• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

A ressurreição dos livros físicos.

12 domingo dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Os livros e sua imprevisível autonomia .

Acompanho e sinto a velocidade com que os livros se espalham e a web tem um papel único na história deste objeto de pouco mais de meio milênio, desde que foi concebido nesta tipologia.

Mas há algo errado!

Não pode ser tão simples substituir uma coisa por outra sem gerar enorme dano. Deve haver alguma sequela que provavelmente ainda não estamos enxergando, e ela aparecerá, cedo ou tarde. Pode ser uma espécie de equivalente da sensação de membro fantasma que a ausência acarreta para quem sofreu uma amputação.  Pode ser a abstinência de um fetiche que está incoporado à cultura. Ou ainda o desaparecimento pura e simples de um objeto de transição.

Minha tendência é sempre estimular o que vai contra o hegemônico, não por ranços ideológicos, mas pode estar certo que, pelo menos historicamente, a justiça está com a minoria. Neste caso, a defesa do livro “de carne e osso” pode provocar gargalhadas nos fãs de e-books (e não que não ache incrível e até adoraria ver o “Verdade Lançada ao Solo” também em edição eletrônica) mas mesmo assim pressinto que a  “morte do livro físico”  terá que ser adiada.

é só um desejo. Mas, como prova a história, as vezes, um desejo multiplicado, simultâneo ou replicado pode mudar uma tendência. Nada a ver com os moldes do motto da última campanha presidencial norte-americana.

Minha argumentação é consistente e — para usar uma palavra terrível — sustentável: há muito papel reclicado e há excesso de produção de computadores no mundo.

Se houver as duas opções na livraria ou no site, opte pelo livro físico: ele estará lá, mesmo depois que todas as luzes se apagarem.

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O arremesso.

10 sexta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 6 Comentários

O livro foi lançado ontem e foi uma festa muito concorrida. Desenhei muito com a ajuda da Iael e acho que todos ficaram felizes. É sempre bom estar em livrarias. Os livros têm um apelo pela mera presença.  São objetos com muita energia e, as vezes, ariscos. Mas olhando para as estantes ali — enquanto assinava e desenhava nos exemplares —  cheias, sem buracos, vi uma biblioteca, uma biblioteca artificial. E então cai num delírio que reparto com voces:

Livros são como objetos a espera de quem os escolha. Se os livros tivessem vida objetiva como se comportariam? Saltariam  e escolheriam leitores. Recusariam outros? Vi um ator em uma novela jogar alguns volumes numa mesa da livraria depois de retira-los da mão da outra atriz. Não acho que a cena foi escrita assim, foi decupada assim. Por que? Porque imagino que o ator estivesse confortável e familiarizado com maus tratos aos impressos.

Voltei a minha digressão mestra: o que define a consistência de um livro? Ele como objeto gráfico? A  editora que o patrocina? O autor e sua rede de inserções? O que está escrito? Talvez uma mistura desses elementos. “Mas isso é completamente insatisfatório” disse para mim mesmo. O livro pode ser consistente e não estar, publicado, o autor pode ser amplas inserções, um tremendo network e ser insuficiente como redator, o que está escrito — supondo que esteja bem escrito  — pode não ser de interesse  de muitas pessoas. Maiorias se interessam pelas mesmas coisas.

Assim a consistencia poderia ser guiada para um outro caminho. Foi o que fiz.

Testando outra hipótese, esqueçamos consistência: o livro deve ser de fácil leitura. Esperem! Caímos em um problema pior. Nem sempre a  literatura pode, ou deve, ser fácil. Pelo contrário. Muitas vezes é a leitura que cobra mais exigência aquela que pode trazer mais impacto. Mas é impacto que os autores buscam?  De novo: um livro não pode ser bom só porque é de árdua leitura. Pode ser, frequentemente é, um disfarçe para a improbidade literária. Numa tese ficaria bem (mesmo assim por vários motivos acho que teses deveriam ser redigidas como ficções). Pode ser uma fórmula para conversar com os leitores do futuro que, esses sim, entenderão o gênio incompreendido. Esqueçam.

Um bom livro não é bom a não ser quando escapa de todas as especulações e adquire vida experimental nas mãos e olhos do leitor.

— Livros, escolham bem seus eleitos.

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Promoção do livro no Twitter

09 quinta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Hoje, no dia do lançamento do livro, a Editora Record sorteará três exemplares do “A verdade lançada ao solo” no Twitter. Para concorrer, basta seguir @Record_Promo

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A verdade está lançada!

09 quinta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 9 Comentários

Hoje a noite teremos — estão todos convidados — o lançamento do meu livro “A Verdade lançada ao solo”.

Como autor sinto enorme alegria em compartilhar com todos o que redigi nos últimos 5 anos. Os rascunhos (no caso não morreram, porque temeroso com o que filósofos têm alertado sobre a “morte dos rascunhos” na era digital, guardei todos) estão aqui comigo e nos próximos posts vou tentar enumerar e mostrar as várias etapas de elaboração.

Todo autor é, essencialmente, pretencioso, nem todos são narcisistas. Esta máxima está inteiramente lastreada nas evidências. A começar, pela ousadia de escrever qualquer coisa num mundo de inflação literária. Há dezenas de milhões de blogs no mundo e, talvez, se considerarmos proporcionalidades demográficas, nunca se escreveu tanto na história.

Mas qual é o valor das coisas?

Confesso que já senti o tom preconceituoso em alguns quando o escritor declara que não esteve sempre dedicado à atividade literária. Pode-se tentar compreender. Isso faz todo sentido num mundo “expertocrata” onde o que vale são as especialidades. Mas, com orgulho, me recuso ser reduzido à “expert”. 

Além disso, no meu caso, isso nem é uma afirmação que caiba; fui poeta desde os 18 anos de idade, publiquei meu primeiro livro aos 21 e, desde então, nunca parei.  Tenho escrito para as mais diversas mídias. Poesias, livros de medicina, epistemologia da saúde, teses, contos, pequenos ensaios e agora, numa espécie de idade em que se está mais disposto que nunca a seguir Bergson para “inverter o trabalho habitual do pensamento”, escrevo romances. No plural, porque isso vicia. E o contágio, forte e irreverssível, já me fez ir caminhando para um outro.

A seguir : etapas da criação.

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O livro está dividido em três partes, qual delas voce considera mais importante?

08 quarta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

É uma pergunta que me ronda. O livro é um todo e todas as partes dialogam muito umas com as outras. A primeira parte — que se passa num período do século XIX e durante um final de semana — pode fazer parecer ao leitor que o livro está relacionado exclusivamente à filosofia e aos problemas judaicos de Tisla (a aldeia por onde o livro se desenrola) e Varsóvia. O rabino filósofo Zult Talb não é apenas uma pessoa com palavras controversas, ele é um símbolo de uma era de crise espiritual: as dúvidas com que a ciência, a ilustração e a tecnologia vieram ameaçar o conforto dos crentes. E é sob a força dessa representação, que ele vai,  precisa reagir. Na verdade, este é apenas o ponto de partida do livro. A segunda parte (talvez alguns devessem até começar por ela) muda completamente o registro. Os problemas que pareciam focados e girando sob um eixo central se expandem drasticamente. Início do século XXI e Yan e Sibelius, respectivamente médico e paciente, ambos em crise, um na medicina outro na vida acadêmica, resolvem subir uma montanha nos Alpes. Alguém deu a dica que o forte degelo das montanhas tornaria o caminho livre e desempedido para novatos. Rapidamente descobrem que quando se trata de neve e montanhas nada é tão simples assim. Será que só em condições extremas pode-se conhecer bem as pessoas? Até onde iriam para sobreviver? A civilidade resistirá? De qualquer forma, nestas condições, e sob a proximidade da morte, os segredos aparecem com muito mais facilidade. As personalidades estão nuas e precisam estar expostas, questão de sobrevivência. Aí aparecem os problemas da ética, da política (Sibelius narra em detalhes sua vivência militante) e Yan é forçado a encarar quem ele é. Na terceira parte, narrada em flahsbacks, o outro paciente, Antiocus Apsev, vem trazer a mensagem que enfim pode desmontar Yan. Uma vida toda polida pelo ceticismo, pela secularidade convicta desmontada em horas. E paradoxalmente a mensagem — em forma e conteúdo — é a resposta que qualquer um de nós quer ter sobre as perguntas sem respostas. Mortos falam?

Voltando à pergunta: fica difícil dizer qual dos três fragmentos é o mais importante. Não há nada como “importante” em trechos de livros porque ele tem, ou deveria ter, integralidade de bloco. Poderia até ser forçado a dizer qual mais gosto, mas não direi. O que garanto é que trabalhei muito em todos eles, colocando enorme energia para escrever o final.

Pode surpreender.

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Há uma dedicatória aos justos e injustiçados. Pode nos dizer o que significa?

07 terça-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 2 Comentários

 O termo justo é muito caro à hermenêutica judaica, é um conceito delicado e, tão central, que na literatura sapiencial da tradição (o Talmud) diz-se que “o justo é o fundamento do mundo”. Isso significa que a santidade se identifica ao justo. Ele vai além dos conceitos de “ética” e tem a ver com a analogia e a etimologia entre as palavras tzedaká (cujo conceito mais aproximado seria caridade) e tzadik (justo). O justo é generoso não porque necessariamente é um altruísta, nem por ser este um conceito central na tradição, mas porque fazer justiça é parte constitutiva da generosidade, da solidariedade, da fraternidade. Ser justo é um dos objetivos da existência. Ele revela mais, exige mais, certifica mais do que  quaisquer outros atributos virtuosos. Assim dedicar o livro aos justos pareceu uma pequena homenagem em mérito dessa aspiração. Aos injustiçados pelo contraste; porque sim há injustiçados no mundo todo, agora, aqui e em centenas de países. Injustiçados políticos, injustiçados pela sociedade. O injustiçado é um sujeito que está aos poucos sendo apagado, trata-se de um esquecido. Só a justiça o resgataria.  Apenas que simplesmente não seria justo só homenagear um dos lados. Só há injustiçados porque faltam justos no mundo. Os injustiçados são aqueles a quem são negadas condições básicas, entre as quais, a mais cara entre todas: a liberdade. Eles não devem nem podem ficar sem ter quem os lembre. Eu tentei.

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Release do lançamento

06 segunda-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Romance de Paulo Rosenbaum aborda transcendência, política e religião

 Em prosa cheia de imagens originais o escritor lança seu primeiro romance, que aplica judaísmo e filosofia a fatos históricos

Quem criou o criador? Assim, instigando o leitor, começa o livro “A verdade lançada ao solo”, de Paulo Rosenbaum. O livro marca a estreia do médico na ficção, um romance de cunho ensaístico conduzido em três tempos, que parte da tradição judaica para questionar o lugar do homem na Terra.

Em 1856, na aldeia judaica de Tisla, no interior da Polônia, Zult Talb é um rabino com dons proféticos. Ele é o ponto de partida de um itinerário que divaga pelo tempo e corre o mundo: Brasil, Alpes suíços, cidades mediterrâneas e Europa oriental.

Com perspicácia e elegância, Rosenbaum oferece ao leitor uma visão construtiva em uma época em que se decretou a morte de todas as crenças. Elos inusitados e potentes metáforas desequilibram o leitor num enredo denso, que mistura drama, aventura, religião e política.

Editado pela Record, o livro será lançado no dia 9 de dezembro, na MegaStore Saraiva do Shopping Pátio Higienópolis.

Serviço

Lançamento do livro “A verdade lançada ao solo”

Data: 9 de dezembro, quinta-feira

Local: MegaStore Saraiva / Shopping Pátio Higienópolis

Horário: 19h

Endereço: Avenida Higienópolis, 674

Sobre o autor

Paulo Rosenbaum é médico, doutor em ciências pela USP, poeta e escritor. Roteirista e produtor de documentários, atuou como editor de revistas científicas no campo da saúde. Também é pesquisador na área de clínica médica, semiologia clínica, relação médico-paciente, prevenção e promoção da saúde e pesquisa de medicamentos. Com mais de dez livros publicados nas áreas de medicina e poesia, “A verdade lançada ao solo” é seu primeiro romance.

 Mais Informações à imprensa| FSB Comunicações – 11 3165.9596

  Carolina Stefanini                         Daniela Villas Bôas

 11 3165.9690                                        11 3165.9703     

carolina.stefanini@fsb.com.br            daniela.villasboas@fsb.com.br

______________________________________________________________

Editora Record – Assessoria de imprensa 

tel.: (021) 2585 2047 – fax: (021) 2585 2082

Gabriela Máximo (gabrielamaximo@record.com.br) – Adriana Fidalgo (fidalgo@record.com.br) – Carol Zappa (carol.zappa@record.com.br) – imprensa@record.com.br

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Para que servem blogs?

05 domingo dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Alguém ainda pergunta por que escritores escrevem?

Eu não sei, mas o óbvio não é, não costuma ser verdade. As vezes uma palavra vêm, flutuando. Muito interessada ela acaba se instalando como ideia. E ai alguém, neste caso eu, precisa usá-la. É como uma necessidade de faze-la tornar-se viável. Ele nunca se torna pois se perde, mas esta perdição não é fortuita, ela compõe uma outra coisa.

E se ninguém lê?

Não escrevemos para ser lidos. Eu sei que é doloroso e eu mesmo duvido disso, mas parece ser, no mínimo, uma verosimilitude. Uma verdade psicológica, uma mentira para exportação: precisamos de leitores mas não o fazemos por eles. Quando me sinto pressionado para escrever simplesmente preciso fazer isso, não é acaso, é necessidade. Há várias modalidades de texto e poderia tentar falar sobre cada um deles. Alguém lerá?

Livros tem finalidades?

Muitas. Nenhuma específica. Preciso dizer que as vezes pensava no livro (vicio acadêmico) como uma tese, que testa a hipótese a ser comprovada. Mas um romance é diferente. Muito. Completamente outra coisa. Um romance te domina. E precisa ser assim. Escritores que se isolam não fazem isso para se concentrar melhor. Precisam disso para não enlouquecer os demais com suas metáforas obsedantes que pulam das linhas para nos pressionar. Aqui é real, não se trata de um enigma existencial: a criatura se volta contra o criador. Os personagens passam a exigir coisas, e suas demandas ficam cada vez mais tirânicas, hostis. Para o bem do esclarecimento: esta beligerância não existe em nome de uma coerência temática ou programática: ela se impõe! 

E quanto as modificações? Alguém se moverá após ler?

A literatura não se propõe a ser um instrumento de modificação de nada, nem ninguém. Entretanto, toda experiência muda as relações: entre sujeito e coisas, entre coisas e ideias, entre ideias e comunidades. Uma experiência literária pode, se é que deve, funcionar ao modo de um experimento, forçando o leitor ao esforço de diálogo com o texto. Frequentemente contra o texto. As vezes o leitor é um crítico, as vezes adepto e muitas vezes, a maioria, não se vincula ao fluxo narrativo do escritor. Há algo insanável ali. Não se pode fazer nada, ambos — escritor e leitor —  beiram a impotência pois precisam se conformar com o estatuto de stand-by, de imoblidade, de falencia de uma relação. A culpa? Se há culpa só pode ser do encontro: prematuro, ou assimétrico ou inconsistente.  Ainda bem que nem sempre é assim.

Livros e objetos.

Muitas vezes embarcamos na forma e no ritmo com que o autor nos convida, e é assim que as vezes é uma surpresa. Foi por casos assim que os livros tornaram-se objetos tão poderosos. E não importa o que acontecera com sua forma (eu os prefiro assim e compartilho da sentença de José Mindlin de que não valeria a pena  viver sem livros de carne e osso). Assim, a leitura também é uma experiencia  que faz confluir vários sentidos em um só. No fundo todo livro — com as devidas pedidas licença à Tristan Tzara — é livro-objeto. Todo livro acaba por se construir na tridimensionalidade que ocupa e com a qual nós nos aproximamos deles nas pranchas das livrarias ou nos sites.    

O perfil do Sagrado

Da condição de judeu vejo avançar todas as tendências seculares. O horizonte é de uma fragmentação forte, num rumo que parece se orientar para a secessão. O choque não é exatamente entre civilizações, está acontecendo entre vizinhos.

E o sagrado?

Sem querer analisar com a finalidade de estabelecer diagnósticos a pergunta, a única que faz sentido aqui é esta mesmo: e o sagrado? O que aconteceu com o sagrado? De “celebremos o homem” ao “o importante é cumprir regras” a pergunta sonora e incomoda fica pendente porque faz sentido. O ceticismo arrumou uma capa simpática a muitos: estreitar os laços com a ciência. Mas a ciência não pode ser, ideológica, se formos usar apena uma palavra. Pode aliás, mas não deve ser movida por ela. Isso não significa nada. Ainda assim ela têm sido abusivamente usada assim, ideologicamente. Ainda que nos elementos mais rudimentares de sua configuração ela deveria sofrer de uma neutralidade, quase ingenua, que a colocasse como uma fazedora de perguntas — a maioria estraga-prazeres — que levariam a função de questionamento às raias da insanidade.

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03 sexta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Capa ! Ou eu me entusiasmo a toa?

A verdade_ Capa aberta

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Lançamento do livro “Verdade Lançada ao Solo” dia 09/12, 19 hs. Saraiva do Shopping Higienópolis.

03 sexta-feira dez 2010

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A verdade_ Capa aberta (1) Um pouco da história do livro A “Verdade lançada ao Solo”  publicado pela Record é …

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Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

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