• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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A dor merece nosso constrangimento.

30 quarta-feira jan 2013

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constrangimento da dor, dislate, estultilóquio, falalidade, galimatias, judeus no holocausto, Mark Twain, Santa Maria, tragédia gaucha

A dor merece nosso constrangimento.

Devo estar cultivando a insensibilidade já que não me comoveu o choro presidencial nem a circunspeção dos políticos nos funerais. Além disso, temos que suportar o horroroso espetáculo dos apresentadores explorando a biografia das vítimas ou especialistas explicando como os alvéolos são destroçados pela inalação de fumaça. Nesse campo de batalha, só cabem urros, uivos, ritos de contrição. A dor merece nosso constrangimento.

São poucas ou muitas as palavras que podem descrever acuradamente o absurdo. Absurdo é pouco, estultilóquio, limitado, dislate, distante. Precisava de um vocábulo sem precedentes. Pois “galimatias” revela um glossário analógico apropriado para o desastre gaúcho: um acervo de heresias e incoerências disparatadas, coxia de desconchavos, parvoíce chapada, um amontoado de cacaborradas, aranzel, inépcia, chocarrice. Para contornar registros menos recomendáveis ao grande público, cada um deles pode indicar o repertório que se passa pelas nossas cabeças quando tragédias completamente evitáveis parecem inevitáveis.

A falta de decência não é só fazer as coisas sem pensar que outros podem se ferir ou sair lesados. Paira no ar um senso de desproporção, tocado pelo culto ao único mito invicto de nossa era: grana.

Há uma máxima que deveria vir instantaneamente à cabeça de qualquer um “tratarei todo filho como se fosse meu”. Passa longe do sentimento predominante. Que dizer dos donos do lugar e dos homens da segurança? Inicialmente, sem perceber a eminente tragédia, impediram pessoas de sair do inferno. Quais as regras a serem seguidas e quais merecem desobediência civil já?

Não sei quantos mais poderiam ter sido salvos da asfixia, da carbonização. Uma vida poupada teria feito toda diferença. Mas havia a barreira do execrável pedágio, a pirotecnia fora de lugar, o entupimento das salas, as formigas espremidas na armadilha.

Não vem ao caso apontar para a banda ou para os proprietários como alvos óbvios de punição e responsabilização criminal. Já que pais e mães tiveram seus futuros cassados e as vítimas ardem na sombra, seria preferível acompanhar o que o poder público tem a dizer.
Em geral fiscais são bons burocratas e, raramente, tem consciência de seu papel vital na prevenção dos desastres. Prevenção, lugar comum, baixa visibilidade, anti-popular, mas a única palavra chave para não termos que ouvir a esfarrapada desculpa “fatalidade”. Isso não é um se, está acontecendo agora. Nas enchentes, na calamidade absoluta que é a segurança pública do País, na incapacidade organizacional para gerir o dia a dia das cidades. A verdade é que se ainda vivemos ilesos, é por sorte e apesar do Estado. E não se trata de apontar para um único partido. Todos comungam deste mínimo múltiplo comum, a incapacidade de enxergar que toda matéria política caberia numa sentença: governo é para o povo. Submergidos no populismo ignorante, cosmético e estelionatário quanto dinheiro ainda será arrecadado nas miríades de impostos pagos para fiscalizar e manter as bocas de lobo, as escolas, o passeio publico, a segurança, a defesa civil? E como isso será gasto? Não sabemos e ninguém sabe. Mark Twain escreveu: “o governo é meramente um servo, meramente um servo temporário: não pode ser sua prerrogativa determinar o que certo e o que está errado, e decidir, quem é um patriota e quem não é. Sua função é obedecer ordens, não originá-las.”
Só quando os administradores forem imputáveis e sentirem nos bolsos e na privação de liberdade que, se falharem em prevenir o prevenivel sofrerão consequências pesadas, talvez tenham mudanças efetivas no dislate que é o planejamento público no Brasil. Só quando a opinião pública exigir que as apurações não se limitem a dois ou três bodes expiatórios, mas, a quem, de fato, permitiu a vigência do absurdo. Talvez ai, calçados na educação solidária, o respeito aos cidadãos terá status de lei.

Na hora dos massacres a solidariedade autentica vem das pessoas desvinculadas do poder. Emerge pura da nossa emoção, premida pelo nada, esvaziada de sentido, e lapidada pela voz rouca do abandono. Um sobrevivente do incêndio descreveu “vi o monte de corpo empilhados uns em cima dos outros, como os judeus no holocausto”. Ainda que o cenário justifique a analogia, a outra semelhança é a gratuidade com que essas vidas foram incineradas.

Todos nós, civilizados desde o berço, podemos enxergar tragédias como inerentes à condição humana. Rachaduras na placa continental, asteróides, furações e terremotos são eventos inevitáveis, às vezes inexoráveis. Crematórios não. A dor merece nosso constrangimento, assim ao menos sofreremos todos juntos. Não entendo bem por que, mas parece que precisamos derreter para nos unir.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

Paulorosenbaum.wordpress.com

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25 sexta-feira jan 2013

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Liberdade para que?  

 

Ninguém negará que a mídia precisa ser mais democrática – e democratizada – para incluir os sem voz e as grandes parcelas da população ainda marginalizadas, mas o projeto em orquestração na mesa dos controladores nada têm a ver com este escopo. Sob o argumento de que as redes de comunicação operam através dos oligopólios a proposta é substitui-la por monopólio de Estado.

 

Os milionários esquemas de subsidio estatal para a mídia favorável (nas três esferas) e os torniquetes possíveis aplicados às outras é só a parte visível do jogo. O controle da imprensa significa, na prática, coibir o debate público –  já de má qualidade – uma vez que só a liberdade de expressão permite que os cidadãos  possam se posicionar para investigar, cobrar e, quando for o caso, se opor ao Estado.

 

Missão longe do alcance de uma imprensa submissa. Como…

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25 sexta-feira jan 2013

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Nostalgia de papel

 

O processo da enfermidade de Chávez mostra como a imprensa pode se comportar de forma opaca e escancara a importância de uma discussão adulta sobre os direitos das sociedades contemporâneas à informação. Afinal o sujeito preside um país! Mas seu estado de saúde e os relatórios sobre suas reais condições de governar estão nas mãos da elite da inteligência cubana. E, graças ao mistério, na Venezuela, a violação constitucional ungida por corte jurídica, teve êxito. Eis um segredo de Estado bem usado.

 

São conhecidas as edições maquiadas e manipuladoras do velho Pravda, os jornais caricatos controlados por Ceausescu e Sadam Hussein, a mão de ferro com a qual a ditadura de Pinochet e os generais do cone sul esmagaram a imprensa livre. Muitos não se lembram mais dos versos de Camões no Estadão (sempre saudável lembrar que o jornal ainda está sob censura) e das…

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Liberdade para que?

24 quinta-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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abolição da autocensura nas redes sociais, aspirações impossíveis, Censura, censura velada, centralismo partidário, centralização de informação, centralização de poder, centros de pesquisas e pesquisadores independentes, controladores, Debate público, educação no século XXII, felicidade ao alcançe?, franquia, hegemonia e monopólio do poder, imprensa livre, intelectuais independentes, intlectuais alinhados com o poder, jogo democrático, José Arthur Gianotti, liberdade para que?, manipulação, mensalão, moral e bons costumes, opor, política, significado de justiça

Liberdade para que?  

 

Ninguém negará que a mídia precisa ser mais democrática – e democratizada – para incluir os sem voz e as grandes parcelas da população ainda marginalizadas, mas o projeto em orquestração na mesa dos controladores nada têm a ver com este escopo. Sob o argumento de que as redes de comunicação operam através dos oligopólios a proposta é substitui-la por monopólio de Estado.

 

Os milionários esquemas de subsidio estatal para a mídia favorável (nas três esferas) e os torniquetes possíveis aplicados às outras é só a parte visível do jogo. O controle da imprensa significa, na prática, coibir o debate público –  já de má qualidade – uma vez que só a liberdade de expressão permite que os cidadãos  possam se posicionar para investigar, cobrar e, quando for o caso, se opor ao Estado.

 

Missão longe do alcance de uma imprensa submissa. Como o objetivo final é a liberdade controlada, a finalidade última da regulamentação é dirigir o país contando com informações filtradas.

 

Neste sentido, estamos muito próximos de uma censura velada!        

  

O primeiro interessado em deter a informação é o próprio poder. A hegemonia passa pela centralização. Mas há um produto muito além do poder em jogo quando se trata de concentrar informações. A liberdade só pode ser exercida com a aquisição do conhecimento que passa pelo exercício da crítica. Sem ela a liberdade é uma franquia das cúpulas, dos consensos de gabinete, um slogan abstrato.

 

Uma equipe eleita decide o que pode e o que não pode? Mas eles não foram eleitos para isso, ou foram? Isso é que não está nada claro no jogo democrático atual. As regras. Depois que se ganha a eleição tudo pode virar qualquer coisa. Para isso deveria valer os direitos constitucionais

 

Não se enganem, há uma dosimetria oculta que rege nossa liberdade.. Para ser conciso: o projeto de regulamentação da imprensa, é, na verdade, uma ameaça direta à democracia. É urgente organizar a sociedade para que o cerceamento à livre expressão não encontre guarita no argumento de “controle social”.

 

Como nos faremos ouvir? Como ler jornais quando tudo estiver sob o filtro impermeável do Estado? Podemos usar o spam, a panfletagem, instrumentalizar melhor a ilusão revolucionária das redes sociais. No mundo eletrônico ocidental ainda inexiste censura e não é difícil perceber que a autocensura encontra-se completamente abolida.  

 

E quem dará aval para os projetos de controle estatal da mídia? O pessoal da moral e dos bons costumes? Assim eles poderiam eleger os livros, peças, filmes e biquínis que vamos ver.  Os executivos dos partidos políticos (base aliada ou não). A explicação é simples: estão mordidos com a última pesquisa sobre a decadência dos partidos. E tudo que contraria políticos é gerado na imprensa livre. 

 

E quanto aos intelectuais e a estrutura universitária? Estão divididos entre os que são pela lealdade ideológica ao governo e os independentes. Estes últimos são uma categoria em decadência porque ninguém quer subsidiar gente isolada muito menos premiar a autonomia. A emergência dos conservadores é uma resposta, equivocada, a uma esquerda que vêm sofrendo isquemias no núcleo duro. Os conservadores também não funcionam porque suas perspectivas são basicamente alimentadas de nostalgia. Sonham com uma ordem e um status quo que nunca existiu no cenário politico. Nas TVs ou nos jornais notem que sempre começam com expressões de saudosismo e terminam suspirando pela volta das leis marciais.

 

Quanto à estrutura universitária vale lembrar da antiga tese do filósofo José Arthur Gianotti de que a Universidade é subsidiada para não funcionar. “Funcionar” no sentido de produzir a mentalidade critica e autocritica que tanto nos faz falta. Claro que existem nichos que funcionam. Na base do voluntarismo e de ações sociais importantes, grandes camadas de pessoas foram resgatadas da marginalização nas últimas administrações. Não é o suficiente. A educação e o investimento maciço em ensino não ousaram para além das formalidades como a de “colocar mais gente no ensino superior”. Salários dos professores e estímulo à pesquisa ainda são ridículos para o nosso PIB. O processo pedagógico parou no século XIX enquanto precisávamos de inspirações do XXII. Há uma fadiga generalizada no jeito de fazer e lidar com as coisas públicas.   

 

Tudo isso seria pior sem liberdade. Sem ela, como falaríamos de tudo isso?

 

Aproveite para chiar agora, pode não haver segunda chance.

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

 

Paulorosenbaum.wordpress.com

 

 

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/24/liberdade-para-que/

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Nostalgia de papel

17 quinta-feira jan 2013

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aaron swartz, wikileaks

Nostalgia de papel

 

O processo da enfermidade de Chávez mostra como a imprensa pode se comportar de forma opaca e escancara a importância de uma discussão adulta sobre os direitos das sociedades contemporâneas à informação. Afinal o sujeito preside um país! Mas seu estado de saúde e os relatórios sobre suas reais condições de governar estão nas mãos da elite da inteligência cubana. E, graças ao mistério, na Venezuela, a violação constitucional ungida por corte jurídica, teve êxito. Eis um segredo de Estado bem usado.

 

São conhecidas as edições maquiadas e manipuladoras do velho Pravda, os jornais caricatos controlados por Ceausescu e Sadam Hussein, a mão de ferro com a qual a ditadura de Pinochet e os generais do cone sul esmagaram a imprensa livre. Muitos não se lembram mais dos versos de Camões no Estadão (sempre saudável lembrar que o jornal ainda está sob censura) e das bombas contra a ABI. O aforismo é auto evidente: se há ameaça de totalitarismo, a liberdade de expressão é a primeira a cair.

 

Precisamos analisar um caso recente que, providencialmente, teve baixíssima divulgação. Trata-se do ativista prodígio Aaron Swartz. Nada a ver com o lucrativo wikileaks, Swartz fundou o theinfo.org e lutou pelo direito e disponibilização de artigos científicos, teses, processos jurídicos e outras informações normalmente só acessíveis com deslocamento pessoal do interessado até bibliotecas ou arquivos burocráticos. Isso irritou o Departamento de Justiça dos EUA porque Swartz xeretou em lugares impróprios: se posicionou contra os abusos incluídos na nova lei antipirataria (agora citar um trecho com copyrights em artigos, filmes ou teses pode dar cadeia) e fez o inadmissível, começou a rastrear a origem do dinheiro do financiamento das pesquisas. O sistema tolera que o cidadão avance até certas áreas fronteiriças, depois da linha vermelha, lasca-lhe o cassete. Acusado, e ciente das chances de passar os próximos 35 anos aprisionado, Aaron reduziu-se ao silencio. Na semana passada, pressionado e deprimido, matou-se aos 26 anos de idade. (ver  artigo de Magaly Pazello em http://www.portogente.com.br)      

 

Então para que serve a informação? Para controlarmos uns aos outros? Estamos montando uma sociedade de delatores? Uma megacorporação de fiscais?  

 

Numa sociedade regulada pelo instantâneo estamos todos ligados, conectados em tempo real, mas os plugs cobram um preço: nos tornou mais exigentes, escravos da intolerância, discípulos do cronômetro e, principalmente, vulneráveis à vigilância. 

 

Projeções indicam que meios digitais como este que você agora lê, tornar-se-ão, em menos de duas décadas, os veículos preferenciais para a busca de notícias. Jornais em papel serão raridades bibliofílicas. Por isso, China e Irã, por exemplo, vêm gastando bilhões em sistemas tecnológicos de bloqueio e filtros de acesso à web. Percebeu-se que a inclusão digital é faca de muitos gumes. Porém o mundo real mostra que a sede por notícias é maior do que a capacidade do Estado em sufocar o acesso a elas. Pronto, confesso a nostalgia. O papel era mais subversivo e irreverente. O papel circularia mesmo se algum político resolvesse desligar a chave geral. Papel dura, arquivos são reformatados ou deletados.  

Depois da onda de euforia, têm sido um tanto comum ler pessoas maldizendo a realidade virtual. Do jeito que escrevem é como se alguém as obrigasse a entrar, sentar, digitar, responder, curtir, descurtir, cutucar, retransmitir, compartilhar, ver quem acessa, esperar comentários, respostas que nunca chegam. Mas não fomos nós que criamos a coisa? Que desperdiçamos cada vez mais horas grudados na tela, aposentando dicionários por google e e-pédias e tornando Mark megatrilionário? Me ocorre a palavra “tráfico”. Surfar nestas plagas vicia como cocaína e mostra que a vida também pode ser perfeitamente decomposta por clicks inocentes. Isso não é futuro. Já aconteceu: somos todos dependentes eletrônicos.

 

É hora de aposentar discos rígidos e trocá-los por um pouco de memórias insólitas.  

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

 

Paulorosenbaum.wordpress.com

 

Para comentar acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/17/nostalgia-de-papel/

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16 quarta-feira jan 2013

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O Indefensável

Será que nos lembraremos deste momento? Onde estávamos nós diante da onda de cartas à redação, artigos, suspiros em mesas de bares e murros nas mesas nos restaurantes? E o que fizemos nos aeroportos, em postos de gasolina, em cinemas e lanchonetes? Há relatos de editores bufando em redações e palavrões em livrarias. Sim, ele tomou posse. Sim, disse que com a consciência tranquila.

Mas repare que os clamores moralizantes pelo Pais afora pode produzir um efeito paradoxal. A revolta coloca um julgamento essencialmente justo, sob a suspeição de ser um indutor de justiça selvagem. É claro que é falso. Mas ao contrário deles somos adeptos da autocritica. As reações não estão descalibradas? Os cidadãos são guardiões simbólicos da justiça, não seus sócios ou gerentes executivos.

A dignidade agora é uma refeição que se come crua e com as próprias mãos? Que alívio que não se queimam mais…

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Paredes e janelas.

14 segunda-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Obriga-os e falarás com paredes. Esqueça-os, e a voz encontrará janelas.

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O Indefensável

10 quinta-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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açao penal 470, aspirações impossíveis, autocracia, autocritica, Base aliada, centralismo partidário, constituição, direita e esquerda, Genoíno, gozo, hegemonia e monopólio do poder, livrarias, manipulação, Mao, mensalão, mundo interior, posse e mandato, PT, resistencia à tirania, significado de justiça, utopia

O Indefensável

Será que nos lembraremos deste momento? Onde estávamos nós diante da onda de cartas à redação, artigos, suspiros em mesas de bares e murros nas mesas nos restaurantes? E o que fizemos nos aeroportos, em postos de gasolina, em cinemas e lanchonetes? Há relatos de editores bufando em redações e palavrões em livrarias. Sim, ele tomou posse. Sim, disse que com a consciência tranquila.

Mas repare que os clamores moralizantes pelo Pais afora pode produzir um efeito paradoxal. A revolta coloca um julgamento essencialmente justo, sob a suspeição de ser um indutor de justiça selvagem. É claro que é falso. Mas ao contrário deles somos adeptos da autocritica. As reações não estão descalibradas? Os cidadãos são guardiões simbólicos da justiça, não seus sócios ou gerentes executivos.

A dignidade agora é uma refeição que se come crua e com as próprias mãos? Que alívio que não se queimam mais culpados em praça pública, um horror, não é mesmo? Hoje, basta execrá-los, aplique-se o bullying autorizado e vamos lá, até as últimas consequências.

Precisamos recusar o ridículo clima de escárnio generalizado contra quer que seja. Ainda que estejamos protegendo escarnecedores. Ainda que a postura civilizada se estenda ao partido mais intolerante do continente. Ainda que seja gente que, a depender do contexto, nos executaria. Não importa. Não é por bom mocismo. Não tem nada a ver com o politicamente correto. É por princípio! Por ele é que devemos garantir a todos, condenados ou não, o gozo das prerrogativas e o esgotamento dos recursos legais. Não era isso mesmo que até a antevéspera pedíamos? Que todos fossem iguais perante a lei? Para o bem e para o mal? Será que é porque às vezes queremos leis, e, às vezes, exigimos exceções?

Quem se importa se ele foi ingênuo, omisso, instrumentalizado ou só culpado? Tanto faz se a serenidade ostensiva revele indiferença à opinião pública. E por que o espanto? A marca registrada desse governo não é exatamente o desdém raivoso por todos que discordam?

Neste sentido, que tal dar exemplo? Vamos ser regidos pela cabeça e não pelo ventre. A Republica baseada em ventre geralmente acaba vertendo as próprias entranhas. Aquela governada pela cabeça pode ter milhões de defeitos, ainda assim, o dano é bem menor.

Deixemos que os juízes e a constituição se encarreguem dos salvadores da nação. Durante a revolução cultural chinesa havia um canto obrigatório nas escolas: “O camarada Mao ama mais cada um de vocês do que os seus pais”. Claro que os amava, assim como todos os libertadores das massas dizem amar.

Além disso, todos evocam em sua defesa o processo socrático, malgrado ignorem o conselho vital dali derivado: só temer a própria consciência. Mas, para isso, teriam que confrontá-la, e isso, a ideologia não perdoa.
A maturidade consistente vêm sem revolução, desce até nós através da educação e da cultura. Saberemos que chegou quando rejeitarmos a onipotência dessas pajens coletivas. Notem que eles dependem do culto à personalidade para viver. Viver às nossas custas. Nos amam tanto, nos querem tão bem, que, para facilitar as coisas, personificaram o Estado. Isso não é esquerda, isso não é direita, a rigor isso não é nada, a não ser usurpação das instituições.

Você que ainda consegue dormir tranquilo e preza a liberdade, melhor guardar vigília. É questão de tempo até que impliquem com quem não se curva. E a resistência à tirania pode ser o último reduto da ética.

O trágico está em não termos conseguido nos livrar de líderes totalitários disfarçados de paizões. Está em nosso histórico comportamento infantil que alimenta expectativa de lideranças infalíveis. É com esse messianismo laico que lentamente submergimos a América Latina no leque de caudilhos.

Se ouvíssemos a voz sussurrante da história: República alguma deu certo com projetos personalistas! Se não desfulanizarmos a Republica, ela é quem fará isso conosco. Poupemos energia para o que conta: votos amadurecidos nas próximas eleições, correção dos equívocos que temos colocado no poder, e, por último, mas mais importante: ocupe-se de si mesmo. E do que mais nos ocuparíamos?

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

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07 segunda-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Natureza do tempo

Muitos historiadores já declararam que sempre deparam com a falta de evidencia direta das coisas. No romance o “O sentido de um fim” de Julian Barnes, um pequeno diálogo, aqui ligeiramente modificado, torna-se pertinente:

“–Nada pode substituir a ausencia do testemunho!

–De certa forma não. Mas os historiadores precisam tratar a explicação de um evento dada por um participante, com certo ceticismo. Normalmente, a declaração feita com um olho no futuro é a mais suspeita.

–Se o Sr. acha!

–E estados de espírito podem, muitas vezes, ser inferidos a partir de ações. O tirano raramente envia bilhete manuscrito solicitando a eliminação de um inimigo.”

Como o excerto tenta mostrar, será que a história é, de fato, apenas uma versão escrita pelos vitoriosos com pitacos de lamúria dos derrotados? Isso significa que não há, nem nunca houve um sentido objetivo para conhecer nossas trajetórias? Será que o método…

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“O Primeiro Homem”

07 segunda-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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De Albert Camus, planos e notas manuscritas para o livro “O Primeiro Homem”(datilografados por Francine Camus) achadas na valise dele em 4 de janeiro de 1960:

“Nós, os homens e as mulheres dessa época, neste país, nós nos abraçamos, nos afastamos, tornamos a nos abraçar, enfim nos separamos. Mas durante todo esse tempo não deixamos de nos ajudar mutuamente, a viver com essa maravilhosa cumplicidade daqueles que tiveram que lutar e sofrer juntos. Ah! o amor é isso — o amor por todos”

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