• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Devoradores de sentido (blog Estadão)

19 quarta-feira nov 2014

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos, Imprensa

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devoradores de sentido\, Freud, Montaigne

As vezes, é chegada a hora de admitir: temos que abandonar a busca de saídas. É que saídas são onerosas. Saídas são desgastantes. Já tivemos a quota de saídas heroicas, missionárias, messiânicas e totalizantes. Nada imobiliza mais do que tudo ou nada. Isso porque é mais provável que uma quimera anteceda uma solução. A democracia, assim como outros conceitos sofisticados apresenta couro grosso com telhado de cristal. Uma exigência mínima é que um governo assuma o ônus de governar. Sem isso, vivemos a corte grotesca com aval para desgostos. Há tanto para menear a cabeça e recusar que talvez nem seja mais o caso de acusar ou acumular ressentimentos.

Se é impossível colocar o senso comum no pódio é mais difícil que a filosofia dos neuroexperts deem conta da complexidade. Ela desconcerta. Vibra em cadeia. Bate na testa. Comanda um exército de erros de previsões. Desbanca os oráculos. Quebra a banca. Muda o tempo e desorienta para nos humilhar com suas inconstâncias e extravagâncias. O mundo tem menos guerras? Mata menos? A civilização avança? Para alivio de Freud o ancião mal estar na cultura, vem sendo, enfim, superado? Engraçado. Não é a sensação. As estatísticas precisam ouvir mais o sentido que os números. Da violência sectária do Oriente Médio, às incursões separatistas na Europa, dos flagelos contra a natureza às demandas crescentes de consumo, ficamos devendo. Eis que legiões de intelectuais validam o inescrupuloso. Estudantes de medicina, mimetizam, eles também, o exato oposto do cuidado. E o anti-cuidado não é só não cuidar, mas abuso, retrocesso, tortura e discurso justificacionista como técnicas de domínio.

Não faz sentido. Somos devedores de sentido. Nos tornamos devoradores de sentido. Não alcançamos mais sentido nos pequenos sentidos diários. Desprezamos um Montaigne por dia negando o seu “não te basta viver?”. Abominamos um Camus por semana, pois, de fato, o que significa ser feliz em meio à infelicidade coletiva? E quem no mundo de hoje autoriza digressões? Podemos nos dar ao luxo? Destas e de outras reflexões? Quando se percebe como cresce o húmus: totalitarismos, extremismos e califados. Nossas lágrimas são ladrões da dor. Vermelhas de intolerância. De rubras, foram às cinzas. Estamos, sem tirar nem por, no viés do mundo. Num interregno das passagens. Suspensos, não temos mais eixos e desandamos.

Agora nem se pode despejar mais nada nas costas das contradições do capitalismo. Trata-se de algo bem mais ordinário, em sua mais binária acepção. A esperança remanescente está na jactância do comum, no refluxo à vida privada, no calor de uma pequena infinitesimalidade de medida pessoal. Olhar e ver. Emprestar vozes. Somar pingos à tempestade. E ousar ser. Contra todas as revogações em contrário. Intensificar a ousadia quando te dizem que é perigoso. Quando a maioria já se rendeu. Manifestar-se quando todos já murcharam em suas rotinas. Esqueça quem só procura. Quem acha é quem tem a presunção do acerto, da vida não fracassada e da participação justa. E a honra de ter encontrado o que nunca imaginaria? Ninguém pode pedir que esqueçamos do mal feito, a crueldade, os perversos, e a violência ruidosa, mas vale recomendar: que não sejam tomados como a medida de todas as coisas. Aliás, de coisa nenhuma. Em desuso, a paz é o único ingrediente que neutraliza todos os outros.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/devoradores-de-sentido/

Tags: Albert Camus, democracia e telhado de cristal, devoradores de sentido, Freud, Montaigne

Paulo Rosenbaum
rosenbau@usp.br

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Não Basta Viver?

06 sexta-feira set 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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colonizados por teorias, mau humor da esquerda e da direita, Montaigne, não basta viver?, tradição dos sem tradição, vida dessignificada

Não basta viver?

Diz-se que Montaigne respondeu a uma carta cheias de lamúrias e imprecações existenciais de um velho conhecido, e redarguiu com um texto que ofendeu o remetente à morte. O filósofo emendou, numa única frase, um ensinamento que deveria vir gravado nos imas de geladeira ou no google glass:

— E não te basta viver ?  escreveu o francês.

Por que a leitura de algumas poesias e de muitos romances nos dá a sensação de incompletude? Aliás, o que é esta sensação que assola a maioria das pessoas e que muitos identificam com o vazio existencial? Há um nome? É possível defini-la através da elipse, da síntese, da condensação?

Também não se pode apontar o limites do tempo para explicar uma espécie de lacuna final nas obras clássicas. Pode ser que seja um simbolismo dos nossos ciclos de vida. Mas também é cogitável que sejam os limites das histórias que contamos uns para os outros.

Parece que não nos basta mais, ou nunca. Para ninguém. A vida, ela mesma, parece dessignificada e isso explica em parte a banalização da violência e dos conflitos tribalistas presentes na raiz das barbáries do XX e do XXI. Da Síria ao Congo, da China ao Kosovo.

Nossa cultura vai virando uma tradição dos sem tradição. Mas o que parece uma pueril simplicidade vai se tornando improvável no universo intelectual. Nossa natureza gregária e o medo faz com que ainda precisemos pertencer aos grupos, as tribos, ou clubes ou classes para fazer parecer que há qualquer sentido na vida e para a vida. É como se estivéssemos obrigados a adotar perspectivas exógenas para restaurar nossa improvável completude .

E como a vida também pode ser comparada a uma editoração, é o quanto falta para dar o acabamento que importa? Ou as páginas manuseadas e percorridas?

A sensação de que “não é bem por aí” fez longa trajetória até chegar aos nossos dias. Nossas obras são inacabadas como as páginas, que segundo Jorge Luis Borges, jamais chegarão à perfeição. Não se trata de uma estratégia de artista. É que o inacabado imita Deus em performance. Seguindo a tradição judaica – e este é o significado do ano novo — tudo está sendo feito e recriado todo tempo o tempo todo. O incessante não significa acúmulo, mas renovação radical, despojamento absoluto. É como se precisássemos escapar do útero todas as manhãs. Daí a imperfeição intrínseca de toda obra, humana, natural, sobrenatural incluindo as coisas de natureza indefiníveis.

Mesmo assim por que nos bastaria viver como um mérito em si mesmo? Será que o otimismo e a alienação controlada merecem vigilância, descriminação? Esquerda e direita, ambas escravas do monotrilho partilham do mesmo mau humor endógeno: estão escravizadas pela herança materialista. Mas eis um monitoramento que vai para bem além da política. Fomos tão intensamente colonizados por ideias e teorias abstratas tão variadas que já não conseguimos nos desvincular para adotar uma síntese pessoal das coisas. Estamos amarrados para criar. Por isso mesmo a teimosia é uma benção.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/09/06/nao-basta-viver/

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O mundo não termina, o mundo nem começou.

27 quinta-feira dez 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A Verdade Lançada ao Solo, aspirações impossíveis, Bóson, democracia, editora record, educação e discriminação, fracassomania, Gea, hegemonia e monopólio do poder, Julgamento Mensalão, mais iguais que os outros, malandros otários, mensalão, Montaigne, orwell, passado e presente, poesia, presente mais que perfeito, prisões, raíz da patologia, submundo, término do mundo, transcendência, utopia

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Coisas da Política

Hoje às 06h30

O mundo não termina, o mundo nem começou

Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

Se o fim do ano é um registro que separa o passado do futuro, onde andará o presente? Como responde uma criança ansiosa pelo futuro quando os pais lhe indagam por que ela não aproveita o presente em vez de desejar o amanhã? Em algum momento essa resposta já foi dada:

— É que o presente dura tão pouco!

Ela pode ter razão. O que está, já foi. O que virá nem veremos, ou teremos que imaginar e apostar. O passado apenas parece ser um registro mais fiel, sobretudo mais memorizável. Mas lembramos com seletividade, como nos avisam os biólogos. Temos filtros bem instalados. Somos leitores cheios de ismos, e alguém nos doutrinou na religião, na filosofia, na ideologia política. E o que vimos este ano? Um julgamento que, apesar das pernadas, da gritaria, das falsas analogias, mudou o rumo das coisas. Pela primeira vez na história do pais um embate nos trouxe para bem perto das entranhas do poder. Mais de 150 advogados, intermináveis sessões da Corte e a excessiva espetacularização. Era o palco completo. As penas e a punição importam bem menos do que o simbolismo. Vislumbrou-se ali que, mesmo à revelia, “os mais iguais que os outros” podem estar em pé de igualdade com qualquer um. Que os poderosos são passíveis de penalidades, que ninguém é invulnerável para sempre, que existe uma organização da sociedade civil, que as instituições funcionaram, que há muito por fazer para sairmos da barbárie em que se transformou o manejo da coisa pública. E o mais importante: há mais diversidade política do que sonham nossas filosofias.

Sim, as mesmas guerras. Sim, a velha rotina de massacres non sense. As mesmíssimas cidades sem segurança pública. Os impostos tirados e distribuídos na derrama. Gente que foi embora e gente que chegou. A mesma falta de estadistas, a mesma lenga-lenga dos malandros otários. O mundo é assim, mas, para nossa sorte, sua dinâmica está longe de ser decifrada. Essa é a parte nobre da ignorância sobre como funciona a espantosa Gea. A bola azul rodopia no espaço e não quer nem saber no que vai dar. E isso, senhores, notável exemplo para ser forçado a viver o aqui e agora. Só assim a imanência pode fazer parte da transcendência.

Mas a retrospectiva do período também mostrou que times que sofrem podem se regenerar, que as partículas podem ser aceleradas sem que o mundo rache, que a ciência poderá sair do beco obscuro descobrindo que o segredo de muitas curas está no próprio organismo e que há, felizmente, muito mais saúde que doença. Mas este período mostrou, antes de tudo, falta muito mais do imaginamos para o fim. O mundo não termina, o mundo nem começou.

Nem os esportes nem a atividade profissional nem a vida competitiva podem fazer sentido. E se invertêssemos tudo e valorizássemos mais o empate? Prezar o equilíbrio das forças, ao invés de aplaudir o vencedor e vaiar o derrotado? Nem pensar. Não é espantoso e não se pode culpar ninguém. Tudo isso vem de berço, a base de nossa cultuada educação ocidental. Pode parecer zen demais, mas, e se os governos tivessem a audácia de ser impessoais? De ter a cara de todos e não só a de quem recebe mais votos? E se os políticos formassem coalizações onde todos se fizessem representar e tivessem voz? E se a diversidade fosse não só radicalmente respeitada como tomada como modelo de convívio social? E se as prisões não fossem átrios do submundo, mas lugares para um apartamento social com finalidade reconstitutiva?

Se as escolas não discriminassem, a educação poderia ser esperança no presente e não no futuro do pretérito. Querer vencer, ser o melhor, o primeiro, o mais acessado, o mais bem sucedido e o mais votado não é salvação, é a raiz da patologia. Não, senhor, ninguém precisa se converter à fracassomania, apenas entender que, exauridos, estamos cansados de repetir as mesmas manchetes por meses a fio. Deve haver algum lugar onde a utopia flua fácil e nós, todos nós, possamos ter dias melhores.

Esse lugar já existe, se chama presente mais que perfeito.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/12/27/o-mundo-nao-termina-o-mundo-mal-comecou/

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Negação da morte e Habitat

14 quinta-feira jun 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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eutanasia, finitude, habitat, Montaigne, morte, ortonasia, RIO+20

Negação da morte e Habitat

Sabemos que o assunto da hora é a RIO+20. Mas outro tema, igualmente importante, está sendo discutido sem merecer o devido destaque. A comissão que se encarregou de modernizar o novo código penal está concluindo os trabalhos, cuja versão final ainda não se conhece, e ali incluiu assuntos críticos. Refiro-me aqui aos que abordam a terminalidade da vida.

A legislação dos Países Baixos autoriza a eutanásia (medidas ativas, proibidas no Brasil) enquanto nos EUA existem grandes batalhas judiciais que só fazem aumentar as controvérsias. A ortonásia (etimologicamente, morte no tempo certo) tem sido por aqui discutida (diferente da anterior, admitida em casos em que a morte é comprovadamente uma questão de horas ou dias) apesar de já extensivamente praticada. Prevê a cessação de tratamentos considerados fúteis e pode incluir o desligamento de máquinas, interrupção de alimentação parenteral etc.

A ética hipocrática da qual os profissionais de saúde são herdeiros preconiza: não se deve interferir em uma doença sabidamente mortal ou incurável. Por outro lado como saber ao certo? Hipócrates também nos adverte sobre a precariedade das convicções e finalmente questiona em seu primeiro aforismo o valor dos prognósticos: a arte é longa, a experiência enganosa, o julgamento difícil.

O filósofo Montaigne abre um de seus Ensaios com “filosofar é aprender a morrer”. Precisamos aprender, mas como nos educar em terreno tão delicado? Até a pena de morte foi discutida — e abolida em boa parte do mundo – então por que intimidar-se com os debates sobre o fim da vida? Não me convence pensar que a distinção esteja entre castigo e alívio terapêutico.

Esquecemos, convenientemente, que fomos inculcados com uma amnésia chamada finitude. Resumindo, somos desmemoriados o suficiente para tocar a vida contra o inexorável que é nossa condição de mortais. Trata-se de estoicismo adaptativo, conforme mostrou Ernst Becker em seu clássico “A Negação da Morte”.

Hoje temos equipes especializadas em “dar conforto” às famílias de pacientes terminais. Foi uma solução superficial que a medicina hospitalocêntrica encontrou para lidar com o tabu. Este é um legítimo dilema da vida contemporânea: o que fazer diante de sofrimentos extremos e de alegada incurabilidade?

Quem terá o direito de opinar e a quem cabe a decisão final? À medicina, ao Estado ou à família? Haverá espaço para ouvir o único que poderia dar qualquer legitimidade ao ato? Nesse caso o desenganado: o sujeito que muitas vezes é impedido de votar por sedação excessiva, afasia ou coma. Pois e se o doente quiser confirmar presença mais alguns minutos, uns dias, quem sabe a semana? Dissecando o termo “desenganado” descobrimos que pode significar dizer a verdade, revelar, ou dissuadir. E quem pode dissuadir alguém acerca da continuidade da própria vida? É evidente que a sedação da dor e a manutenção de uma medicina paliativa são ganhos importantes no trato com doentes em sofrimento severo.

Portanto o problema parece estar mais no campo da psicologia, filosofia e direitos humanos do que propriamente no da deontologia médica ou direito penal. Qualquer equipe pode ligar aparelhos, mas e quanto a desligá-los? Plantonistas da UTI, dos home care, auditores das empresas de seguro saúde estarão autorizados? Afinal quem é que decide em quem não se deve mais “investir”?

É licito supor que mais este desleixo com os vivos que estão no final de um ciclo esteja mesmo na própria raiz da atual predação sistemática que executamos contra nosso habitat. Queremos consumir mais e praguejamos ao ver espuma nos rios e a bagunça climática. Guiados pelo imediatismo tomamos uma rota de caminho único: já que o planeta está envelhecido vamos logo partir para outro. Infelizmente a Rio+20 não terá tempo de discutir esta tênue relação analógica.
Cabe perguntar: não estamos tornando artificial demais um fenômeno natural assim como já fizemos com os partos e o envelhecimento? Que tal voltar a morrer em casa? Não seria mais digno estar consciente para assistir nosso próprio fim? Há preparação e prevenção para várias situações, mas parece que ninguém se preocupou com a morte. Mesmo quando o prognóstico for desfavorável e o enfermo estiver com os dias contados quem pode decidir quando chegou a hora de abortar a vida? Investidos de qual direito impediremos quem esta morrendo de aproveitar o tempo que lhe resta usando o que sobrou de saúde?

Às vezes é preciso coragem para ir contra as soluções que o senso comum apresenta como óbvias. Da mesma forma que temos o dever de recusar uma vida tutelada, não podemos aceitar o papel de carrascos, mesmo que ele venha com a chancela e a benção do Estado.

Paulo Rosenbaum médico e escritor. É autor do romance “A Verdade Lançada ao Solo”, (Editora Record).
paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar acessar o link do JB :

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/06/14/negacao-da-morte-e-habitat/

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Depressão necessária

21 quinta-feira abr 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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a função da depressão, abulia, depressão como função, depressão desnecessária, depressão necessária, Montaigne, sem psiquiatria, um órgão chamado depressão

Há alguns posts atrás falei da “depressão desnecessária”.

A depressão necessária não é uma necessidade. Mas ela se impõe. Pode ser por falta de outro nome, de qualquer forma, já se impôs. Há uma função para as tardes letárgicas, para a falta de produtividade, para o hormônio da abulia que nos domina em qualquer fase da vida.

A depressão é uma função, assim como tato, visão e olfato. Ela permite aberturas, furos para os espaços hermeticamente lacrados. Assim, respiramos qualquer profundidade.

— Ah. compreendo, essa não é a posição da psiquiatria? O lema tem sido “todo sintoma será extirpado”

Paciencia. Sinto Sr. mas esse não é um blog psiquiátrico, sequer prioritariamente médico.

Neste espaço, que considero terra de ninguém — o cyberspaco é tabernáculo contemporâneo — posso dizer o que nem sempre se pode fora das consultas.

A depressão necessária ou a necessidade de uma certa melancolia deve ser encarado como um órgão com déficit, que precisando voltar a funcionar, produz ruídos. Nem sempre agradáveis. A terapêutica — numa competente auto regulamentação — é fazer com que o corpo e a mente voltem a ter vida criativa.

Não somos meros reprodutores. Não precisamos ser copiadores. Não podemos mais ser espelhos de luxo. Ousemos pensar com independência. Para horror dos catedráticos viva a auto-referencia. A vida, pelo menos nossas vidas como criadores — é o que nascemos para ser — seria uma saída para o silêncio nesses dias de impressões excessivas e impressionismo esvaziado (ah! Matisses mal apreciados, que tragédia). Mas, para bem apreciar, não é preciso riqueza, nem poder (se bobear, atrapalha) é necessário, em uma palavra, assumir.

Assumir que a aula de Montaigne, sim um filósofo do XVI, “e por acaso, voce não está vivendo?”. Pois este magistral psicólogo também te afirma “e por acaso voce não está vivendo.” e ainda exclama “por acaso, voce não está vivendo!”. Ele trabalha com todos os pontos e nada é por acaso.

A depressão necessária não é, nunca foi, acidente. É sua causa eficiente, e afinal, não precisa ter vida própria.

Há nela um sentido, quase puro: a melancolia dos que refletem.

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