O que sairá deste último voto não é o inesperado. No país do carnaval o que realmente surpreenderia seria uma guinada magnífica, uma meia bicicleta que pegasse o goleiro de calças curtas.

Não resta a menor dúvida, somos mesmo um bando de leigos. Mas ainda podemos reconhecer quando estamos perto de cerol: linha perigosa que se faz com cacos de vidro moído. Esticada, está prestes a separar de golpe a técnica do sentido. Justo ou não, o trabalho de anos recaiu nas mãos de uma só pessoa. Ele terá o poder de selar destinos e, aos olhos de milhões, redesenhar a concepção de ética. O decano que decidirá foi aquele que usou as palavras mais articuladas, precisas e enfáticas para se referir aqueles que tentaram sequestrar o Estado, monopoliza-lo ideologicamente para depois reduzi-lo a um parque temático partidário.

Alguém disse que não se importa com o que os jornais dirão amanhã. Mas não estará aí, precisamente, um dos equívocos sobre a representatividade de um poder republicano, o mais importante dentre todos? Ninguém precisa ter medo da mídia. As manchetes não são nem vilãs nem heroínas, apenas estampam o que, as vezes, não se pode enxergar do lado de lá dos gabinetes blindados.

O que os jornais dirão na próxima semana? Que somos um país alegre porque pessoas foram condenadas? Ou que somos uma nação em luto porque réus se safaram por decurso de prazo, leniência ou falseamento, mesmo que involuntário, das regras do jogo?

Para ler mais

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/curva-da-justica/