O termo justo é muito caro à hermenêutica judaica, é um conceito delicado e, tão central, que na literatura sapiencial da tradição (o Talmud) diz-se que “o justo é o fundamento do mundo”. Isso significa que a santidade se identifica ao justo. Ele vai além dos conceitos de “ética” e tem a ver com a analogia e a etimologia entre as palavras tzedaká (cujo conceito mais aproximado seria caridade) e tzadik (justo). O justo é generoso não porque necessariamente é um altruísta, nem por ser este um conceito central na tradição, mas porque fazer justiça é parte constitutiva da generosidade, da solidariedade, da fraternidade. Ser justo é um dos objetivos da existência. Ele revela mais, exige mais, certifica mais do que  quaisquer outros atributos virtuosos. Assim dedicar o livro aos justos pareceu uma pequena homenagem em mérito dessa aspiração. Aos injustiçados pelo contraste; porque sim há injustiçados no mundo todo, agora, aqui e em centenas de países. Injustiçados políticos, injustiçados pela sociedade. O injustiçado é um sujeito que está aos poucos sendo apagado, trata-se de um esquecido. Só a justiça o resgataria.  Apenas que simplesmente não seria justo só homenagear um dos lados. Só há injustiçados porque faltam justos no mundo. Os injustiçados são aqueles a quem são negadas condições básicas, entre as quais, a mais cara entre todas: a liberdade. Eles não devem nem podem ficar sem ter quem os lembre. Eu tentei.