• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Natureza do tempo

03 quinta-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Natureza do tempo

Muitos historiadores já declararam que sempre deparam com a falta de evidencia direta das coisas. No romance o “O sentido de um fim” de Julian Barnes, um pequeno diálogo, aqui ligeiramente modificado, torna-se pertinente:

“–Nada pode substituir a ausencia do testemunho!

–De certa forma não. Mas os historiadores precisam tratar a explicação de um evento dada por um participante, com certo ceticismo. Normalmente, a declaração feita com um olho no futuro é a mais suspeita.

–Se o Sr. acha!

–E estados de espírito podem, muitas vezes, ser inferidos a partir de ações. O tirano raramente envia bilhete manuscrito solicitando a eliminação de um inimigo.”

Como o excerto tenta mostrar, será que a história é, de fato, apenas uma versão escrita pelos vitoriosos com pitacos de lamúria dos derrotados? Isso significa que não há, nem nunca houve um sentido objetivo para conhecer nossas trajetórias? Será que o método sempre amputará – talvez método implique nisso — parte  da realidade e analise só o que lhe convém?

Se a história não é neutra, como confiar em qualquer relato, narrativa ou conhecimento? Afinal, se a história, como ciência das humanidades, é um procedimento científico, deve haver como aferir se o que se afirma de um periodo corresponde ou não à veromelhança. (o máximo que podemos aspirar em relação à verdade).

Nossa sorte é contarmos com contextos e efeitos. Efeitos são os registros dos impactos – estes mais ou menos confiáveis – para detectar se os eventos realmente produziram os resultados que deles se afirma.

Há uma patologia comum, da qual parcela significativa da esquerda padece. Para ela e seus soldados acríticos, os desvios serão esquecidos – vale dizer deletados — quando os “resultados sociais” forem melhor conhecidos. Uma bobagem perigosa! Em geral, este é o epicentro da corrosão, o grande argumento que, desde sempre, todos os regimes lançaram mão para justificar abusos e fomentar desejos autoritários.

Este pode ser um dos diagnósticos para a afasia da oposição, que, inerte, assiste aos desmandos e manobras federais. Sim, há motivos de sobra para desconfiar do tom pseudo conciliatório, um dia depois das posses. E como a oposição insinua que não pode – será que não? – ir contra a bonança produzida às custas do descontrole orçamentário, imobiliza-se diante do aberto e imodesto uso da máquina do Estado por parte da administração federal. Sem um pio, como qualquer resistencia espera ser bem sucedida?

 Assim, por uma omissão que têm custado a todos nós a supremacia de uma dinastia, a oposição escolheu dois caminhos, igualmente desastrosos: coçar a cabeça à espera de alguma ideia brilhante ou torcer para que os escandalos sucessivos se convertam em asfixia política.

Poder-se-ia chamar isso de improbidade oposicionista, e o resultado prático já está anunciado: perderam o bonde.

Ainda não perceberam, que mesmo que apareça aquela prova material, uma gravação, um filme, o tal ato de ofício, assinado e rubricado, com firma reconhecida em cartório, o triunfo eleitoral deste regime está, por hora, garantido.

Não é fortuito que muitos ganhadores das últimas eleições sejam ex-oposicionistas que pularam do navio para salvar suas peles e embarcaram na fragata governista, ávida por adesistas, venham de onde vierem.   

Já que, como diz o refrão, está tudo dominado e não há mesmo com quem contar, que tal embarcar na alienação controlada e esquecer um pouco a miséria psíquica da política?

Faz tempo que gente independente da neuropsiquiatria descobriu  que existe uma amnésia benévola, implantada em nós como respiro. Então, na próxima rodada, seja mais generoso, esqueça o método e despache o destino para as merecidas férias.  

Assim vamos aprendendo, solitários, que o tempo é apenas um lugar onde a memória seleciona lembranças como  bem entender.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/03/natureza-do-tempo/

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O mundo não termina, o mundo nem começou.

27 quinta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, aspirações impossíveis, Bóson, democracia, editora record, educação e discriminação, fracassomania, Gea, hegemonia e monopólio do poder, Julgamento Mensalão, mais iguais que os outros, malandros otários, mensalão, Montaigne, orwell, passado e presente, poesia, presente mais que perfeito, prisões, raíz da patologia, submundo, término do mundo, transcendência, utopia

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Coisas da Política

Hoje às 06h30

O mundo não termina, o mundo nem começou

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

Se o fim do ano é um registro que separa o passado do futuro, onde andará o presente? Como responde uma criança ansiosa pelo futuro quando os pais lhe indagam por que ela não aproveita o presente em vez de desejar o amanhã? Em algum momento essa resposta já foi dada:

— É que o presente dura tão pouco!

Ela pode ter razão. O que está, já foi. O que virá nem veremos, ou teremos que imaginar e apostar. O passado apenas parece ser um registro mais fiel, sobretudo mais memorizável. Mas lembramos com seletividade, como nos avisam os biólogos. Temos filtros bem instalados. Somos leitores cheios de ismos, e alguém nos doutrinou na religião, na filosofia, na ideologia política. E o que vimos este ano? Um julgamento que, apesar das pernadas, da gritaria, das falsas analogias, mudou o rumo das coisas. Pela primeira vez na história do pais um embate nos trouxe para bem perto das entranhas do poder. Mais de 150 advogados, intermináveis sessões da Corte e a excessiva espetacularização. Era o palco completo. As penas e a punição importam bem menos do que o simbolismo. Vislumbrou-se ali que, mesmo à revelia, “os mais iguais que os outros” podem estar em pé de igualdade com qualquer um. Que os poderosos são passíveis de penalidades, que ninguém é invulnerável para sempre, que existe uma organização da sociedade civil, que as instituições funcionaram, que há muito por fazer para sairmos da barbárie em que se transformou o manejo da coisa pública. E o mais importante: há mais diversidade política do que sonham nossas filosofias.

Sim, as mesmas guerras. Sim, a velha rotina de massacres non sense. As mesmíssimas cidades sem segurança pública. Os impostos tirados e distribuídos na derrama. Gente que foi embora e gente que chegou. A mesma falta de estadistas, a mesma lenga-lenga dos malandros otários. O mundo é assim, mas, para nossa sorte, sua dinâmica está longe de ser decifrada. Essa é a parte nobre da ignorância sobre como funciona a espantosa Gea. A bola azul rodopia no espaço e não quer nem saber no que vai dar. E isso, senhores, notável exemplo para ser forçado a viver o aqui e agora. Só assim a imanência pode fazer parte da transcendência.

Mas a retrospectiva do período também mostrou que times que sofrem podem se regenerar, que as partículas podem ser aceleradas sem que o mundo rache, que a ciência poderá sair do beco obscuro descobrindo que o segredo de muitas curas está no próprio organismo e que há, felizmente, muito mais saúde que doença. Mas este período mostrou, antes de tudo, falta muito mais do imaginamos para o fim. O mundo não termina, o mundo nem começou.

Nem os esportes nem a atividade profissional nem a vida competitiva podem fazer sentido. E se invertêssemos tudo e valorizássemos mais o empate? Prezar o equilíbrio das forças, ao invés de aplaudir o vencedor e vaiar o derrotado? Nem pensar. Não é espantoso e não se pode culpar ninguém. Tudo isso vem de berço, a base de nossa cultuada educação ocidental. Pode parecer zen demais, mas, e se os governos tivessem a audácia de ser impessoais? De ter a cara de todos e não só a de quem recebe mais votos? E se os políticos formassem coalizações onde todos se fizessem representar e tivessem voz? E se a diversidade fosse não só radicalmente respeitada como tomada como modelo de convívio social? E se as prisões não fossem átrios do submundo, mas lugares para um apartamento social com finalidade reconstitutiva?

Se as escolas não discriminassem, a educação poderia ser esperança no presente e não no futuro do pretérito. Querer vencer, ser o melhor, o primeiro, o mais acessado, o mais bem sucedido e o mais votado não é salvação, é a raiz da patologia. Não, senhor, ninguém precisa se converter à fracassomania, apenas entender que, exauridos, estamos cansados de repetir as mesmas manchetes por meses a fio. Deve haver algum lugar onde a utopia flua fácil e nós, todos nós, possamos ter dias melhores.

Esse lugar já existe, se chama presente mais que perfeito.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/12/27/o-mundo-nao-termina-o-mundo-mal-comecou/

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Nota

21 sexta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O mundo não termina, o mundo nem começou.

Boas novas para todos!

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Brasiliana USP publica Obras Completas de Hipócrates

20 quinta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Biblioteca Brasiliana disponibiliza obra de Hipócrates online Publicado em Cultura por Redação em 19 de dezembro de 2012 |  
 
A Biblioteca Brasiliana da USP disponibilizou em seu site a coleção Oeuvres complètes d’Hippocrate, em 10 volumes, de Hipócrates. A obra é uma das coleções mais conhecidas da história da medicina.
O texto de apresentação é de Paulo Rosenbaum, médico, escritor, doutor em Ciências, pós-doutor em Medicina Preventiva e pesquisador associado do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
O texto e a obra podem ser acessados neste link.
 
http://www5.usp.br/20846/biblioteca-brasiliana-disponibiliza-obra-de-hipocrates-online/

Mais informações: (11) 3091-1154, email brasiliana@usp.br

Ver também na página principal do site da USP

-A Home 04-06-2020

 

 

 

 

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14 sexta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O direito ao sagrado

 

Há um problema sério com a abordagem dos assuntos políticos no Brasil: são sempre os mesmos. Isso tolhe a criatividade dos articulistas e analistas. Na era geral da inconsequência, tudo vai virando uma coisa só. Observem que na guerra das versões, o peso das palavras se emancipou do conteúdo e tudo depende do poder de quem opina. Os argumentos não valem mais, o que conta é o cacife do partido, a força do time, as armas da facção. A verdade é que estamos perdendo a capacidade de análise e entramos de cabeça na guerra de versões. Ficamos reduzidos a um medíocre “contra e a favor”. O julgamento que exaustivamente comentamos já teve tanto o veredito de “político e fruto da mídia golpista” como  “o País está sendo passado a limpo”. Como a verdade é um valor oscilante, o mais provável é que nem um nem…

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O direito ao sagrado

13 quinta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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competição selvagem, consumismo, Cosmópolis, democracia, direito ao sagrado, idiossincrasias, manifesto comunista, republica corporativista, sagrado, tédio, yuppie

O direito ao sagrado

 

Há um problema sério com a abordagem dos assuntos políticos no Brasil: são sempre os mesmos. Isso tolhe a criatividade dos articulistas e analistas. Na era geral da inconsequência, tudo vai virando uma coisa só. Observem que na guerra das versões, o peso das palavras se emancipou do conteúdo e tudo depende do poder de quem opina. Os argumentos não valem mais, o que conta é o cacife do partido, a força do time, as armas da facção. A verdade é que estamos perdendo a capacidade de análise e entramos de cabeça na guerra de versões. Ficamos reduzidos a um medíocre “contra e a favor”. O julgamento que exaustivamente comentamos já teve tanto o veredito de “político e fruto da mídia golpista” como  “o País está sendo passado a limpo”. Como a verdade é um valor oscilante, o mais provável é que nem um nem outro.

 

Quem ainda pode aturar mensalão com seus círculos infernais? Sucedido por desmandos e conjuntura excepcional desperdiçada? Estamos carecas de saber que, unha e carne, poder e o mal feito chegaram às vias de fato. As mentiras e a negação sistemática são apenas desdobramentos do caos disparado quando se tenta normatizar o vale-tudo. Por isso mesmo temos que reconhecer, já deu. Se ainda prezamos o presente, nossa reinvindicação deveria ser mudanças profundas no bioma político-cultural.

 

Precisamos de gente que lidere sem se identificar com liderança, humanistas não catedráticos que capturem o que as pessoas sentem, planejadores que entendam o que fazem e legisladores que coloquem as gerações futuras em perspectiva. Não faria nada mal que os intelectuais falassem o não óbvio. Partidos que reconheçam seus erros pelo bem coletivo. Pois enquanto o poder republicano estiver nas mãos de gente que bate no peito e se comporta corporativamente, estamos condenados. Condenados a postergar um comportamento republicano.

 

Não se trata de achar que o passado é melhor que o futuro. Mas também não se trata de viver só pelo futuro. O presente não merece ser mero resíduo, aquilo que sobra do embate entre o que foi e o que será. Se fossemos resumir nossa era: ganhamos agilidade, perdemos espontaneidade, adquirimos instrumentos científicos, perdemos a sabedoria, temos abundancia do comum, nossa carência é do raro, individual e característico de cada um.

 

Estamos sendo esmagados, e entre as façanhas da produção incessante, o abusivo acumulo de matéria e supérfluos. Criamos mais do que podemos consumir, enquanto nosso apetite vira insaciável. Mas não será desta vez que o mundo acabará, ainda que haja muito para moer e muitos moinhos por enfrentar.

 

O que hoje nos aflige coletivamente é a impossibilidade imediata de acesso ao bem estar. Em qualquer de suas versões. Ele teria que ser palpável, mas não conduzido só pela realidade objetiva.

 

Em qual mundo podemos exprimir melhor nossas fragilidades, idiossincrasias, e talentos? No do manifesto comunista? No planeta das lojas de grife? Quem sabe, entrando na competição selvagem, vestindo a camisa da empresa e dando rasteiras por cargos? Nos estádios de futebol, nas livrarias, nos templos? No filme “Cosmópolis”, um magnata yuppie qualquer, gênio das finanças, diante do tédio infinito, passa o dia criando demandas para preencher seu insuportável ócio. O filme pode ser controvertido, mas arranha uma metáfora oportuna. Há um oco extraordinário em nossa civilização, e ao que se saiba, originalmente não nascemos empalhados.

 

No século marcado pelo ressurgimento das religiões e pelo renascimento de uma busca que transcende ideologias políticas, reina um sentimento paradoxal, difícil de assumir: pelo que lutar? Se nem mesmo as tradições podem oferecer respostas, tampouco sabemos se ainda as queremos. Decerto não as mesmas de sempre. Estamos fartos das explicações standard da política, da auto ajuda, do ceticismo e do fanatismo, do conservadorismo e da vanguarda.  Nem a academia nem as artes, acompanham a velocidade da sociedade. A alienação é um consolo, mas está longe de ser uma saída.

 

Que tal reconquistar um direito, que por prurido intelectual ou endurecimento da alma, nunca foi reivindicado? O direito ao sagrado.  

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor.

É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

 

paulorosenbaum.wordpress.com

 

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11 terça-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Há um ano testemunhei imagens de luzes oscilantes no Kotel: vamos encarar as velas de chanuka como uma resistência não a um opositor, não a um mundo perverso, não aos tiranos da vez, não às irrestíveis forças que nos pressionam ao afastamento do si mesmo. Vamos encarar a festa das luzes como um ponto onde as perspectivas se confundem com as expectativas. Sem ingenuidade, com vigor, e, principalmente com a vida entregue ao fogo sagrado: a doce imagem da imanência chamuscada com transcendência. Flambem-se!

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Imanência chamuscada com transcendência

09 domingo dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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chanuka, fogo, imanencia, transcendência, vigor

Há um ano testemunhei imagens de luzes oscilantes no Kotel: vamos encarar as velas de chanuka como uma resistência não a um opositor, não a um mundo perverso, não aos tiranos da vez, não às irrestíveis forças que nos pressionam ao afastamento do si mesmo. Vamos encarar a festa das luzes como um ponto onde as perspectivas se confundem com as expectativas. Sem ingenuidade, com vigor, e, principalmente com a vida entregue ao fogo sagrado: a doce imagem da imanência chamuscada com transcendência. Flambem-se!

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República do bem-estar geral

09 domingo dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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capitalismo virtual, ceticismo, felicidade ao alcançe?, felicidade e saúde, felicidade imotivada, felipe scolari, liberdade, mano menezes, política, retomada humanista, seleção brasileira, técnicos futebol, transcendência

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Jornal do Brasil
Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

Coisas da Política

Hoje às 05h46 – Atualizada hoje às 05h49

República do bem-estar geral

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Foi só uma demissão. Nem sei se alegaram justa causa ou foi uma daquelas desculpas do glossário esfarrapado, mas a demissão do técnico que vinha preparando a seleção de futebol diz muito da má pilotagem dos rumos do país. Não que se tenha grande admiração pelo trabalho do ex-técnico. E, sem duvida, numa enquete, nove entre dez prefeririam o pessoal que literalmente comia a bola nos idos dos anos 70.

Não me perguntem como deram um cartão de crédito ilimitado para Scolari depois de ele ter dado uma mãozinha para o Palmeiras experimentar a segunda divisão. Coerência existe. Suas frases, metáforas e destemperos se assemelham ao das novas castas imperiais que estamos criando.

Nota-se então que os homens da atual Republica estão atrelados aos resultados imediatíssimos. Há certa aversão generalizada ao planejamento, à consistência, ao trabalho de longo prazo. O novo perfil vem dos que prometem “vitória ou morte”. Isso em todas as áreas.

Ninguém sabe o montante de quanto se gastará na Copa e na Olimpíada, seguro que baterão records, e seria ótimo se sobrasse um saldo que ultrapassasse a efêmera noitada posterior à grande final. A sagração do país hóspede deve ir além da taça.

Os investimentos voltarão em forma de beneficio para todos nós? Ou, como manda a rotina, só a elite dos desportos, o big business e os felizardos que conseguirem pagar pelos ingressos sairão satisfeitos?

Você já deve ter acordado à noite com a sensação de que está tudo errado sem que nada de extraordinário tenha acontecido. Detecta-se um clima de insatisfação, um chamamento à impossibilidade, à frustração. Isso tem nome, é uma síndrome, e, na verdade, trata-se de uma epidemia que vai atravessar este século. Nem poderemos culpar as mazelas atuais por nosso arrastado e melancólico desconforto. É a sensação de que estamos criando uma civilização desprotegida, carente e sem perspectivas.

Circula, por ar e por terra, a sensação de que o Brasil desperdiça uma grande oportunidade de avançar para um país mais organizado e, essencialmente, um lugar onde as pessoas se sintam bem. Mas parece que não é isso que importa.

Em nossa cultura política, a promoção do bem-estar como verdadeiro — e único — patrimônio a ser oferecido, parece não contar muito. Se quem se dedica a legislar estivesse realmente interessado em como as pessoas se sentem, e em como gostariam de se sentir, teríamos outro cenário e, portanto, forçaríamos a existência de outra cultura política.

A ideia de que tudo depende deles, de que nada está ao nosso alcance, e que somos basicamente vítimas do sistema, mostra que fomos teledoutrinados. “Eles” é o sujeito oculto, os agentes da inércia, os apagadores da vontade e os promotores da abulia.

O método? Ah, sim, fazem isso sem aparecer. A arma é destilar medo. O pior dos pânicos é que aquele que não tem nome fixo, a fobia sem objetivação. Temos que pensar — isso é vital ao planejamento, que oscilamos entre o estado policial e a anarquia.

O que nos impede de ter a sociedade que desejamos? Decerto, contamos com alguns bilhões de concepções conflitantes, mas teremos algumas em comum? De que adianta a indignação que tem circulado dentro da fiação digital?

O esforço pede outra direção.

Enquanto o capitalismo virtual (inventado bem antes da internet) nos oprime, o que fazemos? Inertes, ficamos à espera da carta de execução. Num mundo regido pela grana, a mais dolorosa verdade: só há liberdade com dinheiro. Talvez. Mas não será possível outra? Outra forma de ser livre? Sem ter que se esconder para sobreviver ao abandono da segurança pública e de um processo educacional vergonhoso, dobradinha que inviabiliza a cidadania? É possível aspirar à liberdade sem termos que viver como eremitas nos confins da Floresta Amazônica ou trancados nos apartamentos, isolados e dopados para esquecer onde estamos? A solução para este desencontro entre desejo e realidade estaria na retomada humanista? Mas qual delas? Espiritualista, filosófica ou cética? Nenhuma das anteriores?

Urge recuperar o poder de decidir, sem ter que engolir novos entulhos autoritários — todos bem aqui, diante de nós.

Chega de “porquês”, de desperdícios criativos, de tanto papel e espaço cibernético. Queremos sentido! A fome do mundo é por sentido. A próxima passeata deveria ocupar as cidades cobrando isso. De quem? Cada sujeito que apresente a fatura para si mesmo. Eis uma era onde só a busca por sentido parece fazer sentido. Mas pode ser mais menos, bem menos. Que tal a adesão à novíssima doutrina: “bom humor inconsequente?”

De vez em quando, felicidade imotivada, gozar de si mesmo ou um golzinho alienante pegam leve!

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/12/07/republica-do-bem-estar-geral/

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Holocausto Subliminar

29 quinta-feira nov 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antiamericanismo, antijudaismo, antisemitismo, Democracia grega, hegemonia e monopólio do poder, Irã, Israel, judaísmo, justiça, liberdade, tribalismo

Holocausto Subliminar 

 

“O oráculo decreta o destino, o filósofo torce contra si mesmo, esperando que suas previsões fracassem”   

 

Em meio aos assuntos que dominaram a mídia nas últimas semanas está a aberta e escandalosa demonização de Israel: um eufemismo covarde para incluir judeus sem mencioná-los. Trata-se de um claro sinal de que há algo sistêmico em curso. A ONU fez a partilha da ex-colônia britânica e outorgou a dois povos, dois Estados. Como se trata de uma das regiões que mais mudou de mãos na história, não se deve olvidar o pesado passado colonial, que trai a confiança mútua entre as partes, ambas responsáveis pelo desperdício de preciosas possibilidades de acordo. A questão Palestina, portanto, é apenas a tecla da vez. Para alimentar preconceitos e ideologias, como Sartre escreveu, sempre se pode inventar algum álibi.  

 

Temos que encarar o recente cessar fogo como um epílogo de uma guerra bem maior, cujo enredo está entrelaçado com a crise econômica mundial, a explosão de violência e o holocausto subliminar.

Aos poucos, abandona-se, de lado a lado, a ênfase na solução por dois Estados. Na auto-armadilha bem montada, os bem pensantes criaram impasses para si mesmos: como exorcizar Israel e defender o Hamas ou o Hezbollah sem conceder espaço aos argumentos fundamentalistas? Há muito tempo, na palestina do sul, a luta do califado da retidão já não é só contra o Estado Hebreu. Há, portanto, uma espécie de estatuto moral duplo. Se, de um lado, há consenso que após o 11 de setembro a islamofobia seja inaceitável, de outro, a aversão aos judeus tem sido “naturalizada”, normatizada e regulamentada. A banalização é o primeiro passo ao conformismo. Basta espiar as redes sociais, as manchetes e o escandaloso aumento de ataques “espontâneos” contra judeus na Europa. Da construção lingüística, às imagens super exploradas, Israel vem figurando nos textos e nas charges como agressor, belicoso, hostil, quase uma entidade macabra. São conclamações ao ódio, retocadas como análise política imparcial. Não importa como se mova, para onde e com quem se mova estará, a priori, errado.

 

Uma campanha, sim, dessas publicitárias, que conta até com o apoio de nomes de peso, como intelectuais americanos, europeus e latino americanos. Eles emprestaram seus nomes a uma causa e compraram e foram comprados pela ideia de que um Estado Moderno, democrático, com população de 7.9 milhão de pessoas, multiétnico, incluindo quase 1.6 milhões de árabes-israelenses, pode ter seu direito à existência cassado. Não adianta espernear, evocar paranoia conspiratória ou bufar! É isso mesmo: estamos diante de um tentame de deslegitimização do Estado de Israel. Os doutores chegaram à conclusão que ele não merece mais respirar.

 

Como eutanásia e pena de morte são coisas sérias, caberia entender como alcançaram, depois de meia dúzia de cervejas, este brilhante veredicto. Só o inverno da razão explica como mentes iluminadas concebem execrar um Estado e como isso passou a ser não só aceitável, como politicamente correto.  

 

Por aqui, o governador do Rio Grande do Sul subsidiará um fórum para discutir a questão palestina. É mais que sintomático que não tenham convidado ninguém ligado à Israel. Todos fazem parte do time das convicções absolutas, das ideias acabadas, cabeças formatadinhas. E por que dariam voz à outra versão dos fatos? Mais um palanque para insuflar a demonização do outro lado. Aberrações que o centralismo partidário e o aparelhamento do Estado brasileiro tornaram possível. A proposta viola explicitamente os termos da constituição federal, que não só reconhece o direito à existência de Israel e da criação de um estado Palestino, como proíbe a incitação ao ódio religioso, étnico e racial. E, para satisfação dos que prezam guerra, tentam minar o convívio impar e pacífico que árabes e judeus têm por aqui. A esquerda senil, incluindo a ideológica diplomacia brasileira, vai sendo movida pelo dominante e pré-escolar sentimento de antiamericanismo.

 

Mais um bom exemplo de como monólogos podem ser travestidos de diálogos numa suposta democracia.

 

Sob a cegueira antissionista o mundo parece solidário com organizações que, enquanto escolhem deliberadamente civis como alvos, vestem gravatas e negociam com a diplomacia internacional. São neo-terroristas. Quem os apóia, incluindo os senhores catedráticos, deveria rezar à noite para que seus pedidos jamais sejam atendidos. O risco é acordar com pesadelos lembrando Foucault defendendo o aitolá Khoumeini. Diante desse irrefletido apoio o que será do Oriente Médio com o eventual triunfo do fundamentalismo? O quem nos espera com a aplicação literal das leis religiosas ao modo talibã? Como ficarão as democracias, os tribunais, os direitos das mulheres, das minorias, dos muçulmanos moderados, das comunidades cristãs? Como assistiremos a conversão à espada dos “infiéis” das outras etnias?

  

Na verdade, o que hoje incomoda nos judeus contemporâneos é não mais poder confundi-los com a aura de povo vitimizado pela história, os nômades apátridas, eternamente perseguidos e oprimidos. Agora há um país cujo vigor é, em si, a própria mensagem do “nunca mais”. O que hoje estimula o atavismo antissemita enraizado pelo mundo, é que diferentemente de todos os períodos nos últimos dois milênios, Israel existe e resiste militarmente a sua imediata eliminação, como propõem explicitamente em suas “cartas constitucionais” o regime iraniano e todas suas filiais, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e Al Quaeda. 

 

Sim, tudo mudou e pouco teve a ver com a primavera árabe. Se antes o acordo era varrer os párias que atrapalhavam o desenvolvimento europeu, agora o defeito intolerável nos judeus, simbolizados pelo Estado de Israel, é sua força, e, a missão, destruí-los primeiro simbolicamente, depois sua nação e, se possível, com o aval da indiferença do mundo, levar a cabo a solução final.

 

Não vai acontecer. O mais provável é que depois do inverno da razão, o tempo mude para dias mais amenos, com trovoadas e pancadas ocasionais, num novíssimo e refrescante verão do mundo.

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”.

 

paulorosenbaum.wordpress.com

 

 

 

Para o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/29/holocausto-subliminar/
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