• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: prosa poética

A responsabilidade nasce dos sonhos.

22 quinta-feira nov 2012

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açao penal 470, anomia, antiamericanismo, antijudaismo, antisemitismo, arianos, autocracia, centralismo partidário, centros de pesquisas e pesquisadores independentes, ceticismo, consensos, corrupção genética, fascismo, governo de coalizão, hegemonia e monopólio do poder, Kadhafi, Leis de Nuremberg, livro marrom, livro verde, livro vermelho, manipulação da razão, Mao, mensalão, nazismo e marketing político, nazistas, prosa poética, significado de justiça, terceiro Reich, tribunais de exceção, utopia, virada humanista, Willian Butler Yeats

A responsabilidade nasce dos sonhos.

 

 Por que um dos julgamentos mais importantes da história contemporânea aconteceu em Nuremberg? E por que ao processo que envolveu os genocidas nazis foi selado sob o nome de “tribunal de exceção”? A cidade era uma escolha simbólica, e os fatos, sem paralelo na história contemporânea. Em 1935, naquele histórico sítio alemão, foram editadas as leis raciais e de “proteção do sangue” que inauguraram um dos períodos de sombra da humanidade. Sancionadas pelo chanceler eleito e pelos ministros do interior e da justiça a promulgação daquela legislação tornou-se prova de que a manipulação da razão pode tomar destinos equivocadíssimos, mesmo na democracia. Se esta razão vier escoltada por alguma ideologia então, é mesmo para tremer e esperar pelo pior, sempre! Dito e feito!

 

Se índios, negros e outras etnias não tem alma porque os respeitaríamos rezava o consenso dos juízes da Inquisição. Por que povos inferiores devem ter os mesmos direitos que brancos europeus civilizados, reafirmavam os higienistas. Medições de crânios, a chamada “craniometria” dos cientistas que trabalharam pela e para a ideologia nazista apresentaram suas “evidencias empíricas”: o encéfalo dos não arianos “era menos evoluído e tendia à degeneração”. Os arianos, “intrinsecamente superiores”, representavam a “raça pura, de ascendência sem vícios ou corrupção genética”. Era o apogeu político da eugenia, uma doutrina que embora encontrasse raízes pré-existentes nas ciências naturais, tomou corpo e se fortaleceu graças à causa organizada pelo terceiro Reich. Foi assim que profissionais liberais especialmente médicos, pequenos comerciantes, o grande capital e professores universitários da Alemanha começaram a achar que poderiam acertar as contas com a humilhação decorrente do tratado de Versalhes e se safar da crise econômica com hiperinflação do final nos anos 20.

 

Finalmente, os juízes se prestaram ao papel e começaram a definir novas regras para a sociedade alemã: judeus, ciganos, homossexuais, negros, doentes mentais, mestiços – e alguém se lembrou de incluir gente politicamente desviada – mereciam tratamento especial. O cólume desta arquitetura, todos sabem, resultou no maior drama da história ocidental e, provavelmente, o mais sistemático e sem paralelo massacre da história recente. 

 

A ideologia ariana forçou os cofres do Estado alemão a desembolsar milhões para divulgar e patrocinar a doutrina do Führer, e ali, muitos dizem, o berço da mentira como indústria e, portanto, do marketing político moderno. Centenas de milhões do opúsculo raivoso de Hitler circularam e não possuir um exemplar de “Mein Kampft” tomado como séria ofensa ao Estado. A palavra nazista originária de nazional sozialism – literalmente nacional socialista, diferentemente de matizes à direita e à esquerda do fascismo, comporta uma designação precisa. Trata-se de um termo em franca vulgarização, que tem evocado banalmente o mal genérico e universal. A linguagem não costuma trair. Hoje em dia, se bobear, qualquer porteiro mal educado, jornalista independente ou sujeito crítico corre o risco.

 

Quando o Estado, centralizado em poucas cabeças, obriga todos os outros a segui-las, e há obediência civil, está aberta uma trilha ao abismo. Na lista de aberrações, temos o livro vermelho de Mao, o livro verde de Khadafi, a obra marrom de Pol Pot, fora as outras tonalidades de muitos outros. O mínimo múltiplo comum é que todos eles se auto-intitulam salvadores; sim, claro, de si mesmos. Pois nascem, crescem e morrem com um só objetivo, narcísico, o culto à própria personalidade.

 

Pulo para o nada sóbrio relatório do diretório do partido governista acusando o STF de “tribunal de exceção” e comparando ambos, processo e julgamento, aos procedimentos nazistas. Dado o respaldo popular e apoio maciço aos juízes deixaram para emitir a nota depois das eleições. Professores universitários e jornalistas decanos emprestaram suas habilidades e estilos à causa, dando os retoques finais ao documento. É aqui que nos perguntamos se a isso chamam honestidade intelectual?

 

Bastou para a enxurrada de pseudo-artigos na web, e na grande, média e minúscula imprensa, classificando o julgamento da ação penal 470, “erro jurídico rotundo”. Depois espalharam rumores e insinuações gravíssimas contra a corte jurídica e o procurador geral da República. Além das calúnias, exageros retóricos e grotesca falta de acurácia terminológica esses dirigentes partidários ficaram devendo às novas gerações uma versão verossímil dos fatos.

 

Poderiam ter afirmado, por exemplo, que as penas foram desproporcionais, que as provas deveriam ser mais consistentes, e até esbravejar para discordar da decisão do tribunal. Aliás, ninguém duvidaria que fosse esse o papel do partido. Infelizmente, veio a imprecisão panfletária, a palavra de ordem, a conclamação das massas, o intransigente desrespeito à constituição. Já que uma virada humanista e um governo de coalização parecem alternativas impensáveis, o único e involuntário aspecto favorável da ação dos dirigentes do partido hegemônico talvez tenha sido acelerar sua decadência.

 

Os magnatas do poder podem estar se aposentando coletivamente. Que durmam bem e nem precisam mais mandar notícias. Não custa sonhar que nos novos postos de trabalho, gente mais crítica e mais disposta a ir além do sectarismo ranzinza, assuma responsabilidades e conceda nada além do que deveriam ser nossos direitos naturais: plena cidadania e direito à vida.

 

Viajei, sei que viajei! Mas, como escreveu o poeta irlandês Willian Butler Yeats, é nos sonhos que começa a responsabilidade.  

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

 

paulorosenbaum.wordpress.com.br 

 

para o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/11/22/a-responsabilidade-nasce-dos-sonhos/

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Lev Tolstoy

19 segunda-feira set 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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exemplo e experiencia, fanatismo e ideologia, felicidade ao alcançe?, Iasnia Poliana, Justiça social, poesia, prosa poética, Tolstoy

Ou Taustoy (como se pronuncia em russo)

No recente ciclo sobre literatura um descendente direto do escritor trouxe informações importantes.

Mas nada supera o pequeno filme documentário que foi projetado com raras imagens originais em que o escritor — já consagrado — aparece cavalgando com seu médico, ou passeando em sua congelante propriedade em Iásnia Poliana às cinco horas da manhã.

Tolstoy teve a sorte de nascer em uma família aristocrática e pode produzir literatura no conforto de uma vida material assegurada. Faz diferença. Toda diferença!

Mas o mais notável não foi nada disso.

O extraordinário foi ver Tolstoy — cuja literatura foi execrada pelo regime soviético — cercado pelos camponeses para os quais distribuia atenção e dinheiro.

Não quero idealizar, mas a justiça social com que Lev fazia caridade o aproxima das linhagems de justos que andam sumidos e cada vez mais ocultos.

Nesse sentido, o conde descendente daquele escritor concorda que sua visão de justiça social era antes de qualidade espiritual, vale dizer, Lev processava o humanamente possível, e toda revolução (se quisesse levar esse nome) teria que passar por essa via, renunciando não só às tentações autoritárias, mas incorporando uma outra causa à causa. Estabelecer um mundo menos desproporcional e a aquisição de cultura e sabedoria, ao mesmo tempo.

A propriedade em Iásnia Poliana foi duas vezes salva pelos camponeses: no início da revolução russa quando a turba inflamada veio incendiar a propriedade, camponeses da cidade defenderam a casa do escritor.

Depois foi a vez dos nazistas que depois de pilhar a residencia, tocaram fogo às vesperas da saída às pressas para nâo enfrentar o exército vermelho, e, mais uma vez, camponeses-bombeiros salvaram o lugar.

Vivemos tempos obscuros onde nada é o que parece ser, sem lugar para exemplos ou sujeitos que se destacam pela nobreza das ações. O otimismo escasso só poderá ser extraído das estranhezas e das atitudes pessoais. No declínio final da pós modernidade (e portanto da própria modernidade) serão experiencias e exemplos as únicas armas contra o fanatismo e as ideologias.

Tosltoy mostrou isso. Pelo menos tentou.

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Avesso

06 quarta-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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avesso, começo, mudar, outrangulo, outro ângulo, prosa poética, recomeçar

Por dias mirava o nada, aquele traço oblíquo e torpe que gruda nos transeuntes. Olhava por cima das ondas da embarcação, que flutuava bem diante de seu enjôo. Era um colchão macilento, odioso, plastificado, mas seu, todo seu. No retângulo de seu confinamento atendeu ao pedido da mãe: ouvir os pássaros a bombordo. Estava de cabeça para baixo quando enxergou a névoa que aterrava as montanhas. Era uma nova imagem. Um pouco estúpida, mas consistente. E se os caules nascessem do céu, e se o solo tivesse sido trocado pelo azul? Era, definitivamente, um dia novo, isso, sem mais nada, já seria o avesso, o começo.

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O dia em granizos: chuvas paulistas.

18 sexta-feira fev 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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aspirações impossíveis, granizo, inundação, paulistas, poesia chuvas, prosa poética

Cada cubo descia com a sede das pedras.

Cada pequeno gelo circular, sim são semi ovais, foge ao solo sabendo do derretimento. Mesmo assim desce.

Somos confidentes desse granizo. Deste formato rigido que se esfacela no granito.

Granizo sobre granito.

Não deixa de ser choque entre durezas. Faz tempo que nós só amolecemos a tirania no meio-fio. Espremidos no barulho das latas que amassam os carros, esperando pelas enchentes.

Não há poesia em inundações, há n’água. Nas poças. No chuvisco estrito. Nas tevês desligadas. No fenomeno natural que subverte a tecnologia. Nas rimas de passagens. No estalo dos raios.

Há no granizo a potência de um futuro, de uma chuva granulada que quer, precisa, se espalhar. Da sarjeta, o guarda-chuva usado na frente dos corpos se espelha na espada. Mas o vento, olha para nós com a segurança de quem nos têm na mão.

Olho a água, a rua brilha. Não há mais cacos, os fractais correram até o chão, e no fundo (ai dá para ver), toda tragédia é falta de criatividade. A poesia forma até represas, o que ela pode, ou não quer (o que no fim dá no mesmo) é ficar à deriva enquanto qualquer nau faz cruzeiro.

A chuva daqui é texto ao sabor das águas.

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https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

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