Mais um post no blog Conto de Notícia do Estadão: Pisando em ovos

senso_comumO conjunto de opiniões de uma determinada época,  esmaga qualquer  originalidade. Querem uma prova? Nunca foi tão fácil tomar o mediocridade por genial. A média se sustenta deste senso comum. O senso comum é aquela fantasia tomada como verdade e que depois achamos que devemos fazer o favor de compartilhar com os demais. É uma noção antecipada, frequentemente imatura e preconceituosa das coisas que incorporamos coletivamente.

Vejam o caso dos índios, que segundo o senso comum, representando apenas 1% da população, não mereceriam os 13% das terras que para eles estaria destinada na política indigenista. Como nos elucidou o antropólogo João Pacheco de Oliveira, não são nem terras indígenas, mas terras da união, reservas ambientais e área de preservação onde o Estado pode, ali, proteger minorias de uma predação étnica inevitável. Pois o Estado brasileiro está, e não é de agora, aos poucos, abrindo mão desta proteção. Isso prova que nem sempre a maioria tem razão e que a razão pode ser obra de opiniões mal calibradas.

Para ler, comentar ou opinar acesse: http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

O fim da democracia – este artigo só será lido aqui, não está na minha coluna do JB!

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A história ensina que a democracia é o melhor sistema de governo já inventado, e encontrou o apogeu entre os gregos no século de Péricles. Só que seu aperfeiçoamento leva tanto tempo e tomamos tanto na cabeça que ninguém pode garantir que sobreviveremos para ver seu triunfo. Os direitos civis estão ameaçados pelos governos que se autoperpetuam no poder e pelos que gritam por aí que temos “excesso de direitos humanos”. Eles podem dar as mãos e valsar, porque ambos sonham com ditaduras. Poder autocrático e gente que tem nostalgia da ditadura militar fazem parte do mesmo saco.  O primeiro porque acredita tanto na própria capacidade que sonha com um país sem imprensa livre e sem oposição (desejos quase realizados na Argentina e na Venezuela) e os segundos, aqueles que espalham vídeos e bobagens com “saudades do golpe”, são movidos pela fantasia das coisas arrumadas, da ordem à base do cassetete. Entretanto, em relação aos direitos individuais, há algo, sim, que chama a atenção no Brasil. É a desproteção a que as vítimas estão expostas contra um sistema legalista que, de alguma forma, é excessivamente indulgente com os criminosos. “Vítimas do sistema” é a tendência para classificá-los. Há interesse político em tomá-los como sociopatas. Seriam fracos que agridem por falta de opção. Se algum dia isso pode ter passado como verdade, fica claro que hoje isso não passa de uma tremenda manipulação dos fatos.Em um destes programas televisivos sofríveis um laureado com o Nobel de qualquer coisa (não compreendo, mas deve haver algum motivo para acreditarmos mais em quem ganha prêmios) declarou: “Temos que ensinar as pessoas que elas precisam fazer o que faz sentido”.  Só omitiu o principal: o sistema político em que estamos metidos berra enfaticamente o oposto. Nada parece fazer sentido. O absurdo é que ganha pontos todos os dias. A vida não parece seguir uma lógica. Os exemplos são tantos e não são só crimes e a violência aleatória das ruas. De megainvestimentos em pessoas que driblam bem (152 milhões), aquelas prioridades que o Estado elege como essenciais, tudo parece invertido. Admito, a desrazão que enxergo pode muito bem fazer parte da recente SGDR (síndrome geral de distorção da realidade).

Um professor titular de universidade em tempo integral e com dedicação exclusiva ganha no Brasil um dos menores salários do mundo para esta função, enquanto um professor de escola pública mal consegue sobreviver. Democracia sem valorização do ensino é um exemplo da sociologia da ignorância. Mas o que fazer?  Abrimos um jornal tridimensional, e se lê que tudo que vimos durante meses no julgamento do mensalão pode não ter valido nada, ou quase isso?  Que os ladrões agem por cópia diante da superexposição de fatos e agora incineram suas vítimas? Que a comemoração da pacificação das favelas teve que esperar até que um tiroteio terminasse?  E por que o ministro da Justiça toma sempre um partido na hora de qualquer explicação?

Quando alguém diz que os fatos serão apurados “doa a quem doer”, preparem as azeitonas. Não é só que os governos são trapalhões, é que se respira um clima de descontrole, de má administração pública e de distorções seletivas dos eventos. Quem vai explicar o escândalo do vazamento do boato sobre o Bolsa Família se ele foi gerado e instrumentalizado lá, bem dentro do poder, e ainda entre gestores públicos? O poder governamental tornou-se a principal fonte do mal feito no país.  A Bolsa Família pode ter sido um arremedo importante contra a miséria. Mas não seria muito melhor se tivesse migrado como política pública para formatos mais sofisticados de seguridade social? Onde a meta seria emancipação das pessoas, e não a intensificação de um assistencialismo mutualista.

Caprichar mais em ensino, capacitação e treinamento? Proporcionar mais leitura, sofisticar as mídias públicas, democratizar o acesso ao conhecimento?  Nem pensar. A não ser que seja para aparelhar as instituições com gente do partido.  É que essa é a grande sacada dessas últimas administrações. Não há democracia possível com violência em ritmo de guerra civil como a que estamos enfrentando. Mas quem precisa de democracia para governar? O que te diria o senso comum? Que, se os assaltantes motociclistas estão usando os capacetes para se esconder dos crimes? Ora bolas, então que os capacetes tenham que ser identificados. A Colômbia já fez isso. A lei por aqui? No estado de SP são multados motociclistas que entram com a proteção de cabeça nos postos de gasolina. Nos bancos vigias armados garantem o patrimônio dos banqueiros. Milícias privadas vêm sendo a solução para a apatia do Estado em prover segurança pública. Postos, bancos e bunkers podem ser protegidos, mas e nós, a população? Merecemos o quê?

Para que a democracia não fracasse, precisamos intensificá-la, não fragilizá-la ainda mais. Enquanto não houver pressão social para que a democracia se radicalize, outras radicalizações ameaçarão a democracia. E o fim da democracia é fim de papo. )

Monte Santo: Vórtice do mundo.

Monte Santo: vórtice do mundo

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A história de uma pequena cidade pode exceder a imaginação.  Que outro lugar do planeta poderia unir um dos maiores meteoritos que já baixaram à Terra, a guerra de Canudos e o filme antológico de Glauber Rocha?

D. Pedro II ficou deslumbrado com a pedra de Bendegó, a enorme rocha mista que desceu do espaço no século XVIII. O monarca consultou especialistas para construir um palacete que também abrigaria sua coleção de minerais.

Orson Welles concebeu a célebre transmissão radiofônica da Guerra dos Mundos, quando ouviu a histórias da região e Steven Spielberg por pouco não realocou as filmagens de “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”. O roteirista chegou a visitar o local, mas a região foi descartada pelas dificuldades operacionais. Surgiram rumores, depois desmentidos pelo INPE, de que a região era o “triângulo do sertão bahiano”, com eixos eletromagnéticos turbulentos semelhantes aos que pairam sobre as ilhas Bermudas.

Leia mais no Blog Estadão

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Paulo Rosenbaum no Portal Pletz

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O portal publicou um dos artigos do escritor Paulo Rosenbaum, veja:

Pletz

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Terror e protestos desconsertantes

Terror e protestos desconsertantes   

Como podemos avançar na compreensão do crescente fenômeno mundial do terrorismo? Não será possível sem a recuperação do significado que move os combatentes nessa saga por sangue infiel. Esses grupos e mesmo aquele que aparentemente agem individualmente como as recentes bombas de panela, esfaqueamentos e degolas — suposição equivocada, sempre há alguém que ofereceu respaldo, microestrutura e abrigo — são motivados por ódio indiscriminado. Possivelmente, não tem nada a ver com o que a religião original preconizaria aos adeptos. Sem mergulhar  na cultura do oriente médio não será possível escapar de uma análise precária. A mais pueril delas, quando se aponta para o terror como  “fruto exclusivo da miséria extrema na qual vivem as massas árabes”. Isso pode ter sido verdade. Hoje abundam exemplos de terroristas super adaptados às sociedades de países ocidentais, bem sucedidos financeiramente, com amplos círculos sociais inclusive com laços geracionais já estabelecidos sob o green card. O que os seduz? Serão só tentados pelo proselitismo de gente perturbada?  Pouco provável.

Terror é um termo amplo e controvertido, mas torna-se fato corriqueiro com tendência à cronificação. Basta acusar alguém de terrorista e está justificada a violação de direitos civis, liberdade de expressão, sigilo bancário e fiscal. Para os Estados totalitários é um senhor álibi para fazer crescer os sonhos de autoritarismo, incluindo permanência no poder e controle opressivo sobre a sociedade.

Já para os Estados e instituições com tradição de respeito democrático aos direitos humanos a ameaça parece atender bem à decadência.  Pois essa batalha o terror já levou. Como resposta, testemunha-se ondas de violência e xenofobia atravessando a Europa em declínio. A velha direita encontra folego para tentar ostentar uma promessa que jamais pode ou poderá cumprir. Por sua vez, a esquerda não fez muito melhor, e, quando leva, afunda-se na inépcia administrativa. Na política externa ressalva para Hollande, o único com coragem de enfrentar a ameaça de que Mali virasse um campo recreativo  para a  Al Qaeda. De outro lado, pode-se sentir o recrudescimento reativo de comunidades que, por se sentirem discriminadas, intensificam e ecoam o que os milicianos sem causa berram.

A instrumentalização das religiões por grupos, estados e pessoas reduziu a sabedoria espiritual a uma agenda fanática, sem currículo político, onde o que vale é elencar inimigos como agentes externos. Grosso modo caçar o mal externo impede reconhecermos o nosso. Se sempre foi assim, a situação se agravou com o arregimentação maciça de combatentes que estão dispostos a dar suas vidas  – e imolar tantas outras – por uma causa que não chegam a compreender. O mal estar difuso da nossa cultura é inominável e o inominável costuma ser fantasmagórico.

E é aqui que o terror como protesto têm se expandido horizontalmente. Enxergar outro povo ou etnia como alvo é ter perdido toda sutileza psicológica. Mas é nessa interpretação desastrosa que temos desaguado. Tribos, de torcidas organizadas aos partidos políticos lutam à morte. Também acontece, com menor intensidade, dentro dos fundamentalismos laicos contemporâneos. Alguns identificados: machismo, posse, ambição, poder, corrupção e consumo. Desses deuses substitutos emana o micro-terror – menos visado mas com efeitos muito similares: se a vida for dessignificada, o outro já pode ser eliminado como objeto.

Isso não é tudo, pois no meio do caminho ainda temos o capitalismo acionário em fase tentacular tirando suas casquinhas e usando o medo das populações para se beneficiar com abusos econômicos.

Se repararmos bem, não há a menor consistência na política do terror. Falta-lhe exatamente o aspecto constitutivo dos valores civilizatórios contemporâneos: capacidade de ceder aos argumentos, suportar o contraditório, tolerância, premência da paz.  Talvez devêssemos recuperar a ingenuidade junto com as ideias hippies e as do Mahatma Gandhi. Resistência pacífica e protestos desconcertantes talvez funcionem melhor que incendiar pessoas e cidades.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

Link do JB

 http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/30/terror-e-protestos-desconsertantes/

Novo Post Blog Estadão – Pax dos Morros

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Pax dos MorrosImagem

Um incidente ameaçou o aniversário de pacificação das favelas cariocas.

Leia mais no Blog Estadão

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/categoria/conto-de-noticia-2/sem-categoria/

Novo Post no Blog Estadão: Afetivo

Movo, cesso,
me comovo…

Para vermais

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Novo post Blog “Conto de Notícia” do Estadão : Censura sem fim

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Censura sem fim

Censura_sem_fim_II

Para Ruy Mesquita

– O jornal está censurado?

– O termo é um pouco forte. Está sob monitoramento conteudístico.

– Ah! E o que vêm a ser isso?

– Verificaremos todos os dias se o Sr. não está mencionando o nome da pessoa que não deve ser mencionado. Nem fazer referências alusivas, veladas, simbólicas, metafóricas ou alegóricas a eles. Leremos de cabo a rabo buscando menções indiretas que possam identifica-los.

– Censura!

– Depende como o Sr. quer chamar. Censura era na ditadura. Chame de outro nome.

– Verrinário, exprobrador, inconcepto, todos eles se quiser.

– Vocês colocavam a receita de bolo e os Cantos dos Lusíadas. Era engenhoso e todo mundo sabia que a tesoura passou ali. Eu ainda era criança, mas meu pai me dizia o que era.

– E o Sr. não aprendeu nada com aquilo?

– Não é nada pessoal, sou só um funcionário. Faço o que é minha função.

– Censor! Você é um censor!

– O Sr. insiste nas palavras duras. Para que isso? É só uma proibição zinha.

– Uma ova, isso é censura e quem manda nessa porra sou eu!

– Gozamos de liberdade ampla geral e irrestrita.

– Só se for na tua casa.

– Calma Dr., eu só vim trazer o ofício.

– E lacrar a redação se ousarmos fazer menção aqueles dois. Tenho faro filho, começa assim mas isso vai longe.

– Pois é o que a lei determinou! Como disse não mando em nada, sou um cumpridor de ordens.

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http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/2013/

Doutores escravos e similar nacional

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Doutores escravos e similar nacional

Em meio ao imbróglio dos médicos cubanos as coisas realmente importantes passam despercebidas. Fica muito clara a tática do governo ao convocar os médicos de lá. Querem ocluir o debate sobre a falta de oportunidades, política salarial e de um plano de carreira para os médicos e cuidadores brasileiros.

A cortina de fumaça que se esboça com a importação de médicos cubanos também funciona bem para postergar o debate dobre a grave situação de saúde pública no País. E quanto aos médicos cubanos propriamente ditos? O Conselho Federal de Medicina já se manifestou corajosa e muito apropriadamente. Restam alguns adendos. O projeto não é só inapropriado, oculta uma agenda anacrônica.  Serão aproveitados como propaganda grátis para os irmãos Castro. Soa paranóico? Viajei? Nem tanto. Busquem vídeos de estudantes brasileiros que cursam medicina em Cuba. Em seus depoimentos mostram quem na verdade subsidia seus cursos. Ou perguntado de outra forma: o que o MST tem a ver com a formação de estudantes brasileiros que estudam medicina em Cuba? Perguntem à embaixada do Brasil em Havana. Continuar lendo