Os livros e sua imprevisível autonomia .

Acompanho e sinto a velocidade com que os livros se espalham e a web tem um papel único na história deste objeto de pouco mais de meio milênio, desde que foi concebido nesta tipologia.

Mas há algo errado!

Não pode ser tão simples substituir uma coisa por outra sem gerar enorme dano. Deve haver alguma sequela que provavelmente ainda não estamos enxergando, e ela aparecerá, cedo ou tarde. Pode ser uma espécie de equivalente da sensação de membro fantasma que a ausência acarreta para quem sofreu uma amputação.  Pode ser a abstinência de um fetiche que está incoporado à cultura. Ou ainda o desaparecimento pura e simples de um objeto de transição.

Minha tendência é sempre estimular o que vai contra o hegemônico, não por ranços ideológicos, mas pode estar certo que, pelo menos historicamente, a justiça está com a minoria. Neste caso, a defesa do livro “de carne e osso” pode provocar gargalhadas nos fãs de e-books (e não que não ache incrível e até adoraria ver o “Verdade Lançada ao Solo” também em edição eletrônica) mas mesmo assim pressinto que a  “morte do livro físico”  terá que ser adiada.

é só um desejo. Mas, como prova a história, as vezes, um desejo multiplicado, simultâneo ou replicado pode mudar uma tendência. Nada a ver com os moldes do motto da última campanha presidencial norte-americana.

Minha argumentação é consistente e — para usar uma palavra terrível — sustentável: há muito papel reclicado e há excesso de produção de computadores no mundo.

Se houver as duas opções na livraria ou no site, opte pelo livro físico: ele estará lá, mesmo depois que todas as luzes se apagarem.