• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Eternidade do Instante (blog Estadão)

17 sábado out 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, abandono das ideologias, aculturamento, big bang, constância e descontinuidade, estar aqui, eternidade do instante, fração do tempo, imanente, já, neutrinos, o que é o tempo?, singularidade

Eternidade do instante

Paulo Rosenbaum

16 outubro 2015 | 18:35

InstanteXXXXX

Você pode não querer falar no assunto, entrar em negação, debruçar-se sobre o tema ou bloquear quem insiste, mas o fenômeno persiste: só temos a eternidade do instante. Num mundo de passagem para que insistir no conforto das coisas que permanecem? Se ao menos a arte de construir agendas fosse outra. Reparem, não há, nunca houve, nada sólido. Não me refiro ao materialismo, que dura e é solenemente subestimado pelos cultores de soluções políticas mágicas. Ou alguém viu algum inveterado anti capitalista atacar o culto à matéria? As criações mentais dos homens são precárias. Tão frágeis que a história chega a perder o rumo. E bem na nossa frente, não se dão conta da não linearidade do momento. Sim, há um sentido para a história. Imediato, imanente e presente. Fantasie momento como uma espécie de neutrino extraviado. Uma unidade dispersa. Uma partícula que pode ou não se soltar do resto. Efemérides elásticas. Um vestígio que rompe com o antes, e logo se desfaz do depois. Por isso, o agora é único e premente. E, ao contrário da nostalgia, da memória que evoca, e do que foi nossas cansativas colaborações do que é o tempo, o agora é nossa chance de vida provável. Uma chance. Enquanto procrastinadores e antecipados estão condenados a perder, nós viemos para estar. E, se a política é a grande efeméride, deve ser desconstruida a cada letra, a cada segundo. Ela não manda, nem comanda, e não importa o que o se diga, não deve colonizar a existência. Toda fração de tempo merece ser vivida sem que ela determine tudo. Viver por ela é perder a ficção, que, ao mesmo tempo, é a realidade. Os hiper racionalizadores que nos perdoem, mas ainda temos algum chão antes de abrir mão da fantasia. Por isso mesmo o instante é a revelação, a singularidade, a faísca do big bang. É uma expansão sem moldura. Que se negue a constância, desminta-se a rotina. Erga-se o tijolo da descontinuidade. Que o barro seque nos grãos da ampulheta. Numa erosão lancinante, o engano perdura duplo: passado e posteridade. Imaginem universos constituídos por “jás”. Imaginem percursos sequenciais que apagam pegadas. Sem negação ou oposição à eternidade, é que seu tempo não pode ser comandado pela liberdade. Porque dessa eternidade somos súditos passivos, inoperantes, resignados. O mundo da ação exige originalidade e atualização das invenções. Imaginem toda pauta reconstituída com atualidade. Imaginem-se na aventura inaugural do homem. Conceba uma política de esvaziamento. Sonhe com a alienação programada. Abandono das ideologias, conceitos, da toda vida baseada em rastros. Imaginem a vida liberta das arqueologias, das ameaças, dos rumores inquietantes, das promessas invasivas, da democracia aprendiz. Se fôssemos mais homens e mulheres do presente, desprezaríamos ao mesmo tempo o pó, o passado e o futuro. Para quem só consegue enxergar hedonismo será preciso reconfirmar: todo prazer pode estar no viver aqui, já.

Tags: abandono das ideologias, big bang, blog conto de noticia, constância e descontinuidade, estar aqui, eternidade do instante, fração do tempo, imanente, instante, já, materialismo, neutrinos, o que é o tempo?, singularidade

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/eternidade-do-instante/

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Geração espontânea e terroristas avulsos (blog Estadão)

14 quarta-feira out 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, desonestidade intelectual e acusações de apartheid, geração espontânea e terroristas avulsos, Israel

Geração espontânea e terroristas avulsos

Quais as etapas que um sujeito deve percorrer entre entrar em seu veículo, escolher o alvo, acelerar contra este a uma velocidade significativa, abalroar uma ou mais pessoas, descer do veiculo e golpear à faca, adaga, lâmina ou machadinha até acabar com uma vida? Há um terrorismo exposto e um latente prestes a irromper. Quais as chances de que uma epidemia homicida atinja várias mentes sincronizadamente? Pois os cidadãos de Israel tem sido alvo de múltiplos e sistemáticos ataques terroristas. Os fatos, porém, tem sido expostos de uma forma surpreendentemente neutra. Sob as vozes monotônicas e testeiras eletrônicas da mídia televisiva, tem-se a impressão de que os ataques precisam ser naturalizados. Terroristas avulsos surgiriam às dezenas ao modo de geração espontânea. Ações terroristas ex-nihilo se propagam sob a ação de esfaqueadores em transes assassinos. Da forma como nos apresentam os eventos, a impressão é que, subitamente, uma parte dos palestinos e árabes israelenses — os perpetradores dessas ações contra alvos civis inocentes — tiveram, ao mesmo tempo, a mesmíssima inspiração. A sensação quase subliminar que se pode ouvir ao largo das transmissões é ambígua: “um horror”, e ao mesmo tempo “devem ter feito algo para merecer”.

Quem não reconhece que a raiz profunda desta e de outras crises passadas e futuras são os erros políticos recorrentes dos governantes israelenses e palestinos em achar uma solução para a tragédia que se abate sobre os dois povos? O perturbador é que parte significativa da mídia insiste em pulverizar os atos nitidamente terroristas como “sublevação legítima”, “insurgência política”, “resposta à ocupação”e, mais recentemente, o criativo “fúria contra a proibição de fiéis muçulmanos rezar na esplanada das Mesquitas”. A notória má vontade da mídia mundial com Israel e seus habitantes teria origem num antissemitismo latente? A desonestidade intelectual estacionada em acusações irresponsáveis como a de que ali vigora um “regime de apartheid”? Essa latência floresce irrigada a cada mínima gota. É como se um argumento subliminar estivesse a postos para ser sacado contra a mítica pré condenação judaica. Manchetes omissas diárias — sem contar as abertamente judeofobicas dos jornais árabes e iranianos — estampadas nas páginas de jornais terminam inculcando uma percepção completamente distorcida da realidade social e política da região.

Abundam questões territoriais, jurídicas e culturais em permanente disputa, mas quem é curioso ou cultiva um pouco de amor à análise política sabe que Israel é um dos países com maior liberdade religiosa e de gênero em todo o mundo, e, decerto, o mais multicultural entre as nações do oriente médio. E, com todos os defeitos inerentes implicados, uma democracia estável. Pois as pessoas deveriam também saber que o desenvolvimento econômico nos territórios palestinos está entre os maiores registrados na região e não é fortuito que a taxa de escolaridade por lá também seja bastante alta. Não há nada de fortuito ou coincidência mística que o novo ciclo de ataques tenham se iniciado alguns dias depois do discurso do presidente da autoridade palestina Mahmoud Abbas, quando declarou que considerava nulos os “acordos de Oslo”. É sintomático que o anúncio tenha sido feito num momento histórico no qual o relevância do conflito esteja em evidente declínio na agenda dos países ocidentais. Com tópicos quentes como guerra civil na Síria, estado islâmico, Ucrânia e fortes indícios da retomada de uma novíssima guerra fria, o imbróglio palestino-israelense não é mais prioridade para ninguém. Abbas captou a nova realidade e talvez tenha pretendido instrumentalizar uma escalada para recobrar a relevância perdida. Porém, a conclamação ao ódio e à indução ao terror, ainda que cifrada, é um novo e perigoso precedente na escala de equívocos políticos. No reino dos justificacionismos não há, nunca houve, solução para contendas. A busca pela pacificação é provavelmente um dos impulsos mais contra-instintivos em nossa espécie. Quando não existe ninguém realmente pensando em paz, o vazio pode vir como signo de guerra. Oxalá o futuro nos reserve menos lamentos e mais civilização.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/geracao-espontanea-e-terroristas-avulsos/

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Contragolpe (blog Estadão)

08 quinta-feira out 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Contragolpe

Paulo Rosenbaum

08 outubro 2015 | 18:39

Contragolpe

–Simplesmente brilhante, se não fosse quem é chamaria de genial.

–Ele é que não gostou nem um pouco.

–Está exilado?

–É o que dizem: discípulo supera o mestre.

–Isso não é ingratidão?

–Desde quando gratidão deve ser obrigação?

— Já soube dos últimos apoios? Gente decente.

–Você não viu o último Ibope?

–Doze pontos e em alta, sabe o que significa?

–Conseguiu virar.

— Fato, virou mesmo.

–Rompeu com o partido e ainda teve a coragem de fazer o rapa. Cortou, demitiu. Despachou os fisiológicos de mala e cuia.

— E ainda assim conseguiu reverter? Como pode? Totalmente inesperado. Não entendo. Se era tão simples, por que ela não gritou independência antes?

–Por que? Está de brincadeira? Você conhece bem esse Partido?

–Se conheço? Credo, já fiz parte.

–Pois é.

–E todos aqueles notáveis que toparam na hora participar do governo interino? Esse foi o verdadeiro milagre. Quem poderia imaginá-la como Estadista?

— Milagre, essa é a palavra, mas foi a sequência toda, a coisa toda.

— Intrigante. Me pergunto como fez tudo isso sozinha? E a outra surpresa então? O discurso foi voltando ao normal, nenhuma maravilha claro, só o normal dela.

–Você foi falando e me veio a luz. A impressão é que ela voltou a pensar. Vai ver que foi depois de escrever a cartinha de renúncia, sei lá um efeito paradoxal.

–Foi ditada?

–Ele, pessoalmente!

–Ouvi dizer que ela rasgou no dia seguinte.

–Na frente dele.

–Quem diria? Depois explodiu e falou tudo na lata, daquele jeitinho delicado dela.

— E Ele?

–Ficou pálido, tentou reagir, foi então que ela chamou a segurança e colocou ele para correr, berrando para não se meter mais com ela.

–Que cena. Você estava na sala?

–Daria tudo para ver. A copeira espalhou a notícia.

–Acho que foi desde lá que a coisa mudou de figura.

–Radical. E os resultados? Em anos, pela primeira vez, consensos, reformas, linha de política externa independente e alinhada com governos sérios, ruptura com ditadores, retomada de diretrizes, pacto pela estabilidade, responsabilidade fiscal.

–Até aquela situação gravíssima do petróleo foi revertida.

— Impressionante.

–Isso foi depois da votação no TSE?

–Acho que não. Aquilo era para ser a pá de cal.

–O enterro

–Foi ali que deve ter caído a ficha.

–Começou no dia em que o TCU rejeitou. Na hora, tentou o papo furado de “variante golpista”, depois aceitou. Parece que então se trancou dois dias, detonou aquela dieta maluca, atacou os chocolates e puff: voltou outra. Acharam que iam interditar quando chamou a cadeia de rádio e pediu desculpas. Foi sincera pela primeira vez desde que entrou para a política. Lembra do que ela falou do marketeiro?

— Não.

— Que ele era tão eficiente, mas tão eficiente que fez todo mundo acreditar nos slogans falsos que criava.

–Espera um pouquinho. Falta um pedaço nessa história. Por favor me faz alguma analise. Do jeito que está não entra na cabeça.

–Se quiser posso arriscar, não vai ser lá essas coisas. Eu te diria o seguinte: ela percebeu que virou escrava do partido. Se no inicio eles só sabotavam de leve, depois o jogo foi ficando aberto e pesado. Ela deve ter tido algum tipo de insight. Resumindo, ela acordou. E não é nada fácil, imagine ser marionete daquele sujeito. A gota água foi sacar: a) ela seria jogada no limbo b) que quando ela caísse fora, ele encarnaria o papel da oposição.

–Foi-se o tempo no qual só principiantes não entendiam o Brasil, hoje em dia nem marmanjões veteranos encaram a tarefa.

–Bom, no caso dela era virar a mesa ou ir ao sacrifício.

–Ela se livrou da peste.

–Peste?

— Peste emocional, vírus da convicção, epidemia de vale tudo, a calamidade que varreu o Brasil.

— Muito estranho. Insisto em culpar o milagre. Como escreveu o o filósofo “só o improvável tem alguma chance de ser possível”

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, contragolpe, milagres políticos, nem renuncia nem impeachment, só o improvável é possivel

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/contragolpe/

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Licença para odiar (blog Estadão)

06 terça-feira out 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Licença para odiar

Paulo Rosenbaum

06 outubro 2015 | 00:52

O que testemunhamos no atual poder moribundo, é, no mínimo, indigno. Quem negará que o partido do governo foi pródigo em plantar a cizânia, instigar a litigância e flertar com a intolerância? Mas é a extrapolação da aversão que merece algum exercício de autocrítica. Hoje, no enterro de um veterano político petista ligado ao poder, houve mais uma incitação ao ódio. Incitação póstuma, desnecessária, primitiva. Compreende-se a indignação, a revolta. Sob a escassez absoluta de soluções justas e duradouras, as pessoas rendem-se ao reino do senso comum. A falta de mediadores minimamente confiáveis aguça a sensação de inutilidade. Somos inúteis num sistema político de duvidosa eficácia. Assim ficamos a mercê dos abusos de poder, dos bullyings do Estado, da impotência imposta por uma interpretação retrógrada de democracia. Sem critérios, sob publicações prematuras, as quais, por exemplo, elevam a pena capital como ideário de solução para a segurança pública, exterminar adversários, massacrar discordantes. Só que doença, morte e sofrimento pessoal não devem fazer parte da civilidade política. Alguns signos precisam manter alguma invulnerabilidade. A força da sociedade está numa união instável contra o governo. As ruas, o último reduto de oposição. O ataque deveria ser direcionado ao poder, e toda objeção focar num programa que antagonizasse os desmandos, e evitasse desperdícios como catarses direcionadas às pessoas.Tomamos diferenças como ameaças, e respondendo ao ameaçador, nos convencemos de que estamos rodeados de inimigos. Eles existem, mas a maior parte só adota outro sistema de compreensão política. Precisamente ai uma armadilha tomou forma, ainda que sob roteiro pré justificado: a licença para odiar. É vital explicitar que descarta-se libelos de amor, paz de convescote e uniões impossíveis. Despreza-se sentimentalismos informais e a neutralidade conivente. A gestão do partido pode ter sido campeã no quesito promotora de conflitos, e, quase com certeza, protagonizou insuperável programa de poder sustentando no fisiologismo e na corrupção. A última, ao contrário do que todos os indícios apontam, apenas um detalhe do planejamento estratégico. A verdadeira novidade esteve na determinação e na furiosa convicção de que tudo precisava ser destruído para que a nova ordem viesse à tona.Outro fenômeno que ainda ocupará tempo de historiadores e psicanalistas é o incrível séquito de apoiadores acríticos, hoje infiltrados em todos os cantos da administração pública, nas redações e naquilo que conhecíamos outrora como centros de saber. Para estes, defender esta gestão tornou-se, então, questão de sobrevivência. Para todos nós, sobrevivência perigosa, uma vez que o poder migrou da acefalia à posse do grande manipulador. Nota-se então o desejo nostálgico que tomou conta dessas mentes. Bom notar que eles não mais militam, apenas precisam justificar-se por terem sustentando o insustentável e racionalizado o incompreensível. E foi por tanto tempo, e sob tantas formas que hoje sussurram intimamente “longe demais, tarde demais, profundo demais para arrependimentos”. E mesmo aqueles veículos midiáticos que receberam e continuam recebendo generosas verbas publicitárias desta administração, vem se afastando da neutralidade suspeita. O poder perdeu a moral e a razão, não necessariamente nessa ordem. Difícil precisar o grande erro estratégico: subestimar as instituições que reputavam subjugadas e rendidas ao sindicalismo de resultados? Pegos de surpresa pelo que um desses ministros definiu como “ingratidão” do povo? Ou simplesmente o mais infantil dos equívocos: terem acreditado nos próprios slogans? Que ninguém se engane quanto a capacidade de regeneração do populismo. A República, reduzida a um instrumento partidário e como toda tendência totalitária, escolheriam terra arrasada ao triunfo de um novo consenso. Portanto, a descrença atual do brasileiro não é bem com a democracia, como parece dar a entender a última pesquisa do tema (Ibope/setembro, 2015). A decepção é, antes, com o que imaginaríamos conquistar ao sair de longa e sombria tutela militar autoritária. Na contramão das teses, a história por aqui acontece como fraude e se repete como mistificação.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/licenca-para-odiar-2/

Tags: blog estadão, conto de notícia, história acontece como fraude, história se repete como mistificação, licença para odiar

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Exílio entre nós (Blog Estadão)

30 quarta-feira set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, democracia, exilio entre nós, juízo, justiça

Exílio entre nós

Paulo Rosenbaum

30 setembro 2015 | 13:08

exiliox

Entre nós e o exílio

vigora o deserto,

mirem o planalto,

 o poder tingido

exílio entre nós,

Num desterro cantado

uma sombra, vincada

no sal espesso, trincado

o palácio esvaziado

Nos céus, a justiça flutua,

no cronograma tardio

no senso acrobático do destino

aprisionado pelo poder, desatino

Entre nós, exílio, último gatilho.

Governados pela omissão

Nas marcas adulteradas da democracia

alguma resistência resgataria a missão,

Modular forças, fazer cessar a tirania

Entre nós e o exílio, a corte

Olhar para o futuro é desfolhar o rústico do passado,

é esquecer que tudo está dado

 numa outra unidade de tempo, recomeço esperado

que cada um saiba reparar

o que ainda há para salvar.

Tags: do justo e da justiça, entre nós e o exílio, Justiça, o exílio entre nós

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Reparo e Perdão (Yom Kippur) (Blog Estadão)

22 terça-feira set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, dia do perdão, Reparo e Perdão, yom kippur

Reparo e perdão (Yom Kippur)

Paulo Rosenbaum

22 setembro 2015 | 16:27

Perdão como Bordão

Esqueçam simetria. Desfaçam equilíbrios. As balanças hoje podem perder qualquer relevância. Perdão é desrazão. Afinal, qual sentido teria conceder anistia sem reciprocidade? A concessão é irracional. A unilateralidade é enganosa. O bordão chamado perdão é perturbador. É quando nossa insônia precede a gentileza. Quando o humor enfrenta seus decretos. O desafio é lento e violento. Perdão poderia ser um método, uma instância operacionalizada na fraternidade. Antes de desligar, pense no desproporcional esforço para contratar o sentimento oposto. Habitualmente, escolhemos a disputa. Enquanto o ódio é uma meta, a tolerância não recompensa. O perdão nada repara. Há, portanto, um indulto que nos agrega e existem ofícios sem justiça. Por outro lado, precisamos reconhecer o imperdoável. Há uma ofensa contra todos os homens, imitigável. Nesse caso, perdão algum pode revogar o ônus. E o que entendemos de rancor? Para o talmudista devemos aprender com as crianças: “as crianças escolhem ser felizes do que estarem certas”. No repente pouco psicanalítico poderia nos ocorrer esquecer para avançar. Renunciar à pressa dos vereditos. A justiça exige espaço. Nós, pacificação. O perdão não trás quitação, cicatrização, anulação ou redenção. O perdão nos obriga a renunciar às certezas. Trata-se de fenômeno antinatural que confronta as leis da adaptação. Abrir mão dos argumentos é aceitar não julgar. Se a beleza do dia do Perdão nasce desse paradoxo, sua ética perdura pela simplicidade: viva e deixar viver.

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, dia do Perdão, Reparo e perdão, talmudista, viver e deixar viver, Yom Kipúr

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Nero e o impeachment (blog Estadão)

20 domingo set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Nero e o impeachment

Paulo Rosenbaum

20 setembro 2015 | 14:46

NeroXXX

Tudo é ficção conspiratória até a lança cravar a pele. E se houvesse uma legislação preventiva operando na República romana, quando tiveram lugar os desastres da legislação de Cláudio César Augusto Germanico Nerón? Discípulo do filósofo Sêneca, não há provas de que ele tenha promovido o famoso incêndio de Roma no ano 64. Mas, depois dos seis dias queimando, Nero impôs pesados tributos aos súditos para reparar os estragos com a catástrofe. Além disso, passa a perseguir conspiradores imaginários e reais, entre os quais seu ex-preceptor, e age contra minorias. Se houvessem mecanismos legais seria ilegítimo afastar o tirano? Foram necessários dois anos para que o Senado romano o declarasse inimigo público. Nero, tenta o suicídio e malogra, para no ano 68, com ajuda de um escravo matar-se com um punhal.

Analogias não são cópias, servem à reflexão.

Entidades como voto sagrado, urna inviolável e demais sutilezas de uma democracia representativa estão sob ataque. Um dos motivos é não haver salvaguardas eficazes contra o mau exercício do poder. Mas o golpe senior de nossos tempos vem justamente de quem está ladrando incessantemente a palavra. Na fragilidade da interpretação licenciosa tudo que obstar o projeto virá com codinome “golpe”. Há quem ainda acredite que um mecanismo previsto em constituição mereça a calunia. A maioria não. Impedir a insanidade e o mal feito, significa ruptura com a legitimidade, é tudo menos golpe. O plano é ver se cola. Mas sempre houve uma diferença entre plano e ação. O dedo do imponderável. O signo do luminol. A cédula reconhecida. A miséria da fartura. Eles agem, enquanto a sociedade, se prostra, paralisada, abúlica. Esperamos que as instituições cumpram não mais do que sua obrigação. Não percebem que, dada as circunstâncias, isso é muito. Por isso, heroísmos precisam de contexto.

Senhoras e senhores, estamos oficialmente confinados. Uma prisão domiciliar sem blindagem. Estamos esperando que as coisas funcionem, quando foram projetadas para o enrosco. As regras do jogo estão sendo rasgadas, enquanto fingíamos não testemunhar uma operação que esteve em curso por mais de uma década. Eles não superaram a guerrilha. Não aceitaram a pax democrática. Ainda em pé de guerra contra uma sociedade que, à boca pequena, abominam. Decerto que outros partidos também são predadores naturais das riquezas do País. Mais do que certo que o PT não inventou a corrupção. Seu crime imperdoável foi buscar colonizar todas as instâncias, regularizar instrumentos, introduzir a espoliação por resultados, golpear o peito para anunciar que fizeram por nós, quando as evidencias pecuniárias vão mostrando um outro extrato.

Os motores sempre se justificam pelas causas. Mas o que é, dissecada, uma causa ideológica? Quase nada. Uma porção de argumentos sem consistência, voluntarismos propensos à irracionalidade, inferidos por máximas de filósofos do XIX ou propagandistas do XX. O ódio ao liberalismo econômico (mas não só), a tentação de inibir a liberdade, a estratégia de resgatar tudo pelo dinheiro, tem uma origem muito mais primitiva que as diferenças ideológicas. É sempre melhor impedir que os outros façam aquilo que eu mesmo não consigo proporcionar. É sempre melhor obstaculizar os caminhos de uma sociedade que quer se repensar, que quer decidir sem políticos, ou apesar deles. É sempre aconselhável concentrar impostos que aceitar reparti-los, a única fórmula justa. Tudo já foi dito, redito, editado e reeditado. É portanto a exaustão que nos tolhe a alegria. Cansados com o paternalismo que nos impõe regressão. Nossas perspectivas não são mais para hoje. O consolo se concentra na justiça, que sempre pode disparar o elemento surpresa. E, cedo ou tarde, a tirania e a ditadura do vale tudo cessará. O gosto doce da superação não é vingança, vêm do comovente e do inesperado. E mesmo se que a era da emancipação tardar, ela não há de falhar.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/nero-e-o-impeachment/

Paulo Rosenbaum
rosenb@netpoint.com.br
rosenbau@usp.br

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Hoje, o inesperado! (Blog Estadão)

13 domingo set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Hoje, o inesperado!

Paulo Rosenbaum

13 setembro 2015 | 01:08

shana_Tova_5776_5ye_

Hoje é muito, a noite do mundo. Hoje é fundo, ao largo de tudo. Dia da escala primeva, pristina. Movimento, obra prima. Hoje se sabe, o valor é enganoso, a certeza, inútil, a decisão, instável. Hoje é o dia sem recuos. Não se enganem. Não é só o homem: são as forças, todas as capacidades, e todas as verdades. O que comove. Hoje, o divisor de águas, o inverso do ciclo, a sede que move. Hoje é a estação para mudanças. Troca de faixa. Inversão do estável. Reciclagem do estático. Reverso do mesmo. A fusão que nos escapa. O planisfério se dilata. A prata das bocas escapa. A vez do sutil. Do repleto. Dos códigos gerais. Dos sonhos orgânicos. Dos extratos românticos. Das mulheres em graça. Da infância sem pena. Da mutação, plena. Hoje, instante para brincar com os mundos. Saudar o recomeço. Saldar a nostalgia. Hoje, vigência do inesperado. Não é só mais um ano novo. Chegamos às vésperas, o triunfo do justo. Ao ímpeto da inércia. A resistência recobrou alento afora. A recompensa, aqui, agora. Nas alegrias sem fundamento à evasão do firmamento. É do horizonte que a notícia emerge. Com olhos nos céus. Ovos perfeitos e livro sem defeitos. Sob letras grafadas em tudo. Agora que as vozes venceram o silêncio dos mudos. A derrota da tirania exige persistência. Paciência, mesmo sem maná, shaná tová.

Tags: ano novo, blog Rosenbaum Estadão, derrota da tirania, dia de mudança, maná, shaná tová

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/hoje-o-inesperado/

Paulo Rosenbaum

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Não significa nada! (Blog Estadão)

10 quinta-feira set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, não significa nada

Não significa nada!

Paulo Rosenbaum

10 setembro 2015 | 19:21

binario

Asymbolia – Termo sugerido por Finkelburg que denota a perda do poder de formar ou compreender qualquer sinal ou símbolo do pensamento, seja falado, escrito ou por atitudes)

Não significa nada. Faça exatamente isso. Ignore, ignore. Mesma ladainha desse bando de ingratos. Não tem nada disso. Não acredito nem em indícios, nem em símbolos. Tire tudo isso da minha frente. O que se faz com esses índices aqui? (Ruídos de pastas sendo arremessadas) Tudo negativo? Mudem para positivo. Se não der finjam, que não ouviu, não sabe, não conhece. Sabe o que é isso? Uma borracha. Que contabilidade criativa o que. Temos que nos defender desses especuladores. Viu como tudo se ajeita? Estúpidos, não entendem nada. Nós fizemos direitinho, nós chegamos lá, e tem mais uma coisa, nós não precisamos de ninguém. Viu nas eleições? Democracia se faz com homens e marketing. Já pode ir bolando o slogan de 2018, viu? O povo? O povo é aquele mal necessário. Não, não é bem que não os ame. (Voz baixa) Os celulares estão fora da sala? Como ia dizendo, amo, tenho carinho todo especial pelos mais pobres. Mas, se formos deixar na mão deles, onde vamos parar? Depois, aos poucos, vamos colocando na cabecinha deles que partidos não prestam. Agora temos que ensinar que são todos iguais. Nós sabemos o que fazer. Ah, se eles nos deixam fazer. A coisa anda. O que? Enxugar a máquina é uma grande bobagem. Eles querem pagar menos? Vão pagar mais. E além do que, onde iríamos ajeitar todo nosso pessoal? Não é por aí. O importante é que tem que ser do nosso jeito. Isso aí de impeachment não vai funcionar. Sabe por que não? Medo. Eles tem medo. E essa oposição quer o abacaxi? Só nós sabemos descascar. Tá todo mundo no lugar certo. Eles conspiram mesmo, mas sabem que no dia seguinte vamos fazer a maior oposição que este País já viu. Para com isso. Ninguém tem peito. Isso aqui é cargo vitalício. (Tapas na mesa) 4 anos. (Palavrão e tapa na mesa) Não há quem me tire daqui. Sabe o que me dá segurança? Posso fazer qualquer coisa que, no fim, passa. Eles já se conformaram, não é meu querido? (Ruídos aborrecidos) Por que essa carinha? Tá preocupado com 2018? Vai por mim, até lá consertaremos tudo. Não foi assim com o mensalão? O pessoal esquece fácil, viu? Curitiba? O que tem Curitiba? Lá está frio, o inverno é que tardou. (Risos abafados) Não tem nada de maquiagem aqui não. Chegou a hora do plano B. Vamos agora começar a falar de união nacional. “Agenda Brasil” é perfeita. É vaga, é ampla, é o nada que tanto queríamos. não engoliram? Vão engolir. Sabe aquela turma que você falou? Esses mesmos. Gente simpática, alta, bonita. Só o gênio aqui para pensar naquele cara para prefeito. Deu certo. (Ruídos de satisfação, princípio de aplausos) Não, ninguém precisa entender de administração como eu. Gerencia eu domino. (Cadeiras arrastadas) É isso dai. Vamos pegar mais um que não assuste a classe média. Professora está se coçando toda? Dão arrepio? Eu sei filha, mas eles são necessários. É etapa histórica mestra. Depois a burguesia acaba. E ai é correr para o abraço dos milhões, e pumba, o paraíso na Terra. (Ruído de tapas contra a própria mão) Vamos distribuir justiça, a nossa justiça. E quem precisa de liberdade? Estou te achando meio cabisbaixo. Faz o seguinte, não leia mais nada, desligue a televisão. Rádio, escolhe só música neutra sem letra. MPB agora não estou gostando tanto. Show em Nova Iorque? Nunca. Você está me preocupando, conheço essa sua cara. Vai desanimar agora que estamos superando? Bufaram por que? Por que justo agora? Isso aí? Grau de investimento é bobagem. Viu nosso líder ontem? “Gringos não entendem nada de Brasil”. Ministro? Cadê o Ministro? Viajou para onde? Nunca ouvi falar. Mas é até bom. Vocês nem gostam tanto dele. Claro, eu também tenho lá minhas duvidas. Querido? Você não sabe interpretar. Tudo é aparência. Vamos torrar tudo em programas pagos, vamos nas redações, entrevistas em jornais, redes sociais. Percebeu como agora estão pegando mais leve? Contenção? Você, por favor, pelo menos aqui dentro: esqueça essa droga de palavra. Isso é lá para fora. Vamos dizer que está tudo sob controle. Já discuti isso: a gente é quem faz a realidade. É tudo questão de convencer a Pessoa. O que houve, falei alguma besteira? Por que estão com essa cara amarrada? Ah, desculpe. Esqueci que combinamos não falar esse nome. Querido? Pode fazer o resumo dessa ata de hoje? “Nós contra a rapa” Taí, gostei. Vamos usar!

Tags: Agenda Brasil, Blog Estadão Rosenbaum, cargo vitalício, eleições 2018, impeachment, não significa nada, nós contra a rapa, Zoilo

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/nao-significa-nada/

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Fração Ideal (Blog Estadão)

04 sexta-feira set 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Fração ideal

Paulo Rosenbaum

04 setembro 2015 | 12:04

O Jogo

Não é só imaginação ou interpretação. Devemos estar vivendo uma das eras mais idiossincráticas desde a segunda guerra mundial. São tantas peculiaridades e tantas arestas para aparar que — entre melindres e chiliques — preciso te dizer, senhor, deu para pressentir a nervura do subsolo. Só uma visão estoica do mundo pode nos apartar dos textos inflamados, manchetes e chamadas. De que outro modo escapar da obtusidade do politicamente correto? É que o consenso sempre foi senso comum disfarçado de diálogo. Por isso, tanta gente interessada em manter esquerda e direita, nós e eles, bons e maus. Quer coisa melhor que um maniqueísmozinho para ocultar a complexidade? Quer solução mais caseira de garfar a subjetividade e, em seu lugar, colocar estabilizante de humor ou reduzir tudo ao “jeito certo” e “jeito errado” de olhar o mundo?  O exagero sempre foi um recurso didático. Improvável? Pois acompanhem: o reino jurídico sempre será frustrante e como só a justiça traria paz, esqueçam paz, equanimidade, isonomia, meio termo, equilíbrio, caminho do meio. Tudo desceu à obliquidade. Déspotas locais e déspotas internacionais encontraram a fórmula mágica para se livrar das responsabilidades: populismo baseado em nonsense. Avanços sucumbiram à desorganização do Estado.  E por que persistimos? Por que não nos damos por vencidos? Que força misteriosa é essa que nos faz prosseguir em marcha? Numa vigília automática. Num antagonismo assombroso ao uníssono. O que nos faz imaginar que o calejamento, enfim, amolecerá o mundo? Como pudemos sonhar com tanta liberdade? Só encontro uma resposta: é a idealização que nos mata. É que, para além da interpretação, mas antes da perfeição, há um mundo, maior, mais vasto e não limitado às acareações silenciosas. Há um atmosfera onde ninguém precisa compartilhar o ar viciado dos bastidores. Há um campo, livre e limpo, das ideias claras e distintas que pode nos devolver a respiração, ainda que curta. E se você é como eu, e resiste em aceitar que o milagre é possível, não será preciso ir muito longe. Estarmos aqui e agora não prova tudo, mas diz muito. Se somos apenas uma fração do ideal, é por isso mesmo que estamos ligeiramente adaptados ao mundo das imperfeições, e, quem sabe aptos à mutação benévola. Que seja em breve, ainda nossos dias!

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, desorganização do Estado, déspotas locais, estabilizante de humor, fração ideal, mutação, populismo, populismo baseado em nonsense

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/fracao-ideal/

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