”. Certainly there are segments of research in the scientific mainframe that are properly concerned with this issue, but the path is slow and long. As the song said: it is a long way !                                         

5- The scene in which the character expresses not wanting to know about the diagnosis, whether right or wrong, represents the individual’s disregard for the medical process, wanting immediate cure, regardless of the causes of the disease. Is this a general trend in today’s society?                                                                                                                                Can homeopathy, as it has an approach aimed at the individual, serve as an example as a solution to this tendency? I don’t know if I would read it that way although that’s exactly the richness of the movie. A hermeneutic documentary like “O nome do Conhecimento” intends to show that this fusion takes place with the different perspectives of those who see it and thus can be better explored in public debates. And that’s our effort. By the way, it called our attention to the almost absolute lack of support for this initiative, which we had to fund with personal resources and with the help of friends. No association, university or research group was involved in the project. I don’t complain. I just try to see how a vital question like this is encapsulated and overlooked. Which for me only increases the desire to publish the documentary and start a second filmic investigation. It is an ineffective discussion and precisely because it does not arouse institutional interest, we must insist on discussing “why does this issue cause so much trouble? What does it raise? We renounce any crude denunciation, to adopt the language of art, metaphoric and poetic, to give voice to problems. Applying hundreds of millions of reais to implement service centers, humanization programs and the regulation of integrative medicine in the Brazilian state may not be enough. Without a discussion carried out the ultimate consequences of what type of medicine is desirable and what is the most priority and how the training of human resources is taking place for this immense demand – both in the SUS and in private medical practice – and still without taking into account the kind of malaise that is spreading in contemporary society does not seem to me that we can go very far. There is a moment in the film when the doctor says “there is a gigantic social pathology and it seems that people don’t realize that these things are also symptoms” . 6- Finally, the movie trailer, right at the beginning, raises a question: “Which medicine does society need?”. Could you answer it? I think society needs to discuss which medicine it wants. It’s a question and no one can claim to give answers alone. But I have an intuition and that’s what I’m going to talk about. I think that at least most people do not know what medicine is or that it has several possibilities for intervention. Who will say what the integrative cut medicines are. If there is a model medicine? Is there a model that should be hegemonic?                                                                                         

      I do not believe. We urgently need to transcend the idea that one formula will replace another. The various forms of intervention make sense and relate to specific models of cultures and diversities: ethnic, racial, religious, geographic. There are, however, some generic topics: I believe in bringing the idea to users and consumers that a service in which the quality of presence is in evidence is good. A medicine in which listening is more generous and the patient is not a passive object, but an interactive subject who is also present, putting all his instruments at his disposal. Everything so that you can reach states closer to happiness. A health manager might turn up his nose and say: this is impossible. As long as I’m a doctor, I can still – or want to – have the luxury of believing.      

To contact Dr. Paulo Rosenbaum , send an email to rosenbau@alumni.usp.br.

To see the teaser: http://www.youtube.com/watch?v=3vUXVhOudCc

Fictitious Interview with Dr. Mure, the promoter of Homeopathy in Brazil – Paulo Rosenbaum (From 2012)

Paulo Rosenbaum

Homeopathy Day

On November 21, the day of Homeopathy in Brazil is celebrated, a date that provides a moment of reflection on the therapy created by Samuel Hahnemann and introduced in Brazil by the doctor Benoit Jules Mure.

In a fictional interview with Dr. Mure, Dr. Paulo Rosenbaum raises some questions that, from his point of view, are important for the current moment of Homeopathy.

Another day of homeopathy in Brazil and it is not difficult to recognize widespread demotivation. But is there any reasonable explanation for it?

Doctor Benoit Jules Mure had many concerns in mind. The expansion of the company’s horizon of action

medicine was one of them. A generous project compatible with the wishes of the society that asked for, and continues to ask for, sharing, dialogue, ethics and solidarity, whatever the medicine used.

To discuss this and other topics we were able to talk to Dr…

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Here is the skullcap. (Published in the newspaper “O Estado de São Paulo”)

Destacado

Paulo Rosenbaum

Still impacted by the flood of anti-Zionist-anti-Semitic or “antiZionSemitic” racism (the neologism urges, as it is proven that they are one and the same) that fill the streets, social networks, entire states, all like social vigilantes who now pride themselves on fighting and to wage war on Jews for the Palestinian sic “cause”.

I am convinced that this is a pathology, ranging from the extreme left to the extreme right, passing through “ proxies ” —such as the recent support given to the fundamentalist terrorists who dominate Gaza when they launched 4,300 missiles at Israeli civilians. The big news is selective xenophobia on an extreme left that understands that some racisms are more progressive than others.

The supposed irrationality of the anti-Semites needs to pass a more symbolic analytic scrutiny. This means that Judeophobes of the most varied hues are still proliferating. And they do so secretly, anonymously, subliminal, inadmissible and under unspoken omissions, spreading hostile sentiments against Jews, regardless of who the Jew in question is. For the totalitarian the individual subject is an abstraction, a bourgeois social construction, therefore despicable.

I then narrate my most recent experience.

Very recently, I gave a lecture in a course in the medical field and exposed some of the results of my medical and epistemological research carried out during my academic life at Faculty of Medicine (USP). The course had approximately 70 professors from the health area, when I heard a noise in the background, no noise, noise. And the words were repeated more than once “It’s a Jew there.” I decided to wait, as it could very well be a sound distortion of the platform, maybe some parasitic cybernetic spirit? Or even an inflection of the ectoplasm of hate? , more precisely after midnight, they tend to haunt cyberspace . I admit that I thought of auditory hallucinations. I adjusted the microphone and the earphone, and went ahead with my presentation on themes that involved the rescue of the doctor-patient relationship. Theme especially vital in an age lacking in solidarity, support and genuine empathy for those suffering from disease, and widespread ineptitude on the part of public men.

But then the sound was confirmed, once, twice, maybe three times, and it wasn’t exactly a neutral expression “yeah, there’s a Jew there.” I stopped doubting what I was hearing. But, right after that, “…he’s really a Jew!” Intonation is everything when you are dealing with conversations in the off-site world. The person’s voice expressed these words describing to others the ethnic or religious identity of the person making the presentation.

Me.

But it came to the case?

Perhaps.

Was she purposely leaving the microphone open for everyone else to hear? Or was it just a faulty act, by default, and the pent-up words gushed uncontrollably from her mouth? I couldn’t tell. And what to do with this during a live stream? It doesn’t matter if it was a skirt or tight pants, after all it was an aggression, albeit minimized by the “escape”, and by the supposedly naive casualness of a random audio capture.

On impulse, between outrage and the need to respond, I asked the group’s permission. I quickly went to the nearest closet and retrieved my favorite skullcap, handcrafted in Jerusalem. And then I returned to my presentation, making a point of showing off the outfit. Then, in front of the camera, I slowly adjusted the ancestral kippah . Used to cover the head of Jews since the period in which Abram left the city and his father’s house in Ur in Chaldea, breaking with mythologies and creating a culture that would generate one of the first civilizing codes of humanity.

Full embroidered skullcap, made with a porous black fabric. In the print, a star that has accompanied us since King David, passing through the yellow ones of the ghettos and Nazi camps, to finally reach the blue symbol of freedom for the Israeli defense forces. The one that made the Hebrew people less vulnerable to centuries of unpunished immolation in a world full of omissions.

Only after the lecture was over did I stop to reflect. I came to the conclusion that my response was instinctive and irrational, but at the same time, defiant, and even courageous. After all, I peered, what was my real annoyance? Difficult to explain, but there is an inaudible sound that haunts the Mosaic nation that no one can underestimate. Especially for a grandson of Shoah survivors .

Here in Brazil, unlike today’s Jews in Europe, the United Kingdom, and even in many North American cities, it is still possible to show outward signs of Judaism without being threatened or lynched. But, if it depended on a significant part of the media, perhaps the picture would be different, since the anti- Israel bias is self-evident . Overkill? Not for those being bullied.

Evidently, the causes of the current state of affairs cannot be analyzed in a journalistic article like this. As the excellent lawyer and professor of law at Harvard, Alan Dershowitz , said in an article published less than two months ago, the resurgence of anti-Semitism – not a resurgence, as it has never ceased to exist – in Europe and around the world has multiple and complex roots. But there is one constant: it is always covered up by a policy based on hypocrisy and the need to show neutrality, while neo- pogroms — that’s the name — have been repeated daily in various parts of the world.

Returning to our microcosm, there, in the heat of my perplexity, since during the presentation it was not a person with characteristic form and costumes, after all, as a rabbi friend told me, I am what he considers a “non-observant orthodox” whatever that means. Rather, it was a question of incorporating something from the imagination, some projected stereotype, some alibi to show the range of the malicious intonation of that voice that hid in the virtual crowd.

Some participants at the meeting were curious about the unusual situation. To contain the malaise? Or simply sympathetic to what appeared to be an inconvenient plot staged in an improvised theater. I sought, almost automatically, to convert the event into a playful experience, after all, I needed to assume the identity required by the clamor of the phantom voice. And nothing would seal the expression “… really Jew” more than the use of the “little hat”.

Then I remembered the biography of Freud, written by Peter Gay. He related an episode that took place inside the train, before Freud left Paris for exile in London. The doctor’s sarcastic humor was revealed when the Nazis demanded a written declaration that he had been treated well by the Nazis.

Freud wrote more or less the following sentence in a note

“I recommend the Gestapo!”

Is the analogy disproportionate? Probably. But I bring this last passage not as a curiosity, but to show that history reveals itself by clues. It is through them that individual micro-stories can give us clues to track current and future trends. The fomenting of intolerance, racism, censorship and media bias, together with the brand new witch hunt underway, is a phenomenon that should serve as a warning. Unfortunately this will not happen, the recurrent addiction to ancient historical errors is stronger than the desire for healing.

Aside from the melancholy, the balance of this experience is still unknown to me. The analysis and judgment of the episode I leave to those who read us.

I had already chosen to reduce myself to stoic silence and leave this episode personal in the past, but I woke up to the nightmare and understood that it might be worth sharing.

I then repeat the gesture: here is the skullcap.

Eis o solidéu (blog Estadão)

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/eis-o-solideu/

Eis o solidéu.                                          

Paulo Rosenbaum

Ainda impactado pela enxurrada de racismo antissionista-antissemita ou “antizionssemita” (urge o neologismo, pois está provado que são um e o mesmo) que entulham as ruas, as redes sociais, Estados inteiros, todos como justiceiros sociais que agora se ufanam de lutar e fazer guerra aos judeus pela “causa” sic palestina.

Estou convicto de que se trata de uma patologia, que vai da extrema esquerda à extrema direita, passando por “proxys”— como o recente apoio dado aos terroristas fundamentalistas que dominam Gaza quando lançaram 4.300 mísseis sobre civis israelenses. A grande novidade é a xenofobia seletiva em uma extrema esquerda que entende que alguns racismos são mais progressistas que outros.

A suposta irracionalidade dos antissemitas precisa passar por um crivo analítico mais simbólico. Isso significa que judeufóbicos das mais variadas matizes ainda proliferam. E o fazem de forma recôndita, anônima, subliminar, inconfessável e sob omissões tácitas, espalhando sentimentos hostis contra judeus, independentemente de quem será o judeu em questão. Pois para o totalitário o sujeito individual é uma abstração, uma construção social burguesa, portanto desprezível.

Narro então minha mais recente experiência.

Muito recentemente, ministrava uma palestra num curso na área médica e expunha alguns dos resultados das minhas pesquisas médicas e epistemológicas feitas durante minha vida acadêmica na FMUSP. O curso contava com aproximadamente 70 professores da área de saúde, quando ouvi um ruído ao fundo, ruído não, rumor.  E as palavras foram repetidas mais de uma vez “é um judeu ai”. Resolvi esperar, pois poderia muito bem ser uma distorção sonora da plataforma, quem sabe algum espírito cibernético parasita? Ou ainda uma inflexão do ectoplasma do ódio? Dizem que à noite, mais precisamente após a meia noite, eles costumam assombrar o ciber espaço. Admito que pensei em alucinação auditiva. Ajustei o microfone e o fone, e fui em frente na minha exposição sobre temas que envolviam o resgate da relação médico-paciente. Tema especialmente vital em uma época carente de laços solidários, suporte e empatia genuína por aqueles que sofrem pelas doenças, e inépcia generalizada por parte dos homens públicos.

Mas eis que o som se confirmou, uma, duas, talvez três vezes, e não era exatamente uma expressão neutra “é, é um judeu aí”. Parei duvidando do que ouvia. Mas, logo em seguida, “…é judeu mesmo!”. Entonação é tudo quando você lida com conversações no mundo não presencial. A voz da pessoa expressava estas palavras descrevendo para terceiros a identidade étnica ou religiosa de quem fazia a apresentação.

Eu.

Mas vinha ao caso?

Talvez.

Estaria ela deixando o microfone aberto propositalmente para que todos os outros ouvissem? Ou foi apenas um ato falho, à revelia, e as palavras represadas jorraram incontrolavelmente de sua boca? Não saberia dizer. E o que fazer com isso durante uma transmissão ao vivo? Pouco importa se era saia ou calça justa, afinal tratava-se de uma agressão, ainda que minimizada pelo “escape”, e pela casualidade supostamente ingênua de uma captação de áudio fortuita.

Num impulso, entre o ultraje e a necessidade de responder, pedi licença ao grupo. Fui rapidamente até o armário mais próximo e resgatei meu solidéu preferido, feito a mão em Jerusalém. E então voltei à minha apresentação fazendo questão de exibir a indumentária. Então, em frente à câmera, acomodei lentamente a quipá ancestral. Usada para cobrir a cabeça dos judeus desde o período no qual Abrão deixou a cidade e a casa de seu pai em Ur na Caldéia, rompendo com as mitologias e criando uma cultura que geraria um dos primeiros códigos civilizatórios da humanidade.

O solidéu todo bordado, feito com um tecido poroso, negro. Na estampa, uma estrela que nos acompanhou desde o rei David, passando pelas amarelas dos guetos e campos nazistas, para enfim chegar ao símbolo azul da liberdade das forças de defesa de Israel. Aquela que tornou o povo hebreu menos vulnerável aos séculos de imolações impunes num mundo repleto de omissões.

Só depois de encerrada a palestra parei para refletir. Cheguei a conclusão que minha resposta foi instintiva e irracional, mas ao mesmo tempo, desafiadora, e até corajosa. Afinal, perscrutei, qual foi meu real incomodo? Difícil explicar, mas há uma sonoridade inaudível que persegue a nação mosaica que ninguém pode subestimar. Especialmente para um neto de sobreviventes da Shoah.

Aqui no Brasil, diferentemente dos judeus atuais da Europa, Reino Unido, e mesmo em muitas cidades norte americanas, ainda é possível mostrar sinais exteriores de judaísmo sem ser ameaçado ou linchado. Mas, se dependesse de parte significativa dos veículos de comunicação talvez o quadro fosse diferente, uma vez que é auto evidente o viés anti-Israel. Exagero? Não para aqueles que estão sendo intimidados.

Evidentemente, as causas do atual estado de coisas não podem ser analisadas num artigo jornalístico como este. Como afirmou o excelente advogado e professor de direito em Harvard, Alan Dershowitz, numa matéria publicada há menos de dois meses, o recrudescimento do antissemitismo – não ressurgimento, já que ele nunca deixou de existir —  na Europa e pelo mundo tem múltiplas e complexas raízes.  Mas há uma constante: está sempre acobertada por uma política baseada em hipocrisia e na necessidade de mostrar neutralidade, enquanto neo-pogroms — esse é o nome — tem se repetido diariamente em várias partes do mundo.

Voltando ao nosso microcosmos, ali, no calor da minha perplexidade, já que durante a apresentação não se tratava de uma pessoa com forma e trajes característicos, afinal, como me disse um amigo rabino, sou o que ele considera um “ortodoxo não observante” seja lá o que isso significa. Ali se tratava antes de incorporar algo do imaginário, algum estereótipo projetado, um álibi qualquer para mostrar o alcance da entonação maliciosa daquela voz que se escondia na multidão virtual.

Alguns participantes do encontro mostraram curiosidade pela situação inusitada. Para conter o mal estar? Ou simplesmente solidários com aquele que parecia ser um enredo inconveniente encenado num teatro improvisado.  Busquei de forma quase automática, converter o evento em uma experiência lúdica, afinal precisava assumir a identidade exigida pelo clamor da voz fantasma. E nada  chancelaria mais a expressão “… judeu mesmo” do que o uso do “chapeuzinho”.

Relembrei então da biografia de Freud, escrita por Peter Gay. Ele relatou um episódio que ocorreu dentro do trem, antes de Freud deixar Paris, rumo ao exílio em Londres. O humor sarcástico do médico se revelou quando os nazistas lhe exigiram por escrito uma declaração de que havia sido bem tratado pelos nazistas

Freud escreveu mais ou menos a seguinte frase em um bilhete

“Eu recomendo a Gestapo!”

A analogia é desproporcional? Provavelmente. Mas trago essa última passagem não como curiosidade, mas para mostrar que a história se revela por indícios. É através deles que as micro histórias individuais podem nos dar pistas para rastrear as tendências do presente e do futuro. O fomento da intolerância, do racismo, da censura e parcialidade da mídia, junto com a novíssima caça às bruxas em curso, é um fenômeno que deveria nos servir como alerta. Infelizmente isso não acontecerá, o recorrente vício em erros históricos antigos é mais forte do que o desejo de cura.

Tirando a melancolia, o saldo desta experiência é ainda desconhecido em mim. A análise e o julgamento do episódio deixo para aqueles que nos leem.

Já havia optado reduzir-me ao silêncio estoico e deixar este episódio pessoal no passado, mas acordei para o pesadelo entendi que talvez valesse a pena compartilha-lo.

Eu então repito o gesto:  eis o solidéu

POR QUE TAL SURTO DE ANTI-SEMITISMO MUNDIAL por ALAN DERSHOWITZ

POR QUE TAL SURTO DE ANTI-SEMITISMO MUNDIAL

por ALAN DERSHOWITZ

“Por que tantos netos de nazistas e colaboradores nazistas que nos trouxeram o Holocausto mais uma vez estão declarando guerra aos judeus?

Por que vimos tal aumento no anti-semitismo e no anti-sionismo irracionalmente virulento na Europa Ocidental?

Para responder a essas perguntas, um mito deve primeiro ser exposto. Esse mito é perpetrado pelos franceses, holandeses, noruegueses, suíços, belgas, austríacos e muitos outros europeus ocidentais: a saber, que o Holocausto foi apenas obra de nazistas alemães, talvez ajudados por alguns poloneses, ucranianos, Colaboradores letões, lituanos e estonianos.

Falso.

O Holocausto foi perpetrado por europeus: por simpatizantes e colaboradores nazistas entre franceses, holandeses, noruegueses, suíços, belgas, austríacos e outros europeus, tanto ocidentais quanto orientais.

Se o governo francês não tivesse deportado para os campos de extermínio mais judeus do que os ocupantes alemães pediram; se tantos cidadãos holandeses e belgas e funcionários do governo não tivessem cooperado na captura de judeus; se assim muitos noruegueses não tinha apoiado Quisling; se funcionários do governo suíço e banqueiros não tivessem explorado os judeus; se a Áustria não tivesse sido mais nazista do que os nazistas, o Holocausto não teria tantas vítimas judias.

À luz da ampla cumplicidade europeia na destruição dos judeus europeus, o antissemitismo difuso e o anti-sionismo irracionalmente odioso que recentemente emergiu em toda a Europa Ocidental em relação a Israel não deve surpreender ninguém.

“Oh, não”, ouvimos apologistas europeus. “Isso é diferente. Não odiamos os judeus. Só odiamos seu Estado-nação. Além disso, os nazistas eram de direita. Somos de esquerda, então não podemos ser anti-semitas.”

Absurdo.

A extrema esquerda tem uma história de anti-semitismo tão profunda e duradoura quanto a extrema direita. A linha de Voltaire a Karl Marx, a Levrenti Beria, a Robert Faurisson , aos golpistas da extrema esquerda de Israel é tão reta quanto a linha de Wilhelm Mars aos perseguidores de Alfred Dreyfus a Hitler.

Os judeus da Europa sempre foram esmagados entre os negros e os vermelhos – vítimas do extremismo, seja do ultranacionalismo de Khmelnitsky ao ultra-anti-semitismo de Stalin.

“Mas alguns dos anti-sionistas mais estridentes são judeus, como Norman Finkelstein e até mesmo israelenses como Gilad Atzmon. Certamente eles não podem ser anti-semitas?”

Por que não? Gertrude Stein e Alice Toklas colaboraram com a Gestapo. Atzmon, um esquerdista radical, se descreve como um judeu orgulhoso que odeia a si mesmo e admite que suas idéias derivam de um notório anti-semita.

Ele nega que o Holocausto esteja historicamente provado, mas acredita que os judeus podem muito bem ter matado crianças cristãs para usar seu sangue para assar a matzá da Páscoa. E ele acha que é “racional” queimar sinagogas.

Finkelstein acredita em uma conspiração judaica internacional que inclui Steven Spielberg, Leon Uris, Eli Wiesel e Andrew Lloyd Webber!

“Mas Israel está fazendo coisas ruins aos palestinos”, insistem os apologistas europeus, “e somos sensíveis à situação dos oprimidos”.

Não, você não é! Onde estão suas manifestações em nome dos oprimidos tibetanos, georgianos, sírios, armênios, curdos ou mesmo ucranianos? Onde estão seus movimentos BDS contra os chineses, os russos, os cubanos, os turcos ou o regime de Assad?

Apenas os palestinos, apenas Israel? Por quê? Não porque os palestinos sejam mais oprimidos do que esses e outros grupos.

Somente porque seus supostos opressores são judeus e o estado-nação dos judeus. Haveria manifestações e campanhas BDS em nome dos palestinos se eles fossem oprimidos pela Jordânia ou Egito?

Oh espere! Os palestinos foram oprimidos pelo Egito e pela Jordânia … Gaza foi uma prisão a céu aberto entre 1948 e 1967, quando o Egito era a potência ocupante. E lembra-se do Setembro Negro, quando a Jordânia matou mais palestinos do que Israel em um século? Não me lembro de nenhuma demonstração ou campanha BDS – porque não houve.

Quando os árabes ocupam ou matam árabes, os europeus ficam sem graça. Mas quando Israel abre uma fábrica de refrigerantes em Maale Adumim , que até mesmo a liderança palestina reconhece que permanecerá parte de Israel em qualquer acordo de paz, a Oxfam se separa de Scarlett Johansson por anunciar uma empresa de refrigerantes que emprega centenas de palestinos

Lembre-se de que a Oxfam forneceu “ajuda e apoio material” a dois grupos terroristas anti-Israel, de acordo com o Israeli Law Group, com sede em Tel Aviv.

A hipocrisia de tantos europeus ocidentais de extrema esquerda seria impressionante se não fosse tão previsível com base na história sórdida do tratamento que a Europa Ocidental deu aos judeus.

Até a Inglaterra, que estava do lado certo da guerra contra o nazismo, tem uma longa história de anti-semitismo, começando com a expulsão dos judeus em 1290 até o notório Livro Branco de 1939, que impedia os judeus da Europa de buscar asilo dos nazistas na Palestina sob mandato britânico … E a Irlanda, que vacilou na guerra contra Hitler, ostenta uma das retóricas anti-Israel mais virulentas.

A simples realidade é que não se pode compreender a atual guerra de esquerda da Europa Ocidental contra o Estado-nação do povo judeu sem primeiro reconhecer a longa guerra europeia contra o próprio povo judeu.

Theodore Herzl compreendeu a difusão e irracionalidade do anti-semitismo europeu, o que o levou à conclusão de que a única solução para o problema judaico da Europa era que os judeus europeus deixassem o bastião do ódio aos judeus e retornassem à sua pátria original, que agora é o Estado de Israel.

Nada disso é para negar as imperfeições de Israel ou as críticas que ele merece por algumas de suas políticas. Mas essas imperfeições e críticas merecidas não podem nem começar a explicar, muito menos justificar, o ódio desproporcional dirigido contra o único Estado-nação do povo judeu e o silêncio desproporcional em relação às imperfeições muito maiores e críticas merecidas de outras nações e grupos incluindo os palestinos .

Nem é para negar que muitos indivíduos da Europa Ocidental e alguns países da Europa Ocidental se recusaram a sucumbir ao ódio contra os judeus ou seu estado. A República Tcheca vem à mente. Mas muitos europeus ocidentais são tão irracionais em seu ódio por Israel quanto seus antepassados ​​eram em seu ódio por seus vizinhos judeus.

Como o autor Amos Oz observou certa vez: as paredes da Europa de seus avós estavam cobertas de pichações dizendo: “Judeus, vão para a Palestina”. Agora eles dizem: “Judeus, saiam da Palestina”, o que significa Israel.

Quem esses fanáticos da Europa Ocidental pensam que estão enganando? Apenas tolos que querem ser enganados pelo interesse de negar que estão manifestando novas variações dos antigos preconceitos de seus avós.

Qualquer pessoa objetiva com uma mente aberta, olhos abertos e coração aberto deve ver o duplo padrão sendo aplicado ao estado-nação do povo judeu. Muitos deles são netos daqueles que letalmente aplicaram um duplo padrão aos judeus da Europa nas décadas de 1930 e 1940.

Por vergonha!”

WHY SUCH A SURGE OF WORLDWIDE ANTI-SEMITISM By Alan Dershowitz

WHY SUCH A SURGE OF WORLDWIDE ANTI-SEMITISM

by ALAN DERSHOWITZ

“Why are so many of the grandchildren of Nazis and Nazi collaborators who brought us the Holocaust once again declaring war on the Jews?

Why have we seen such an increase in anti-Semitism and irrationally virulent anti-Zionism in Western Europe?

To answer these questions, a myth must first be exposed. That myth is the one perpetrated by the French, the Dutch, the Norwegians, the Swiss, the Belgians, the Austrians, and many other western Europeans: namely that the Holocaust was solely the work of German Nazis aided perhaps by some Polish, Ukrainian, Latvian, Lithuanian, and Estonian collaborators.

False.

The Holocaust was perpetrated by Europeans: by Nazi sympathizers and collaborators among the French, Dutch, Norwegians, Swiss, Belgians, Austrians and other Europeans, both Western and Eastern.

If the French government had not deported to the death camps more Jews than their German occupiers asked for; if so many Dutch and Belgian citizens and government officials had not cooperated in the roundup of Jews; if so many Norwegians had not supported Quisling; if Swiss government officials and bankers had not exploited Jews; if Austria had not been more Nazi than the Nazis, the Holocaust would not have had so many Jewish victims.

In light of the widespread European complicity in the destruction of European Jewry, the pervasive anti-Semitism and irrationally hateful anti-Zionism that has recently surfaced throughout Western Europe toward Israel should surprise no one.

“Oh no,” we hear from European apologists. “This is different. We don’t hate the Jews. We only hate their nation-state. Moreover, the Nazis were right-wing. We are left-wing, so we can’t be anti-Semites.”

Nonsense.

The hard left has a history of anti-Semitism as deep and enduring as the hard right. The line from Voltaire to Karl Marx, to Levrenti Beria, to Robert Faurisson, to today’s hard-left Israel bashers is as straight as the line from Wilhelm Mars to the persecutors of Alfred Dreyfus to Hitler.

The Jews of Europe have always been crushed between the Black and the Red – victims of extremism whether it be the ultra-nationalism of Khmelnitsky to the ultra-anti-Semitism of Stalin.

“But some of the most strident anti-Zionists are Jews, such as Norman Finkelstein and even Israelis such as Gilad Atzmon. Surely they can’t be anti-Semites?”

Why not? Gertrude Stein and Alice Toklas collaborated with the Gestapo. Atzmon, a hard leftist, describes himself as a proud self-hating Jew and admits that his ideas derive from a notorious anti-Semite.

He denies that the Holocaust is historically proved but he believes that Jews may well have killed Christian children to use their blood to bake Passover matzah. And he thinks it’s “rational” to burn down synagogues.

Finkelstein believes in an international Jewish conspiracy that includes Steven Spielberg, Leon Uris, Eli Wiesel, and Andrew Lloyd Webber!

“But Israel is doing bad things to the Palestinians,” the European apologists insist, “and we are sensitive to the plight of the underdog.”

No, you’re not! Where are your demonstrations on behalf of the oppressed Tibetans, Georgians, Syrians, Armenians, Kurds, or even Ukrainians? Where are your BDS movements against the Chinese, the Russians, the Cubans, the Turks, or the Assad regime?

Only the Palestinians, only Israel? Why? Not because the Palestinians are more oppressed than these and other groups.

Only because their alleged oppressors are Jews and the nation-state of the Jews. Would there be demonstrations and BDS campaigns on behalf of the Palestinians if they were oppressed by Jordan or Egypt?

Oh, wait! The Palestinians were oppressed by Egypt and Jordan… Gaza was an open-air prison between 1948 and 1967, when Egypt was the occupying power. And remember Black September, when Jordan killed more Palestinians than Israel did in a century? I don’t remember any demonstration or BDS campaigns — because there weren’t any.
When Arabs occupy or kill Arabs, Europeans go ho-hum. But when Israel opens a soda factory in Maale Adumim, which even the Palestinian leadership acknowledges will remain part of Israel in any peace deal, Oxfam parts ways with Scarlett Johansson for advertising a soda company that employs hundreds of Palestinians

Keep in mind that Oxfam has provided “aid and material support” to two anti-Israel terrorist groups, according to the Tel Aviv-based Israeli Law Group.

The hypocrisy of so many hard-left western Europeans would be staggering if it were not so predictable based on the sordid history of Western Europe’s treatment of the Jews.

Even England, which was on the right side of the war against Nazism, has a long history of anti-Semitism, beginning with the expulsion of the Jews in 1290 to the notorious White Paper of 1939, which prevented the Jews of Europe from seeking asylum from the Nazis in British-mandated Palestine… And Ireland, which vacillated in the war against Hitler, boasts some of the most virulent anti-Israel rhetoric.

The simple reality is that one cannot understand the current western European left-wing war against the nation-state of the Jewish people without first acknowledging the long-term European war against the Jewish people themselves.

Theodore Herzl understood the pervasiveness and irrationality of European anti-Semitism, which led him to the conclusion that the only solution to Europe’s Jewish problem was for European Jews to leave that bastion of Jew hatred and return to their original homeland, which is now the State of Israel.

None of this is to deny Israel’s imperfections or the criticism it justly deserves for some of its policies. But these imperfections and deserved criticism cannot even begin to explain, much less justify, the disproportionate hatred directed against the only nation-state of the Jewish people and the disproportionate silence regarding the far greater imperfections and deserved criticism of other nations and groups including the Palestinians.

Nor is this to deny that many western European individuals and some western European countries have refused to succumb to the hatred against the Jews or their state. The Czech Republic comes to mind. But far too many western Europeans are as irrational in their hatred toward Israel as their for-bearers were in their hatred toward their Jewish neighbors.

As author Amos Oz once aptly observed: the walls of his grandparents’ Europe were covered with graffiti saying, “Jews, go to Palestine.” Now they say, “Jews, get out of Palestine,” by which is meant Israel.

Who do these western European bigots think they’re fooling? Only fools who want to be fooled in the interest of denying that they are manifesting new variations on their grandparents’ old biases.

Any objective person with an open mind, open eyes, and an open heart must see the double standard being applied to the nation-state of the Jewish people. Many doing so are the grandchildren of those who lethally applied a double standard to the Jews of Europe in the 1930s and 1940s.

For shame!”

Paz agora, ou calem-se para sempre (Estadão)

https://glorinhacohen.com.br/?p=57590

É evidente que devemos rezar por paz em suas múltiplas acepções. Mas a qual preço? E o direito consagrado à legitima defesa presente em todos os códigos penais civilizados do mundo?

Convencionou-se traduzir a palavra shalom שלום (em árabe salam/salem/shalam) por paz. Paz, verdade e justiça são, segundo a tradição mosaica, os três pilares sobre os quais se assentam o mundo. Mas shalom é uma destas palavras-conceito, como tantas no idioma hebreu. Na palavra repetida mais de duas centenas de vezes na Torá, a Bíblia hebraica, sua polissemia expressa uma imensa variedade de significados: “apenas uma saudação amistosa, estar seguro, saudável, perfeito, completo, sensação de bem-estar e harmonia interna e externa – integridade, integridade, saúde, bem-estar, segurança, solidez , tranquilidade, prosperidade, plenitude, descanso, harmonia; a ausência de agitação ou discórdia, um estado de calma sem ansiedade.”

Seria inútil esconder minhas motivações, parte da minha família vivendo em Israel e passaram os últimos dias trancadas em bunkers. Como articulista tento racionalizar, e evidentemente malogro, afinal não se expurga da escrita a sensação de impotência somada ao sentimento de medo e vulnerabilidade.

O senso comum diria que ninguém gosta de guerra, muito menos de participar, à revelia e diretamente, de um dos mais antigos conflitos do planeta. Mas, entre o senso comum e a realidade existe um aglomerado, duro, impermeável, sem qualquer porosidade: o fanatismo. Nota-se uma distribuição equitativa de gente fundamentalista pelo mundo. Há fanáticos laicos e religiosos. Fanáticos de direita e de esquerda. Fanáticos ideológicos e anarquistas. Fanáticos por criminosos e por heróis sem caráter. Fanáticos racistas e que aqueles que matariam por causas. Existem fanáticos judeus, muculmanos e cristãos. Há também os fanáticos pela paz a qualquer custo.

Mas há que se fazer uma distinção clara entre fanáticos que têm poder e subsídios internacionais para produzir e lançar mísseis sobre populações civis como é o caso dos terroristas de Gaza — que até agora lançaram 1.000 mísseis sobre mais de 50 cidades de Israel incluindo Tel Aviv e Jerusalém, cidades com 500 mil e quase um milhão de habitantes respectivamente — e os fanáticos contidos por um Estado pragmático e na maior parte do tempo, responsável.

É evidente que devemos rezar por paz em suas múltiplas acepções. Mas a qual preço? E o direito consagrado à legitima defesa presente em todos os códigos penais civilizados do mundo? Pois é disto que quero tratar aqui. Começaram a chover protestos pelo mundo contra Israel e a resposta tímida das redes sociais foram posts sobre “eu apoio o direito de Israel a se defender do terrorismo”. Soa surreal para o leitor? É surreal.

A antiga declaração de guerra foi substituída por fatos que roubam a função dos diplomatas que andam confundindo discrição com inércia. Há que culpe a omissão da atual administração americana pela escalada de violência que mais uma vez atinge a região. Ao voltar a oferecer recursos financeiros inauditaveis para a autoridade palestina, que pratica abertamente o “pay for slay” em tradução livre “pagar para matar”, política (sic) que incentiva e premia “cash” por atos de violência praticados contra judeus, houve um aval tácito para que o ciclo de conflitos se reativasse. Viu-se renascer dentro de Israel os “pogroms”, a prática de ataques rituais e tentativas de linchamento contra judeus foram registrados do deserto de Neguev às cidades onde populações árabes e judaica conviviam com relativa calma durante décadas como Lod, onde mobs, com hordas de delinquentes queimavam sinagogas e apedrejaram judeus. Cenas dignas dos expurgos da era nazista. Era esse afinal o sentido do slogan preventivo “nunca mais”.

Os mísseis dos terroristas de Gaza são precários? Sem pontaria? Não é bem assim e cada vez é menos assim. Trata-se de um exército organizado e bem treinado. A escalada rumo a um conflito de maiores proporções já é uma realidade acompanhada pela clássica surdez aguda ao bom senso. Por outro lado deve haver bom senso no trato com quem prega abertamente o extermínio do Estado hebreu?

A questão que agora se coloca já é, agora, outra: haverá uma proporção para estabelecer a justiça e, portanto a calma? E quanto aos ataques maciços de misseis sobre populações civis? Mesmo longe de ser perfeita, a única democracia consolidada no Oriente Médio encontra-se perplexa, sob ataque bélico direto contra áreas civis, enquanto as redações das principais mídias do mundo decidem se chamarão organizações como o Hamas e a Jihad Islâmica militantes, resistência ou apenas grupo armado. Organizações consideradas terroristas pela grande maioria dos países, incluindo União Europeia e Estados Unidos. Como disse uma entrevistada do centro de estudos judaicos quando provocada pelo entrevistador da BBC World News: “o que se esperava quando há uma política de omissão e desengajamento constantes adotada pelos seguidores de Obama numa região vital como o Oriente Médio?”

Antes, e é bom que se divulgue, segundo a halachá (a hermenêutica judaica das leis) “numa guerra há sempre o dever se se buscar uma saída pacífica antes de se engajar em hostilidades”. Eis que agora há na mesa uma generosa oferta de paz aos agressores, desde que a chuva de mísseis cesse, imediatamente, dentro das próximas 24 horas.

É pouco provável que aconteça.

O desfecho é previsível. Decerto Israel será mais uma vez vilipendiado com as falsas acusações de praxe entre elas a campeã da distorção intelectual, a de prática de “resposta desproporcional”. O incansável sentimento latente antissionista/antissemita lançara mão de todos os seus álibis para acossar Israel. Ora, mesmo assim, a razão estará em pé para mostrar que a grande e inaceitável desproporção é a de linchamentos antissemitas e a de um terrorismo municiado com foguetes.

Paz agora, ou calem-se para sempre.

Convencionou-se traduzir a palavra shalom שלום (em árabe salam/salem/shalam) por paz. Paz, verdade e justiça são, segundo a tradição mosaica, os três pilares sobre os quais se assentam o mundo. Mas shalom é uma destas palavras-conceito, como tantas no idioma hebreu. Na palavra repetida mais de duas centenas de vezes na Torá, a Bíblia hebraica, sua polissemia expressa uma imensa variedade de significados: estar seguro, saudável, perfeito, completo, sensação de bem-estar e harmonia interna e externa – integridade, integridade, saúde, bem-estar, segurança, solidez , tranquilidade, prosperidade, plenitude, descanso, harmonia; a ausência de agitação ou discórdia, um estado de calma sem ansiedade ou estresse.

Seria inútil esconder minhas motivações, parte da minha família vivendo em Israel e passaram os últimos dias trancadas em bunkers. Como articulista tento racionalizar, e evidentemente malogro, afinal não se expurga da escrita a sensação de impotência somada ao sentimento de medo e vulnerabilidade.

O senso comum diria que ninguém gosta de guerra, muito menos de participar, à revelia e diretamente, de um dos mais antigos conflitos do planeta. Mas, entre o senso comum e a realidade existe um aglomerado, duro, impermeável, sem qualquer porosidade: o fanatismo. Nota-se uma distribuição equitativa de gente fundamentalista pelo mundo. Há fanáticos laicos e religiosos. Fanáticos de direita e de esquerda. Fanáticos ideológicos e anarquistas. Fanáticos por criminosos e por heróis sem caráter. Fanáticos racistas e que aqueles que matariam por causas. Existem fanáticos judeus, muculmanos e cristãos. Há também os fanáticos pela paz a qualquer custo.

Mas há que se fazer uma distinção clara e distinta entre fanáticos que tem poder e subsídios internacionais para produzir e lançar mísseis sobre populações civis como é o caso dos terroristas de Gaza — que até agora lançaram 1.000 mísseis sobre mais de 50 cidades de Israel incluindo Tel Aviv e Jerusalém, cidades com 500 mil e quase um milhão de habitantes respectivamente — e os fanáticos contidos por um Estado pragmático e na maior parte do tempo, responsável.

É evidente que devemos rezar por paz em suas múltiplas acepções. Mas a qual preço? E o direito consagrado à legitima defesa presente em todos os códigos penais civilizados do mundo? Pois é disto que quero tratar aqui. Começaram a chover protestos pelo mundo contra Israel e a resposta tímida das redes sociais foram posts sobre “eu defendo o direito de Israel a se defender do terrorismo”. Soa surreal para o leitor? É surreal.

A antiga declaração de guerra foi substituída por fatos que roubam a função dos diplomatas que andam confundindo discrição com inércia. Há que tem culpe a omissão da atual administração americana pela escalada de violência que mais uma vez atinge a região. Ao voltar a oferecer recursos financeiros inauditaveis para a autoridade palestina, que pratica abertamente o “pay for slay” em tradução livre “pagar para matar” que incentiva e premia “cash” por atos de violência praticados contra judeus, houve um aval tácito para que o ciclo de conflitos se reativasse. Viu-se renascer dentro de Israel os “pogroms”, a prática de ataques rituais e tentativas de linchamento contra judeus foram registrados do deserto de Neguev às cidades onde populações árabes e judaica conviviam com relativa calma durante décadas como Lod, onde mobs, com hordas de delinquentes queimavam sinagogas e apedrejaram judeus. Cenas dignas dos expurgos da era nazista. Era esse afinal o sentido do slogan preventivo “nunca mais”.

Os mísseis dos terroristas de Gaza são precários? Sem pontaria? Não é bem assim e cada vez é menos assim. Trata-se de um exército organizado e bem treinado. A escalada rumo a um conflito de maiores proporções já é uma realidade acompanhada pela clássica surdez aguda ao bom senso. Por outro lado deve haver bom senso no trato com quem prega abertamente o extermínio do Estado hebreu?

A questão que agora se coloca já é, agora, outra: haverá uma proporção para estabelecer a justiça e, portanto a calma? E quanto aos ataques maciços de misseis sobre populações civis? Mesmo longe de ser perfeita, a única democracia consolidada no Oriente Médio encontra-se perplexa, sob ataque bélico direto contra áreas civis, enquanto as redações das principais mídias do mundo decidem se chamarão organizações como o Hamas e a Jihad Islâmica militantes, resistência ou apenas grupo armado. Organizações consideradas terroristas pela grande maioria dos países, incluindo União Europeia e Estados Unidos. Como disse uma entrevistada do centro de estudos judaicos quando provocada pelo entrevistador da BBC World News: “o que se esperava quando há uma política de omissão e desengajamento constantes adotada pelos seguidores de Obama numa região vital como o Oriente Médio?”

Antes, e é bom que se divulgue, segundo a halachá (a hermenêutica judaica das leis) “numa guerra há sempre o dever de se buscar uma saída pacífica antes de se engajar em hostilidades”. Eis que agora há na mesa uma generosa oferta de paz aos agressores, desde que a chuva de mísseis cesse, imediatamente, dentro das próximas 24 horas.

É pouco provável que aconteça.

O desfecho é previsível. Decerto Israel será mais uma vez vilipendiado com as falsas acusações de praxe entre elas a campeã da distorção intelectual, a de prática de “resposta desproporcional”. O incansável sentimento latente antissionista/antissemita lançará mão de todos os seus álibis para acossar Israel. Ora, mesmo assim, a razão estará em pé para mostrar que a grande e inaceitável desproporção é a de linchamentos antissemitas e a de um terrorismo municiado com foguetes.

Paz agora, ou calem-se para sempre.


Nota – Matéria publicada no Estadão dia 12/5/21

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/paz-agora-ou-calem-se-para-sempre/

Antissionismo é Antissemitismo 2 – Bilhete da Memória (Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

Antissionismo é Antissemitismo 2 – Bilhete da Memória

“A tolerância torna-se um crime quando aplicada ao mal”

Thomas Mann (A Montanha Mágica)

A assembleia nacional francesa depois de uma discussão que durou mais de uma década passou uma resolução e decidiu que o antissionismo (o ódio à Israel) é antissemitismo.

“A Assembleia Nacional… acredita que a definição operacional usada pela International Holocaust Remembrance Alliance permite a designação mais precisa do que é o anti-semitismo contemporâneo ”, lê-se parcialmente o texto da resolução:

“Considera-o um instrumento eficaz de combate ao antissemitismo em sua forma moderna e renovada, na medida em que engloba manifestações de ódio ao Estado de Israel justificadas apenas pela percepção deste como um coletivo judeu.” (Times of Israel, 03, 12, 2019)

E não é difícil compreender porque assim fizeram os franceses, e seria de se esperar que todos os Países civilizados os seguissem como um exemplo de respeito…

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Peace now, or shut up forever.

It was agreed to translate the word shalom שלום (in Arabic salam / salem / shalam ) for peace. Peace, truth and justice are, according to the Mosaic tradition, the three pillars on which the world rests. But shalom is one of these concept words, like so many in the Hebrew language. In the word repeated over two hundred times in the Torah, the Hebrew Bible, its polysemy expresses an immense variety of meanings: “just a friendly greeting, being safe, healthy, perfect, complete, feeling of well-being and inner and outer harmony – integrity, integrity, health, well-being, safety, soundness, tranquility, prosperity, fullness, rest, harmony; the absence of agitation or discord, a state of calm without anxiety. “

It would be useless to hide my motivations, part of my family living in Israel and they spent the last few days locked in bunkers. As a writer, I try to rationalize, and evidently fail, after all, the feeling of impotence in addition to the feeling of fear and vulnerability is not purged from writing.

Common sense would say that no one likes war, much less to participate, by default and directly, in one of the oldest conflicts on the planet. But, between common sense and reality there is a cluster, hard, impermeable, without any porosity: fanaticism. There is an equitable distribution of fundamentalist people around the world. There are secular and religious fanatics. Right and left fanatics. Ideological fanatics and anarchists. Fanatics for criminals and heroes without character. Racist fanatics and those who would kill for causes. There are Jewish, Muslim and Christian fanatics . There are also peace fanatics at any cost.

But a clear distinction needs to be made between fanatics who have international power and subsidies to produce and launch missiles at civilian populations such as the Gaza terrorists – who have so far launched 1,000 missiles over more than 50 Israeli cities including Tel Aviv and Jerusalem, cities with 500 thousand and almost a million inhabitants respectively – and the fanatics contained by a pragmatic and most responsible state.

It is evident that we must pray for peace in its multiple meanings. But at what price? And what about the right to self-defense that is present in all civilized criminal codes in the world? That’s what I want to talk about here. Protests began to rain across the world against Israel and the timid response from social media were posts about “I support Israel’s right to defend itself against terrorism”. Does it sound surreal to the reader? It’s surreal. 

The old declaration of war has been replaced by facts that rob the function of diplomats who have been confusing discretion with inertia. The omission of the current American administration must be blamed for the escalation of violence that is once again affecting the region. When again offering unheard of financial resources to the Palestinian authority, which openly practices ” pay for slay ” in free translation “pay to kill”, a policy (sic) that encourages and rewards “cash” for acts of violence against Jews, there was a tacit guarantee for the conflict cycle to reactivate. “Pogroms” have been reborn within Israel, the practice of ritual attacks and lynching attempts against Jews have been recorded from the Negev desert to cities where Arab and Jewish populations lived with relative calm for decades as Lod , where mobs , with hordes of criminals burned synagogues and stoned Jews. Scenes worthy of the purges of the Nazi era. This was, after all, the meaning of the preventive slogan “never again”.  

Are the missiles of Gaza terrorists precarious? Without aim? It is not quite like that and it is less and less like that. It is an organized and well-trained army. The escalation towards a conflict of greater proportions is already a reality accompanied by the classic acute deafness to common sense. On the other hand, should there be common sense in dealing with those who openly preach the extermination of the Hebrew state?

The question that now arises is, now, another: is there a proportion to establish justice and, therefore , calm? What about the massive missile attacks on civilian populations? Even though it is far from perfect, the only consolidated democracy in the Middle East is perplexed, under direct warlike attack on civilian areas, while the newsrooms of the main media in the world decide to call themselves organizations like Hamas and Islamic Jihad militants, resistance or just armed group. Organizations considered terrorists by the vast majority of countries, including the European Union and the United States. As one interviewee from the Jewish Studies Center said when provoked by the BBC World News interviewer: “what was expected when there is a policy of constant omission and disengagement adopted by Obama’s followers in a vital region like the Middle East?” 

Rather, and it is good that it is disseminated, according to the halacha (the Jewish hermeneutics of the laws) “in a war there is always the duty if one seeks a peaceful way out before engaging in hostilities”. Behold, now there is a generous offer of peace on the table to the aggressors, as long as the rain of missiles ceases, immediately, within the next 24 hours.

It is unlikely to happen.

The outcome is predictable. Certainly Israel will once again be reviled with the usual false accusations, among them the champion of intellectual distortion, that of the practice of “disproportionate response”. The latent anti-Zionist / anti-Semitic sentiment had used all its alibis to harass Israel. Now, even so, the reason will stand to show that the great and unacceptable disproportion is that of anti-Semitic lynching and that of terrorism armed with rockets. 

Peace now, or shut up forever.

It was agreed to translate the word shalom שלום (in Arabic salam / salem / shalam ) for peace. Peace, truth and justice are, according to the Mosaic tradition, the three pillars on which the world rests. But shalom is one of these concept words, like so many in the Hebrew language. In the word repeated over two hundred times in the Torah, the Hebrew Bible, its polysemy expresses an immense variety of meanings: being safe, healthy, perfect, complete, feeling of well-being and inner and outer harmony – integrity, integrity, health , well-being, security, solidity, tranquility, prosperity, fullness, rest, harmony; the absence of agitation or discord, a state of calm without anxiety or stress.

It would be useless to hide my motivations, part of my family living in Israel and they spent the last few days locked in bunkers. As a writer, I try to rationalize, and evidently fail, after all, the feeling of impotence in addition to the feeling of fear and vulnerability is not purged from writing.

Common sense would say that no one likes war, much less to participate, by default and directly, in one of the oldest conflicts on the planet. But, between common sense and reality there is a cluster, hard, impermeable, without any porosity: fanaticism. There is an equitable distribution of fundamentalist people around the world. There are secular and religious fanatics. Right and left fanatics. Ideological fanatics and anarchists. Fanatics for criminals and heroes without character. Racist fanatics and those who would kill for causes. There are Jewish, Muslim and Christian fanatics . There are also peace fanatics at any cost.

But a clear and distinct distinction needs to be made between fanatics who have international power and subsidies to produce and launch missiles over civilian populations such as the Gaza terrorists – who have so far launched 1,000 missiles over more than 50 cities in Israel including Tel Aviv and Jerusalem, cities with 500,000 and almost a million inhabitants respectively – and the fanatics contained by a pragmatic and most responsible state.

It is evident that we must pray for peace in its multiple meanings. But at what price? And what about the right to self-defense that is present in all civilized criminal codes in the world? That’s what I want to talk about here. Protests began to rain across the world against Israel and the timid response from social media were posts about “I defend Israel’s right to defend itself against terrorism”. Does it sound surreal to the reader? It’s surreal. 

The old declaration of war has been replaced by facts that rob the function of diplomats who have been confusing discretion with inertia. There is blame for the omission of the current American administration for the escalation of violence that once again affects the region. When again offering unprecedented financial resources to the Palestinian authority, which openly practices ” pay for slay ” in a free translation “pay to kill” that encourages and rewards “cash” for acts of violence against Jews, there was an unspoken endorsement for the conflict cycle was reactivated. He saw himself reborn inside Israel the “pogroms”, the practice of rituals and attempted lynching against Jewish attacks were recorded in the desert Negev to the cities where Arab and Jewish populations lived in relative peace for decades as Lod , where mobs , with hordes of criminals burned synagogues and stoned Jews. Scenes worthy of the purges of the Nazi era. This was, after all, the meaning of the preventive slogan “never again”.  

Are the missiles of Gaza terrorists precarious? Without aim? It is not quite like that and it is less and less like that. It is an organized and well-trained army. The escalation towards a conflict of greater proportions is already a reality accompanied by the classic acute deafness to common sense. On the other hand, should there be common sense in dealing with those who openly preach the extermination of the Hebrew state?

The question that now arises is, now, another: is there a proportion to establish justice and, therefore , calm? What about the massive missile attacks on civilian populations? Even though it is far from perfect, the only consolidated democracy in the Middle East is perplexed, under direct warlike attack on civilian areas, while newsrooms of the main media in the world decide whether to call organizations like Hamas and Islamic Jihad militants, resistance or just armed group. Organizations considered terrorists by the vast majority of countries, including the European Union and the United States. As an interviewee from the Jewish Studies Center said when provoked by the BBC World News interviewer: “what was expected when there is a policy of constant omission and disengagement adopted by Obama’s followers in a vital region like the Middle East?” 

Rather, and it is good that it is disseminated, according to the halacha (the Jewish hermeneutics of the laws) “in a war there is always the duty if one seeks a peaceful way out before engaging in hostilities”. Behold, now there is a generous offer of peace on the table to the aggressors, as long as the rain of missiles ceases, immediately, within the next 24 hours.

It is unlikely to happen.

The outcome is predictable. Certainly Israel will once again be reviled with the usual false accusations, among them the champion of intellectual distortion, that of the practice of “disproportionate response”. The latent anti-Zionist / anti-Semitic sentiment had used all its alibis to harass Israel. Now, even so, the reason will stand to show that the great and unacceptable disproportion is that of anti-Semitic lynching and that of terrorism armed with rockets. 

Peace now, or shut up forever.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/paz-agora-ou-calem-se-para-sempre/