• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos de Categoria: Artigos

Terra Papagallis (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Comentários desativados em Terra Papagallis (Estadão)

Terra Papagallis

Paulo Rosenbaum

21 maio 2015 | 00:58

Pappagallis

Em 1522 um explorador português fez, involuntariamente, uma bizarra nomeação para designar a região que mais tarde conheceríamos como Brasil. O mapa, também conhecido como “mapa do almirante” conservou um elemento premonitório. Bem no centro do registro cartográfico — que apresentava apenas um esboço da região norte  –  estava grafado, “Terra papagallis” ou “Terra dos papagaios”. Mais do que a referencia de um naturalista consciencioso ou de um biólogo medieval, apresentava-se ali um aspecto antecipatório da identidade do País.

Desculpando-me previamente com a família Psittacidae e sua extraordinária capacidade para repetir palavras escutadas. Graças ao órgão fonador análogo às cordas vocais humanas, capacidade de memorizar e desejo de comunicação, estas aves são capazes de reproduzir sons, palavras e, no caso do papagaio de Churchill, discursos e slogans. Estamos retornando às origens da terra dos papagaios. Todos os dias, temos que lidar com cópia de opiniões. Poderia ser só imitar as espetaculares qualidades daqueles pássaros. Mas é muito pior. Impressiona a quantidade de tagarelices, boatos, comentários, opiniões e postagens inúteis e inconsistentes que circulam através dessas janelas digitais.

O que mais chama a atenção em meio à infinidade de absurdos e toneladas de pixels é a veracidade hostil com que muitos apresentam as papagaiadas. Isso é, com certeza absoluta discorrem de “elite branca racista” ao “bolivarianismo continental”, do “complô da imprensa golpista” ao “golpe militar já”, dos “exércitos paralelos” aos “banhos de sangue”, sem esquecer da propaganda contra minorias regionais ou vetar como tabu conservador qualquer discussão sobre a mudança da lei para a idade penal. Em assuntos internacionais o viés é ainda mais perturbador “O Isis, criação dos EUA”, “O 11 de setembro, armação da CIA”, “Israel aplica o apartheid“, e generalizações afins complementam o antiamericanismo associada à incansável militância antissemita.

Evidentemente, extrapolações e fofocas em ritmo viral não são monopólio de direita ou da esquerda. Há até aqueles que vivem disso profissionalmente. As versões circulam soltas, sem gravidade e impunes, apensas ao espaço sem autor definido, na base do pseudônimo, do perfil falso, da malandragem que pode ser incógnita ou assinada, subsidiada ou não. Nas últimas eleições, por exemplo, o governo contou com a ajuda destes instrumentos para ajudar na desconstrução dos outros candidatos.

Muitos, sem entender das áreas que pretendem dissertar, conduzem narrativas de ódio pueril e contagioso, elevando ainda mais a conta da intolerancia, cujo saldo devedor vai aparecendo nas ruas e deve mostrar a fatura no próximos extratos eleitorais. Campeões supremos desses abusos de opinião ainda são os representantes do governo federal. O interminável número de malversação do vernáculo entre ministros de Estado, notas desastrosas, gaguejos, desmentidos e meias verdades servem como demonstrações empíricas.

As viralizações de conteúdos peculiares também podem ser tomadas como outra evidência das reproduções impensadas. Trata-se de uma descuidada substituição de nossas vozes. Ao copiar e colar. Ao passar adiante. Ao compartilhar, sem reflexão ou inspeção do conteúdo, emprestamos nosso discurso. Alugamos nossa opinião sem fiador e, as vezes, emitimos voto favorável para quem rechaçamos. Difamação, calúnia e desconstrução estão ao alcance de qualquer um. Um mal entendido postado não causaria nada sem a legião anônima de compartilhadores.  Sob essa escolta hostil, com a justiça tarda e falha, uma mera opinião pode custar a carreira, a família e, eventualmente, a vida.

Há uma espécie de ecolalia institucional que faz as pessoas repetirem em ritmo automático o que outras dizem. Não se trata somente de não ir checar as fontes, o que já seria bem problemático, mas de assumir para si e promulgar as conclusões de outrem. É a reificação do formador de opinião, agora sem resistência autocritica. É o reino do marketing puro. A oposição aliada, que escolheu a relativização absoluta, também não fica muito atrás. Neste caso, pode ser só um efeito nonsense colateral.

Dito de outro modo, é um contexto que asfixia o pensamento. Esse não é só uma forma lenta de assassinar o diálogo. É a rota mais curta para que a democracia pareça uma ideia inviável e a sociologia da ignorância ou um aventureiro qualquer, reassuma o comando do País.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/terra-papagallis/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Terra Papagallis (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Terra Papagallis

Paulo Rosenbaum

21 maio 2015 | 00:58

Pappagallis

Em 1522 um explorador português fez, involuntariamente, uma bizarra nomeação para designar a região que mais tarde conheceríamos como Brasil. O mapa, também conhecido como “mapa do almirante” conservou um elemento premonitório. Bem no centro do registro cartográfico — que apresentava apenas um esboço da região norte  –  estava grafado, “Terra papagallis” ou “Terra dos papagaios”. Mais do que a referencia de um naturalista consciencioso ou de um biólogo medieval, apresentava-se ali um aspecto antecipatório da identidade do País.

Desculpando-me previamente com a família Psittacidae e sua extraordinária capacidade para repetir palavras escutadas. Graças ao órgão fonador análogo às cordas vocais humanas, capacidade de memorizar e desejo de comunicação, estas aves são capazes de reproduzir sons, palavras e, no caso do papagaio de Churchill, discursos e slogans. Estamos retornando às origens da terra dos papagaios. Todos os dias, temos que lidar com cópia de opiniões. Poderia ser só imitar as espetaculares qualidades daqueles pássaros. Mas é muito pior. Impressiona a quantidade de tagarelices, boatos, comentários, opiniões e postagens inúteis e inconsistentes que circulam através dessas janelas digitais.

O que mais chama a atenção em meio à infinidade de absurdos e toneladas de pixels é a veracidade hostil com que muitos apresentam as papagaiadas. Isso é, com certeza absoluta discorrem de “elite branca racista” ao “bolivarianismo continental”, do “complô da imprensa golpista” ao “golpe militar já”, dos “exércitos paralelos” aos “banhos de sangue”, sem esquecer da propaganda contra minorias regionais ou vetar como tabu conservador qualquer discussão sobre a mudança da lei para a idade penal. Em assuntos internacionais o viés é ainda mais perturbador “O Isis, criação dos EUA”, “O 11 de setembro, armação da CIA”, “Israel aplica o apartheid“, e generalizações afins complementam o antiamericanismo associada à incansável militância antissemita.

Evidentemente, extrapolações e fofocas em ritmo viral não são monopólio de direita ou da esquerda. Há até aqueles que vivem disso profissionalmente. As versões circulam soltas, sem gravidade e impunes, apensas ao espaço sem autor definido, na base do pseudônimo, do perfil falso, da malandragem que pode ser incógnita ou assinada, subsidiada ou não. Nas últimas eleições, por exemplo, o governo contou com a ajuda destes instrumentos para ajudar na desconstrução dos outros candidatos.

Muitos, sem entender das áreas que pretendem dissertar, conduzem narrativas de ódio pueril e contagioso, elevando ainda mais a conta da intolerancia, cujo saldo devedor vai aparecendo nas ruas e deve mostrar a fatura no próximos extratos eleitorais. Campeões supremos desses abusos de opinião ainda são os representantes do governo federal. O interminável número de malversação do vernáculo entre ministros de Estado, notas desastrosas, gaguejos, desmentidos e meias verdades servem como demonstrações empíricas.

As viralizações de conteúdos peculiares também podem ser tomadas como outra evidência das reproduções impensadas. Trata-se de uma descuidada substituição de nossas vozes. Ao copiar e colar. Ao passar adiante. Ao compartilhar, sem reflexão ou inspeção do conteúdo, emprestamos nosso discurso. Alugamos nossa opinião sem fiador e, as vezes, emitimos voto favorável para quem rechaçamos. Difamação, calúnia e desconstrução estão ao alcance de qualquer um. Um mal entendido postado não causaria nada sem a legião anônima de compartilhadores.  Sob essa escolta hostil, com a justiça tarda e falha, uma mera opinião pode custar a carreira, a família e, eventualmente, a vida.

Há uma espécie de ecolalia institucional que faz as pessoas repetirem em ritmo automático o que outras dizem. Não se trata somente de não ir checar as fontes, o que já seria bem problemático, mas de assumir para si e promulgar as conclusões de outrem. É a reificação do formador de opinião, agora sem resistência autocritica. É o reino do marketing puro. A oposição aliada, que escolheu a relativização absoluta, também não fica muito atrás. Neste caso, pode ser só um efeito nonsense colateral.

Dito de outro modo, é um contexto que asfixia o pensamento. Esse não é só uma forma lenta de assassinar o diálogo. É a rota mais curta para que a democracia pareça uma ideia inviável e a sociologia da ignorância ou um aventureiro qualquer, reassuma o comando do País.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/terra-papagallis/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Inadmissível (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Inadmissível

Paulo Rosenbaum

22 maio 2015 | 14:44

inadmissível.XXXXpng

Assim que largou a lâmina, o criminoso transformou-se em vitima do sistema e em seu auxilio, vieram os defensores da inocência presumida de réu confesso. Sabe qual é a primeira acepção de vítima no dicionário? Um objeto ou ser vivo destruído ou sacrificado por uma causa ou um objetivo. Mas o conceito de vitima está sendo desmontado pela interpretação ideológica. Logo, parte significativa da mídia escolheu reproduzir frases de um parente compreensivo. Este lamentou pela vítima secundária mas entendeu as motivações da vítima primária.

Agradeço sua entrevista, ela elucidará muito o panorama.

Como assim isso é novo para mim? Não soube? Acabam de conceber, é oficial: no nosso País temos só vítimas, as primárias e as secundárias. Sobraram alguns crimes, mas o grosso não é mais isso. Todo mundo hoje é uma vitima. Aproveitando a ocasião o Sr. poderia explicar o que quis dizer com ” isso é  inadmissível?”

O que ninguém pode aceitar? Perfeito. Permite adiantar para o Sr? Ontem, encontrei um dicionário subjetivo e queria muito submete-lo à sua apreciação. Pode ser? O senhor não tem tempo? Posso ler. É só mesmo um verbete, o ” inadmissível” . Já está na mão. Mais tarde não. Não deu para perceber? O tempo está esgotado. Acho que o senhor não compreendeu bem. Não é meu tempo ou o seu, não há mais tempo para ninguém. Onde o encontrei? Isso importa?  Por que o senhor está correndo? Não tem problema, vou caminhando do seu lado. Não se preocupe, sempre consegui ler andando. Já que o senhor não está parando começo aqui mesmo:

– Inadmissível: podem ser facas inimputáveis. Equivalência moral entre criminoso e vítima. Estado omisso. Segurança entregue à sorte. Desprezo sistemático pela sociedade. Indignação forjada. Educação postergada Alianças de ocasião. Perdão à revelia da criatura imolada. Concorda? Mas como, se ainda nem comecei? Veja só o que acaba de dizer. Em meios aos atenuantes, vítimas continuam vítimas. A injustiça social é explicação ou desculpa? Vale para a Lagoa e Alemão, Copacabana e Galeão? O senhor não acha que  o vale vida não deve conhecer latitude, longitude nem vicissitude? Tem gente que não é responsável pelos próprios atos? Então, por favor, explique qual é a idade da moral? Tudo bem, vamos então mudar para ética. Que seja. Por acaso o senhor ouviu o que estão dizendo por ai? Eu sei, eu sei, é tanta coisa para escutar que é melhor ficar surdo. Mas tive a paciência de gravar para que vossa excelência ouvisse.

“Sob injustiça não pode haver paz, logo, vale tudo”

Espantoso não? Não estou insinuando nada, a fita é muito clara. O senhor e seus aliados estão deixando a coisa andar? Eu entendi, claro que entendi. É para deixar todos em igualdade de condições. Socializar a desigualdade. E como é que as coisas se ajeitarão? Não é bem assim? Então explique, sou todo ouvidos. Será na coletiva? Ah, na palestra de doutor honoris causa. E qual o título da vossa aula magistral excelência?

“A medida certa para que o Estado não sucumba nem ao capitalismo selvagem nem ao populismo de ocasião?”

Quero estar lá.  E logo depois, para onde vai a comitiva? Inauguração de fábrica chinesa de rojões? Qual será o tema do discurso? Meio batido. Ouvir o que ela tem a dizer sobre o “Pátria educadora”? Não vai dar.  O senhor está me convidando? Cadeira VIP para a imprensa? Quanta honra, mas justo nessa tarde terei compromisso. Mas isso é muita indiscrição excelência. É meio delicado, mas para o senhor posso contar. Tenho agendada uma audiência no tribunal de pequenas causas. Não, nada sério. É que resolvi processar o Estado. Não, nada disso. Não sou um desses querelantes malucos. A causa é mais do que justa. Promete guardar segredo? Não, não estou brincando. O processo está tramitando há anos. O juiz foi ameaçado, testemunhas precisaram ser escoltadas, e o senhor não imagina quantas vezes tivemos que adiar o julgamento. Agora será em local secreto. A causa? Estou pleiteando o direito de permanecer vivo.

 http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/inadmissivel-2/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

O Estado a sério – Trem para 1 (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

O Estado a sério (1) – Trem para um

Paulo Rosenbaum

18 junho 2016 | 19:50

 

Cônscios de tudo que um Estado não deve ser, este blog iniciará uma série de micro crônicas sobre o relacionamento

que um Estado levado a sério deve conservar com cada cidadão. 

“Uma companhia de trens japonesa resolveu preservar aberta a estação de Kami-Shirataki, localizada em Hokkaido.

A curiosidade é que a estação funciona apenas para uma pessoa: a adolescente Kana Harada.”

Extraído da tradução do Daily Mail pelo Jornal Ciência (matéria de Merelyn Cerqueira)

Mais de 25 anos depois Kana voltou à plataforma abandonada, estacionada no mesmo lugar, e a apresentou para as duas filhas adolescentes.

— Viram? Era bem aqui! E era um dia como hoje. O trem chegando fazia a neve jorrar para todos os lados. Eu sempre me acomodada no vagão do meio.

— Mãe, arriscou entusiasmada a mais nova. Um trem só para você?

— É verdade, lembram? Saiu no jornal. Sonho sempre com isso.

— Uma rainha, completou a mais velha, parece história de um livro.

— Eu também pensava isso. Achava egoísmo que ele viesse aqui só para mim. Sentia que eu não merecia aquilo.

— Não merecia? Estranhou Yoko, a mais velha.

— Durante um tempo. Mas que meu pai, seu avô, me explicou uma coisa que nunca esqueci.

— Mãe, você está chorando?

— Lacrimejando, só lacrimejando querida.

— O que o vovô explicou?

— Que não devia me sentir culpada, era exatamente assim que deveria ser.

— Mãe? As duas se voltaram curiosas. O que mais o vovô disse?

— Disse que todos deveriam saber disso, mas ninguém conseguia perceber.

— Saber o que? As meninas estavam curiosas e sob o frio, exalavam o hálito quente de neblina.

— Que essa preocupação é a verdadeira natureza de um Estado. Que o governo é sério quando se preocupa com o bem estar de cada um.

E é esse exemplo que serve para que continuemos a cuidar uns dos outros. Um lado e outro, as coisas se complementam.

As meninas e a mãe se abraçam, agora também lacrimejam.

PS- (agradeço a Carmen Monteiro que postou o artigo)

Tags: Cuidado, Estado a sério, Estado e sujeito, Trem para um

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-estado-a-serio-1-trem-para-um/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Ainda gravaremos teu nome (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Ainda gravaremos teu nome

Paulo Rosenbaum

22 abril 2016 | 12:58


Eu ouvi, mas admito, é possível que você não. O que ouço? Uma música nunca executada. Uma sequência de notas, sons instáveis, sem modulação. O melódico que não bloqueia, a voz que vêm pela raiz. Muda o destino. Emociona sem dó. Ninguém ainda soube explica-la. Não sendo conquistável. Não se deixando apreender. Não sendo reconhecível, teria aparência indescritível. Alguém já disse “a força de todos os homens e a leveza de nenhum”. Dizem que não ela pode ser reduzida, deduzida ou intuída. Para ela, não há relato único, nem simples. Autocrática, obedece apenas à própria experiência. Não se submete a ninguém a não ser ao próprio sujeito. Não expira. Não hesita. Não se dobra. Nunca pode ser compartilhada. Inquieta, a joia é arisca. Notável quando perdida, desvalorizada quando presente. Quem oprime, nunca a vislumbra. Não pode ser comprada, cooptada ou negociada. Afinal, não eram ricos contra pobres, minorias contra maiorias, nem educados contra ignorantes. Não há uma história natural de sua luta: afinal é costume que oprimidos não reconheçam o opressor como tal. Trata-se do inconfessável temor da emancipação. O desconhecimento aflitivo de um futuro que não prevê comando central. Mas o tirano tem noção desse trunfo. Conta com ele. Beatifica-o. Só mesmo num dia como hoje, as vésperas da travessia, onde escravos vão, por escolha, deixar a escravidão. Na noite que irão se inclinar como homens livres. Só hoje a liberdade pode nos envolver. Para isso, rogamos um outro tempo. Um tempo do hoje. Da máxima abertura. Da paz olvidada. Da cessação não mencionada. Hoje, atravessaremos e só adiante notaremos o percurso. O percurso à liberdade.

https://correio.usp.br/service/home/~/156dba5b6d4d51850f15ef56d1addd71.opus?auth=co&loc=pt_BR&id=335312&part=2 (mensagem sonora – copie e cole no seu browser)

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

O que não vimos ? (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa, Na Mídia

≈ Deixe um comentário

O que não vimosX

Não vimos barcos, nem velas

no horizonte, chão espesso,

nem piso, nem recomeço

Não vimos volta

 do exílio, iminente

as salvaguardas, fluídas

No isqueiro, imenso

Não vimos a censura,

de revista em revista

nos privar da leitura

Não vimos calçadas,

E, perdendo o átomo,

Miramos o concreto

a matéria, o minério

Não vimos tempestade, nem areia,

enquanto sonhos se revezavam,

as provas, robustas,

o tirano acuado

mas, no rito do impedimento

migramos de volta ao relento

Enxerguemos no tempo,

 dobra do espaço,

obliqua janela,

notável advento,

a indecifrável rota

que finda o tormento.

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Terror do opressor (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Terror do opressor (1977)

16 março 2016 | 10:09

 

Lava-te agora com o precioso cânhamo

Do teu poderoso homicídio

Tão forte a gosma da corrupção

Que jamais enxaguará teu extermínio.

Se censurar foi o teu meio

E conceder-nos matança

Foi a tua redundância.

Não haverá um só meio

Que não conheça a revolta, o centeio.

Explodindo teu glutão palácio

Ferveremos tua condolência

Abençoando-te com uma tortura sem violência.

O abuso nas tuas insígnias

Não é a estampa do horror,

Mas a forma como compeles dor.

E teus fiéis servos perpetuam

Tua doutrina mundana

Imprimindo uma consciência tirana.

Faremos ainda com que cantes

A infinidade de nossos levantes.

E a tirania da tua democracia

Farás apenas com que murmures

– Sim, o poder com sangue tecia,

Mas nada é eterno pelo tempo que dure.

Quando assim vier-nos, então

Teu submisso pedido de clemência,

Enlouqueceremos de euforia, demência.

Finalizaremos teu sepulcro com pó,

E te embalsaremos

Não com a glória de um faraó

Mas com a solenidade que temos.

Conservaríamos viva a tua alma,

Para que cada um expurgue o termo

Na tua imagem, o que foi teu governo.

(Poesia da Coletânea “Diáforas Continentais”, 1977)

                                                    http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/terror-do-opressor-1977/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Masurpial na Orla (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Marsupial na Orla

Demorei muito. Já em Copacabana, achei que dava para parar de saltar. Os habitantes locais são muito simpáticos. Será que o pessoal pensa que fiz todo percurso na raça? Como o uber está proibido na cidade, tivemos que pegar táxi e veiculo leve sobre trilhos. Mesmo acompanhado do Phil, meu adestrador, as pessoas me olhavam desconfiadas. Pensa, ninguém sentou nem perto. Claro que me sentia discriminado, mas já me acostumei, vida animal é assim mesmo.

Queria uma treta, mas acredite, não havia vivalma disposta ao boxe. Será que eles sabem? Que sou amador e vim de longe? Vim nada, fui convocado às pressas. Nosso continente é maravilhoso, mas quando cheguei, perdi todo o fôlego. Que lugar: “a mais bela vila do mundo” como já escreveram explicou o Phil durante o nosso voo. Lugar lindo, mas em segundos, já percebemos que devia ser mesmo muito perigoso. Será que eles também tem crocodilos escondidos que aparecem de repente e comem pessoas?

Nenhum companheiro de espécie por perto, nem no zoo. Pensei cá com minha bolsa “você está sozinho nessa”. Foi quando resolveram me levar para me refrescar na orla. Sentei num banco bem do lado da estátua. Um humano magrinho de óculos, um poeta disseram ao Phil. Foi lá que pensei pela primeira vez: o que faz um prefeito? E ele nos chamou para o que? Me serviram uma taça na famosa confeitaria do forte e eu sai bêbado com todo aquele açúcar. Estava quase na hora da nossa audiência.

É claro que eu não queríamos nos atrasar. Pedido formal de desculpas para um símbolo nacional não é todo dia. Ainda mais como representante de uma espécie que tem um nome como o meu. Na verdade, “can-gu-ru” nunca foi o verdadeiro. Foi apelido, mas colou na hora. Decorei a história. Foi o seguinte: meu nome surgiu quando o capitão James Cook, o viajante, nos viu e perguntou ao guia aborígene: “o que é isso?”, e o tradutor verteu a pergunta para a língua nativa dos Guugu Yimidhirr. O guia, em dúvida, repetiu a pergunta algo como “não compreendo” ou “o que foi que ele disse?”. Quase ninguém sabe, mas foi assim que acabei batizado. Não consultei ancestrais para saber se a história procede, mas sempre ouvi que lendas não precisam da verdade.

Cheguei na portaria para o encontro com o chefe deles, e já nos deram um crachá. “Aguenta irmão, o homem ainda não chegou”. O porteiro deu uma piscadinha e quando perdeu o medo chegou mais perto do Phil e disse: lá na sua terra, já ouviram as gravações? Não entendi e ele me pediu para esperar e começou a rodar a conversa no smartphone. Ele começou a traduzir, mas eu nem precisava. Aquelas vozes, céus. Era entre dois chefes conversando. Já tinha ouvido Phil explicar que “políticos” são como “adestradores dos humanos”. Não sei quanto a ele, mas percebi que era roubada. Vozes são tudo para nós. Como se sabe, a linguagem dos animais é outra história, mas ninguém sabe do alcance do nosso ecletismo. Podemos não ter vocabulário, mas se há alguém que capta intenções somos nós. E eu pude sentir que aquilo era o que Phil chamou de “barra pesada”.

Esperei um bobeada do Phil, e me soltei da coleira. Apesar dos gritos de desespero cai fora. Pulei como nunca, achei a Vila e desviei de todos aqueles canos e fios. Voltei tremendo e me encolhi na minha confortável jaula. É verdade, ia sentir falta da delegação e ficaria sem assistir as lutas de boxe. Que os jogos deem certo, mas nunca senti tanta pena de humanos com esses seus horríveis adestradores. E o pior é que soube que eles é quem escolhem. Estranho, não? Can-gu-ru?

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/marsupial-na-orla/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

O Árbitro do Sentido (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

O Árbitro do Sentido

Num belo dia estamos no limiar do que parece ser um equívoco, porém, reconsidere, poderia ser muito pior. Para além dos gags linguísticos e dos reducionismos que o senso comum tem nos pregado no horário de TV subsidiada, estamos observando uma repetição. Uma a mais.

Olhando pelo lado estritamente analítico, nunca fomos tão anacrônicos. Mas, ao mesmo tempo, estamos reagrupando informações para alterar o ritmo do tempo, do qual antes éramos apenas expectadores passivos. Estamos vivendo em uma dimensão que não controlamos bem. Ainda. Pode ser um enorme entanglement effect (efeito de entrelaçamento) em que nós afetamos e somos afetados tal qual as partículas de luz, mesmo separadas, sofrem efeitos similares. Mas também pode ser algum outro fenômeno, desconhecido. Um destes que ninguém diagnostica.

Nosso solo comum é, decerto, maior do que tudo que nos distancia. Para pensar no jantar deste domingo: enquanto a política esfacela relações, quem provoca a secessão e as dissidências, reina incólume. Ainda assim vingar-se não é a resposta: jamais chegaríamos ao primeiro culpado. Enquanto isso inocentes precisam ser protegidos.

Não importa mais de que lado do espectro ideológico as pessoas vivem. O vital subsiste na preservação de algum senso de justiça, e o império do justo não é, nunca foi, a guerra.

A priori, só a paz significa muito. Mesmo nos cantões e nos ringues onde todos vociferam promessas e ameaças é a vontade de sentido que merece ser preservada. É o olhar de cuidado com quem não conta com nada.

E nós? Contamos com o que? Que o Estado faça o que jamais conseguimos aplicar em nossas experiências individuais.? A urna é apenas um símbolo amorfo. O verdadeiro manual é interno e o resultado poderá ser enfim nos reconhecer como povo. Se hoje isso não é possível, o dia chegará. Inexorável. São as ações ordinárias que nos levariam a algum senso de unidade. Quem sabe a tolerância pudesse recomeçar com a autoconsciência despertada por eventos mínimos. E assim, aqueles que defendem o humanismo, os reformadores íntimos dos outros, não exercitariam sua fiscalização sobre os demais.

Não sabes do que estou a dizer?

Pois vamos de outro modo: vote por sentido. Vote, impiedosamente, mas vote. Vote em mediações. Vote por conciliações. Vote por você — estamos cercados, uns pelos outros. Vote contra a opressão. Vote numa justiça que antecede nomes. Vote sem culto à personalidade. Vote no que é claro e distinto. Vote na ciência que amplie a vida. Vote na tradição que tem lugar no mundo. E vote também no progresso que não destitua o que já foi compreendido. Vote na civilização. Vote considerando parâmetros mais altos daqueles que estão disponíveis. Aproveite e não vote neles, nem nos outros. Vote no convosco. Vote na transparência que comunica. Vote na presença. Vote nos sons que ainda estão por nascer. Vote na ninfa. Vote em quem irá te acompanhar. Vote no que é transição. Vote no fluxo de consciência. Vote e eleja hermenêuticas que protejam. Vote em minorias. Vote no interesse público. Vote contra o desvio de função. Vote por um e por todos. Vote rebaixando a aflição. Vote na urna que amplia teu alcance. Vote na verdade que paira sem saber se aterrissa. Vote contra o refrão. Vote sem levar em conta os slogans. Vote longe das manadas. Vote no interno. Vote para sufocar a mentira acumulada. Vote desconfiando de quem sofisma. Vote abstraindo o carisma. Vote abandonando a supremacia. Vote na intensidade da igualdade. Vote em equidade de oportunidades, nunca de resultados. Vote pelo rodízio de poder. Vote em cores primárias. Vote em estado de liberdade. Vote olhando para além das muralhas. Vote olhando as crianças. Vote enxugando as lágrimas. Vote esquecendo comandos. Vote para resgatar a cidadania. Vote dissolvendo boatos. Vote menosprezando pesquisas. Vote com a noção de processo. Vote sabendo que já é história. Vote como se fosses um juiz imparcial diante de um impasse centra. Vote sob a viseira do passado. Vote como se houvesse um futuro. Vote em um presente.

E se mesmo assim tudo parecer/estiver perdido, vote sabendo que você é o árbitro do sentido.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/o-partido-do-sentido/

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Imprescindíveis, como textos (Estadão)

13 sábado abr 2019

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Em muitas regiões do País e do mundo as pessoas vivem em função das marés. A maré baixa e a maré alta representam visita aos bancos de areia, praias e ilhas temporárias, navegabilidade fácil ou encalhe, múltiplas perspectivas de aproveitamento do tempo, do turismo, lentidão ou velocidade, enfim do ritmo de vida. A ritmicidade ditada pelas circunstâncias da natureza foram sendo deixadas de lado pelos habitantes das urbes. Ao menos assim eles pensam. Mas isso não passa de negação da nossa tempera biológica, toda ela regada por ciclos determinados por noite e dia, fases lunares, incidência solar, oscilações barométricas e outros fenomenos cósmicos. A astrobiologia e a cosmobiologia nos regulam e aos nossos corpos, apesar de, na maior parte do tempo, não sermos capazes de detectar a extensão destas influências. O surpreendente é que elas não nos afetam de forma homogêna, mas sim de acordo com características idissincrasicas.

Apesar das turbulências externas comuns as marés internas nos sacodem de um lado para o outro. A partir de causas  gerais cada um responde de uma forma. Claro que a ciência nos aponta as causas fisiológicas das instabilidades humorais.  A secreção de hormonios que estabelecem aquilo que conhecemos como ritmo circadiano — o timing que determina nosso ciclo de sono e vigilia de acordo com a atividade da pequena e vital glândula chamada de supra renal. Os oceanos de dentro nos movem como embarcações, empurrando e ondulando nossos estados anímicos, através de encontrões n’agua, solavancos internos, salinidade excessiva, paisagens curtas e panoramas desoladores.

Com efeito, toda esta turbulência acaba nos arremessando ao campo dos marinheiros experientes, e, as vezes. lançam o navio todo contra terrenos acidentados. Naufrágios nunca são inesperados. É quando percebemos o inexorável: estamos sempre sujeitos a uma natureza interior que interage, interfere e modifica de volta o meio exterior. No entanto, o mais notável, é que mesmo sob a influência de todos estes fenomenos coletivos, a resposta é sempre individual.

É só aparentemente desolador que nossa solidão acabe sendo a única estabilidade que conheceremos em profundidade. E mesmo nos mergulhos coletivos, nas comemorações sociais, dentro dos grandes aglomerados, nos grupos familiares, nas confraternizações universais da cidadania, o que perdura é uma respiração, única, irrepetível:  a sua, a de cada um.

A solidão é, portanto, a única melancolia justificável. A única característica que acompanha essencial e inapelavelmente todo sujeito. Do berço ao sepulcro. Do começo até o último fim. Independentemente dos estremecimentos relacionais, das estradas vicinais estreitas, dos mangues hostis, dos cardumes que fluem pela correnteza. E da natureza, que segue alheia e sem nenhum senso de responsabilidade ou de obrigação.

Notem que o astrolábio afetivo do navegante fixa-se sempre sob o patamar do afastamento. A verdadeira roda da fortuna gira, em direção à impossibilidade de futuro. E segue distante dos homens que vivem buscando egregoras, fazem alianças para fixar rotinas de convívio, e, desesperadamente, buscam alimentar a fantasia para sentir que, mesmo distante, estão próximos da humanidade, protegidos do isolamento. De algum modo, um dos sonhos mais vulgares é que sempre estaremos cercados por alguém. É compreensível que se alimente tal ilusão, assim como é essencial — conforme nos apontou Ersnt Becker — negar a morte para seguir adiante.

Nosso impeto imaginário foi adiante, nos arrastou ao ponto de achar que somos ou seremos compreendidos. Trata-se da quimera mais astuta já inventada. Mesmo assim, não devemos nos cegar ao leitmotiv que nos empurrou até o presente. E esta perspectiva é, inegavelmente, um mérito exclusivo da literatura. É ela que nos informa que só há uma forma perfeita de utilizar as palavras, como já escrevera Paul Ricoeur. Portanto, se ficar provado que não somos ou nunca fomos essenciais para ninguém, assim como as palavras, permanecemos imprescindíveis, como textos.

Alguém há de nos ler.

Compartilhe:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Compartilhar no Tumblr
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos
Posts mais Recentes →

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
 

Carregando comentários...
 

    %d