• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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O ano que não enxergamos (blog Estadão)

01 quinta-feira jan 2015

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

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alegrias imotivadas, felicidade indistinta, o ano que não enxergamos

 oanoquenãoenxergamos

01 janeiro 2015 | 00:42

Vida é clarão,

tempo não é excedente,

a passagem, ida permanente.

Frente à inércia, felicidade indistinta

alegrias imotivadas, navegação na desrazão.

Nas chantagens do poder,

A nostalgia não tem futuro,

E sob a curadoria do hoje,

só o instante é eminente.

A força do mundo é o agora

só por isso, a luta se sustenta,

a suavidade deixa de ser luxo,

para forjar o tempo,

no desejável extravio do momento.

Tags: ciclos de tempo, mudança de ano, o ano que não enxergamos

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-ano-que-nao-enxergamos/

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Árvores (blog Estadão)

29 segunda-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

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Adão, Amazônia, árvores, bioma, Boissier de Sauvages, conluio de raízes, conspiração vegetal, Lineu, Science magazine

emaranhado4

Nada nem ninguém me convence de que não está em curso um movimento oculto, silencioso, ardiloso, e, em franca expansão. Encontra apoio e expressão nos subsolos das grandes cidades. Aos olhos do senso comum, qualquer epidemia suicida é inapreensível. Um conluio de raízes então, inconcebível. E nenhuma delas era a árvore do conhecimento original.

Dados publicados na revista Science em 2013 estimam que só a Amazônia ainda contenha 390 bilhões delas (http://www.sciencemag.org/content/342/6156/1243092.abstract?sid=f7b609f7-5f22-4e50-9aac-0d332efae19b). Porém estes organismos representam não só a origem do saber no desafio do Adão voluntarioso, como seus frutos já renderam poesia, literatura e arte. Para além do caule da madeira, árvores foram usadas como modelos por cientistas. A partir delas, Lineu e Boissier de Sauvages, classificaram plantas e doenças, respectivamente. Genealogia, organogramas e complexos esquemas de decisão também se inspiraram nelas.

Eis que um dos símbolos da vida, vai agora sendo escoado à uma razão sem sentido, do descuido ao desmatamento. Está no ar. Desde então o clima entre nós e elas vem mudando. Podem confessar, já não é mais mesma coisa. Perto de uma delas, andando ou dirigindo, suspeitas, medo, algum pânico. Não foi só porque ainda ontem uma delas tirou a vida do ocupante de um táxi. Nem pela floresta de 300 troncos arrancados das ruas e parques por tempestades instantâneas. Também não se trata de atribuir características mágicas, exaltar poderes anímicos dos vegetais, nem de repetir a irritante mania dos documentaristas de antropomorfizar a natureza. É normal que qualquer onda de paixão – amorosa ou destrutiva – nos empurre à perplexidade. Mas, quando se trata da última causa remanescente decente, a preservação do bioma, a auto imolação coletiva destes seres com 2 ou mais séculos, comovem muito mais.

As árvores conspiram de noite, e ninguém pode confirmar se a auto imolação é crise de melancolia ou um movimento contra a racionalização da estupidez.

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Impresso (blog Estadão)

26 sexta-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

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11 dimensões, arte contemporânea, ataque ao limite bidimensional, blog conto de noticia, coacervado, impresso, impressora 4D, nanocordas

Impresso Impresso Paulo Rosenbaum 24 dezembro 2014 | 19:52

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Coincidencia ou não acordei pensando que nunca me acostumei com algumas idissincrasias da arte contemporânea. O ataque às telas concebido por artistas dos anos 60 queria desconstruir a bidimensionalidade nas artes. Hoje, sentado em frente à novíssima impressora, segui as instruções do manual. Tentei decodificar sensações, escrevi uma série de notas curtas. Inspirado na teoria de que vivemos não em três dimensões, mas em meio às nanocordas, segundo os físicos dispersas em onze dimensões. Decidi incluir aspectos da personalidade, fragmentos da memória, e milhares de imagens armazenadas. E, em meio a falta de um ruído cósmico de fundo, usei o monumental som da chuva. Registrei num único arquivo e mandei. Não era jato de tinta, laserjet, plotter nem 3D. Uma impressora 4D de última geração acabara de chegar. Presente inusitado, para que exatamente serviria aparato tão avançado para quem não é artista nem tem um comércio de variedades? Telefonei para agradecer ao doador e ouvi que estava “distribuindo para pessoas curiosas”. Escolhi a neutralidade para ouvir sua síntese: – Desenhe e introduza tudo que puder, misture bem e vamos ver o que sai. Prepare-se. Sem a menor paciência para mistérios já contabilizava como fracassada a experiencia do liquidificador digital metabolizando aquele coacervado subjetivo. Era só mais uma falsa promessa política da tecnologia redentora. Mesmo assim fiz. Coletei dados, misturei e joguei para o buffer. Imediatamente a impressora encrencou. Despluguei-a da corrente elétrica, mas a máquina parecia seguir seu curso de trabalho. Adormeci na mesa, e, as vezes, acordava com a emissão de um soluço. Atestar um fenômeno não é justifica-lo ou compreende-lo: acordei e o que vi pôs à prova meu ceticismo. Havia uma peça acabada. O objeto vibrava brilhante e vivo do lado de fora, na bandeja onde a máquina despejou sua confecção. Levantei abalado. O narcisismo não ofereceu resistencia à réplica e ajoelhei para examinar a peça. Eu estava impresso.

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Impresso (Blog Estadão)

25 quinta-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O Viés (blog Estadão)

19 sexta-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

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ideologia e armadilha, O Viés, sistemas de notação

O viés

Paulo Rosenbaum

19 dezembro 2014 | 11:10

perspectiveXX

Em algum momento pode ter sido um recurso instrumental ímpar. Fui seu defensor intransigente. Militei a seu lado. Pesquisei para refazer os caminhos da compreensão que ela inspirava. Uma das conquistas da racionalidade contra as tentações obscurantistas. Mas, a hora chega para todos. É preciso admitir a derrota. Pode ser o único final possível quando o tudo truncado vai prevalecendo sobre a liberdade. Chega de ideologias! As análises, tomadas pelo fervor da convicção, política, religiosa, antirreligiosa, ética, estética e histórica são contagiosas. Texto e o contexto sofrem, esmagados pela pena prévia que descarregará na tinta da impressora. Ficamos sujeitos a acreditar em premissas da convicção alheia, sem que ao menos, tenham sido devidamente explicitadas.

Consideram a análise de alguém que – não importando o cenário real — avaliza todas as ações governamentais. Aquela que considera apenas contingencial, e, talvez, até mesmo justificável, que a partir da colonização partidária do Estado algum progresso tenha sido gerado. Vale também, ainda que menos, para quem não admite um pingo de valor nesta administração federal. Algum pingo há.

A análise ideológica, confundida com sistema de notação, submetida e gerada a partir destas convicções mereceria, em nome das boas normas acadêmicas, algum tipo de reserva editorial. Sugere-se “parte envolvida”, “conflito de interesse” ou apenas “cometi o voto crítico”. O problema ultrapassou a política, escapou para todas as praças. Na bolsa de ideias, a objetividade foi sequestrada pelo voluntarismo partisão. A crítica virou instrumento político. A análise morre quando não se pode sustentar a crítica sem sofrer a classificação padrão, aquela que cabe no refrão da desqualificação.

É verdade, partimos de um ponto, mas a análise profissional do ideólogo não parece ter conseguido, como pediu André Gide, esquecer de todos os livros (de preferência, depois de lidos). Foi substituída pela carta de intenção: só se finca o pé onde outros já pisaram. Pode ser mais fácil, mas exatamente por isso, ceifa a originalidade, essencial na leitura do mundo. As ideologias têm levado à escravidão de filiação política, bibliográfica, de nicho e de público alvo. O viés, no lugar de evitar a cumplicidade com quem mata pela causa ou com quem mata para bloquear a causa, impulsiona o crime intelectual: endosso da opressão.

Já que a análise contemporânea desceu a isso, voltar-se aos textos e recuperar a síntese pode ser — na mordacidade de Schopenhauer — uma forma de protestar contra tantas perucas autorais.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-vies/

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Cordas tensas (blog Estadão)

13 sábado dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Na Mídia

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cordas tensas

Cordas tensas

Paulo Rosenbaum

13 dezembro 2014 | 22:15

desliguem

Alguém há de apagar a luz do Universo? A matéria escura pode já fazer isso. Mas o fim de tudo, o afastamento elástico das galáxias, a escatologia universal, o bumerangue que entortará o cosmos, talvez esteja a uma distância ainda indisponível. Enxergamos estrelas inexistentes e não alcançamos as que acabam de nascer. Já aqui, no nosso estreito varejo, a velocidade das informações mudou o curso de quase tudo. Nem capitalismo, nem democracia ou qualquer outro regime poderão ser os mesmos com os Wi-Fis acionados. O tempo real com o qual as informações circulavam pelo mundo nos abandonaram a uma dinâmica totalmente desconhecida. Estamos no rastro de mudanças, pressentidas, mas pouco analisáveis. As informações, unidades que constroem nossas opiniões, estão na flutuação de um espaço sem dono. Isso significa multidões de donos, avalanches de terras de ninguém.

Com a fuga veloz das notícias e versões, a verdade opera sob o registro da mais alta relatividade. Do leitor ao analista, do pesquisador ao consumidor, do funcionário ao proprietário fica-se sempre a espera da comprovação cabal, aquela que nunca vem. O que é bom? O que é real? Quem corrompe e quem está omitindo o que todos querem saber? Quem divulga meias verdades?

Neste interregno complexo, o boato pode soprar em velocidade de tufão e qualquer apuração será varrida pelos fatos. Construídos ou reais. A realidade passa a não poder ser mais verificável. Cortina de ferro ou de fumaça, o que o Estado está fazendo do Estado?  Sistemática, dogmática, resoluta e doutrinaria, a violação da República transformou-se em programa de governo. Diante disso, o que significa a ação penal, aquela mensalidade aos parlamentares, quando a lógica do esquema passa a ser uma inimaginável estratégia com inserções multinacionais?

Qual País admitiria inerme, prostrado e cabisbaixo tamanha malversação de recursos? Quando a cegueira sufragista passa e a convicção da causa perdura, não há mais cúmplices, há coautoria. Há quem reclame de quem denuncie, mas a organização criminosa e as aulas de crime, deixam de ser instantaneamente metáforas quando batem às portas.  E para bem além do óleo, que arrastou a economia ao mal humor, uma crise na cultura. Que agora força sua baixíssima criatividade em clima de ideologia aplicada. Renasce a arte subsidiada a serviço da política, do cinema, do engajamento partidário. O poder, que obteve a soldo, a neutralidade tácita das academias, do legislativo e dos demais poderes, agora encampa os artistas e suas produções.

Como se tudo que importasse para nossas vidas estivesse retido num templo que não deveria mais nos interessar. A escatologia universal terá que esperar sua vez até que dissipemos essa nuvem sem graça, que não sai de cima nem chove. Por enquanto, só cordas tensas e trovões esparsos!

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/cordas-tensas/

Tags: cordas esticadas, escatologia universal, Estado usando o Estado, estratégia do Poder, matéria escura, tempo real e democracia, triunfo da malversação

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Vaga Abundância (Blog Estadão)

05 sexta-feira dez 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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fiscalão, Vaga abundância

Vaga Abundância

Paulo Rosenbaum

04 dezembro 2014 | 14:54

quorum

Uma parlamentar alega ter sido ofendida durante os protestos na votação do parlamento. Aparentemente “vai para Cuba” e “vagabunda” são ruídos bem distintos. Ir para Cuba sugere passeio na ilha, temporada em plutocracia monopartidária, veraneio perto de Miami, ou retiro espiritual sob regime opressor. Não se pode caracteriza-los como cacófatos oficiais, como “vou-me já”, outras uniões silábicas e infinidades de neologismos aleatórios. Pois Renan, amigos e camaradas não levaram na esportiva e anteontem à noite, usaram a escusa da gravíssima ofensa para emudecer quem estava lá para discordar.

“Esvaziem-se as galerias”

Foi quando enforcaram a senhora de 75 anos e ameaçaram outros tantos com descargas elétricas. Ações enaltecidas por aliados da repressão nas sessões de ontem, quando, mais um aumentativo depreciativo entrou para os anais do País. O fiscalão é mais um episódio do abuso de poder contra o povo, sob os auspícios da traição remunerada de representantes do legislativo. Tudo isso para que? A especialidade desta administração: melar as regras do jogo para anistiar o mal feito.

 Mas o que significa exatamente vagabunda? Mulher sem caráter? De vida impura, dissoluta? Mundana desempregada? Ou só indolência discriminada? Não será vagabunda uma ingênua corruptela para “vaga abundância”, como aquela que permitiu que nobres parlamentares concedessem aval para calote fiscal? Nesse caso, não seria o caso de já emendar uma anistia ampla, geral e irrestrita para as dividas dos nacionais? Ou a isonomia vai permanecer figura de linguagem, golpe eleitoral que todos nós já conhecemos?

 “Vai para Cuba” ou “vagabunda”, tanto faz, era só a sonoridade da discordância com a manipulação, o rugido que a impotente oposição abafa com inércia sob a imposição de um mandato que governa sem legitimidade.

Enquanto isso, nós, inertes, vagamos em escassez.

–

Tags: fiscalão, inércia política, vaga abundância, votação do superavit primário

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Sobras de uma era (blog Estadão)

30 domingo nov 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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filosofia marxista, hegemonia e monopólio do poder, manobras da mídia, manobras do partido, Marx, Paul Ricoeur, sobras de uma era

Sobras de uma era

Paulo Rosenbaum

29 novembro 2014 | 21:03

racionalizacaomaracutaiaXX

O pleonasmo “sabiam ou não?” está no ar. E é assim que as manchetes ocultam os escândalos no lugar de coloca-los com a devida relevância. A perplexidade é artificial. Como assim “sabiam de tudo” se foram mentores de toda a coisa. Mas, e aqueles que, sem serem propriamente políticos, deram o aval teórico-intelectual para, usando o status quo, destrui-lo. Portanto, o que está jorrando das plataformas, não é, nunca foi um acaso, trata-se de um plano “working in progress“.  Como nenhuma tese se sustenta isoladamente, é necessário espremer o senso comum para extrair uma gota de contexto real.

Pois um grupo de cabeças pertencentes à mesma matriz acadêmica daquela que defendeu e justificou, da tribuna da Câmara Federal, o massacre da praça da paz celestial em Pequim. Da mesma estirpe que afirmara que os ataques as torres gêmeas eram a justa resposta do talibã ao imperialismo ianque. Da mesmíssima doutrina repetitiva e monotônica que recentemente publicou em jornais e blogs subsidiados que as acusações das corruptelas comandadas pelo partido eram manobras da mídia. A estratégia, bem sucedida até aqui, tem feito colar a tarja na boca dos discordantes. Tanto faz o impresso que vai na mordaça:  direita, burguesia, classe média reacionária, forças conservadoras, críticos fraudulentos, ideologias derrotadas e até mesmo a esquerda cooptada pelo capital.

Mas, o que é mais espantoso e perturbador é que ninguém conseguiu abordar com objetividade o papel silencioso-ativo destes núcleos intelectuais.  Que o silencio não nos engane. Estas forças dominam o pensamento nas universidades. Deram e continuam dando sustentação a esta vasta rede de relações de poder, também conhecida como lulopetismo. Na academia de tribos auto referentes jamais compreenderam a sutileza do filósofo Paul Ricoeur que, em nome da liberação da análise de qualquer hegemonia, solicitava “cruzar Marx, sem segui-lo, nem combate-lo”

 Agora, rompendo um silêncio que passou pelo negacionismo do mensalão, silencio seletivo frente aos escândalos, fracasso da economia do primeiro mandato de Dilma, a risível política externa alinhada com ditaduras, o recrudescimento da pobreza e sob o império da corrupção, um grupo, mais constrangido que verdadeiramente incomodado, lançou um manifesto pedindo coerência entre as propostas de campanha e as ações do executivo.

Durante a guerra fria CIA e KGB subsidiaram escritores e intelectuais para produzir as melhores e mais inspiradas versões de qual seria o regime político ideal e demonizar o adversário. No Brasil de nossos dias o subsidio é mais eclético e patrocina tanto os amigos como compadres ideológicos. Desloca uma tinta preta para quem faz propaganda do governo. A bolsa intelectual chega de várias formas, mas a mais engenhosa foi ter formado um time de pensamento hegemônico, clube onde só entra quem pensa igualzinho. É sob esta diversidade padrão que se respaldam, atribuem-se o que há de mais revolucionário em matéria de pensamento e ainda encontram tempo para difamar os desafetos.

Pois foi isso que sobrou de uma era, uma era em que essa gente era conhecida como “intelligentsia“.

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Devoradores de sentido (blog Estadão)

19 quarta-feira nov 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa

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devoradores de sentido\, Freud, Montaigne

As vezes, é chegada a hora de admitir: temos que abandonar a busca de saídas. É que saídas são onerosas. Saídas são desgastantes. Já tivemos a quota de saídas heroicas, missionárias, messiânicas e totalizantes. Nada imobiliza mais do que tudo ou nada. Isso porque é mais provável que uma quimera anteceda uma solução. A democracia, assim como outros conceitos sofisticados apresenta couro grosso com telhado de cristal. Uma exigência mínima é que um governo assuma o ônus de governar. Sem isso, vivemos a corte grotesca com aval para desgostos. Há tanto para menear a cabeça e recusar que talvez nem seja mais o caso de acusar ou acumular ressentimentos.

Se é impossível colocar o senso comum no pódio é mais difícil que a filosofia dos neuroexperts deem conta da complexidade. Ela desconcerta. Vibra em cadeia. Bate na testa. Comanda um exército de erros de previsões. Desbanca os oráculos. Quebra a banca. Muda o tempo e desorienta para nos humilhar com suas inconstâncias e extravagâncias. O mundo tem menos guerras? Mata menos? A civilização avança? Para alivio de Freud o ancião mal estar na cultura, vem sendo, enfim, superado? Engraçado. Não é a sensação. As estatísticas precisam ouvir mais o sentido que os números. Da violência sectária do Oriente Médio, às incursões separatistas na Europa, dos flagelos contra a natureza às demandas crescentes de consumo, ficamos devendo. Eis que legiões de intelectuais validam o inescrupuloso. Estudantes de medicina, mimetizam, eles também, o exato oposto do cuidado. E o anti-cuidado não é só não cuidar, mas abuso, retrocesso, tortura e discurso justificacionista como técnicas de domínio.

Não faz sentido. Somos devedores de sentido. Nos tornamos devoradores de sentido. Não alcançamos mais sentido nos pequenos sentidos diários. Desprezamos um Montaigne por dia negando o seu “não te basta viver?”. Abominamos um Camus por semana, pois, de fato, o que significa ser feliz em meio à infelicidade coletiva? E quem no mundo de hoje autoriza digressões? Podemos nos dar ao luxo? Destas e de outras reflexões? Quando se percebe como cresce o húmus: totalitarismos, extremismos e califados. Nossas lágrimas são ladrões da dor. Vermelhas de intolerância. De rubras, foram às cinzas. Estamos, sem tirar nem por, no viés do mundo. Num interregno das passagens. Suspensos, não temos mais eixos e desandamos.

Agora nem se pode despejar mais nada nas costas das contradições do capitalismo. Trata-se de algo bem mais ordinário, em sua mais binária acepção. A esperança remanescente está na jactância do comum, no refluxo à vida privada, no calor de uma pequena infinitesimalidade de medida pessoal. Olhar e ver. Emprestar vozes. Somar pingos à tempestade. E ousar ser. Contra todas as revogações em contrário. Intensificar a ousadia quando te dizem que é perigoso. Quando a maioria já se rendeu. Manifestar-se quando todos já murcharam em suas rotinas. Esqueça quem só procura. Quem acha é quem tem a presunção do acerto, da vida não fracassada e da participação justa. E a honra de ter encontrado o que nunca imaginaria? Ninguém pode pedir que esqueçamos do mal feito, a crueldade, os perversos, e a violência ruidosa, mas vale recomendar: que não sejam tomados como a medida de todas as coisas. Aliás, de coisa nenhuma. Em desuso, a paz é o único ingrediente que neutraliza todos os outros.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/devoradores-de-sentido/

Tags: Albert Camus, democracia e telhado de cristal, devoradores de sentido, Freud, Montaigne

Paulo Rosenbaum
rosenbau@usp.br

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Interditada (blog Estadão)

15 sábado nov 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa

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Censura, controle da mídia, Controle dos jornais, poesia

 

Interditada

Paulo Rosenbaum

14 novembro 2014 | 12:49

vozvozXX

    Tua voz,

não será auditada

Tua voz,

sem vez

Tua voz,

sem voto,

Tua voz,

 ouvida adiante

Tua voz,

junto ao ruído do cometa,

Tua voz,

não mais te pertence

Tua voz,

que era a nossa

Tua voz,

tão calada

Tua voz,

que pedia liberdade,

acaba de ser interditada.

Tags: censura, controle da mídia, Controle dos jornais, poesia

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