• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Livros publicados

Terror do Opressor – Poema do livro “A Pele que nos Divide” – Blog Estadão

24 sábado mar 2018

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Livros publicados

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A Pele que nos Divide, blog conto de noticia, poesia

Terror do opressor

Lava-te agora com o precioso cânhamo
Do teu poderoso homicídio
Tão forte a gosma da corrupção
Que jamais enxaguará teu extermínio.

Se censurar foi o teu meio
E conceder-nos matança
Foi a tua redundância.

Não haverá um só meio
Que não conheça a revolta, o centeio.

Explodindo teu glutão palácio
Ferveremos tua condolência
Abençoando-te com tortura sem violência

O abuso nas tuas insígnias
Não é a estampa do horror,
Mas a forma como compeles dor.

E teus fiéis servos perpetuam
Tua doutrina mundana
Imprimindo a consciência tirana.

Faremos ainda com que cantes
A infinidade de nossos levantes.

E a tirania da tua democracia
Farás apenas com que murmures
– Sim, o poder com sangue tecia,
Posto que nada é eterno pelo tempo que dure.

Quando assim, vier-nos então
Teu submisso pedido de clemência,
Enlouqueceremos de euforia, demência.
Finalizaremos teu sepulcro com pó,
E te embalsaremos
Não com a glória de um faraó
Mas com a solenidade que temos.

Conservaríamos viva a tua alma,
Para que cada um expurgue o termo
Na tua imagem, o que foi teu governo.

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A pele que nos divide – Poesia – 2018

16 terça-feira jan 2018

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Livros publicados

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A Pele que nos divide- Diáforas Continentais, Poesia Brasileira

Acabamos de publicar o livro de poesias “A pele que nos Divide: Diáforas continentais”. São poesias que ficaram em estado de oficina por 30 anos. Junto estão alguns poemas em prosa que publiquei no blog Conto de Notícia (Estadão). O livro acaba de sair publicado pela simpática editora Quixote-Do coordenada pela eficiente Luciana Tanure e Thasia Medeiros com diagramação da Carolina Gischewsky.

Eu elaborei as ilustrações, fotografia de Silvia Fernanda Rosenbaum, a capa é de Marcelo Girard usando a imagem da obra da pintora paulistana Nilda Raw (óleo sobre 2017).

Contamos com as preciosas participações de Lyslei Nascimento que escreveu a orelha, a apresentação de Wander Melo Miranda, o prefácio do Fernando Paixão e o posfácio de Nelson Ascher.

O lançamento acontecerá depois do carnaval, em data a ser em breve comunicada. Os primeiros 50 exemplares são numerados e assinados.

Contatos para aquisição direto com a editora.

Espero que apreciem.

Paulo Rosenbaum

 

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Resenha Crítica de Céu subterrâneo Por Cíntia Moscovith – Jornal Zero Hora

03 quarta-feira ago 2016

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, céu subterrâneo, Livros publicados, Na Mídia

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Adam Mondale, céu subterrâneo, Cíntia Moscovith, Editora Perspectiva, Israel, Jacó e Gita Guinsburg, Makhpelá, Resenha Crítica Literatura, Verdade lançada ao solo

Cíntia Moscovich: Debaixo da terra

A colunista escreve quinzenalmente no 2° caderno

01/08/2016 – 06h04min | Atualizada em 01/08/2016 – 06h04min
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Protagonizado por Adam Mondale, um autor em crise que ganha uma bolsa para viajar a Israel e escrever um romance, a trama se escora nos mistérios que envolvem a gruta de Makhpelá, o Túmulo dos Patriarcas da tradição judaica – daí o “céu subterrâneo” do título –, local que Abraão teria comprado para sepultar Sara e onde estariam enterrados o próprio Abraão, Isaac, Rebeca, Jacó e Lia.

Veja também:
Cíntia Moscovich: Vade retro
Cíntia Moscovich: A rotina do artista

De posse de um velho negativo de máquina polaroide, com o aluguel de um apartamento feito pela Internet, Mondale chega a Jerusalém numa madrugada fria e chuvosa. Ao procurar o endereço, se descobre enganado – e essa é a primeira peripécia da história. A partir daí, o livro se desenvolve em três planos: a aventura em Israel, a construção do romance e o descobrimento pessoal do personagem – inclusive de um misticismo rechaçado mas inescapável. Com tons kafkianos e metalinguísticos, a trama se apresenta com a cronologia alterada, cabendo ao leitor organizar a sucessão dos fatos no tempo.

Dono de uma prosa envolvente, embasada num extenso conhecimento da matéria, Rosenbaum, que é também autor de A verdade lançada ao solo (2010), cria um clima labiríntico, no qual a tensão é alimentada por cortes precisos e informações que surgem em momentos cruciais da narrativa.

Ademais das virtudes inerentes, Céu subterrâneo tem ainda a chancela de uma das respeitadas casas editoriais do país, que completa 50 anos sob o comando de Jacó e Gita Ginsburg. Responsável pela coleção Debates, a Perspectiva publica uma vastíssima gama de assuntos, tendo participado diretamente na formação intelectual (e afetiva) de todos os brasileiros que se debruçam sobre as humanidades. O selo é certeza de edições de qualidade – como é, sem dúvida, o caso de Céu subterrâneo.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2016/08/cintia-moscovich-debaixo-da-terra-7040569.html#

 

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Resenha de “Céu Subterrâneo”por Lyslei Nascimento – Revista Maraavi Nascimento publicado na revista Maar

01 quarta-feira jun 2016

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, céu subterrâneo, Imprensa, Livros publicados

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céu subterrâneo, Hebron, Lyslei Nascimento, Machpela, resenha, revista Maaravi

ROSENBAUM, Paulo. Céu subterrâneo. São Paulo: Perspectiva, 2016. 254p. Da escrita e da arqueologia, modernidade em ruínas
Lyslei Nascimento*

O romance Céu subterrâneo, de Paulo Rosenbaum, surge em um tempo em que o leitor já não cultiva o que não pode ser abreviado. No entanto, amante das grandes narrativas, como se pode constatar desde A verdade lançada ao solo, de 2010, o escritor, ao tentar realizar uma síntese impossível do céu – as coisas do alto, como a espiritualidade – e as subterrâneas – não somente as coisas terrenas, mas aquelas que estariam abaixo nível do chão, como a memória e a identidade – inscreve-se numa poderosa tradição de romancistas como Umberto Eco e Salman Rushdie.

Esses escritores se esmeram em construir suas tramas a partir do que Italo Calvino chamou de hiperromance ou romance enciclopédico, uma narrativa marcada pela tensão entre o peso e a leveza, a exatidão e a multiplicidade. Na contramão do desejo de brevidade, eles oferecem ao leitor uma narrativa densa, cheia de camadas, idas e vindas, jogos temporais e espaciais, intertextos sofisticados, buscas quase infinitas de duplos e fantasmagorias, além de uma concepção fundamental da literatura como conhecimento. O convite à leitura é, portanto, nesses autores, um desafio à viagem, à investigação.

Na trama de Rosenbaum, um escritor viaja para Israel em busca de si, de sua inscrição numa tradição da qual ele acredita ser “desafilhado”. Por isso, não é só um ponto de vista que é sugerido pela expressão paradoxal “céu subterrâneo”, mas também um jogo entre o fora e o dentro, a exclusão e a inclusão, que está em perspectiva. O que se percebe, nesse sentido, é que a narrativa vai se adensando e um enigma precisa ser decifrado pelo personagem e pelo leitor, que se veem diante de um labirinto, com suas ruas e ruelas, falsas entradas e ilusórias saídas – tudo muito bem arquitetado para fazer perder tanto o personagem quanto o leitor. Decifrar ou ser devorado parece ser o que, irremediavelmente, impele o protagonista, “o estranho que se estranha”, para o que seria a sua busca pela verdade, pela resolução do que a ele, e ao leitor, se impõe como um problema, real ou psicológico. Inquérito e investigação, em construções análogas as de Edgar

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Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 10, n. 18, maio 2016. ISSN: 1982 3053.

Alan Poe, a concepção do amigo Assis Beiras, faz lembrar Conan Doyle com o célebre parceiro de Sherlock Holmes: um Dr. Watson tropical. Escavando e recordando, como queria Walter Benjamin, as referências à narrativa de enigma e de investigação policial não são gratuitas. Torna se, assim, o narrador o investigador de si mesmo, de suas origens, e o leitor o seu cúmplice.

O que Adam Mondale deseja em sua tentativa de desvendar um passado ancestral judaico e, é preciso dizer, coletivo? Desentranhar se ou ali se inscrever, de forma singular? A sua busca de uma imagem da sepultura de Adão, o homem primordial, não é banal ou retórica, mas se dá a partir de leituras e releituras, de livros, de imagens, de tradições que vão desarmando interpretações cristalizadas e armando outras, mais precárias, porém sutis. Nesse sentido, o romance trata de coisas desaparecidas, ou soterradas, e das inexistentes, ou imaginárias.

A referência a um código pictórico, como o Jardim das delícias terrenas, de Hieronymus Bosch, por exemplo, e fotográfico, como o negativo da Polaroide encontrado e seu correspondente holograma, são explorados no uso de um vocabulário ambíguo, que pode ser tomado em vários sentidos. Desse modo, revelação, iluminação ou negativo são termos que podem ser levados às últimas consequências interpretativas. Assim, a fotografia, que poderia ser uma prova de realidade, e a busca que o narrador realiza, são postas em xeque, fazendo surgir sombras ou delírios, tudo muito bem entretecido com reflexões pungentes sobre a escrita e dilemas de um escritor na contemporaneidade.

Quase como um místico à deriva, ou um voyeur, numa irônica condição de sofrer de uma doença nos olhos, cuja “córnea é riscada”, prejudicando lhe a visão perfeita, destaca se o caráter de colecionador de câmeras e filmes antigos (marcando o que seria a modernidade em ruínas) e as múltiplas facetas do personagem como professor, psicólogo, fotógrafo e detetive (buscando apreender a fugidia condição do escritor pós moderno). O texto aponta para o que, em certa medida, Ricardo Piglia afirmou sobre a escrita atual: o gênero policial, em todos os seus desdobramentos, é o grande gênero moderno que inunda o mundo contemporâneo.

Narra se uma viagem ou um crime. Que outra coisa se pode narrar? . Às vezes, as duas coisas, é preciso ressaltar. Sob essa dupla sentença, Piglia parece refletir sobre as estratégias de construção textual presentes no romance de Rosenbaum. Sobreposta à viagem a Israel, e, em Israel, a viagem a Hebron, além da busca pela

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Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 10, n. 18, maio 2016. ISSN: 1982 3053.

fotografia que desvelaria o segredo, a metáfora da arqueologia traduz, de forma contundente, a investigação que o protagonista realiza de si e do outro, espelhando, com requinte, a estrutura narrativa do romance.

A partir de um negativo fotográfico encontrado na Caverna dos Patriarcas, a Gruta de Macpelá, o narrador sai a campo em investigação. O complexo, localizado na antiga cidade de Hebron, depois do Monte do Templo, é o segundo local mais sagrado para os judeus e venerado, também, por cristãos e muçulmanos. Todos eles, com algumas variações, afirmam que é o lugar onde foram enterrados os quatro casais bíblicos, daí o nome “Macpelá” ser uma referência à câmara de sepultamento desses casais, ou seja, a caverna dos túmulos dos casais: Adão e Eva; Abraão e Sara; Isaque e Rebeca, Jacó e Lea.

As cidades de Rosenbaum, tal qual as de Cidades invisíveis, de Italo Calvino, aparecem especulares, refletidas, em dupla exposição, sendo atravessadas pelo narrador, com seu olhar avariado, diluindo as fronteiras, fazendo com que os limites sejam intercambiáveis. Jerusalém e Hebron prefigurariam, assim, espaços sagrados e profanos, espelhamentos de textos que são desfolhados ou revelados em suas entranhas a partir de referências ao campo semântico da fotografia, da arqueologia e da narrativa de enigma.

O passado, as ruínas, os restos mortais são iluminados pela escrita e pela investigação, como uma prova, no tempo presente, de algo que só chega a ser minimamente delineado. —“Prova? Você agora está escavando?”, pergunta a esposa de Adam. —“Estamos pesquisando”, ele responde.

Ressalte se, nessa citação, que a pergunta se apresenta no singular, mas a resposta, apesar de só poder ser também nesse diapasão, porque não há, explicitamente, outra pessoa junto a Adam, acontece no plural. Essa configuração múltipla do personagem é dúbia e está explícita em suas muitas facetas, na complexa conformação de seus vários eus. Ou seja, esse personagem também se apresenta a partir de “camadas arqueológicas” da vida presente com as passadas, relações conflituosas com a culturas e a tradição judaica, angústias e influências de textos e imagens que leu e escreveu ou fotografou.

Evidentemente que a ideia de duplo, presente desde o título do romance, tem, no nome do narrador, Adam, espelhando sua busca por Adão, e Macpelá, o nome da gruta que sugere o túmulo dos casais, além das cidades de Hebron e Jerusalém –

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Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 10, n. 18, maio 2016. ISSN: 1982 3053.

com suas ruínas e reconstruções trazidas à luz, por escavações – na arqueologia, sua metáfora mais instigante. Por intermédio da comparação do passado de uma cidade com o passado psíquico, Sigmund Freud, em O mal estar na cultura, reflete sobre o que o leitor pode analogamente vislumbrar na busca de Adam em Céu subterrâneo. Em vez de Roma, a cidade que insurge e ressurge do passado é Hebron, fazendo falar, a um só tempo, as vozes da tradição – de um tempo imemorial e mítico, que parece estar soterrado no passado – com índices do moderno e da contemporaneidade, como a fotografia, a computação gráfica, o holograma.

Céu subterrâneo, em níveis e desníveis, em estratos, espelhamentos, conformações e deformações, anseia que o leitor o atravesse, pari passu com o narrador. A busca obsessiva de Adam “pelo negativo” de uma imagem que todos julgam perdida, no entanto, não é vã. O leitor deverá acompanhá lo por cidades e grutas, da superfície para o interior, num espaço labiríntico. Sem esquecer, todavia, que escavar se é, também, ferir se, e que quanto mais profunda a incursão na memória ancestral, mais ele pode se elevar, para, na superfície, respirar e sobreviver.

* Lyslei Nascimento é Professora Associada na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenadora do Núcleo de Estudos Judaicos e bolsista de produtividade do CNPQ.

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Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 10, n. 18, maio 2016. ISSN: 1982 3053.

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Spleen político (Blog Estadão)

15 domingo maio 2016

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Livros publicados

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blog Estadão, céu subterrâneo, ficção, hegemonia e monopólio do poder, impeachment, literatura brasileira, retrocesso, significado de justiça, spleen político

Spleen político

Paulo Rosenbaum

15 maio 2016 | 18:19

Spleen – A Spongy gland above the kidney, supposed by the ancients to be the seat of anger and ill-humoured, melancholy in Skeat, W.W. Etymological Dictionary of the English Language. Oxford, 1882 

Num lugar distante, depois de uma intensa conflagração não violenta, que não era nem exceção nem golpe, uma epidemia de depressão assolou o País continental. Um tipo de distúrbio jamais detectado pela medicina. Reconhecendo a calamidade a Organização Mundial de Saúde classificou o fenômeno como “spleen político”. Como zumbis, pessoas e tribos sem filiação vagavam pelas ruas tentando encontrar algum código, pistas, de qualquer forma algum sistema de identidade que permitisse qualquer reagrupamento. Parecia impossível. Os grupos anti e a favor se insultavam mesmo tendo passado quase dois anos do embate que determinou a reclusão de boa parte da elite governante. As divisões eram perturbadoras. Havia gente contra e a favor da Cultura. Contra e a favor da Sociedade. Contra e a favor das Instituições. Sim à censura, contra e a favor da ditadura. O País chegou muito perto de ter o nível médio de inteligência rebaixado por uma agencia de classificação de risco psíquico.

As pessoas relatavam sintomas semelhantes e muitas sensações análogas. Um filósofo decidiu fazer o registro de suas entrevistas.  Os testes psicométricos informavam estranhos depoimentos:

— Qual é a sua sensação com a situação atual?

— É como ter tirado um peso enorme das costas, mas sem nenhum alivio.

Outras avaliavam o inverso:

— Agora sinto o peso sobre o qual as outras pessoas falavam. Ele migrou para mim.

— Elas se livraram de algo, que agora parece ter grudado na gente.

–Estou carregando um fardo estranho, só sei que não é meu.

Na análise da pesquisa, o comum entre elas é que os dois grupos, aparentemente antagônicos, não conseguiam enxergar saídas.

— O que sinto? Não consigo conversar com ninguém.

— A culpa é deles, as pessoas não conseguem mais conversar.

— Não quero falar com eles, o fanatismo é incurável.

— Eu me pergunto o que eles querem. Estão numa seita ou partido?

Na época, o coordenador das pesquisas, Terco Mora, arriscou um ensaio publicado em jornal de grande circulação:

“A falta de perspectiva se tornou tão intensa que o alivio por ter se livrado de uma tirania assemelhava-se ao de ter se livrado de uma patologia grave: ou seja mesmo livrando-se dela, sentimos que não houve ganho algum. Velhos clínicos discordariam, assim como no aforismo de Heráclito de Éfeso “ninguém entra duas vezes no mesmo rio”. Assim como nunca um corpo afetado por uma doença jamais tem restituição integral, a experiência de ter sido tiranizado e a redescoberta que só as ruas esvaziam palácios, marcará a memória coletiva. Apesar de muitos terem apostado na amnésia, prevejo que o País nunca mais será o mesmo. Para conservar sua feição essencial as Democracias precisam renunciar à toda tentação populista. Devíamos reconsiderar Descartes: Penso, logo não milito. Massas não costumam grudar umas às outras. Para unificar um País é preciso, antes, reduzirmo-nos às unidades.”

Antes da reviravolta, Terco foi preso e processado por um dos tribunais magnânimos. Viveu exilado em Fernando de Noronha, na época transformada em colônia penal. Anos depois da crise, foi reincorporado à Universidade. Promotor de diálogo, fundou o Ministério do Bem Estar, que presidiu até falecer. Os efeitos vieram depois, na forma de bônus imateriais. Sob sua gestão, o IDH do País teve inédito avanço e as transformações foram evidentes. Numa rara entrevista concedida para uma emissora de rádio de Brasília Terco resumiu o segredo que nos fez superar a atmosfera de spleen político:

— Suas pesquisas foram fundamentais para mudar o ambiente político, o Senhor poderia explicar qual é o mais importante indicador de felicidade?

— As relações entre as pessoas.

_____________________________________________________________________

Prezados amigos do blog e colegas jornalistas, convido todos para o lançamento do meu livro “Céu Subterrâneo” que acaba de ser editado pela editora Perspectiva. Trata-se de uma ficção escrita a partir de uma estadia em Israel e definido pela professora titular de literatura da USP Berta Waldmann, que assina a apresentação, como “Um Midrash brasileiro”. Também contei com a preciosa apresentação da Professora Lyslei Nascimento da UFMG que elaborou a orelha do livro. A lista de pessoas para agradecer é bastante extensa. Pretendo fazer isso pessoalmente. Então amigos, será dia 17/05 as 18:30 na livraria Cultura do Conjunto Nacional. Agradeço antecipadamente a quem puder vir, compartilhar e divulgar para outras pessoas. Um grande abraço, Paulo Rosenbaum

Convite - JPEG

 

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Minha folia é você (Blog Estadão)

14 sábado fev 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Livros publicados, Na Mídia

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anticarnaval, minha folia é você

folia

Minha folia é você

Minha folia é você

No momento,  fica

Não prometo nada

E se disserem sosseguem,

Negaremos

A folia transita num violino

Compromissadamente perdido

Comprovadamente visível

Concomitantemente relapso

A folia está nas nuvens,

Nas milhas náuticas

Nos pulsos indomáveis

Que esquecem tudo, juntos

Num particular anticarnaval

Nesse mar sem muros

Na fome da entrega

Toda e qualquer latitude

Deita folia em teu corpo.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/minha-folia-e-voce/

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Jejum Nacional pelo término dos maus decretos

21 terça-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Livros publicados, Na Mídia

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dia 23/10 jejum nacional pelo fim dos maus decretos, meditem 45, resistencia não violenta

Há uma tradição, compartilhada por muitas tradições, de que o jejum sincero pode evitar um mau decreto. Proponho jejum coletivo, nacional, ao modo de Gandhi, nesta quinta feira, 23/10, do nascer do sol até o poente. Todos os que gozam de razoável saúde e, que acreditam numa ação de resistência pacífica, podem se privar de alimentos sólidos (e doar o equivalente ao que não foi consumido). Sugiro meditar 45. No final, rogar por uma vitória do Aécio contra todos os maus decretos.

Jejum_NacionalX

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Direito de Resposta

01 quarta-feira out 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Livros publicados, Na Mídia

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Bolivar, direito do consumidor, eleições 2014, fraude eleitoral, golpe de Estado, manifesto comunista, Marx, Modelo bolivariano, queda do muro de Berlim, risco de ditadura, totalitarismo

Direito de Resposta

Paulo Rosenbaum

01 outubro 2014

Solicitei faz tempo, mas só chegou hoje. Como consegui? Usei a lei de proteção ao consumidor. Já que o candidato é hoje apresentado como produto, não deveria vir com garantia de devolução? Um juiz aceitou meu argumento. Como nunca tive direito de resposta nem sei por onde começar. A senhora é dona do País? Determina liberdade ou cárcere? Perdão, é que no debate deu essa impressão. E se lhe disséssemos: dispensamos aquele passeio pelo Jardim Venezuela? E se explicássemos que a essência de um estadista é estimular a inclusão? Ou a Sra. acha que o eleitor com candidato derrotado merece ser subjugado? Desaconselhável instigar a luta entre classes. Como meu pai lembra, o próprio Marx teria revisado este e aquele outro tópico do manifesto. Aquele “cada um terá de acordo com suas necessidades”, sempre foi, de longe, o mais problemático. Claro, claro, a senhora diz ser flexível, só não admite remendos na cartilha. Mas não é meio abusivo insinuar uma constituição redigida pelo seu partido? Ainda temos o direito de saber o que a Sra fará assim que assumir, se assumir? Até hoje não tivemos direito de contestar a promessa desviada, a creche na maquete, tijolos sem olarias, escândalos em refinarias. A excelentíssima afirma que a volta da inflação é culpa da crise externa, a queda dos mercados especulação e o fracasso econômico complô internacional e não há malversação. Só para saber, sobrou algo para ser debitado da incompetência? É que ficamos com a impressão de uma grande conspiração. A Sra corre o risco de estar tratando a verdade com a mesma deferência com a qual seus funcionários tratam os números. Deixe-me também explicar Dra. que, caso a senhora prefira o modelo Bolivar essa é a hora de explicita-lo! Estamos a nos indagar o que será que ele tem a ver conosco. Já ia esquecendo: dia 9 de novembro é o aniversário de 25 anos da queda do muro de Berlim. Eu sei, eu sei, não precisa chorar, aquilo doeu na senhora, mas são os nossos tempos. Já que tocamos no assunto, liberdade nunca foi valor pequeno burguês, a democracia não se dobra ao gosto do freguês e não queremos modelo chinês. Quem é pessimista não é direita. É que já existiu uma esquerda arrojada e anti stalinista. Por falar nisso, que papelão! Aquele da ONU foi impagável mas me refiro aquele da imprensa. Se ela não investigar a quem caberá a prerrogativa? Estou sabendo que boa parte da Universidade te apoia, mas quem abandona seu papel crítico, renuncia à análise e vegeta na militância. Não faz diferença? Discordo. Caso queira reformar a República, virar de ponta cabeça as instituições e refazer a nação, anuncie hoje, antes da eleição. Fale dos seus ídolos políticos, do poder dos Conselhos Populares, do futuro da propriedade privada e quais os planos para a instabilidade social. Pode omitir aquela palavra que dá medo no pessoal. No lugar de comuni… use regime que se apropria dos meios de produção e decide para sempre todo o resto. Compreendo, é tentador mudar as regras do jogo no meio da partida, só que tem muita gente com a mesmíssima vontade.

PS- Não esqueça de mandar felicitações para Angela.

Respeitosamente,

Eleitor e consumidor

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Livros Publicados:

10 quarta-feira jul 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Livros publicados

≈ 2 Comentários

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A Verdade Lançada ao Solo, Angelina Jolie, antijudaismo, antisemitismo, assessoria, democracia, Israel, judaísmo, justiça, Literatura, livros, política

ROSENBAUM, P. . Verdade Lançada ao Solo. Rio de Janeiro: Record, 2010. 588p.;  Saiba mais: Editora Record

ROSENBAUM, P. ; LAMA, L.  FRANCO, P. P. . O Nome do Cuidado – “Care among us”. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. v. . Saiba mais: Ateliê Editorial

ROSENBAUM, P. . Novíssima Medicina (ethos do Cuidado). 1. ed. São Paulo: Organon, 2008. v. 1. 224p . Saiba mais: Editora Organon

ROSENBAUM, P. . Entre Arte e ciência: Fundamentos Heremenêuticos da Medicina Homeopática. 1. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. v. 1. 277p .

ROSENBAUM, P. . Homeopatia, Medicina sob medida. São Paulo: Publifolha, 2005. v. 01. 160p . Saiba mais: Publifolha

ROSENBAUM, P. . Medicina do Sujeito. Rio Janeiro: Luz Menescal, 2004. v. 01. 250p. Saiba mais: Organon

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