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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Paulo Rosenbaum

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O último whats (blog Estadão)

17 quinta-feira dez 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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blog conto de noticia, cerco branco, conto de notícia, democracia, Estado Democrático de Direito, Estado policial, golpe, hegemonia e monopólio do poder, Help, o último whats, significado de justiça

O último whats

Paulo Rosenbaum

17 dezembro 2015 | 19:13

-Leia isso aqui!

-“Help?”

-Isso, “help!”.

-Chegou quando?

-Meia noite!

-Estranho!

-Quem enviou?

-Sem remetente, sem destinatário.

-Exato, mensagem na garrafa. Milhões receberam.

-A outra chegou um segundo antes!

-“Embargo geral?”

-Essa!

-Por que escreveriam isso?

– Ah, você não imagina?

– Não faço a mínima.

-Eu te listo mil motivos em um minuto.

– Então conta

– Perdemos critério, esvaziamos o bom senso, estamos governados pelo senso comum, a elite sustenta o poder, estamos sob censura, o crime varou a carne, o sistema tolheu as escolhas individuais. A divisão virou guerra. Os dossiês, armas. As discussões, torcidas organizadas. A judicialização, indevida. Carência de justiça devida. Segredos de Estado. Estado democrático sob cerco. Estado com espectro policial. Você ou qualquer um não pediria ajuda?

— Imploraria.

–Foi até discreto, mas assim? Ao cosmos? Para alguém alhures? Ele é um daqueles que ainda acredita no Céu?.

–E você, não?

(silencio intimidador)

– Não?

– Evoco a quinta emenda.

– Isso não vale nada por aqui. Lembra? Aliás, essa Constituinte aqui não sei não.

— Então te digo que no que não acredito: nessa política, na esquerda retrógrada, direita obtusa, centro acéfalo.

— Vejo que você não enxerga mesmo. Não percebeu os símbolos na linguagem? Impedimento, bloqueio, intervenção, sigilo de justiça, controle da mídia, restrição, liminares, prisão domiciliar oficial, arbítrio, mordaça. Ninguém precisa decretar “somos um governo tirânico”, é auto evidente. Se não acredita, faça seu próprio levantamento. Te digo que é por ai.

— Certo, mas o mistério persiste: quem digitou “help”?

– E quem não o faria? É help mesmo! Socorro, acudam, alguém faça qualquer coisa.

– Você está insinuando o que? Uma inteligência artificial? Capaz de perceber a bagunça e ainda gritar “socorro”?

– E por que não? Fenômeno raro, já registrado antes. Assim como existe uma inteligência individual de cada órgão, existe uma espécie de organização autonômica desconhecida, que age à nossa revelia. Só se manifesta em momentos críticos para a humanidade e poucas vezes abaixo do Equador. Transmissões radiofônicas sem origem, impulsos eletromagnéticos que são próximos e ao mesmo tempo não localizáveis, é como se a radiação cósmica de fundo tivesse uma voz, que as vezes até digita.

-Você tá de brincadeira!

– Não brinco com coisa séria!

(Voz celeste embargada: – Céus)

– Você ouviu, ou vai se fingir de surdo.?

-Ouvi, mas tinha acabado de pingar 3 gotas de Rivotril

(voz celeste grave : – I rest my case) (tradutor automático: Para mim, deu)

– Essa eu ouvi.

(ruídos de tremor de dentes)

– To te falando!

(voz celeste : – Fui)

– Olha aqui, o whats voltou.

– Milagre!

– Mas embargaram só no Brasil?

– Parece que sim.

– Arábia Saudita?

– Não. Isso é coisa muito nossa. Em nenhum outro lugar na Terra fariam isso.

– O que não entendo é por que uma Inteligência desse porte pediria nossa ajuda?

– Filho, era uma expressão: torrou, excedeu todos os limites, de saco cheio. Entendeu? Nem Ele aguentou!

– Mas não era brasileiro?

-Se naturalizou argentino, ontem.

-Então é mesmo o fim.

– O País acabou.

(chega uma mensagem de texto paga: – O País nem começou. PS- Podem me acordar se surgirem novidades. PS2- Por via das dúvidas, o novo passaporte é provisório)

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-ultimo-whats/

 

Tags: blog conto de noticia, Estado democrático, Estado policial, help, inteligência artificial, juízes e o juizo, mensagem na garrafa, milagre, o país acabou?, o último whats, socorro

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Um golpe chamado democracia(Blog Estadão)

13 domingo dez 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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blog conto de noticia, blog Estadão, democracia, golpe, Golpe chamado democracia, impeachment, Juízes, Manifestação 13 de dezembro, os abaixo da lei

Um golpe chamado democracia

Paulo Rosenbaum

12 dezembro 2015 | 17:11

 As regras do jogo vão ficando cada vez mais curiosas, e abstratas. O juízo pode não ser justo, a República se torna um partido, e os apoiadores do regime unidos aos  poucos intelectuais equivocados e a maior parte guarnecidos com subsídios federais, podem se dar ao luxo de abandonar toda critica. São dois mundos. O poder, separado da plateia. Como numa ópera intensa, o escândalo dos sopranos amordaça os ouvintes. O sonho dobra-se à calamidade. Normalmente, se você comete um deslize paga pelos erros. Se alguma vez tua musica desafinou, acontece, perderás audiência. Se tua carta é infantil o desgaste será inevitável. Paga-se multa por quitar a divida em atraso. E a inadimplência segue a mesma lógica. Ninguém pode ter a prerrogativa de justificar crimes pela lógica das circunstâncias. Sanções não são perseguições individuais, nem encrenca com a singularidade. Normas civilizam, e minimizam o inevitável desgoverno das complexas sociedades contemporâneas.

Todo juiz é, deveria ser, servo de uma consciência que não lhe pertence, não completamente. Ao nos desviar da educação e troca-la por slogans com as bênçãos do marketing político, sofremos com outros sintomas do atalho equivocado na economia que falece sem espernear. Que declina junto com empregos e renda. Trata-se de um asfixia brutal, ainda que não mecânica. O nem tão gradual declive é derivado de um erro crônico,  calculado mas nunca assumido.  Sem autocrítica, o mal feito continuado é encarado sem drama, como ponto pacifico de um sistema que passou a se considerar acima das leis por estar respaldado por votos.  Tudo isso já seria o bastante, mas há algo bem pior. O estrangulamento dos centros do saber, quando a educação foi sendo substituída por adestramento de militâncias. A decadência de editoras, leitores e, por fim, a agonia do livro são mais que simbólicas. O rebaixamento cultural é um embolo que ejeta a razão para nos inocular estagnação. É o melancólico final de um ciclo de experiências que nos empurravam para um novo e decrescente estatuto da cidadania.

Quem ainda presta atenção à realidade sabe que vivemos um “não é possível” todos os dias. Um apuro por dia com a marca perversa do desprezo pela opinião pública. O fato mais impressionante, dentre todos aos quais assistimos, é a persistência de uma dialética tosca, insuficiente, mal composta. As brigas, incêndios de escolas e vandalismo parlamentar são detalhes. Quem quer contestar a legitimidade de pedir o impedimento de quem foi eleito, precisa antes responder: como quem não foi eleito, mas nomeado por outro poder, pode ter o poder de julgar representantes votados? Foram essas alianças fracas que estornaram o saldo, para decretar um destino imprevisível.

Mas nem sempre destoamos desde o principio. Houve um breve interregno em que algum diálogo era plausível. Não mais. Os tensionamentos voaram para bem além das palavras.  A nova casta de beneficiários do regime são partidários do impasse. Não que as instituições não funcionem, elas só parecem ter perdido a memória de sua função: trazer conforto e segurança para a maioria. Vivemos numa não declarada sociedade de posicionamentos antecipados, onde o argumento anda valendo muito pouco.  Quando desceram ao protocolar para satisfazer o imediatismo de suas convicções desprezaram a democracia. Para quem obstaculiza a constituição, democracia é golpe. Ficamos solitários e sem ninguém. A solidão é um rastilho, o sem ninguém, a pólvora. Restou-nos o nosocomio no qual se transformou uma política coalhada de eleitos mas sem Estadistas.

Uma América ao sul continua retida. Um território que não se reconquista sem mudanças. Pode e deve haver mais de uma porta de emergência. No entanto, todas elas pedem destrancamento corajoso. Mesmo tendo receio de que este não é o caminho ideal, mesmo que os cientistas políticos oscilem, e que mesmo que grupos tentem sabota-lo, ele já é irreversível. É que a ameaça costuma redobrar a determinação. Quando um império desfavorável tenta colocar ferrolhos e liminares no fim do túnel, nós, os reféns da claustrofobia inventada intuímos: é agora ou nunca. Precisamos sair. E sair a pé. E aos milhões. Afinal, domingo parece ter sido feito para isso.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/um-golpe-chamado-democracia/

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Impedir e Reparar (blog Estadão)

04 sexta-feira dez 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Impedir e reparar

Paulo Rosenbaum

04 dezembro 2015 | 20:22

Impeach – Accuso, insimulo, positulo, flagite, arcesso, criminis accusatus, delatio, criminis insimulatio. (Latin Dictionary, Thomas Morell, London, 1821)

 

Qual paixão política terá nos impelido à divisão? Para bem além do ódio, uma polaridade de superfície. Disfarçada de debate. O embate inútil entre lados inconsistentes. Precisavam confessar o alívio mútuo pela média universal de má qualidade. Mesmo aqueles corações mudados de véspera: o narcisismo não costuma aceitar análises. Nem autocrítica. É urgente fabricar novíssimas sínteses esclarecedoras. Pois há um lago múltiplo à solta. Mergulhados na opressão, reféns do medo nas cidadelas de impunidade, ali nos escondemos da brutalidade. Venho para te contar: a poesia nega que sucumbirá, nem será ilhada para te dar prazer. Marchará às retinas. Imprimirá sua lã ativa. Imporá sua forma mítica. Espalhará sua tinta nômade pelos suportes, os efêmeros, os líquidos, os portáteis. Manchará todos os torniquetes com laços frouxos. Libertará sons sem voz. A abertura tem poder para comutar rituais em trajetórias. A impaciência mitigará a opressão. O nó será preciso, exímio, equânime. Andaremos, mesmo sem eles, apesar deles, contra eles. O adeus aos chantagistas é multilateral, a inabilidade ampla, a conivência permanente. Hoje, outro ciclo entrou para escapar do controle. Estudantes tem luz própria só quando recusam ser fantoches, enquanto a repressão costuma ricochetear a favor do escândalo. Os dois lados se borram e se anulam. E mesmo se, no ímpeto, repetirmos velhos erros, a esperança ficará invencível. A força, alerta. O presente, íntimo. Esqueçam os cínicos,  bloqueiem os estoicos, observem os pragmáticos. O pessimismo, será marca da prudência, um escudo para brindar. Nosso destino, apontado em oposição à leniência geral. Se a história se recusa um final, usemos seus efeitos. A democracia, que não é amorosa, exige máximos consensos e alguma tolerância. Demanda um tensionamento hermenêutico. Há exceções. Menos quando a carga já se excedeu. Quando a fúria hegemônica do partido se instalou contra todos. Quando a cultura do “vale qualquer coisa” minou a cultura do dialogo. Impedimento pois, é legítima resposta à muralha. Impedir é destituir, gravame, obrigação, inibitivo, profilático, fragoso, dissuasivo. Impedir é reparação de dano. Uma barreira à perpetuidade. É um não. Um atalho à escada intransponível. Resposta ao determinismo populista. Arco reflexo ao litígio entre representante e representado. Golpe? Só contra sintaxes atordoadas e mau uso do bem comum. Contra a existência sem vida e à estatização da cultura. Porém, nada de redenção, apologia, trunfo. Roga-se calma objeção à opressão. Inscrever a liberdade é ofício polifônico. Precisão na marcha. Firme reparação dos danos. A coragem precisa derrotar a ameaça. Quando renunciar é impossível, romper a inércia torna-se vital. Gerar saídas é dever. Mudar, a única coisa que realmente importa.

 

Tags: conto de notícia, crônica do impeachment, impeachment, impedir e reparar

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Expropriação do futuro (Blog Estadão)

29 domingo nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Fonte: Expropriação do futuro (Blog Estadão)

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Expropriação do futuro (Blog Estadão)

29 domingo nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Expropriação do futuro

Paulo Rosenbaum

28 novembro 2015 | 23:11

ExpropriaçãoXX

Enquanto o governo federal vive com os “nervos à flor da pele” um contrapensamento persiste: “e quanto a nós, o povo”?  Quando os golpes vem de todos os lados, quem consegue falar de outro assunto? O golpe não é mais aquele que perfura o osso, nem tramas urdidas nos bastidores, é o que nos disseca para descortinar a expropriação do futuro. A maioria dos eleitos destrata quem não pode se defender. Mas há um golpe maior, aquele que ameaça o direito à vida. Ao abandono da saúde pública segue-se o descaso com a segurança pública. Até quando o nociva seita do politicamente correto habilitará o protagonismo de minorias populistas? Submissos à irresponsabilidade o déficit mina a República. Ou alguém enxerga justiça quando a coação modula o mundo? Quando não há mais rigor em nada? Quando milhões estão em prisão domiciliar informal? Sim, precisamos admitir, fora a asfixia do bioma a céu aberto, temos estatísticas de uma tragédia de Paris por dia, 143 assassinatos a cada 24 horas. Descontada a acefalia do poder, há uma gravíssima distorção em curso. Decorrente dela, mas muito mais ampla daquela operada no campo político.  Se não é uma crise do capitalismo, (e não é) testemunhamos um espasmo das sociedades materialistas? Ao menos diagnosticaremos onde é que está o fracasso?  O descarte do valor das tradições, para quem devemos a construção da civilização ocidental ? Ou a falência é o resultado da resignação crônica? Qual foi o ardil que nos impeliu à descrença? Não há Supremo que nos devolva o que nos foi retirado, pois não é mais o País que está sendo roubado: estamos sendo subtraídos dele. Aqui, a ordem dos fatores altera a reflexão. O País policial é espelho de um território sem leis. O Estado totipotente afronta a cidadania. As instituições, por mais sólidas que aparentem, não tem o poder mágico de prescindir dos homens que as compõem. São portanto homens, sem rostos, sem máscaras, sem culto à personalidade, que poderiam fortalece-las. Se o presente é caos anunciado, refaçamos toda trajetória. Se queremos ir além do império dos juízes, se é essencial subjugar o senso comum, exige-se outra espécie de regeneração. Algum valor supra ideológico, republicano, sobretudo generoso, para nos alinhar com um outro futuro. Isso requer mais que impeachment, renuncia, ou reformas para obstar as mudanças climáticas: exigirá a transformação da ordem. Como o imponderável que regula o mundo, a novíssima resposta viria de onde menos se espera. De uma geração que articule outra perspectiva? De gente que entende o bem estar como prioridade máxima? De uma reinserção de valores para bem além do acúmulo de matéria? Uma novíssima pedagogia? Enquanto conservadores e progressistas se filmam num inacabável selfie, outra via deve nascer para consertar as coisas. Já que ninguém pode encomendar uma nova Renascença, nem decretar outra era humanista, poderíamos rezar juntos e correr o risco de ser atendidos.

Tags: expropriação do futuro, Mudanças climáticas, nova era humanista, Renascença

 

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Códigos de paz (blog Estadão)

27 sexta-feira nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Antonio Houaiss, Blog Estadão Rosenbaum, códigos da paz, Chomsky, conto de notícia, corrupção dos alfabetos, Hamas e Hezbollah, Isis, linguagem e terror, multisectarismo, Pulsão de morte, Stepha

Códigos de paz

Paulo Rosenbaum

20 novembro 2015 | 21:08

O que fazer quando se enfrenta um inimigo que rejeita a paz, porque sabe o que ela significa? Segundo Antonio Houaiss em seu “Sugestões para uma política da língua” de 1960, das 3.000 línguas que se falavam no planeta (sem contabilizar os dialetos), 2.800 estavam em crise de existência. No buffer literário estão representadas apenas quarenta destas línguas, e, somente pouco mais de vinte faladas por mais de dez milhões de indivíduos. Entre os complexos conscientes e inconscientes dos homens que regulam a busca pela deposição das armas ou a disposição bellatrix, estão os significados das palavras com suas cargas inatas. Então, como nos entenderemos?

 A paz é um ardil, álibi para moderar impulsos, um alimento que ninguém aceitou. O grande significado da paz, ainda ignoto, não pode ser compartilhado. Não é silencio, concórdia, tranquilidade, ou “ai dos vencidos”. O que a paz não traz, as bombas suprem. Para formar tréguas é preciso coexistir senão na língua, na linguagem. O multiculturalismo, que deveria significar distensão e convívio, transformou-se em multisectarismo. Depois de quase oito décadas distantes do fim da segunda guerra mundial, de Paris a Nairobi, de Beirute a Jerusalém, testemunhamos a corrupção dos alfabetos. Vale dizer, uma degeneração dos códigos. Numa corrosão que alcança a cultura, as redes eletrônicas multiplicaram dialetos e tribos. Os países estão inertes e imersos em seus próprios interesses. Os Estados já estão perguntando para seus habitantes: liberdade ou segurança? Muitas democracias, reféns do populismo (mesmo aquele involuntário pois, ao fim e ao cabo, o que vale é voto na urna) estão ficando paralisadas por contradições cada mais complexas.

 O gesso que agora imobiliza o continente europeu tem características especiais. O sonho da união vai se configurando pesadelo, pois é preciso bem mais do que liberdade alfandegária e de circulação para fundir princípios, como sugeriu Stephan Zweig em seu texto “Da unidade espiritual da Europa”. Há uma análise mais ousada do que a superficialidade das teorias conspiratórias de Chomsky: o terror pode estar sendo legitimado sob a manipulação política do medo. Os especialistas afirmam ainda que as comunas terroristas ocuparam o lugar de administrações ausentes — sob um modo operacional similar aos morros cariocas e outros bolsões de violência. Numa aparente contradição, enquanto jihadistas queimam infiéis e massacram civis, crianças ou adultos, ao mesmo tempo  subsidiam  tratamentos médicos caros para pessoas doentes e funcionam sob os auspícios das lideranças tribais, que, em troca, lhes dão sustentação moral e  esconderijo em suas casas e lugares públicos em caso de chuva de mísseis. Os grupos terroristas do Daesch ao Hezbollah, do Hamas ao Boko Haram, suprem lacunas do poder. Além disso, analogamente aos vendedores eletrônicos de fé, oferecem uma saída remunerada à transcendência. O ocidente prefere não constatar um outro gap psicológico óbvio: a crise de sentido das sociedades materialistas. A esquerda, por sua vez , desconsidera a “fome de significado” para atribuir toda responsabilidade à marginalização socioeconômica. O apelo pop dos terroristas é evidente. O falecido playboy belga jihadista, em sua Toyota top de linha, já avisava, sorrindo, que enquanto os outros fazem frete com mercadorias, eles arrastam infiéis. Não, não há nada de islâmico em trucidar para purificar. Mas chega ao limite da psicose a negação com que os líderes mundiais tentam ocultar o caráter jihadista que vem inspirando massacres. Incluindo modalidades “produção independente”, como o esfaqueamento de judeus em Israel e a epidemia de franco atiradores pelo mundo. Quando Umberto Eco teve a coragem de nomear o Isis como o “novo nazismo” uma parcela de progressistas pulou das cadeiras para acusar o escritor de parcialismo e reacionário.

  As democracias vem quebrando suas regras e princípios para obter, em troca, alguma governabilidade. Foi assim que o crime organizado se avizinhou do terrorismo para, enfim, aglutinarem-se num tandem bélico.  É óbvio que o Ocidente, mesmo ameaçado, não corre o risco que os escatologistas apregoam. Ainda que tempos obscuros estejam de volta, melhor aceita-los do que nega-los. Velhos inimigos precisam superar diferenças e voltar a aceitar que, com um inimigo comum à espreita, a união será inevitável. Assim como assumir que existem inimigos públicos da humanidade e impor-lhes algum código de paz, de preferência, que contenha tolerância e liberdade. Ninguém sairá sozinho dessa enrascada e nem mesmo há garantia de que um consenso provisório terá êxito. É sempre importante lembrar que a pulsão de morte que alimenta fanáticos costuma ter curso errático.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/linguagem-e-codigos-de-paz/

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Antonio Houaiss, Blog Estadão Rosenbaum, códigos da paz, Chomsky, conto de notícia, corrupção dos alfabetos, Hamas e Hezbollah, Isis, linguagem e terror, multisectarismo, Pulsão de morte, Stephan Zweig, terrorismo, Umberto Eco

Tags: Blog Estadão Rosenbaum, Chomsky, códigos da paz, conto de notícia, corrupção dos alfabetos, Hamas e Hezbollah, Isis, linguagem e terror,

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Códigos da paz (blog Estadão)

22 domingo nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa

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antonio Houaiss, blog estdão Rosenbaum, códigos da paz, Chomsky, conto de notícia, corrupção dos alfabetos, Hamas e Hezbollah, Isis, linguagem e terror, multisectarismo, Pulsão de morte, Stephan Zweig, terrorismo, Umberto Eco

Códigos de paz

Paulo Rosenbaum

20 novembro 2015 | 21:08

O que fazer quando se enfrenta um inimigo que rejeita a paz, porque sabe o que ela significa? Segundo Antonio Houaiss em seu “Sugestões para uma política da língua” de 1960, das 3.000 línguas que se falavam no planeta (sem contabilizar os dialetos), 2.800 estavam em crise de existência. No buffer literário estão representadas apenas quarenta destas línguas, e, somente pouco mais de vinte faladas por mais de dez milhões de indivíduos. Entre os complexos conscientes e inconscientes dos homens que regulam a busca pela deposição das armas ou a disposição bellatrix, estão os significados das palavras com suas cargas inatas. Então, como nos entenderemos?

A paz é um ardil, álibi para moderar impulsos, um alimento que ninguém aceitou. O grande significado da paz, ainda ignoto, não pode ser compartilhado. Não é silencio, concórdia, tranquilidade, ou “ai dos vencidos”. O que a paz não traz, as bombas suprem. Para formar tréguas é preciso coexistir senão na língua, na linguagem. O multiculturalismo, que deveria significar distensão e convívio, transformou-se em multisectarismo. Depois de quase oito décadas distantes do fim da segunda guerra mundial, de Paris a Nairobi, de Beirute a Jerusalém, testemunhamos a corrupção dos alfabetos. Vale dizer, uma degeneração dos códigos. Numa corrosão que alcança a cultura, as redes eletrônicas multiplicaram dialetos e tribos. Os países estão inertes e imersos em seus próprios interesses. Os Estados já estão perguntando para seus habitantes: liberdade ou segurança? Muitas democracias, reféns do populismo (mesmo aquele involuntário pois, ao fim e ao cabo, o que vale é voto na urna) estão ficando paralisadas por contradições cada mais complexas.

O gesso que agora imobiliza o continente europeu tem características especiais. O sonho da união vai se configurando pesadelo, pois é preciso bem mais do que liberdade alfandegária e de circulação para fundir princípios, como sugeriu Stephan Zweig em seu texto “Da unidade espiritual da Europa”. Há uma análise mais ousada do que a superficialidade das teorias conspiratórias de Chomsky: o terror pode estar sendo legitimado sob a manipulação política do medo. Os especialistas afirmam ainda que as comunas terroristas ocuparam o lugar de administrações ausentes — sob um modo operacional similar aos morros cariocas e outros bolsões de violência. Numa aparente contradição, enquanto jihadistas queimam infiéis e massacram civis, crianças ou adultos, ao mesmo tempo  subsidiam  tratamentos médicos caros para pessoas doentes e funcionam sob os auspícios das lideranças tribais, que, em troca, lhes dão sustentação moral e  esconderijo em suas casas e lugares públicos em caso de chuva de mísseis. Os grupos terroristas do Daesch ao Hezbollah, do Hamas ao Boko Haram, suprem lacunas do poder. Além disso, analogamente aos vendedores eletrônicos de fé, oferecem uma saída remunerada à transcendência. O ocidente prefere não constatar um outro gap psicológico óbvio: a crise de sentido das sociedades materialistas. A esquerda, por sua vez , desconsidera a “fome de significado” para atribuir toda responsabilidade à marginalização socioeconômica. O apelo pop dos terroristas é evidente. O falecido playboy belga jihadista, em sua Toyota top de linha, já avisava, sorrindo, que enquanto os outros fazem frete com mercadorias, eles arrastam infiéis. Não, não há nada de islâmico em trucidar para purificar. Mas chega ao limite da psicose a negação com que os líderes mundiais tentam ocultar o caráter jihadista que vem inspirando massacres. Incluindo modalidades “produção independente”, como o esfaqueamento de judeus em Israel e a epidemia de franco atiradores pelo mundo. Quando Umberto Eco teve a coragem de nomear o Isis como o “novo nazismo” uma parcela de progressistas pulou das cadeiras para acusar o escritor de parcialismo e reacionário.

As democracias vem quebrando suas regras e princípios para obter, em troca, alguma governabilidade. Foi assim que o crime organizado se avizinhou do terrorismo para, enfim, aglutinarem-se num tandem bélico.  É óbvio que o Ocidente, mesmo ameaçado, não corre o risco que os escatologistas apregoam. Ainda que tempos obscuros estejam de volta, melhor aceita-los do que nega-los. Velhos inimigos precisam superar diferenças e voltar a aceitar que, com um inimigo comum à espreita, a união será inevitável. Assim como assumir que existem inimigos públicos da humanidade e impor-lhes algum código de paz, de preferência, que contenha tolerância e liberdade. Ninguém saira sozinho dessa enrascada e nem mesmo há garantia de que um consenso provisório terá êxito. É sempre importante lembrar que a pulsão de morte que alimenta fanáticos costuma ter curso errático.

 

 

 

 

 

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/linguagem-e-codigos-de-paz/#

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Inautêntica Liberdade (Blog Estadão)

13 sexta-feira nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, desgaste moral, Inaut6entica Liberdade

Inautêntica liberdade

Paulo Rosenbaum

lenienciaXXXjpg

13 novembro 2015 | 10:36

Tudo voa e escoa, na leniência, no desgaste moral, na ousadia recolhida. A paz não é, nunca foi clemente. Quem suporta sacrifício, termina na resignação. Chora a compaixão para reboca-la ao céu. É a leniência, cobrando o preço sem parâmetro. Um coro fechou na frase “aceitaremos qualquer coisa”. Ainda obscuro, há algo entre a caretice e o revolucionário. Um hiato que ninguém decifra. Não é o medonho vazio que devemos temer. Nem a aspereza do sem sentido. É essa servilidade, a aceitação incondicional, a passividade mórbida. Eis os monstros insubjugáveis, indomáveis e aflitivos, que nos facultaram o abismo sem precedentes. De que outra forma explicar miríades de mortes evitáveis? Pode ser por lama, ciúmes, ou baionetas urbanas. Acidentes que não são causas naturais. Fatalidades são fatais para os desprotegidos. Nenhuma cartografia é espontânea. Alguém traçou estes mapas. Não é de agora, mas é que o hoje ofende mais. Degrada ao exagero. A política não responde mais aos chamados e a civilidade tem seus limites. Coincidem com os da cidadania vilipendiada. As ruas poderiam, contidos os desperdícios de convocações inúteis, mostrar que só de uma outra forma será possível. A sociedade se transformou, sob o imobilismo em suas formas de representação. E quem não tem medo dos motins? Das aventuras sem controle? Das marchas invasivas? Da violência em espasmos? Mas já não vivemos algo similar? O selvagem já não imprimiu seu ritmo? Quem ainda tolera a cronicidade dos enganos, desmandos e disfarces? Nunca o cinismo encontrou tanto respaldo. Tantas caras sérias, cantores e escritores fazendo estranhas concessões ao arbítrio. Não há mais vexame intelectual em capitular ao autoritarismo instrumental. A remuneração em medalhas. Num governo impensável, a ilegitimidade fermentou o fisiologismo extremo. A noite, ao modo da casa, esparramam seus soldadinhos pelo mundo. Como praga vitalícia, se repetem mundo adentro. Alguém precisa gritar chega. Não podemos mais nos entregar ao oficio da imolação. Ninguém mais implorará nada. Os desterrados estão, de novo, na mira dos covardes. Não aprendemos a lição e estamos levando um quinau. Na trilha das construções destrutivas assistimos o projeto embrionário do tirano. O ilídimo em triunfo. Se há esperança, ela não está acusar outros, mas reconhecer, estamos submetidos a um regime rente à exceção. Findo o espaço para concessões e com as instituições em seus limites operacionais. Nos caminhões ou sob o barro, nas caravanas ou nas casas, nos prédios e nos pátios, só uma chance para que a grande indignação não se esfole no vazio. Mudar o rumo. Parar tudo, até que o acordo leve em conta as vozes travadas pela engenhosa opressão. A mais ardilosa dentre todas, a inautêntica sensação de liberdade.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/inautentica-liberdade/#
Tags: Blog Estadão Rosenbaum, desgaste moral, engenhosa opressão, inautêntica liberdade, Leniência, passividade, sanha totalitária

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Retrocesso e Equivalência (Blog Estadão) #AgoraÉQueSãoElas

08 domingo nov 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Blog Estadão Rosenbaum, Retrocesso e Equivalência

Retrocesso e equivalência

Paulo Rosenbaum

08 novembro 2015 | 03:19

retrocessoIII

Mais uma tese arguida, e de novo, predomínio temático. A palavra mais usada na última semana? Retrocesso. Usada como troca de acusação. Troquem progresso por sucesso. Recesso por recuo. Mudem estampas. Mexam nas cores. Rosa e azul, turquesa ou branco. Uma confusão dessas só pode se estabelecer em terreno de ideias colonizadas. Mudamos para uma frequência abertamente iletrada. O antônimo de ideológico chama-se agora confrontação. O oposto de reflexão, contestação. Toda discussão sobre gênero, irrelevante. Manifestem-se ainda que tarde. Invadam sem dó. Vale abolir a autocensura. Divulgar o que der na tampa. Emitir plebiscitos unitários. Enaltecer o monologo. Trata-se da erotização do vale tudo. O grande juri de uma só pessoa. A glamorização da estupidez. O estilo? Sempre livre e direto. Para os cultores das opiniões formadas o que conta é deitar dedo no teclado. O que vale é soltar o verbo. Não ler a fundo, virou virtude. Ocupação formal, coisa para boçal. A arte, um toque decorativo. A cultura, luxo recreativo. Toda penalidade, e suas variações desagradáveis — sanções, prisões, restrições e moralizações — devem ser abolidas. Não há, nunca houve déficit fiscal, pedalada institucional ou acordo nacional. Um estoicismo de resultados foi fumado e bateu. Está levando todas. A regra vai ficando clara, não há regras. A corrupção, ofuscada pela maquiagem. A lei, golpismo disfarçado de justiça. A constituição, uma carta de intenções, mal redigida e sub digerida. Todo processo está sujeito ao avesso da interpretação. O contraditório depende da oratória. E as provas documentais são desatinos acidentais. Afinal, o que é retrocesso? Literalmente? Andar ao arrepio, tornar à vaca fria. Político? Aqui, agora. Analogicamente? Retrocesso é um borracha amnésica, que sempre volta para recusar a devida equivalência entre as pessoas.

Minha contribuição ao #AgoraÉQueSãoElas : um microconto de Lydia Davis extraído de seu “The collected Stories”, um trecho do mestrado de minha esposa, a psicóloga Silvia Fernanda Rosenbaum “Permanência e transformação: a paternidade”, além de uma poesia da estudante de design de moda, atriz e poeta Hanna Rosenbaum.

Insomnia by Lydia Davis

My body aches so —

it must be this heavy bed pressing up against me

*****

Silvia Fernanda Rosenbaum

Os símbolos culturalmente disponíveis, sendo com frequencia contraditórios, têm suas possibilidades metafóricas limitadas pelos conceitos normativos. Estes são prescritivos, afirmando o masculino e o feminino através de dogmas religiosos, educativos, científicos políticos ou jurídicos.

Se tais campos doutrinários podem ter sido – e o são – abertamente contestados, segundo Joan Scott a história posterior é escrita como se estas posições normativas fossem o produto do contexto social e não do conflito. A mitificar o presente – o novo pai — através de uma narrativa sobre um passado consensualmente retrógrado — o velho pai — a hierarquia de gênero atual é obnubilada, apagada, em certo sentido negada. A hierarquia de gênero é coisa do passado. Neste sentido é possível concordar com Lallemand, quando afirma sobre a puericultura francesa: tudo tem que mudar para que tudo fique igual.

*******

Hanna Rosenbaum

Mata que cresce nas artérias,

Tanta flor de cimento,

concreto e argamassa,

não quebra,

não desarma,

edifica mais muralha,

Cada andar uma ferida que seca,

cicatriza por fora,

derrete por dentro,

Barreiras sólidas,

Planejadas a tanto tempo,

E o desejo eterno,

De que um dia,

Algum trator arrebente

*****

Tags: #agoraequesaoelas, Blog Estadão Rosenbaum, definição de retrocesso, genero, Hanna Rosenbaum, Lydia Davis, pedalada fiscal, Permanência transformação: a paternidade, Retrocesso, retrocesso e equivalência, Silvia Fernanda Rosenbaum

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/retrocesso-e-equivalencia/

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Só as ruas esvaziam palácios (blog Estadão)

30 sexta-feira out 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Só as ruas esvaziam palácios

Paulo Rosenbaum

30 outubro 2015 | 10:11

RUAS_PALACIOS

A política, depois de percorrer um abismo sobrenatural, desceu ao inacreditável. É com ele que devemos nos acostumar. É um momento no qual toda análise escapa à objetividade. A leitura do quadro atual, saturada, alcançou um lugar comum: tudo é insuportavelmente igual e a contaminação indistinta. Todas as visões confluem à superfície. Principiante ou veterano, tanto faz, qualquer um que se debruce sobre a atmosfera do Brasil atual não consegue ir além dos relatos descritivos, ou das narrativas ideológicas maquiadas de investigação jornalística. E não se pode simplesmente condená-los. É preciso compreender que um quadro assim pediria um outro sistema de notação. Trata-se de um método ainda não inventado. Pois o panorama não é o de um caos comum. Experimentamos uma estranha falta de esperança. Aquela que extingue toda perspectiva, mas que subsiste em nossos corações e mentes. Apesar de toda pancadaria, sobra algum fragmento de credulidade. De que outro modo explicar a naturalidade com que aceitamos a situação depois de tudo que testemunhamos? Estaríamos anestesiados com a intensidade do implausível? A franca espoliação do País nos legou à desvitalização. De colapso em colapso, assistimos a desorganização. Anomia para a qual ninguém apontou solução. Temos que considerar com seriedade a hipótese de que pode não haver uma. As raras respostas se concentraram na saída da crise. E como sair de uma crise construída, que não pode ser alcançada sem a conivência de toda a sociedade? Só que reduzir o dolo a um passivo exclusivo do “outro”, nos coloca sob custódia de um juízo que ninguém domina. Viramos reféns da intolerancia e do maniqueísmo. E, principalmente, sofremos nas mãos de quem domina a ciência do marketing político. A regra do jogo foi erguida, vitalícia, para que ao marchar em falso, migremos sem sair do lugar. Uma educação foi forjada para obter gerações amorfas. Incapazes de sair sem incendiar algum patrimônio. Adestrados para avançar contra inimigos, sempre ao sabor da indicação de alvos pré selecionados. Ninguém por aqui carrega cartazes: “Nossa fome é de renda” nem “Onde está a infraestrutura?” Há muito tempo o sentimentalismo e a paixão se tornaram o padrão para as adesões políticas. A racionalidade,  a análise e a decência são para os que ainda aceitam o contrato social. Esse vale só para o mundo externo. O poder abusa. Usa o belo discurso para gerar uma lógica auto-referente. O resultado desta didática empírica é cunhar uma única moeda, uma única linguagem, num único objetivo: acumular matéria e prover todos os meios para obtê-la. Nas margens dos palácios dos três poderes, e, dentro deles, vigora a lógica do time, da corporação, do alinhamento automático. É bem mais do que um simples Cor X San, Fla-Flu ou Gre-Nal. Estamos submetidos a um regime de fidelidade mórbida. Ou seja, não importa o que aconteça com o País, não interessa a performance, tampouco a eficácia. E nem venha falar de ética. Por favor, não exiba os vídeos que certificam os crimes. Prefiro não ver. São montagens. É a sua interpretação dos fatos. Sua câmera tem lentes compradas. Isso mesmo, são pagas para distorcer a realidade. A realidade? Sou o único com a prerrogativa para classifica-la. Não estamos em Cuba ou Caracas. Estamos num lugar bem mais perigoso: no hiato despersonalizador. Onde oposição e situação combinaram um revezamento baseado na irresponsabilidade. A República é hoje um desmanche suburbano. Onde o poder emana do povo e será exercido à sua revelia. O Estado se virou contra a cidadania. O bom selvagem, convocado desde o Instituto, desceu das arvores para se vingar das elites, enquanto a burguesia arrependida ensaia seu último carnaval de rua. Quem apoia a violência como método, corta a própria carne para defender o opressor. E faz parte desse malabarismo ocultar os nomes impressos nos passaportes. Mágicos  suprapartidários e transnacionais. A adesão acrítica pode ser analisada pelo prisma da ausência de horizonte. Afinal, a inércia também é uma escolha, senão a principal. Na letargia, endossamos a paralisia. Só as ruas esvaziam palácios, porque, as vezes, a única forma de se libertar da insanidade é a convulsão.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/so-as-ruas-esvaziam-palacios/#

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