• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Darwinismo político – Blog Conto de Notícia – Estadão

04 quarta-feira dez 2013

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darwinismo político

Conto de Notícia, Paulo Rosenbaum
03.dezembro.2013 13:46:48

Darwinismo político

É só impressão ou estamos indo no ritmo da contramão universal? Então quem faz leis têm a prerrogativa e aval para desobedece-las? E quem se submete a elas não tem foro privilegiado nem alambrado?  Como discordar do que passa a ser arbítrio? Se o legislador tem o aval para, mesmo sendo infrator, continuar legislando, quem protegerá a sociedade das leis autocráticas ? Ah, sei, um artigo jornalístico demanda  frieza analítica  e obsequiosidade. Portanto escritor, controle já tua indignação! Parem tudo! Esse é um dos problemas. Controlamos demais a injuria, precisamos é liberta-la da várzea não civilizatória ditada goela abaixo. Os heróis que nos assistem são voláteis, inconsistentes, anti exemplos.  Se há gente sofrendo nas prisões — e quem não fica dividido quando se trata de doença –  que se promova uma reforma, para todos.  Nas mãos dos novos oligarcas,  a isonomia transformou-se em darwinismo político. As poucas vozes lúcidas do partido morrem cedo ou são exiladas.

No país que registrou o maior número de homicídios no mundo (2012) e onde vicejam 9 milhões de jovens em casa, quem está em prisão domiciliar?

Criticar abusos e vislumbrar o desastre fiscal que se anuncia virou sinonimo de reacionário, palpite de pessimista ou coisa da elite. Mas quem abandonou o ideário de uma esquerda arejada pelo pragmatismo claustrofóbico foram os vencedores. No emaranhado de anedotas que o poder nos prega, está essa semente da desarmonia social. Uma espécie de transgênico político incubado nos porões do grande projeto de poder.  Fôssemos um país com acesso à educação e informação, contássemos com uma oposição minimamente organizada, eles é quem estariam acuados, e com índices compatíveis com a gestão temerária que executam.

E seriam chamados pelo que realmente são, camaleões, que para confundir a sociedade, enfiam a cauda onde for necessário. Para nossa sorte nenhuma camuflagem dura para sempre.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/darwinismo-politico/

 

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Interdição do Mundo (Blog Estadão)

28 quinta-feira nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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expansionismo xiita, Guarda Revolucionária, Irã, Irã e terrorismo, Israel Suprema Corte, persas, poder nuclear. Khamenei, Regime democrático do Oriente Médio

Conto de Notícia, Paulo Rosenbaum
28.novembro.2013 15:00:08

Interdição do mundo

 

 

Irã convida agência da ONU para inspecionar reator alvo de acordo

Um acordo importante foi alcançado e mundo aplaude o êxito da paz intermitente. No entanto, como o julgamento histórico é sempre retrospectivo, e caso tenhamos mesmo algum tempo adiante é que vamos poder avaliar melhor qual o resultado efetivo dos acordos recém assinados na Suíça. Herbert Marcuse já prenunciou em seu “A ideologia da Sociedade Industrial” que a principal, senão a única utilidade do arsenal nuclear em nossos dias é seu desuso. Isso não significa que não se possa classificar conflagrações mais violentas e hecatombicas que outras. Que seja um adiamento. Melhor que a guerra, certo? Mas, e se isto for leniência e provocar um incremento potencial para um conflito mais pavoroso ainda?

A questão toda é saber quando e quanto se pode confiar no regime de líderes supremos comandados pelo tribalismo dos aitolás, cujo background não coincide exatamente com a sintaxe da paz. Toda semana, um santo homem, de nome Ali Khamenei, reafirma seu compromisso com a extinção de uma nação sem escandalizar os demais membros do ONU.

Por isso é preciso explicar melhor como funciona de fato o sistema presidencialista iraniano.  De uma lista com nomes pré selecionados, o líder religioso elege aqueles que irão ao plebiscito.  E o regime não permite a presença de observadores internacionais para verificar a lisura dos pleitos.

É preciso admitir que a região toda, marcada por séculos de conflitos étnicos, minada por colonizações sucessivas, sempre apresentou tropismo bélico acima da média. Porém, a agenda da Guarda Revolucionária, guardiã suprema da Revolução e o núcleo duro do poder, é bastante explicita em seus objetivos. Sua carta de intenções evidencia que uma internacional teocrática xiita impõe-se no topo da lista de prioridades da cúpula dirigente.

É claro que alguém evocará o suposto expansionismo israelense como equivalente moral ao imperialismo de Teerã. Mesmo quando se usa o disfarçe do antisionismo como bandeira e sob enorme boa vontade na exposição dos fatos, não há a menor possibilidade desta comparação atender aos bons modos da lógica.

O que  faz mesmo diferença para enfrentar qualquer debate sério sobre as pretensões nucleares do País persa é avaliar o contexto. Por mais defeitos e imperfeições que Israel possua, incluindo a quota normal de falcões e radicais, é que este país conta com instrumentos não militares que simplesmente inexistem em toda a região. Artefatos em vias de extinção, principalmente no Oriente Médio e na América Latina: sistema democrático estável e regular, imprensa livre e liberdade de expressão.

Um regime aberto e representativo  é uma senhora salvaguarda contra fanatismos e autocracias sangrentas. Qualquer movimento, qualquer deslize, qualquer tentame autoritário e aventureiro, qualquer crime e todo abuso, podem ser imediatamente denunciados. E o judiciário de lá, um exemplo de autonomia de poder para outras democracias, já enjaulou gente poderosa, políticos, civis, militares. Poderia ser só um detalhe, mas não há por lá sequer um dedo do executivo na escolha dos membros da Suprema Corte.

Entretanto, as potencias mundiais que costuraram o pacto com o Irã tem consciência, evidentemente inconfessa, que se nada de novo acontecer, trata-se apenas de postergar algum tipo de devastação nuclear, acidental ou voluntária. Sim, há algo pior que floresce nos escombros das guerras civis e que se espalha pela região. Células terroristas avulsas com ou sem a franquia da Al Quaeda, encontraram espaço para crescer e multiplicar no fértil terreno da indecisão e pusilanimidade diplomática da Europa e América do Norte. A retenção de uma “bomba suja” ou de “armas químicas e biológicas” não é mais hipotética, só não se sabe quando e onde.

Perspectivas de paz para o mundo? Que ultrapasse a provisoriedade — o atual é um plano de seis meses — e aposente para sempre armas apocalípticas? Só mesmo convocando o Criador para presidir uma espécie de última e derradeira assembléia. Aceito pelas partes, finalmente arbitrará quem tem razão nas  disputas. É só palpite, mas altíssimas probabilidades de um veredito inédito. Abrirá mão dos laudos técnicos da psiquiatria forense e interditará o mundo: os sinais de insanidade são auto evidentes.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/interdicao-do-mundo/

 

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Insanidade Coletiva

28 quinta-feira nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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antisemitismo, Armas nucleares iranianas, Dissuasão, Ditador do Irã, Irã, Israel, tribalismo, violencia

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Insanidade coletiva

Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

É evidente que o recente triunfo diplomático do comandante em chefe dos EUA nasceu fracassado. Num conflito crônico e ancestral não se fortalece um lado, sem oferecer contrapartida aos que saem enfraquecidos. A glória é sempre efêmera, mas é possível que esta dure menos ainda. A paz alcançada com Teerã é apenas um exemplo da nova pax americana, débil e fracamente dissuasiva.

Desembaraçados e gastos os recursos — os 8 bilhões que Teerã conseguiu descongelar —aquele país ficará tentado a demonstrar que não está interessado em ser permanentemente controlado pelo Ocidente perverso, nem mesmo por sua própria população. O padrão de envolvimento do Irã mudou desde a revolução de Khomeini. Diretamente enfronhados na guerra civil da Síria e com braços armados em toda a região, especialmente no Iraque, os persas estão assumindo importante papel estratégico e expansionista no Oriente Médio.

Que sejamos poupados dos críticos ideológicos que querem equiparar a colonização multinacional xiita com os problemas  israelo-palestinos. Por mais dificuldades e radicalismos que se enfrente, estamos mais próximos de um Estado binacional para israelenses e palestinos do que qualquer arrefecimento no imperialismo de Teerã. Os primeiros terão muitos percalços, guerras regionais e conflitos de fronteiras agora e mais à frente, mas são guiados por um pragmatismo secular que, mesmo respeitando as tradições, sabem que só as soluções de Estado podem trazer paz e prosperidade.

Por sua vez, o regime dos aiatolás se autointitula teocrático e só obedece à ideologia do fanatismo teleológico: impor padrões uniformes de comportamento para os demais. Isso se chama “califado da retidão”.

A diferença, portanto, é enorme.

A velha demonização mútua entre Ocidente versus teocracia xiita ou sua modalidade laica, a Coreia do Norte — se acusando de ser “eixos do mal”— tem um efeito degenerativo nas relações internacionais.

Se ambos estiverem certos em suas premissas, só teremos o mal para nos atender. Mas mesmo no mais grosseiro maniqueísmo há diferenças. Há males que podem ser rastreados, impressos e divulgados. Assim como há aqueles que estão restritos às planilhas insanas de gente convencida de que está sob a influencia de um Poder Superior e, portanto, plena razão em sua lógica de destruição. A bomba nuclear sob comando e guarita da Guarda Revolucionária é um desastre em si, já que eles consideram seriamente seu uso.

Exemplos de pactos que adiaram os problemas, temos vários na avaliação retrospectiva de busca de supremacia de povos sobre  povos. Talvez este acordo não seja exatamente um “erro histórico”, como o classificou o premier israelense.

Destarte, evitar matanças e selvageria talvez ainda seja o único bem universal. Pena que nem isso seja mais consenso.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/11/28/insanidade-coletiva

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A República não é o Partido – Blog “Conto de Notícia”

24 domingo nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A República não é o Partido, abolição do conflito de interesses, centralismo partidário, hegemonia e monopólio do poder, impunidade, justiça, manipulação

 A República não é o Partido

Uma temerária cascata toma conta da República.  A nova oligarquia política nos impinge dias em que a tríade clássica da democracia – independência de poderes, respeito à livre expressão e governo exercido para todos — está suspensa por decreto. A desenvolta ação envolve agora mais do que uma adesão acrítica aos companheiros de causa. Não há mais inibição no atropelo da legislação, unilateralmente aboliu-se o tópico “conflito de interesses”. Para obter produtos políticos, desmoralize-se o outro poder. Acusem o juiz, esqueçam a ordem das coisas, acionem isqueiros perto das instituições. Se for para intensificar o domínio da coisa pública borrem a constituição. E se for pelo poder, aí então, aplique-se o tal golpe imobilizador do vale tudo.

Sim, até para eles existem limites. A República não é o Partido.

Se a trama era refundar o Estado precisavam antes combinar com os eleitores.

Quando agentes governamentais agem aberta e corporativamente sob o pretexto que for, para desqualificar opositores e críticos. Quando o poder imagina que o diálogo com a sociedade é um detalhe desprezível. Quando as forças que poderiam coibir os abusos estão amedrontadas ou desmoralizadas pelas gavetas, chegamos nas bordas de um temível retrocesso.

Os cofres podem estar abarrotados de dossiês, e só a justiça pode discernir a verdade dentre calúnias e litigâncias oportunistas. Nem que seja por causas humanitárias, merecemos todos mais isenção e seriedade. 

Nossas cabeças não aguentam mais picotar papel.     

Para comentar use o link do Blog do Estadão

 http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/o-republica-nao-e-o-partido/

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Novíssima safra de teses conspiratórias – Blog “Conto de Notícia”

24 domingo nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Assassinato de JFK, Julgamento Mensalão, psicogenia do mensalão, quem são presos políticos?, Teses conspiratórias

Novíssima safra de teses conspiratórias

 

 

 

Bem-vindos a Dallas

 

A apenas 3 dias do aniversário de 50 anos do assassinato de John F. Kennedy o clima parece haver favorecido uma novíssima safra de teses conspiratórias. A percepção aguda do senso comum é de que há muito mais gente na moita do que se supunha. Não é nada diferente aí no Brasil. Parece que um processo chegou ao seu final. Cauteloso, melhor acompanhar de longe toda euforia. Nenhuma prisão merece comemoração ou ser cultuada como o resgate da Nação. Na verdade, é apenas lamentável que ainda não tenhamos achado um jeito melhor de atender a justiça que cassar-lhes a liberdade. Entretanto, chama muito a atenção que, ainda assim, tenhamos a sensação de certa insuficiência da justiça. Particularmente nos casos em que o que esteve em jogo era nada mais, nada menos, do que o controle do Estado, como foi o caso da ação penal 470. A impunidade seletiva e os critérios sob os quais os cidadãos estão submetidos as normas do Estado cansam, desestimulam e por fim imobilizam a opinião pública. Neste caso, seria melhor publicar todo processo, publicá-lo, divulgá-lo, para depois discuti-lo maciçamente. Muito melhor que espetacularizar ordens de prisão.

 

Por isso, cabe perguntar quem são os verdadeiros presos políticos?

 

Os legalmente condenados devem logo obter graus progressivos de liberdade, e para eles, convictos que fizeram o melhor pela causa, estarão garantidas glória e dividendos políticos. Passada a farra, nós ainda estaremos aqui, sujeitos à mesmíssima lógica que regeu o grande mensalão pluripartidário.

 

Para todos nós, o lado de fora, não significa liberdade, infelizmente. Seguimos submissos às normas do partido hegemônico que, menospreza a autocrítica e manipula a opinião pública.

 

Pensando melhor, só mesmo fugindo do senso comum será possível enxergar a conspiração que rege a conspiração, a meta conspiração: o excesso de teses paradoxais anula qualquer perspectiva de achar algo próximo da verdade. No caso do negacionismo militante dos réus, será que não subsiste uma lógica ao revés? Se eles se consideram prisioneiros políticos, qual então seria nosso status? Reféns do centralismo partidário?

Para comentar use o link do Blog “Conto de Notícia”do Estadão

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/novissima-safra-de-teses-conspiratorias/

 

As prerrogativas do espanto e da indignação não deveriam ser nossas? Ou seremos vítimas do velho maniqueísmo político que tipifica a esquerda como o único bem inato da Terra? O segundo ato terminou, mas existem fases na vida nas quais é melhor abandonar o livro antes de ler o desfecho.

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Manual de ódio à classe média

14 quinta-feira nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Manual do ódio à classe média

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Vários mandatários nacionais têm reclamado das demandas e exigências de uma classe social que só faz crescer no país. Em rara unanimidade políticos, legisladores, intelectuais, sindicatos e fiscais tomaram a decisão de esmagar este inimigo crítico que ousa levantar a voz contra o Estado. Quem mandou ficarem insatisfeitos com a mão que anestesia? Quem foi que disse que uma classe alçada do nada por governos tão benévolos — que dispuseram de dinheiro de contribuintes para assegurar uma renda mínima para todos — tem o direito de sair berrando que só aquilo não basta? Já se viu pedintes rechaçar o níquel depositado nos chapéus? Querem agora cuspir no prato que comeram?   Onde foi que desaprenderam com tanta rapidez o respeito? Quem fez a cabeça dessa gente que agora não se curva para ser ungida com as migalhas possíveis?

A análise seria dura demais, extensa demais e explícita demais para que alguém tivesse a paciência de ler. Mas uma síntese pode ser concluída antes do próximo clique do mouse. A razão pela qual os governantes não suportam a crítica é a mesma pela qual têm insônia e pesadelos com uma imprensa livre e combativa e gente comum que começou a ajuntar os pedaços do quebra-cabeças do poder

Reclame dos impostos e os coletores te perseguem, fale das cotas raciais e ouvirás de tudo (menos que as quotas deveriam ser sociais, antes que étnico-raciais). Ouse mencionar a diminuição da idade penal e verá a esquerda-mordaça ceifar tua língua. Agora explique calmamente que você não entende para onde vão suas contribuições  e que só queria que a educação e a saúde não fossem tratadas a quatro anos ou sob grandes reservas de fósseis decompostos.

Faça com que eles se fixem nas grandes construções, em meganegócios que o pais atrai e despreze as manchetes que tragam dúvidas sobre a seriedade econômica da nação. Lembre-o sempre: somos a sétima economia do mundo. Repita como mantra que o país estourou. Se alguém falar mal do teu partido diga que ele não entendeu o espírito da coisa.  E se o fulano quiser insinuar que está tudo mal feito encerre a discussão propondo uma cerveja num lugar mais tranquilo. Use outra estratégia com jornalistas cricas que aporrinham todo mundo com lamúrias: mande ele sair do pais e buscar lugar melhor. E se te contestar com a ladainha de que “quer melhorar este aqui e não sai daqui nem a pau” cogite dar um gelo, constranja-o em público. Se falhar, ameace com coisa pior para ele saber com quem está falando. Por um tempo vocês ficarão estremecidos. Assimile. Tudo passa, e assim que reencontrá-lo finja que nunca haviam discutido antes. Pode ser que você não o convença de vez, mas sempre que o ódio é plantado a semente pode germinar e vingar lá adiante. 

O que você não deveria aceitar em hipótese nenhuma é que ele faça troça das campanhas político-partidária. Essa classe média é o seguinte! Mas vamos lá: se te disser que todos falam a mesma coisa diga que ele é surdo, se o sujeito reclamar que todo mundo se locupleta na vida pública rebata com o infalível “isso é assim no  mundo todo”. Sim, esse pessoal é difícil mesmo. Às vezes não entende a lógica do socialismo para todos, menos alguns. Ignore. Tente mostrar que as coisas seriam muito mais fáceis se houvesse só um partido. Ele vai vir com o discurso de “pluralidade”. Aqui chegou a hora de negar.  Negue tudo. Insista, e explique que absolutamente não é verdade que não há liberdade de expressão em ditaduras centro- americanas.

Tente dizer tudo com parcimônia e máxima convicção. Sem forçar, lógico.  O defeito que ele enxerga é a grande solução: seguir modelos onde há igualdade sem liberdade. Só o burguês não entende isso.   

Faça um gesto com a mão e indique que a maioria das campanhas contra Estados totalitários que tratam bem seus povos não passa de difamação plantada pelos grandes capitalistas. Batata.

Ele virá então com aquele  discurso de “veja o que acontece com a Venezuela”, aí você dá um basta e afirme calmamente e sem elevar o tom de voz que aquele é um pais do futuro, assim como já foi o nosso.

Tags: demandas, exigências, intelectuais, legisladores, mandatários, políticos

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Blog Estadão – Coerência, escrava da amnésia.

09 sábado nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Coerência, escrava da amnésia.

9 de novembro de 1938, Noite dos Cristais

75 anos esta noite.

 

É bem possível que a coerência seja escrava da amnésia. E nesta noite, num lugar nem tão distante, a astúcia do mundo virou caco. A civilização em pausa. O cristal zuniu sobre os espelhos. As vidraças convocaram a queda. A limalha cortante entrou no sangue. E a vida de irmãos, mais desta vez, foi desperdiçada em uma caçada racial. Vieram em bandos. Como bandos acobertaram-se. Como bandos beberam. Como bando gozaram, e sangraram um a um. As mesmas bandeiras que geram o ódio, gemeram as cores nacionais, sob o mesmo socialismo que assassinou a igualdade. É comum que os olhos do mundo se desviem das ignomínias. Virou dever das consciências esquecer em nome do instinto de preservação. Eis que sobreviver é mais fácil que lembrar. Explica porque somos particularmente desmemoriados quanto se trata de massacres e injustiças. Ajuda a compreender porque queremos apagar as luzes das tragédias. Entende-se que desliguem as vozes que testemunham. A razão diz que precisamos aliviar responsabilidades e a lógica explicita a inexorabilidade das coisas. Só que nenhuma palavra justifica que permaneçamos sendo considerados homens.   

Para comentar use o link

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/

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Perspectiva e Horizonte

07 quinta-feira nov 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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ócio sem cultura, bloqueio de imaginação, Franz Kafka, homens públicos atraídos pelo privado, homens públicos que não acreditam no privado, ilusão de Eike, morte do diálogo

 

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

 

    Coisas da Política

    Hoje às 06h00

    Perspectiva e horizonte

    Paulo Rosenbaum – médico e escritor 

    Há um famoso estudo clínico que relacionou o alto número de suicídios no Peru, em um vale profundo e fechado por montanhas altas, à falta de acesso ao horizonte. Felizes os habitantes de planaltos e cidades litorâneas. Sabe-se que a falta de luz influencia e pode ser determinante nos índices de melancolia. Deve ser verdade, vale dizer, meia verdade.

    E quanto ao contexto? Em um país tão solar como o nosso, o que podemos esperar dos tempos que se aproximam, além da Copa e da Olimpíada? Será essa nossa grande perspectiva? Dois grande eventos esportivos? E depois, e antes? O que esperar de um Estado que não consegue cumprir seu papel?  

    A Terra parece descer noutra direção, rumo à trajetória onde — por convicção, ideologia ou desesperança —  nos deixamos levar pelo estado das coisas externas. Estado vazio, por sinal. Não conseguimos sair do quadrilátero mental que criamos para nós mesmos, matéria, sucesso, poder e distração. Nestas pedras angulares, depositamos nosso improvável futuro. Em nossa ciclotímica rotina a calmaria é um hiato entre crises. Não, responderíamos hoje para Montaigne, não nos basta viver.

    O que seremos e as perspectivas que adotaremos estão todos canalizados ali, na infertilidade cultivada e obstaculizada por homens públicos que parecem atraídos e concentrados no privado. Ou em homens públicos que não acreditam que exista a vida privada.

    Para ambos existem as exceções, mas em circunstâncias que deveriam ser regra.

    Amigos tentam reagir cultuando uma esperança de que a emancipação ocorrerá independentemente de quem nos pastoreia. A tosquia? Fruto do risco. O que se passa com nossa sociedade — e a de tantos outros países — não tem nada a ver com modelo de esgotamento político-partidário, nem com a profusão da violência e das drogas. Consequências, não causações. A diferença por aqui está no estufamento de peito cabotino que grunhe “essa terra é nossa, e vamos fazer goela abaixo”.

    Como se ditou a morte do diálogo como base da democracia, a falta de perspectiva produz um efeito colateral grave e de longa duração: faz desacreditar no aqui, agora. Inibe nossa capacidade de escalar picos e descobrir a pouca distância a que estamos de qualquer coisa satisfatória. Os dias são despedaçados e desperdiçados numa moenda pouco estética, e embaçada, quando um ócio sem cultura e sem saber faz brotar sentimentos cada vez menos solidários. 

    Estar emparedado por cenários que barram nosso acesso ao horizonte oprime e nos empurra em outra direção, e este talvez seja o principal problema: o bloqueio da imaginação.

    Atrás das cordilheiras existe o outro. Um punhado de outros. E eles, como nós, aspiram à vida gregária, às trocas, ao encontro e à diversão.  A verdadeira, que emula o lúdico num faz de conta que nos remeta à única razão que faz sentido. Talvez porque nos aproxima dos desejos e aspirações da infância, talvez porque escancara que uma existência significativa é incompatível com carranca.

    Pois é detrás das muralhas que sobrevive uma vida não fracassada. A ilusão de Eike, independentemente dos julgamentos morais, e à exceção das somas, é do mesmo material e da mesma inconsistência que as nossas. Não há nenhum xis da questão enquanto não soubermos que não é esse o ponto. E, provavelmente, a busca de apenas um é que nos remete à decadência. E, se ninguém mesmo está previamente condenado a ela, tudo seria uma questão de escolha.  Franz Kafka escreveu uma única frase em seu diário no dia 2 de fevereiro de 1922: “felicidade de estar em companhia de outros seres humanos”. E mais adiante: “Nem todos podem ver a verdade, mas todos podem sê-la”.

     

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    Blog Estadão: Invasão público-privada

    06 quarta-feira nov 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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      Marco Civil: ‘Preservar coerência é importante’

    Espionagem brasileira não viola a privacidade, diz ministro da Justiça

    Estados Unidos têm 841 antenas no Brasil

    • Alemanha pede explicações a embaixador britânico

     

    Espia – segundo o dicionário etimológico de Antônio Geraldo da Cunha, espia significa “pessoa que às escondidas observa ou espreita as ações de alguém”. (spia, 1554)

    Agora acreditem, assim como há uma espionagem que desconhecemos, uma formulação inédita emerge no linguajar do mundo. Tomem como exemplo a “espionagem do bem”, aquela que não observa às escondidas, não espreita a vida privada, e garante a inviolabilidade dos direitos do sujeito. Uma autêntica arma secreta dos governos para salvaguardar os cidadãos, certo? Ela, assim como outros dispositivos táticos servem para proteger-nos de nós mesmos. Mas há uma arma muito mais poderosa. Inventada, trancada e guardada à sete chaves como segredo de Estado. Não são radares, antenas de plasma, ou nanocibertecnologia.

    Trata-se da nova oratória. Um jeito muito particular de reinterpretar a realidade. A chave desta poderosa invenção, devidamente patenteada, parece estar na recriação de palavras que retorcem o sentido original do vocabulário. Afluem aos cursos de oratória criativa mandatários de todo planeta. Neste fantástico laboratório já saíram expressões consagradas como “monitoramento consentido”, “observação secreta assistida”, “branda espreita” e a que levou o segundo lugar no prêmio Tergiversação Internacional 2011: “invasão público-privada“.

    Estudos históricos mostram que depois do “fumei, mas não traguei” a mania se institucionalizou com força pelo mundo contemporâneo: formadores de opinião e políticos convertem e conformam novos significados para velhas palavras estabelecidas na linguagem. Recriam-nas e trocam-nas por qualquer coisa, desde que não representem mais aquilo que antes designavam. Tolice nosso duvidar da sinceridade dos líderes. A essa altura, já deveríamos estar carecas de saber:  uns são mais espionáveis que outros.

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    Blog Estadão – Contra quem lutamos?

    04 segunda-feira nov 2013

    Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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    Tags

    decadência da liberdade, http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/contra-quem-lutamos/, liberdade de expressão, maestros e liderança horizontal, violencia

    Contra quem lutamos?

     

     

     

     

    Violência em atos ofusca movimentos pacíficos em São Paulo

     

     

     

    País teve 50 mil mortes em 2012, maior nº em 5 anos

     

    Enquanto Maduro enxerga Chávez nos terminais, Cristina vê Nestor na Casa Rosada e a presidente projeta o rosto do mentor nos postes do distrito federal. Isso significa que lutamos contra fantasmas, irracionalismos estudados na véspera. Lutamos contra entidades abstratas e ideologias personalistas não democráticas. Bolsas geram inclusão, mas não integração para o desenvolvimento. Precisamos de vínculos sociais estáveis que só renda e trabalho oferecem. Os países da América Latina se fecham num protecionismo beócio, travam lutas contra a liberdade de expressão e resistem à única saída possível ao terceiromundismo: a abertura que oxigena a política e a economia. A demonização da liberdade, confundida com liberalismo, ainda não tem um nome político, mas isso é questão de tempo.

     

    Quando um modelo está presta a ruir dizem que há ascenção formal e informal dos prestidigitadores. que, em nossa era, atendem pelo nome de marquetólogos. Vendem ilusões e plantam as sementes do embaralhamento para levar seus clientes ao pódio eleitoral. Essa gente, que apenas por abstração escapa da acusação de estelionato, usa a distração e o consumo para fomentar paraísos nas terras devastadas. Ou não estamos ainda lá com a epidêmica cifra de 50.000 mortos no último ano, vítimas da violência?

     

    Mas é claro que a liderança horizontal tem maestros. Numa roda destas que se formam, depois que a cota de carros queimados foi atingida, ouviu-se de alguém ao celular que “estava tudo conforme o planejado” e que o “pessoal estava satisfeito”.

    Alô pessoal, não é porque estamos perplexos que não captamos o plano.   

    Por favor, comentar usando o link do jornal

    http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/contra-quem-lutamos/

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