Paulo Rosenbaum

O Indefensável

Será que nos lembraremos deste momento? Onde estávamos nós diante da onda de cartas à redação, artigos, suspiros em mesas de bares e murros nas mesas nos restaurantes? E o que fizemos nos aeroportos, em postos de gasolina, em cinemas e lanchonetes? Há relatos de editores bufando em redações e palavrões em livrarias. Sim, ele tomou posse. Sim, disse que com a consciência tranquila.

Mas repare que os clamores moralizantes pelo Pais afora pode produzir um efeito paradoxal. A revolta coloca um julgamento essencialmente justo, sob a suspeição de ser um indutor de justiça selvagem. É claro que é falso. Mas ao contrário deles somos adeptos da autocritica. As reações não estão descalibradas? Os cidadãos são guardiões simbólicos da justiça, não seus sócios ou gerentes executivos.

A dignidade agora é uma refeição que se come crua e com as próprias mãos? Que alívio que não se queimam mais…

Ver o post original 547 mais palavras