“Pendant Razors”, the novel. If you write, you should read this book.

“The novel “Pendant Razors” by Paulo Rosenbaum, is, above all, a trap that, among quotations, ironies and intertextual references, arms and disarms reading. The plot puts the narrator's sanity and the story's linearity in perspective. Plot, illusion and farce turn the plot into a labyrinth and multiply unstable realities or existential fantasies of a protagonist who, apparently, does not deserve much credibility. From the beginning, the reader knows that he is treading on shaky ground, after all, amnesia is one of the key words that, intermittently, work as precarious beacons in the fog. The narrator, Homer Arp Montefiore, like his Greek namesake, makes certainties precipitate through a vortex and, if Goya was right and the sleep/dream of reason produces monsters, both haunt the character with inscribed blades in the narrative, as denouncing signs. Over the hero and the crimes imputed or committed by him, razors, knives, pocketknives and other finer lines weigh heavily. Hence, both threats and certainties are always pending. In this sense, when the character, proofreader and writer's apprentice, cuts himself with the edge of a sheet of paper, the reader's memories sharpen studies in red, composition physiologies, punishments for innocence and death to the letter. A drop of blood on the paper is not an easy trail to follow. The narrator seems to live in a nightmare, as in Kafka's plots, engendered by a writer who creates labyrinths with countless entrances and some exits, all inaccessible. The reader, as a kind of detective who follows clues, clues and enigmas, in turn, becomes entangled in a story of crimes, knives and secrets.” – Lyslei Nascimento

“Filamentos” publishing house is part of the largest
publishing conglomerate in the world. Since
being absorbed by the emerging giant KGF-
Forster©️, it has seen its book sales soar.
One of its collaborators, Homer Arp
Montefiore, was intrigued by the publisher’s industry of
bestsellers, especially those
signed by a mysterious writer named
Karel F. Curiosity about
this author’s identity became an obsession,
leading him to a particular investigation
into the life of the enigmatic novelist. The
disturbing findings revealed by
this investigation became increasingly
dangerous and, after a certain point, placed
his life at extreme risk. Accused of
crimes he may not have committed, he
becomes a fugitive bent on trying to prove
his probable innocence. If there
is any chance of that happening, it will be to discover the real
identity of Karel F. and expose the conspiracy
that underlies his literature.”

Berta Waldman

O Direito entre a ficção e a realidade – Sobre Navalhas Pendentes (Por Flávio Goldberg – Revista Jurídica “Migalhas”)

Este conteúdo pode ser compartilhado na íntegra desde que, obrigatoriamente, seja citado o link: https://www.migalhas.com.br/depeso/352837/o-direito-entre-a-ficcao-e-a-realidade

O Direito entre a ficção e a realidade

Flavio Goldberg


No Brasil se destaca pela singularidade a obra do romancista e médico Paulo Rosenbaum que no seu mais recente livro “Navalhas pendentes” entrelaça todos os elementos de perquirição erudita como insólitos devaneios que a concretude registra em narrativa perturbadora.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Na literatura sempre a temática do crime, da polícia, dos tribunais, o conflito entre a Ética e o Horror, fascina o escritor e o leitor. Conan Doyle provocou a imaginação obrigando os fatos cotidianos a tomarem a proporção da estética que a palavra cobre e descobre numa interminável investigação na busca duma verdade ilusória tanto nos cartórios como nos escaninhos da alma.

No Brasil se destaca pela singularidade a obra do romancista e médico Paulo Rosenbaum que no seu mais recente livro “Navalhas pendentes” entrelaça todos os elementos de perquirição erudita como insólitos devaneios que a concretude registra em narrativa perturbadora.

O livro faz parte de uma vasta arquitetura cultural do autor na qual se inclui desde uma filosofia médica até os artigos publicados na mídia e cuja configuração se distingue por uma percepção sensorial cósmica da existência.

Paulo Rosenbaum não se intimida na inspiração judaica de sua criação que por isto mesmo, mergulha nas raízes brasileiras as profundas, num resultado surpreendente.

Salomão, Barthes, Huxley convidam o leitor de início a um passeio mágico no compasso de Kafka.

A perturbadora paisagem do livro se introduz de forma chocante “Como faz tempo que parei de ler ficção, naquela madrugada havia adormecido folheando uma velha coletânea de artigos científicos intitulada O mero respirar. Foi lá que descobri a existência de um estado mental peculiar e que, na ausência de uma outra classificação, estava sendo chamado provisoriamente de “chave dupla onírica”.

O autor que alinhava é um genuíno quebra-cabeça que qualquer advogado ou policial pode encontrar num inquérito sinuoso sobre um crime misterioso ou então nos devaneios perturbados que se abriga como oásis no deserto da loucura.

Por tudo isto, paradoxal e contraditoriamente, se entende uma ponderação sensata como remédio caseiro para o leitor “Tenha menos coisas”.

Talvez uma lição cabalística de um médico caipira do Grande Sertão de nosso outro romancista, tanto quanto, Guimarães Rosa, médico e filósofo.

Atualizado em: 7/10/2021 16:47

Navalhas Pendentes (trechos)

“Um cidadão belga, ourives de Antuérpia, sonhou que fora atacado por aranhas e amanheceu gravemente enfermo, intoxicado e com falência renal aguda. Os exames laboratoriais indicavam envenenamento. Intrigados, os médicos reviraram o paciente numa intensa investigação clínica. Analisado o sangue, isolou-se o veneno responsável pelo quadro de sintomas: a estrutura química era de uma peçonha pouco plausível, pois provinha da aranha marrom, Loxosceles reclusa, também conhecida como “aranha violino”, só existente da região sul da América do Norte até o México. Finalmente, nenhum vestígio de picada ou da presença da aranha foi encontrado. O que os pesquisadores se perguntavam era se o organismo teria a capacidade de sintetizar e replicar moléculas de uma proteína necrosante. A ciência ainda não consegue explicar o fenômeno.”

(Trecho do romance “Navalhas pendentes”, de Paulo Rosenbaum).

Navalhas Pendentes (portal da Glorinha Cohen)

Destacado

PRÉ-LANÇAMENTO DE “NAVALHAS PENDENTES”, O NOVO ROMANCE DE PAULO ROSENBAUM

Postado em 18 de setembro de 2021 Por admin FIQUE POR DENTRO, ROTATIVAS

“O romance Navalhas pendentes, de Paulo Rosenbaum, é, sobretudo, uma armadilha que, entre citações, ironias e referências intertextuais, arma e desarma a leitura. A trama põe em perspectiva a sanidade do narrador e a linearidade da história. Complô, ilusão e farsa fazem do enredo um labirinto e fazem multiplicar realidades instáveis ou fantasias existenciais de um protagonista que, aparentemente, não merece muita credibilidade. Desde o início, o leitor sabe que está pisando em solo movediço, afinal, amnésia é uma das palavras-chave que, intermitentes, funcionam como faróis precários no nevoeiro. O narrador, Homero Arp Montefiore, tal qual o seu homônimo grego, faz precipitar as certezas por um vórtice e, se Goya tinha razão e o sono/sonho da razão produz monstros, tanto um quanto o outro assombram o personagem com lâminas que se inscrevem na narrativa, como signos denunciadores. Sobre o herói e os crimes imputados ou cometidos por ele, pesam navalhas, facas, canivetes e outros fios mais sutis. Daí serem sempre pendentes tanto as ameaças e quanto as certezas. Nesse sentido, quando o personagem, revisor de textos e aprendiz de escritor, se corta com o gume de uma folha de papel, aguçam as lembranças do leitor estudos em vermelho, fisiologias da composição, punições para a inocência e mortes ao pé da letra. Uma gota de sangue sobre o papel não é rastro fácil de seguir. O narrador parece viver em um pesadelo, como nos enredos de Kafka, engendrado por um escritor que cria labirintos com inúmeras entradas e algumas saídas, todas inacessíveis. O leitor, como uma espécie de detetive que segue indícios, pistas e enigmas, por sua vez, se enovela numa história de crimes, facas e segredos.” – Lyslei Nascimento

“A Editora Filamentos faz parte do maior conglomerado
editorial do mundo. Desde que
foi absorvida pela gigante emergente KGF-
-Forster©️, viu suas vendas de livros dispararem.
Um de seus colaboradores, Homero Arp
Montefiore, ficou intrigado com a indústria de
best-sellers da editora, especialmente aqueles
assinados por um misterioso escritor chamado
Karel F. A curiosidade sobre a verdadeira
identidade desse autor tornou-se uma obsessão,
levando-o a uma investigação particular
sobre a vida do enigmático romancista. As
perturbadoras descobertas reveladas por
essa investigação tornaram-se cada vez mais
perigosas e, após determinado ponto, colocaram
sua vida em risco extremo. Acusado de
crimes que talvez não tenha cometido, ele se
torna um fugitivo empenhado em tentar provar
sua provável inocência. Se alguma chance
houver de isso acontecer, será descobrir a real
identidade de Karel F. e expor a conspiração
que subjaz a sua literatura.”

Berta Waldman

O autor, Paulo Rosenbaum, nasceu em São Paulo em 1959. É médico e escritor. Possui Mestrado em Medicina Preventiva, Doutorado em Ciências e Pós-doutorado em Medicina Preventiva pela USP, com mais de uma dezena de livros publicados na área. Escreve, regularmente, para o jornal Estado de São Paulo, no blog “Conto de notícia”. Roteirista e produtor de documentários, atuou como editor de revistas científicas no campo da saúde. É pesquisador na área de clínica médica, semiologia clínica, relação médico-paciente, prevenção e promoção da saúde e pesquisa de medicamentos. Além de ensaísta, é poeta, contista e romancista. Antes de Navalhas pendentes, publicou os romances: A verdade lançada ao solo (Record, 2010) e Céu subterrâneo (Perspectiva, 2016).

Para adquirir este livro em pré-lançamento a R$ 59,90, acesse: https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/navalhas-pendentes/embed/#?secret=J7MeWeBVAE

https://glorinhacohen.com.br/?p=58467

No Último Poema de 5781

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/no-ultimo-poema-de-5781/

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/wp-content/uploads/sites/74/2021/09/d5450bcd67b6494ca16149abafbd588c_060920212503.png

Paulo Rosenbaum. Eis que no ultimo poema do ano

leremos os sinais, aqueles que ocultamos,

nos objetos ritualísticos,

na matéria que parece irrelevante

Durante o último poema do ano

Em visões sucessivas, projetaremos, em céus particulares

nas telas internas, e nos menores símbolos

os rostos daqueles que sumiram,

que nos escaparam por um fio

ceifados sem que soubéssemos,

ou déssemos conta de suas partidas sem aviso

aqueles que estavam em distâncias intransponíveis,

Neste último poema do presente ano

é mister aspirar pelo regresso dos que amamos,

mas, também, dos que deveríamos ter aprendido a tolerar

Enquanto lemos o último poema do ano

os corações, que normalmente balançam sob tumultos

Fazem revisões, desfilam à exposição das vulnerabilidades

recolhem-se, estoicos, à passagem das turbulências

sem ceder ao caos das aparências

No último poema do ano

Estaremos todos juntos, aqui, ali, ou em Jerusalém

Aqui, ou nos desafios que não poderemos mais numerar

Como os decretos, incognoscíveis,

Que não sendo apenas humanos,

Vem do Alto, e com eles, esticamos a peneira da colheita

Durante o último poema do ano

Ficaremos próximos, pela paz

Mas também sentinelas, atentos às lutas

Solidários como quem soube

Que estamos sempre perto do risco

E das transformações perigosas

Enquanto passamos através deste último poema do ano

Podemos enxergar o grande tecido, a coisa extensa

Aquela que contém a totalidade das pessoas

E que  nos ajeita no mesmo tapete

que oscila, sob a inconstância do vento

E no capricho errático do tempo

Neste último poema do ano

Não há só o shofar, nem só o som do chifre do carneiro

Mas, fragmentos musicais

que, de ouvido, decompomos para formar hinos

O hino que disputa a vida

Contra as forças do atraso e da violência

Que estão por todos os lados

e fizeram sumir o meridiano dos centros

Ainda no último poema do ano

A liberdade mostra-se arredia

E merece um penúltimo esforço

Uma miríade de canais abertos que irrigam

com sementes as tempestades sem controle

E no ultimo poema do ano

O aniversario da humanidade fará emergir

o sopro de vida que neutraliza pulsões e tiranias.

Dentro do último poema do ano

encontram-se liberdades em expansão,

dúvidas sobre o extensão do livre arbítrio,

bem-aventuranças em estado de hibernação,

e, se desconhecemos o porvir do multiverso

temos uma e a mesma certeza

a correnteza é o solo que temos em comum

e, que neste último poema do ano

Às vésperas de 5782,

os igarapés formem uma confluência imprevisível

no irretorquível livro da vida, a árvore que nunca termina,

Quando as lembranças dos nossos queridos

formarão uma galeria dos afetos

em permanente e ininterrupta exposição.

Shaná Tová!

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/no-ultimo-poema-de-5781/

Um Médico chamado Matheus Marim (Blog Estadão)

Um Médico chamado Matheus Marim

Médico, professor de medicina, homeopata por escolha, um sujeito que nunca se rendeu aos dogmas, nem às doutrinas pétreas, e tinha na atitude científica genuína uma morada. Porém não a qualquer ciência, mas aquela que questiona o cientificismo e privilegia a visão experimental e vitalista. É verdade que tem muita gente muito mais próxima dele e que o conheceu de forma mais intima. Amigos e colegas médicos que poderiam falar melhor sobre ele, discursar com mais conhecimento sobre suas características e qualidades.

Só ouso fazê-lo porque o meu contato foi baseado na intensidade e sob a pressão dos momentos agudos e críticos. O suficiente para conhecer a ética e o rigor pessoal com que ele a aplicava. E por saber, ou intuir pouco importa, o rumo de seu leitmotiv. É improcedente falar do que era consensual em sua personalidade, mas é essencial ressaltar o que dele emanava: uma tranquilidade peculiar, que se infiltrava mesmo à revelia do interlocutor. Testemunhei por várias vezes seu atuar calmo em meio à turbulência, e suas palavras que se assentavam, sutis, mesmo em meio às situações dramáticas. Nunca houve uma mudança de tom, nenhuma exasperação, zero afobação. Sua intensidade fazia-se pela firme constância e pela responsabilidade com que tomava e assistia seus casos clínicos.

Seria ele um adepto de uma versão do estoicismo moderno? Talvez. Decerto um workaholic convicto. Seu heroísmo nunca foi acidental, tanto no combate à peste como às mazelas humanas, e este é um esforço que merece um registro especial. Assim como de tantos e tantos médicos, enfermeiros e equipes de saúde que tombaram frente a uma onda de patologia sem ainda nenhum sinal de desfecho. Muito provavelmente a melhor definição de seu atuar como médico que ajudou milhares de pessoas através da clínica da similitude, é lembrar de uma qualidade evocada pelo fundador da homeopatia, uma virtude que Samuel Hahnemann julgava fundamental num cuidador.

O terapeuta pode ser solidário, deve ser empático, mas deve também exercer uma “muda comiseração” durante as entrevistas médicas.

E era essa sua forma particular de interagir com os enfermos. Relatos mostram um médico que agia como uma pessoa frente à outra. Um clínico que, enquanto ouvia as queixas, polia as lentes dos óculos dos seus pacientes idosos, que se preocupava em jamais renunciar a um pedido de alguém precisando de seus serviços. Sua mera presença, com seu indisfarçável e longo avental branco, impunha uma espécie de respeito tácito, isso mesmo quando se encontrava em meios hostis ao tipo de medicina que praticava. De alguém que se entregava ao inegável talento na arte de cuidar, muitas vezes em detrimento dos interesses pessoais. Às vezes, para acolher um relato de sofrimento da pessoa tratada, mas, muitas vezes, dos familiares destas pessoas também. Às vezes, por horas, às vezes durante a madrugada.

Matheus apostava, como Gregório Maragnon, que a homeopatia seria, um dia, redescoberta em laboratórios. Na verdade, ela já foi redescoberta pela ciência e validada pela sociedade, apesar de todas as tentativas de interdita-la, na maior parte das vezes por motivações alheias à saúde dos homens e contra os interesses da humanidade. Independentemente de seu atuar clínico e de pai e avô atento aos seus, encontrava ainda tempo para produzir experimentações de novos medicamentos (como, por exemplo, Botrophs jararacuçu e Brosimum Gaudichaudii), procurar bons interlocutores dentro das ciências da saúde, articular eventos, promover cursos, e, talvez, o motor número um de sua trajetória vital: sua defesa de uma forma ímpar de praticar a medicina.

Matheus, por tudo isso e, gracias a la vida, sua marca no mundo estará garantida, aqui, agora, mas também num futuro longínquo e lá fora.

Obrigado por tudo, grazie mille: é a Medicina que te agradece.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/um-medico-chamado-matheus-marim/

A Physician named Matheus Marim ( Article Newspaper “O Estado de São Paulo”)

A Physician named Matheus Marim

A doctor, researcher, professor of medicine, a homeopath by choice, a guy who never surrendered to dogmas, nor to stony doctrines, and had a home in the genuine scientific attitude. But not just any science, but one that questions scientism and privileges the experimental and vitalist view. It’s true that there are many people much closer to him and who got to know him more intimately. Friends and medical colleagues who could talk better about him, speak more knowledgeably about his characteristics and qualities.

I only dare to do it because my contact was based on the intensity and pressure of acute and critical moments. Enough to know the ethics and the personal rigor with which he applied it. And because you know, or intuit, the direction of your leitmotiv matters little . It is unfounded to speak of what was consensual in his personality, but it is essential to emphasize what emanated from him: a peculiar tranquility, which infiltrated even without the interlocutor’s appearance. I witnessed his acting calm in the midst of turmoil several times, and his words settling in, subtle, even in the midst of dramatic situations. There was never a change of tone, no exasperation, no rush. Its intensity was due to the firm constancy and responsibility with which it took and assisted its clinical cases.

Was he an adherent of a version of modern Stoicism? Perhaps. Certainly a committed workaholic. His heroism was never accidental, both in combating the plague and human ailments, and this is an effort that deserves special mention. As well as so many doctors, nurses and health teams who fell in front of a wave of pathology with still no sign of an outcome. Probably the best definition of his role as a doctor who has helped thousands of people through the clinic of similarity is to remember a quality evoked by the founder of homeopathy, a virtue that Samuel Hahnemann considered fundamental in a caregiver.

The therapist can be supportive, must be empathetic, but must also exercise “mute compassion” during medical interviews.

And that was his particular way of interacting with the sick. Accounts show a doctor who acted like one person in front of another. A clinician who, while listening to complaints, polished the lenses of his elderly patients’ spectacles, who worried that he would never give up a request from someone in need of his services. His mere presence, with his undisguised and long white coat, commanded a kind of unspoken respect, even when he found himself in environments hostile to the type of medicine he practiced. From someone who surrendered to the undeniable talent in the art of caring, often to the detriment of personal interests. Sometimes, to receive a report of suffering from the person treated, but often from the family members of these people as well. Sometimes for hours, sometimes during the night.

Matheus was betting, like Gregório Maragnon, that homeopathy would one day be rediscovered in laboratories. In fact, it has already been rediscovered by science and validated by society, despite all attempts to ban it, most often for reasons beyond the health of men and against the interests of humanity. Regardless of his clinical role and father and grandfather attentive to his own, he still found time to experiment with new medicines (such as Botrophs jararacuçu and Brosimum Gaudichaudii), look for good interlocutors within the health sciences, articulate events, promote courses , and, perhaps, the number one engine of his vital trajectory: his defense of a unique way of practicing medicine.

Matheus, for all this and, gracias a la vida , your mark in the world will be guaranteed, here, now, but also in the distant future and abroad.

Thank you for everything, grazie mille: it is Medicine that thanks you.

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Devekut, verdade da verdade, ou o aprendizado com Deus

Paulo Rosenbaum

Um dos maiores mistérios de “A Verdade Lançada ao Solo” é o manuscrito deixado por Zult Talb. Nele, o rabino filósofo escreve sobre suas experiências com a devekut (adesão, apego, proximidade a Deus). Ele fala, não somente do ponto de vista teórico ou filosófico, fala do que experimentou.

Como ele aprendeu a técnica? Através de alguém que já vivenciou a experiência. Portanto a devekut é infecciosa, transmissível. 

Para Zult a “adesão”não é fruto de catarse, não é o resultado de meditação, ou bônus espiritual que se alcança com mantras ou com a erudição biblica. A devekut é um professor com alta proficiência pois ensina a partir de uma fonte quase inaccessível. Aparentemente. O mais incrível é que ela jamais promete para quem a experimenta.

Zult quer deixar esse testamento aos homens de nossa época porque intuiu o que virá. Sabe o que nascerá. Parece que o mundo migrará para um esvaziamento da vida subjetiva…

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Moishe Aharon ben Chava (Mauricio Rosenbaum )

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Moishe Aharon ben Chava (Mauricio Rosenbaum )

This will never be an obituary.

Can you listen? I’m still waiting for you, I’m at home. To watch Timon’s game. I already signed the package. For a penultimate kiddush . Are you still here for me? I could see you, in dreams, and you were on the verge of invisibility. It was just a dream, one of those frightening ones. Time has always been a small measure for your presence. You taught me to wait. Showed how to laugh. Not just from yourself. But everything pretentious, doctrinal and ritualistic. You’re an architect, but you’ve always been more skilled in the art of improvisation. Here is an urban planner who dreamed of rural islands. But your specialty was the acute reading of the abstract world. In the detection of unusual ephemeris. In the disconcerting sound argument, in the language games. I wonder how you managed to predict the ruse of neuroses? I know it’s more than your sympathy for non sense. It must be the joy of detachment. Your receipts and insights, consistent with this innate empathy. Like Aaron, you needed to pacify to unite . 

Your talent has always been to feel before what others never saw. And you only get serious when you echo Maimonides and the Hasidic philosophy : “you have to laugh every fifteen minutes”. The phrase that for laymen was meaningless. Ridiculing the unimportant, despising everything that is not playful. Another find of yours: beauty of indifference. you saw life in irrelevant things. for you, to the the objects have an autonomous life. your struggle for a late peace, the only possible, that which does not forget. Do away your past social struggles, your synthesis it became self-evident: work and art end up deformed by politics. Ideology is a senile lens, which distorts reality. It deforms the sense of permanence. And hence the synthesis, only the infused science of justice could authenticate altruism. you insisted: “Stand away from what is not yours.” In addition to the final advice:

“Politics? Never changed, never will. Engage in business, writing, leisure.”

You have also brought to your own another kind of understanding of the practical world. He founded, beyond your core of immediate contacts, the coming of a change that has not yet arrived: the lightness of routine, practical stoicism and contempt for the culture of suffering. That’s when you got the tickets for the elevated walkways . A paradise made up of imaginary places. A mix of London gardens with country country roads. Your “New England” will no longer have to wait for us all. It resides here. She will gather us not as a family but in the great dome of the sacred congregation. The possible utopia, the one you believe in like no one else. And, sooner or later, we will recognize what you keep saying: laws are not enough, no more revolution, heroic reformers, narcissistic grandiloquences, we have come to civilize the world through affection, and that is why it has always been difficult to tolerate us . Lately, you’ve been working out another system of notation, an original kind of benevolence. Do you want to create a new terminology? For dreams of rebuilding? From preaching free from dogma. Of the mild ridicule of fanaticisms. From the occasional indoctrinators.     

Remember when he painted the lights like Chagall ? Or Van Gogh’s earthy yellow? And cross strokes? The Gruffalo Dinosaurs with a Consciousness? So, however invulnerable, we can no longer deny the tragic that your absence would impose on us. Forgiveness. Tragic never, just a mild melancholy. If we demanded that you stay longer, it was only because we knew of your ability to find us. Anywhere. In space-time, now abolished. But if the choice is the departure, let the direction be univocal, clear, towards the big “who”. And behold, your doubts about what the other world was were all answered. One minus: what will we do? We need your eyes and discernment. Understanding how a non-intellectual faith managed to overcome the pressure of skepticism. If we need to find you, it’s to learn more about the secret of your appreciation for life. You, like Leon Bloy , had that “immense curiosity” to know what is hidden behind the curtains. From which no visitors have returned. Mere misdirection, you always knew. The ‘Big Who’ you knew will one day share with us.    

How can we forget about your dancing and tap dancing, your experiences with galoshes soup and the naive request for a lighter for firefighters that almost got you arrested? Your example of strength has not erased your indignation. Like private protests. A rage against disguised autocracies. Your sharp criticism against excessive seriousness. How many times have you tried to teach us about missing paradise? A place that was once an island, was once agriculture, it was your son Sérgio who preceded you. A Gan Eden that offered us an outside view of the tropics. The Garden of Eden, as Gershom Scholem wrote , can be the symbol of happiness itself. Your indirect object architecture and ingenious solutions. Your sophisticated arrangements for simplicity. Your comprehensive apprenticeship. The quest, like Tolstoy’s , for a justice based on personal spirituality. Just like the relationship with the heavens, folks. All of this was just to tell you that if this were a separation it would have no meaning at all. I’ve been taught, first the union, then the havdala , the apartment, temporary. We will forge a new time until this one finally reaches the meeting of permanence.    

Forever, Father, forever.